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¦ Editorial ¦ Ano XI • nº 58

Caros Amigos e Leitores

Janeiro / Feveriro 2013

www.graosbrasil.com.br Diretor Executivo Domingo Yanucci Gerente de Marketing Marcos Ricardo da Silva Colaborador Antonio Painé Barrientos Matriz Brasil Av. Juscelino K. de Oliveira, 824 Zona 02 CEP 87010-440 Maringá - Paraná - Brasil Tel/Fax: (44) 3031-5467 E-mail: gerencia@graosbrasil.com.br Rua dos Polvos 415 CEP: 88053-565 Jurere - Florianópolis - Santa Catarina Tel.: +55 48 9945-8565 graosbr@gmail.com Sucursal Argentina Rua América, 4656 - (1653) Villa Ballester - Buenos Aires República Argentina Tel/Fax: 54 (11) 4768-2263 E-mail: consulgran@gmail.com Revista bimestral apoiada pela: F.A.O - Rede Latinoamericana de Prevenção de Perdas de Alimentos ABRAPOS As opiniões contidas nas matérias assinadas, correspondem aos seus autores. Conselho Editorial Diretor Editor Flávio Lazzari Conselho Editor Adriano D. L. Alfonso Antônio Granado Martinez Carlos Caneppele Celso Finck Daniel Queiroz Jamilton P. dos Santos Maria A. Braga Caneppele Marcia Bittar Atui Maria Regina Sartori Sonia Maria Noemberg Lazzari Tetuo Hara Valdecir Dalpasquale

O milho e a soja estão ai, prontos para protagonizar outra safra recorde. Para isto devemos preparar-nos melhor do que nunca. O permanente desafio de otimizar os processos de pós-colheita, verdadeiro lasso de união entre produção, comercialização e industrialização. A pós-colheita se trata de uma criação de utilidade, na forma de serviços, como o acondicionamento, o transporte, a armazenagem, a formação de partidas melhores, adaptadas as demandas do mercado. Na lavoura muitos fatores são alheios ao nosso manejo, como por exemplo o tempo, e por isto geram-se perdas que não se podem evitar. Na pós-colheita tudo esta ou deveria estar em nossas mãos, sob o controle dos responsáveis de manejo. Tomara os problemas climáticos, falta de chuva no sul, excesso no norte, não terminem afetando profundamente os rendimentos e a qualidade. O certo que devemos preparar-nos para elevados volumes, preços sustentáveis e qualidades desuniformes. Como a pós-colheita é o negocio do centavo, por menos que seja a ineficiência, a perda quali-quantitativa, a quebra técnica, esta incide de forma muito grave. Muitas vezes falamos que um 1% equivale a 30% de todos os custos da pós-colheita. Por isto devemos ser exigentes, tanto com a tecnologia em uso, como com os serviços e com o time de trabalho que deve cuidar a meteria prima básica, cada dia de maior valor. Nesta edição apresentamos matérias de grande atualidade, que pretendem apresentar experiências validas de replicar ou considerar sua adaptação nos armazéns do Brasil. Como sempre, dentro das possibilidades, incorporamos diversas matérias, tratando de cobrir os muitos temas de interesse, mas além disso é importante ressaltar que os autores das matérias, as empresas que anunciam e apoian a difusão da tecnologia e nós mesmos como responsáveis da Grãos Brasil, estamos a disposição para atender qualquer consulta ou dúvida. Quando você o disponha também esta aberto o correio de leitores para fazer conhecer sua opinião sobre os temas tratados. Nesta edição contamos com editorialistas de luxo, como o Dr. Celso Finck, Dr. Irineu Lorini, Eng° Marilson Gonçalves Campos, Dr. Luis Cesar da Silva, Eng. Carlos Alberto Alves Fagundes entre outros, que não duvidam em compartilhar as melhores experiencias para as empresas armazenistas. Estamos iniciando uma campanha de assinaturas em todo Brasil e no exterior, para asegurarnos que a Grãos Brasil, da semente ao consumo, chegue a todos os rincões onde seja necessária. Por isto agradecemos aos que ajudam a difundir e estabelecer a melhor tecnologia para a região. Esperamos uma boa colheita e uma melhor pós-colheita. Que Deus abençoe suas famílias e trabalhos.

Com afeto.

Produção Arte-final, Diagramação e Capa Marcos Ricardo da Silva

Ligue e Assine:

(44) 3031-5467 02 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

Domingo Yanucci Diretor Executivo Consulgran - Granos Revista Grãos Brasil


¦ Indice ¦ 06

Secagem dos grãos da produção agrícola brasileira: porque e como?

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Avaliação da quebra técnica e qualidade do milho a granel, em função da temperatura de secagem e do tempo de armazenamento Critérios básicos no desenho de armazéns

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Troca de calor e massa no processamento de grãos Uso do gás LP na secagem de sementes e grãos garante qualidade, reduz custo. Suscetibilidade de pragas de grãos armazenados em função do tempo de exposição à terra de diatomáceas Show Rural 2013 aumentou em 35% o volume de negócios

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Segurança de grãos: micotoxinas & agrotóxicos

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A segurança e o expurgo

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Setores

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Editorial

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Não só de pão...

04 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

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Cool Seed News

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Utilíssimas


GRテグS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 05


¦ Acondicionamento ¦

SECAGEM DOS GRÃOS DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA BRASILEIRA: PORQUE E COMO?

Carlos Alberto Alves Fagundes Engº Agrº MSc Pesquisador do IRGA fagundes@irga.rs.gov.br

Resultados experimentais indicam que a maioria dos grãos agrícolas, com o arroz, milho, soja trigo e outros, da produção brasileira devem ser colhidos com umidade entre 24 e 18%, dependendo do sistema de colheita e de secagem a ser usado, com regulagem e operação correta da colheitadeira e equipamentos. No transporte deve ser evitada exposição prolongada ao sol, assim como não se deve mantê-lo abafado sob a lona do caminhão ou outro transportador, antes de ser submetido ao início da secagem. Os grãos colhidos, apesar de se disporem desprendidos das plantas que os produziram, ainda são indivíduos vivos com metabolismo respiratório ativo. Metabolismo este em intensidade dependente da atividade da água que os constitui que quanto maior sua disponibilidade maior será a respiração dos grãos. Respiração gera gás carbônico, calor e água que numa massa de grãos causa deterioração deles depreciando qualidade e se semente prejudicando poder germinativo e vigor. Por isto secar grãos após sua colheita para teores de 12 a 13% é prática necessária. A secagem deve ser efetuada tão logo seja realizada a colheita, não sendo possível é importante pré-limpar, aerar e/ou pré-secar os grãos, mantendo-os sob aeração constante de modo a resfriá-lo para reduzir seu metabolismo respiratório, bem como o dos organismos associados, insetos, ácaros, fungos e bactérias. Os grãos não devem permanecer úmidos na moega de recepção, sem aeração, por período superior a 12 horas, sob pena de ser reduzida sua conservabilidade e ou de aparecer grande quantidade de grãos amarelos, no caso do arroz, mofados, ardidos e com outros defeitos que também promovem rebaixamento de “Tipo”, atributo de qualidade. A secagem pode ser realizada nos sistemas, processos e ou métodos que utilizam ar aquecido, denominados secagem forçada intermitente, preferencial, e contínua ou naqueles com ar não aquecido a secagem com ar natural ou a baixas temperaturas. Na secagem com ar aquecido é preferível utilizar ar a temperaturas crescentes, desde que sem choque térmico e sem superaquecimento dos grãos, ficando em 40ºC o limite de temperatura da massa no final do processo quando os grãos forem destinados para indústria e 35ºC quando destinados para sementes. Devem ser evitados aumentos e ou reduções bruscas de temperatura do ar durante a execução do processo assim como taxas de secagem superior a 3 pontos percentuais nas duas ou três primeiras horas e 2 pontos 06 |Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

percentuais nas horas seguintes, para o arroz e o milho, até o final quando os grãos ficarem com umidade entre 13 a 12%. Se utilizar queima de combustíveis sólidos, lenha, casca ou outro, para aquecimento do ar de secagem, é recomendável evitar o contato direto do ar da fornalha com os grãos e devem ser tomados mais cuidados com o controle térmico da operação. Combustíveis sólidos, em conseqüência da inércia térmica característica de seu processo de queima, produzem maior desuniformidade de aquecimento do ar, com maiores choques térmicos nos grãos, resultando em maior suscetibilidade ao fissuramento e até a quebra dos grãos. Secagem no próprio silo armazenador, com ar natural ou a baixas temperaturas, deve ser controlada a umidade relativa juntamente com a temperatura do ar de entrada no silo, para ser reduzida a desuniformidade de secagem a fim de aumentar sua conservabilidade no armazenamento. A operação deve ser monitorada por sistemas automatizados, que podem usar gás liquefeito de petróleo (GLP) para o condicionamento do ar, para aproveitar o melhor potencial de eficiência técnica do sistema e aumentar a economicidade da operação. É recomendável não encher o silo-secador para depois secar, devendo-se procurar não ultrapassar um metro e meio na altura da camada de grãos no silo-secador de fluxo axial, para não prolongar excessivamente a operação e não provocar grande desuniformidade na secagem. Após a secagem de cada camada, essa pode ser removida para o silo de armazenamento definitivo ou ser sobreposta por outra de grãos úmidos recém colhidos. Para qualquer que seja a finalidade de uso dos grãos, deve ser evitada secagem em condições drásticas, com choques térmicos, para não favorecer a intensificação dos defeitos de origem biológica durante o armazenamento. A boa secagem acontece quando seguida as regras: 1) respeitando-se os parâmetros de temperaturas e as taxas de secagem, a secagem pode ser realizada nos sistemas, processos e ou métodos que utilizem ar aquecido e ou naque-


Acesse: www.graosbrasil.com.br les com ar não aquecido sem prejuízos aos grãos; 2) se utilizada queima de combustíveis sólidos como lenhas, cascas e outros para aquecimento do ar de secagem, deve ser evitado o contato direto do ar da fornalha com os grãos e serem tomados mais cuidados com o controle térmico da operação; 3) se o condicionamento do ar de secagem, em silo secador, for feito com a queima de GLP o monitoramento do sistema devem ser automatizado e com controle da temperatura e da umidade relativa do ar ou seja do ponto de equilíbrio higroscópico do produto; 4) em secagem com ar aquecido devem ser evitados os choques térmicos, pois os grãs na sua maioria são termicamente sensível e pode acontecer quantidade elevada de grãos fissurados e quebrados; 5) secagem com ar não aquecido, em silo secadorarmazenador, deve ser evitada lentidão excessiva do processo, pois os grãs podem adquirir danos latentes nessa fase e que se manifestarão em perdas durante o armazenamento; 6) secagem em silo secador-armazenador os grãs devem ser bem limpos, removendo-se o máximo de impurezas e matérias estranhas, antes ou durante o carregamento do mesmo, assim como o processo ser iniciado tão logo aconteça a deposição de uma camada de um metro de grãos bem espalhados; 7) secadores, ventiladores, fornalhas, silos secadores-

armazenadores, queimadores de GLP e estruturas como elevadores e roscas transportadoras para movimentação dos grãos durante a secagem, necessitam serem adequadas e bem dimensionadas e; 8) pessoal operadores dos equipamentos e máquinas das infra-estruturas para secagem e armazenamento devem ser bem treinados e com conhecimentos para o exercício de suas funções.

Infra-estrutura para secagem e armazenamento de grãos em fazendas

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¦ Tecnologia ¦

AVALIAÇÃO DA QUEBRA TÉCNICA E QUALIDADE DO MILHO A GRANEL, EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA DE SECAGEM E DO TEMPO DE ARMAZENAMENTO Por: Eng° Marilson Gonçalves Campos | (CONAB)

– Dissertação de Doutorado

Durante o armazenamento em ambiente natural, os grãos de cereais podem sofrer perda de peso resultante de secagem natural, quebra técnica e infestação de pragas. A quebra por secagem natural é a perda causada pela redução do teor de água dos grãos durante a armazenagem. Trata-se de uma variação de peso que pode ser determinada pela variação entre os teores de umidades inicial e final. Denomina-se quebra técnica a uma redução de peso do produto armazenado causada principalmente pela atividade respiratória dos grãos, que conduz ao consumo de matéria seca constituinte. A infestação por pragas também poderá ser responsável por significativa redução no peso e valor comercial do produto, dependendo dascondições ambientes e estruturais de armazenagem. Para prevenir-se de possíveis faltas de grãos ao final do período de armazenagem algumas unidades armazenadoras do Brasil adotaram, a título de retenção devido à quebra técnica, a aplicação de descontos de até 0,1% da massa armazenada para cada 10 dias de armazenamento ou fração, independentemente do tipo, das características físicas e do grau de infestação, bem como das condições climáticas locais. A CONAB, como órgão normativo, propôs nova sistemática, extinguindo o Ad-Valorem e adotando, a partir de 1992, uma sobretaxa com objetivo de indenizar as perdas ocorridas durante o período de armazenagem. Conforme normas operacionais estabelecidas pela CONAB e vigentes atualmente, além das despesas relativas aos serviços de armazenagem, o depositante paga um valor adicional, denominado sobretaxa, para obter a garantia quantitativa e qualitativa do seu estoque armazenado. Mediante o recebimento dessa sobretaxa, o agente armazenador se obriga a indenizar o depositante pelas perdas de qualquer natureza, inclusive as quebras técnicas e as de peso por redução de umidade, avarias, depreciações ocorridas ao produto e os eventos não acobertados pela apólice de seguro do depositante. Procurando contribuir para quantificar das reduções de massa que ocorrem durante a armazenagem, o trabalho teve por objetivo geral quantificar o índice de quebra técnica de milho armazenado a granel em silos metálicos. 08 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

MATERIAIS E MÉTODOS O processo de secagem e de armazenagem dos grãos de milho (Zea mays L.) utilizados foi realizado na unidade armazenadora da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, localizada no Município de Rio Verde, no Estado de Goiás, durante o período de março a outubro de 2001. Foram utilizados grãos de milho a granel da variedade híbrido Pioneer 30F80, semiduro. O milho com teor de água médio de 19% b.u., colhido mecanicamente, foi limpo, seco utilizando de três tempe-raturas de secagem e armazenados em três silos metálicos. Como testemunha, foram coletadas amostras durante o


Acesse: www.graosbrasil.com.br enchimento de cada carga do secador, que, após secagem em terreiro, também foram armazenadas a granel (Tratamento 1). Para quantificação do índice de quebra técnica e análise da qualidade comercial do milho armazenado a granel, os grãos foram secados com ar aquecido a 80 ºC, 100 ºC e 120 ºC (Tratamentos 2, 3 e 4). A seguir, as cargas de grãos provenientes do secador foram determinadas os teores de umidade, pesadas e depositadas, respectivamente, nos silos metálicos designados como S80, S100 e S120, onde permaneceram armazenados durante 180 dias. No decorrer do período de armazenagem as temperaturas do produto foram monitoradas em intervalos regulares de 3 dias e, evitou-se o uso do sistema de aeração visando o monitoramento da quantidade de dióxido de carbono (CO2) presente no ar do interior dos silos, resultante do processo respiratório da massa de grãos. Ao final do período de 180 dias de armazenamento o produto de cada silo foi novamente pesado, sendo determinados os teores de umidade do produto. RESULTADO E DISCUSSÃO Quadro 1. Temperaturas médias do milho nos silos e concentrações médias de dióxido de carbono durante o período de armazenamento.

Observa-se no Quadro 1 que houve aumento na concentração de CO2 no decorrer do tempo de armazenagem, indicando deterioração por processo respiratório da massa de grãos de milho durante o período de armazenamento, principalmente nos silos S100 e S120, onde foram armazenados os grãos secados, respectivamente, com temperaturas do ar de

100 e 120 ºC. Assim, as concentrações de dióxido de carbono presentes no ar intergranular foram influenciadas pelo aumento das temperaturas do ar de secagem e no decorrer do período de 180 dias de armazenamento. Comparativamente, nota-se no Quadro 1 que a temperatura média do silo S80 (com menor liberação de CO2) foi inferior em relação aos silos S100 e S120 (com maiores liberações de Co2), indicando que a temperatura de conservação do produto armazenado é um parâmetro importante na redução da quebra técnica devido ao processo respiratório. No Quadro 2 observa-se que, do total de redução de massa verificada (14.709 kg ou 2,03%), 8.709 kg ou 1,20% foram devidos à quebra de umidade e 6.000 kg ou 0,83%, à quebra técnica devido ao processo respiratório. Assim, do total de perda de peso apurado, 59,21% foi devido à quebra de teor de umidade e 40,79%, à quebra técnica. Conforme porcentagens de quebra técnica ocorrida em todos os tratamentos, verificou-se que o percentual obtido no tratamento testemunha (secagem natural) foi de 0,73% ou, aproximadamente, de 0,12% ao mês, enquanto no milho secado a 80 ºC esse percentual foi de 0,17% ou, aproximadamente, 0,03% ao mês. Possivelmente, isso seja devido ao fato de que, no tratamento testemunha, foram armazenados somente 544 kg de milho e, no tratamento a 80 ºC, 245.480 kg de milho a granel. Comparando os Quadros 1 e 2, nota-se que as maiores quebras técnicas foram verificadas nos silos S100 e S120, devido ao processo respiratório da massa de grãos comprovado pela maior liberação de dióxido de carbono.

Quadro 2. Redução de massa devido à perda de água e quebra técnica total após 180 dias de armazenagem. A partir das condições estabelecidas no experimento, pôde-se concluir que: a) A temperatura de secagem é um fator importante na quebra técnica devido ao aumento da temperatura média de conservação do produto durante o período de conservação; b) Quanto maiores as temperaturas de conservação do produto maiores são as quebras técnicas por processo respiratório, devido ao consumo de matéria seca (redução de peso) e, por conseguinte, aumento da concentração de dióxido de carbono na massa de grãos; c) A quebra técnica do milho armazenado devido ao processo respiratório variou de 0,03% a 0,20% ao mês, dependendo das condições de temperaturas de secagem e de conservação do produto; d) Para as condições de realização de aeração convencional nos silos verificou que em todos os silos ocorreram processo de secagem do milho armazenado. GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 09


¦ Infraestrutura ¦

CRITÉRIOS BÁSICOS NO DESENHO DE ARMAZÉNS Por: Eng° Domingo Yanucci | Consulgra-Granos / Grãos Brasil | graosbr@gmail.com A produção de grãos se caracteriza por: anualidade - estacionalidade - produção extensiva. A anualidade implica variações de área plantada e colhida ano a ano. A colheita sempre é estacional e a demanda se da ao longo do ano. As culturas extensivas estão condicionadas por fatores ambientais, o que afeta a quantidade e qualidade do produto.

A estacionalidade e aleatoriedade caracterizam a oferta de grãos que obrigam a armazenar para satisfazer as demandas internas e cumprir com os compromissos de exportação. A produção não termina na colheita, um critério mais amplo nos faz pensar em produção como criação de utilidade, por isto a pós-colheita é um link mais. Dentro da pós-colheita encontramos uma serie de benefícios ou criações de utilidade: - Utilidade de lugar (dada pelo transporte) - Utilidade de tempo (dado pela armazenagem) - Utilidade de forma (dada pelo acondicionamento e formação de partidas adequadas para a comercialização) Para alcançar de forma satisfatória os benefícios de tempo e forma, se deve dispor de instalações adequadas. De outra forma aumentam os gastos, quebras técnicas, perdas e dificulta as tarefas de manutenção e segurança. Em muitas regiões se da um gargalo nas tarefas de secagem e limpeza o que afeta a eficácia da pós-colheita. Que vantagens temos em dispor de armazéns adequados ? - Realizar uma regular e fluida comercialização. - Diminuir as perdas quali-quantitativas. 10 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

- Aumentar a produção de forma ordenada. - Implementar práticas de estratégias de exportação. Para a elaboração de um bom projeto de desenho muitas são as áreas de conhecimento, por exemplo: agronômicas comerciais - financeiras - elétricas - estruturais - ambientais - ecológicas - mecânicas - legais - laborais - qualidade de grãos - demandas do mercado - manejo de pós-colheita. Sem duvidas é um leque tão amplo que o transforma em um verdadeiro desafio. A complexidade dos fatores inter-relacionados requer um abordagem integral. Devemos ter muita atenção quando se fala de uma nova instalação ou quando se trata de alguma melhora ou ampliação de uma já existente. Tudo o que se faz tem uma consequência por muitos anos, comumente falamos: Cuidado ao colocar um parafuso, pois afetará os próximos 20 anos. A falta de consideração deste simples conceito, somado ao fato que algumas evoluções são difíceis de prever, nos leva a encontrar com armazéns onde a eficiência esta longe da realidade de todos os dias. Hoje centenas de armazéns que se encontravam fora das cidades estão rodeados de complexos urbanos. A simples circulação de caminhões, o pó e outros contaminantes liberados


Acesse: www.graosbrasil.com.br devido ao manuseio, o barulho noturno, etc..., geram conflitos graves. Isto nos deve advertir sobre a localização e características que deve ter um terreno para construir uma nova instalação. Se desejarmos manter um armazém em meio a cidade sem duvidas as complicações e custos serão bem maiores. Muitos dos avanços tecnológicos da pós-colheita não são evidentes para o leigo, por isto podemos ver instalações novas com tecnologias de 30 anos atrás. Devemos chamar a atenção sobre este tema porque continuam projetando instalações que eram boas a varias décadas atrás e hoje não correspondem as necessidades do setor.

Critérios básicos para se considerar em um desenho: 1) Simultaneidade 2) Flexibilidade 3) Capacidade corretiva 4) Segurança e higiene 5) Manutenção e baixo custo 6) Capacidade de ampliação SIMULTANEIDADE Este conceito se refere à possibilidade de realizar vários trabalhos distintos ao mesmo tempo. Por ex.: Receber dois tipos de grãos simultaneamente, enquanto um esta secando

o outro é transferido para o armazém definitivo e se carrega os caminhões com grãos proveniente de dois depósitos. O desenho do armazém e especialmente as conexões para o transporte interno é o que da a possibilidade da simultaneidade. FLEXIBILIDADE A ideia de flexibilidade se refere a uma necessidade frequente de deslocar os grãos para distintos manejos ou caminhos. Por ex.: Um grão pode ingressar no armazém e ir para secagem e peneira, ou para um silo de espera ou para um deposito definitivo. Muitas vezes deve passar pelo fundo do armazém para depois retornar para terminar o acondicionamento ou gerar uma mistura. Podemos enumerar muitas alternativas a considerar se queremos ter instalações eficientes e, portanto, relativamente cômodas e que permitam escolher entre várias alternativas sempre considerando a ida e volta do grão. CAPACIDADE CORRETIVA De forma individual um grão não pode melhorar suas características, mas se falamos de uma massa de grãos, onde o que vemos são valores médios, podemos falar de melhoras. Às vezes o grão chega com problemas da lavora, por ex.: baixo peso hectolítrico, muitas impurezas, sementes não deseja-

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¦ Infraestrutura ¦ MANUTENÇÃO E BAIXO CUSTO É recomendável que as instalações sejam de fácil manutenção, o que também afeta o custo do mesmo. Sabemos que os equipamentos quebram quando usados, e geralmente no momento menos oportuno, por esta razão é necessário adotar programas de manutenção preventiva, isto facilita muito enquanto no desenho e na escolha dos equipamentos se leva em consideração este importante tema. Às vezes se colocam maquinas muito juntas, dificultando a circulação pelas instalações e, portanto, qualquer tarefa de limpeza e manutenção. A iluminação é outro fator básico a considerar. Dentro dos gastos de um armazém são as variáveis mais importantes: combustível - Mao de obra - energia elétrica. Portanto na hora de tomar qualquer decisão deve ter em conta que quanto mais toneladas sejam manejadas por menos pessoal, mas eficiente será o manejo pós-colheita.

das, danificado, etc., outras vezes devido a problemas de armazenagem os grãos são danificados por insetos, fungos, quebrados no manuseio, etc.. Ante estes granéis com defeitos, a instalação deve dar-nos a possibilidade de corrigir. Por ex.: dispor de um depósito para expurgo, de condições de misturas, aerações reforçadas, sistemas de monitoramento e amostragem, etc. Permite ter os benefícios de capacidade corretiva. SEGURANÇA E HIGIENE A segurança se refere ao que pode afetar rapidamente, por ex.: uma explosão de pó, a higiene é aquilo que atuando de forma prolongada no tempo prejudica aos interessados, por ex.: barulho excessivo, ambientes com pó. As instalações e por suposto os manejos devem considerar os aspetos de segurança e higiene. A ideia é cuidar das instalações, que normalmente são investimentos grandes, e também cuidar da vida dos trabalhadores e de todos os que podem ser afetados pelas atividades do armazém. Sistemas de aspiração ou supressão de pó, detectores de aquecimentos excessivos, adequadas sinalizações, sistemas antiexplosão nas luminárias, protetores nas escadas e zonas elevadas, assim como uma adequada conscientização e capacitação dos responsáveis, adotados os equipamentos necessários de proteção. Não é possível que um lugar de trabalho seja um lugar de morte ou calvário para os funcionários ou que se agrida o meio ambiente ou residentes dos arredores. 12 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

CAPACIDADE DE AMPLIAÇÃO Muitas vezes concebemos o projeto em etapas. Sabemos a priori que não se realizará tudo e deixam previstas varias instalações. Outras vezes com o passar dos anos e as naturais evoluções, nos vemos ante a necessidade de dispor de equipamentos que não estavam contemplados no projeto inicial. Não é estranho que se deva instalar outro elevador de canecas, ou uma secadora maior, mais depósitos, etc., e isto muitas vezes é um desafio, sobre tudo em instalações concebidas de forma muito apertada ou restrita. Este critério de economia de desenho, traduzido em metros, às vezes nos deixa sem alternativas de ampliação, levando a considerar necessariamente outra instalação. Por esta razão o que parece sobredimensionado ou mais caro, como investimento inicial, ao longo do tempo nos permitirá melhoras na eficiência, que de outra forma seriam impossíveis. Devemos ter claro que nem sempre o mais barato é o mais econômico, sobre tudo a médio e longo prazo. EQUIPAMENTOS DE MANIPULAÇÃO E DEPÓSITOS É fundamental considerar uma capacidade suficientemente ampla, superando pelo menos 25% aos equipamentos de manejo (peneira - secadora - etc.), em nenhum caso se deve dispor de uma máquina de movimento de grãos de capacidade inferior a anterior. Também devemos considerar a qualidade dos materiais, de maneira que os mesmos não se desgastem no primeiro ano de uso. Os equipamentos devem tratar adequadamente os grãos e contemplar os desenhos modernos de alta eficiência e mínimo gasto. Em todos os casos devemos pensar em fornecedores confiáveis que assegurem a disponibilidade de reposição rapidamente. As características do lugar de emprazamento, desenho, material de construção dos depósitos, são algumas das variáveis que atuam determinando a conservação da qualidade dos grãos e sementes. O tipo de deposito será distinto segundo se trata de grãos em sacos ou no granel, apresentamos abaixo um quadro com as vantagens e inconvenientes de manejo em ambas circunstancias.


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Devido a sua maior eficiência o manejo de grãos é realizado quase em sua totalidade a granel, as sementes que requer maior classificação e distribuição encontra nos sacos uma boa alternativa. Os silos bolsa têm as vantagens de ambos os sistemas. Os depósitos a granel devem reunir pelo menos as seguintes características: Estrutura adequada - solidez - suportar as cargas a que é acometido (sobre tudo quando se move o grão) - impermeabilidade (o deposito deve proteger os grãos das inclemências climáticas e do ataque de inse-

tos e ratos). Deve-se evitar o ingresso de umidade. A hermeticidade ajuda na aplicação de fumigantes. Manutenção da qualidade ou seguimento dos fenômenos que ocorram no granel demandam condições que facilitem a inspeção. Devem-se considerar especialmente sistemas de aeração, ventilação, termometria, espalhadores. Adequado equipamento de manipulação, deve-se considerar a capacidade de trabalho necessária e as características do grão a transportar, sempre que seja possível incorporar a descarga lateral por gravidade.

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¦ Infraestrutura ¦ Para o desenho adequado é conveniente ter uma resposta mais acertada possível aos seguintes pontos: - Quanto grão recebera por dia? - Quantos grãos distintos receberam simultaneamente? - Quantas toneladas se deve secar e com que níveis de umidade? - Quanto grão fino (trigo, cevada , etc.)? - Quanto grão grosso (milho, soja, etc.)? - Qual o tempo médio de armazenagem para os distintos grãos? - Quais as expectativas de crescimento? Estes itens nos orientam sobre o numero de moegas, numero de elevadores, capacidade de secagem, numero e capacidade de depósitos de recepção e de armazenamento. A esta informação temos que somar o referente a qualidade do que será comercializado, informações de mercado, características dos equipamentos, etc.. Um bom conhecimento dos custos nos mostra como devemos mudar o enfoque na aquisição dos equipamentos. Por ex.: no caso de um silo, que afeta principalmente com a amortização e os juros, onde o gasto é pequeno, se deve ter atenção no preço inicial do investimento, no caso de uma secadora onde os gastos são importantes, a qualidade da secagem, assim como a eficiência energética, incidem mais na toma de decisão que o valor do investimento inicial. É frequente que nos encontremos com armazéns que já se tornaram pequenos ou obsoletos, gerando assim o desafio de ampliar e ajustar a tecnologia das instalações. Então depois de verificar onde estão as principais limitantes, na recepção, na secagem, nas peneiras, na armazenagem, etc., se define o que é prioridade, qual é a relação custo/beneficio e se colaca em marcha um programa de otimização. É comum que em um armazém se realizem as seguintes melhoras: reforço das aerações - instalação de exaustores - instalação de equipamentos de monitoramento na secagem - incorporação de sistemas de resfriamento - otimização de elevadores - instalação de sistemas de pré-limpeza e aspiração de pó em elevadores e moegas - incorporação de espalhadores - sistemas eletrônicos de monitoramento - extratores de mostras mecânico-neumáticos - modernos determinadores de umidade, proteína, PH, etc.. Muitas vezes se geram novos pontos de recepção e acondicionamento, para dar versatilidade e agilidade ao manejo de grãos.

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Não se deve confundir tecnificação com mecanização. Mecanizar implica incorporar maquinas para realizar processos, que devem ser as mais modernas e eficientes possíveis. Tecnificarse é muito mais amplo e necessariamente põem no centro da cena o responsável do armazém, já que implica na tomada de decisões, por ex.: quando aerar, até que ponto secar, que dosagem de praguicida usar. A tecnificação vai da mão da capacitação e conscientização dos que devem conduzir os times e em definitivo tomar decisões. E imprescindível ter em conta que um pequeno armazém de 1.000t de grão se armazena R$ 200.000,00 ou mais. Por exemplo.: em um armazém de 20.000t de capacidade o responsável deve trabalhar com um investimento de R$ 3.000.000,00 com um gasto por ano de R$ 300.000,00 e com grão por R$ 12.000.000,00. Toda esta responsabilidade só e razoável por nas mãos de um funcionário preparado, a quem se da os elementos para um manejo eficiente. Se falarmos de uma perda de 1% do volume armazenado, falamos de R$ 120.000,00 que esta perto da metade dos gastos de manejo. Por isto insistimos, que como o manejo de grãos pós-colheita é o negocio do centavo, devemos por muita atenção em todos os pequenos detalhes.


¦ Conservação ¦

TROCA DE CALOR E MASSA NO PROCESSAMENTO DE GRÃOS Dr. Luís César da Silva Universidade Federal do Espírito Santo - UFES Centro de Ciências Agrárias - CCA e-mail: silvalc@agais.com

O ar, didaticamente, é dividido em duas frações: vapor de água e ar seco. A fração vapor de água pode aumentar ou diminuir. Aumenta, por exemplo, na secagem de grãos, em que a água removida do produto é repassada ao ar. E diminui quando do reumedecimento de produtos ou da condensação de vapor de água sobre superfícies.

Em aplicações na área de armazenagem de grãos, a fração ar seco é considerada constante, sendo composta por nitrogênio (78,80%), oxigênio (21,00%), gases nobres (0,90%), gás carbônico (0,30%) e outros gases (0,01%). Para caracterizar o ar são utilizadas propriedades psicrométricas, como: temperatura de bulbo seco, temperatura de bulbo úmido, umidade relativa, volume específico, razão de mistura e entalpia. A temperatura de bulbo seco corresponde temperatura do ar medida por termômetros de mercúrio ou digitais. Enquanto a temperatura de bulbo úmido é medida por meio de um termômetro com o bulbo envolto por cadarço de algodão embebido em água. Esse artifício visa simular o processo de evaporação, em que, o calor necessário é extraído do bulbo. Desse modo, a temperatura de bulbo úmido tende a ser menor que a temperatura de bulbo seco. E quanto maior é essa diferença, mais seco o ar estará, ou seja, o aporte de vapor de água no ar está em baixo nível. Esse nível é expresso em escala percentual por meio da propriedade umidade relativa. Se a umidade relativa é zero significa que não há vapor de água no ar, enquanto 100% caracteriza o estado de saturação, em que, o ar está com o aporte máximo de vapor de água. Nessa condição, as temperaturas de bulbo seco e úmido são iguais. O volume específico corresponde ao volume de ar que contem um quilograma de ar seco mais uma quantidade variável de vapor de água. A variabilidade da quantidade de vapor é expressa pela propriedade - razão de mistura, que corresponde à razão entre quantidade de vapor e 1,0 kg de ar seco. Por exemplo, o ar com temperatura de 25ºC e umidade relativa de 60% tem a razão de mistura igual 0,0125 kg de vapor de água por 1,0 kg de ar seco. Outra propriedade relacionada à quantidade de ar seco é a entalpia, que expressa o estado energético do ar. Quanto mais energia o ar possuir, maior é a agitação moléculas que o constitui. A entalpia é expressa pela relação entre a quantidade de energia (k Joule ou k caloria) e 1,0 kg de ar seco. Portanto, para temperatura de 25ºC e umidade relativa de 60% o valor da entalpia é 55 kJ por 1,0 kg de ar seco, ou 55

kcal por 1,0 kg de ar seco. Se o ar é aquecido, a entalpia aumenta, consequentemente, a temperatura do ar também aumenta. Os valores das propriedades do ar alteram mediante a mudança do ponto de estado, que é definido, por exemplo, pela temperatura e umidade relativa do ar. Desse modo, conhecendo a temperatura e umidade relativa, as demais propriedades do ar podem ser determinadas utilizando o gráfico psicrométrico, ou programa de computador que contenha equações matemáticas para o cálculo das propriedades. No site www.agais.com, seção aplicativos "on line" é disponibilizado um programa para o cálculo das propriedades psicrométricas. Processo troca de calor O processo de troca de calor ocorre quando o ar é aquecimento ou resfriado. O aquecimento do ar para fins de secagem pode ocorrer em fornalhas, resistores elétricos, ou pela radiação solar. No caso das fornalhas a lenha, cada quilograma de lenha queimada libera cerca de 3.500 kcal. No entanto, apenas 40% dessa energia é transferida ao ar, em razão da baixa eficiência térmica das fornalhas. Ao receber calor, a entalpia do ar aumentada, a temperatura eleva e a umidade relativa reduz, pois quanto maior o aporte de calor do ar, maior será capacidade em conter água na forma de vapor. É por isso que na maioria dos secadores, GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 15


¦ Conservação ¦ em contato com superfícies frias. Assim, a medida que o ar cede calor, diminui sua capacidade de manter a massa vapor em suspensão, ocorrendo condensação. Essas superfícies podem ser paredes ou tetos de silos ou graneleiros, ou as superfícies dos grãos. Processos de troca de calor e massa nas operações unitárias Conhecendo os princípios da troca de calor e massa envolvendo as massas de grãos e ar é possível compreender como ocorrem às operações unitárias: aeração em silo-pulmão, secagem, seca-aeração, aeração durante a armazenagem e refrigeração da massa de grãos.

parte do ar de secagem deve passar pela fornalha. No caso do resfriamento do ar empregam-se geradores de frio para remover calor do ar. Com isso, a temperatura do ar diminui e a umidade relativa aumenta, pois o ar perde capacidade de reter água na forma de vapor. E se a quantidade de calor removida for demasiada, parte do vapor de água condensa e, ou congela. Processo de troca de massa - vapor de água Os grãos são higroscópicos, ou seja, possuem a capacidade de ceder ou receber água na forma de vapor do ar circunvizinho. O sentido da troca é estabelecido, por exemplo, pela diferença da umidade relativa da finíssima camada de ar sobre os grãos, chamada de microclima, e a umidade relativa do ar circunvizinho. O fluxo de vapor será estabelecido do ambiente como maior umidade relativa para o de menor valor. Isso ocorre até que seja atingida a condição de equilíbrio higroscópico, quando o fluxo de vapor cessa, pois os valores de umidade relativa tornam iguais. Na secagem, os grãos devem dispor de aporte calórico para evaporar a água contida nos tecidos internos e promover migração do vapor para superfície. O que faz a umidade relativa nas superfícies dos grãos tornarem maior que a umidade relativa do ar circunvizinho. Sendo assim, o fluxo de vapor de água ocorrerá das superfícies dos grãos para o ar. Recebendo esse aporte de vapor, a temperatura do ar reduz, pois parte do calor do ar será utilizada para manter a massa de vapor em suspensão. Além disso, aumentam os valores da razão de mistura e da umidade relativa. O reumedecimento da massa de grãos deve-se ao fato do ar circunvizinho apresentar úmida relativa maior que a umidade relativa sobre a superfície dos grãos. Nesse caso, o fluxo de vapor será do ar para superfícies dos grãos, podendo ocorre condensação. A massa de grãos poderá absorver parte da água condensada, aumentando o seu teor de água em poucos pontos percentuais. No entanto, a maior quantidade de vapor condensa sobre as superfícies dos grãos, aumentando a atividade aquosa do ambiente, propiciando o desenvolvimento de fungos e bactérias. Outro fato que leva o ar a perder vapor de água, é quando 16 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

a) Uso do ar em silos-pulmão Os silos-pulmão no fluxograma operacional são instalados entre as máquinas de pré-limpeza e os secadores com a finalidade de acondicionar produto úmido que aguarda a secagem. Normalmente, esses produtos apresentam teores de água superior a 18%, o que favorece a proliferação de fungos do gênero Fusarium. Portanto, para reduzir a proliferação desses microrganismos é recomendado remover calor da massa de grãos. Esse calor é gerado pela respiração dos grãos e o metabolismo de fungos e bactérias. Desse modo, com a passagem do fluxo de ar ambiente, Figura 1, pelos grãos, reduz a temperatura do produto e pode ocorrer uma pequena redução do teor de água do produto entre 0,5 a 1,0 pontos percentuais. Isso dependerá das condições psicrométricas do ar ambiente e o tempo de execução da operação. O fluxo de ar empregando deve estar entre 230 a 470 litros de ar/minuto/metro cúbico de produto.

Figura 1 - Uso do ar em silos-pulmão.

B) Uso do ar na secagem de grãos Nos secadores de grãos tipo fluxos mistos (secador cascata ou de cavaletes) com reaproveitamento do ar da seção de resfriamento, Figura 2, o ar ambiente ao passar pela fornalha recebe aporte de calor, fazendo com que a temperatura do ar superaquecido varie entre 350 a 450ºC. Esse quantitativo de ar representa de 10 a 15% do fluxo do ar de secagem. O ar superaquecido segue para o misturador tangencial, popularmente chamado de ciclone ou quebra chamas, onde é misturado ao ar ambiente tornado a temperatura do ar entre 80 a 100°C. O quantitativo de ar que entra pelas aberturas do misturador tangencial corresponde entre 35 a 40% do fluxo do ar de secagem. A massa de grãos com teor de água próximo a 13% e temperatura de 55°C ao sair da câmara de secagem dos secadores de fluxos mistos seguem para seção de resfriamento, onde o ar ambiente é utilizado para remover calor (Figura 2). Desse


Acesse: www.graosbrasil.com.br modo, a temperatura da massa de grãos toma valores próximos de 35ºC. O ar que sai da seção de resfriamento possui considerável aporte de calor, sendo portanto, misturado ao ar proveniente do misturador tangencial com o objetivo de aumentar ainda mais o potencial de secagem. O quantitativo de ar que entra pelas venezianas da seção de resfriamento dos secadores de fluxos misto representa entre 45 a 50% do fluxo do ar de secagem.

sobre as superfícies dos grãos. Por meio da operação de seca-aeração otimiza o uso dos secadores, reduz o consumo de lenha e energia elétrica e diminui danos mecânicos e térmicos aos grãos. É recomendado fluxo de ar ambiente entre 390 a 780 litros de ar/minuto/ metro cúbico de produto.

Figura 3 - Uso do ar na seca-aeração.

Figura 2 - Uso do ar em secadores de fluxos mistos (secador de cavaletes).

Na câmara de secagem, o ar cederá calor à massa de grãos e receberá água na forma de vapor. Assim, o ar de exaustão apresentará temperatura entre 35 a 45°C e umidade relativa entre 70 a 80%. O ideal seria valores próximos a 100%, o que implicaria no máximo aproveitamento da energia calorífica do ar. c) Uso do ar na seca-aeração Na operação de seca-aeração (Figura 3), o produto quente, com temperatura próxima a 50ºC e teor de água de 16%, ao sair do secador é encaminhado a um silo onde permanece em descanso por 4 a 8 horas. Decorrido esse tempo, aplica-se um fluxo de ar ambiente com a finalidade de remover calor e o excesso de vapor do ar intergranular e, ou água condensada

d) Uso do ar na aeração de grãos armazenados A aeração de grãos armazenados é realizada com as seguintes finalidades: (a) homogeneizar a temperatura e teor de umidade da massa de grãos, (b) minimizar os efeitos da migração de umidade e (c) renovar a massa de ar intergranular. Permitindo assim, a manutenção da qualidade do produto. Infelizmente, há uma concepção errônea que a aeração deve ser utilizada exclusivamente para remover, corretivamente, bolsões de calor gerados, principalmente, pela ação de fungos e, ou bactérias. O ideal é que a aeração seja conduzida com frequência, sempre que as condições psicrométricas do ar ambiente sejam favoráveis. Conforme representado na Figura 4, na aeração de grãos armazenados, o ar ambiente é forçado a passar pela camada de grãos, podendo carrear pequenas quantidade de calor e, ou vapor de água.

Figura 4 - Uso do ar na seca-aeração.

As condições psicrométricas do ar ambiente devem ser rigorosamente observadas, para que não ocorra a super secagem ou o umedecimento da massa de grãos. Portanto, o ar ambiente deve estar na condição de equilíbrio higroscópico com o produto armazenado. Desse modo, o operador deve determinar as condições psicrométricas do ar e consultar as tabelas de equilíbrio higroscópico que são especificas para cada produto. Para condução da operação de aeração recomenda-se, no caso de silos, o fluxo de ar entre 23 a 78 litros de ar/minuto/ metro cúbico de produto, e no caso de graneleiros entre 75 a 160. Os maiores valores para graneleiros deve-se a maior dificuldade na distribuição do ar por toda a massa do produto. e) Uso do ar na refrigeração de grãos A refrigeração é um tratamento térmico aplicado à massa de grãos armazenada, em que, por meio da redução da temperatura da massa de grãos é promovida a redução das atividades GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 17


¦ Conservação ¦ metabólicas dos grãos e dos fungos, bactérias e insetos presentes. Fatos que contribuem para preservação da qualidade do produto. Para redução da temperatura do produto, este necessita ceder calor ao ar resfriado que possui baixa entalpia. Portanto, conforme representado na Figura 5, o ar ambiente deve passar pelo gerador de frio, onde tem removido calor e, posteriormente, é recondicionado.

Figura 5 - Usos do ar em unidades armazenadoras de grãos.

Na remoção de calor, parte da água presente no ar é condensada e congelada, situação em que a temperatura atinge 10ºC e umidade relativa 100%, o que inviabiliza o uso do ar para resfriar os grãos. Portanto, para adequar a condição psicrométrica do ar é feito o recondicionamento. O que consiste em empregar resistores elétricos, deixando o ar, por exemplo, com temperatura de 15 ºC e umidade relativa de 65%, o que implica no equilíbrio higroscópico para milho com teor de água de 14,1%. Desse modo, o ar resfriado removerá calor do produto sem, acidentalmente, promover a secagem ou reumedecimento. Tecnicamente, é recomendado, que o fluxo de ar resfriado seja superior a 120 litros de ar/minuto/metro cúbico de produto.

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Ponderações Finais Este artigo foi redigido como intuído de despertar em operadores e gerentes operacionais de unidades armazenadoras a importância dos conhecimentos básicos de transferência de calor e massa, e de psicrometria na condução das operações de aeração em silo-pulmão, secagem, seca-aeração e da aeração ou refrigeração durante a armazenagem. Para os tempos atuais, em que, são ressaltadas adoções de conceitos como otimização de processos, uso racional de energia e qualidades físico-química, nutricional e sanitária dos grãos; faz-se necessário que operadores e gerentes operacionais de unidades armazenadoras aprimorem conhecimentos quanto à forma de condução das operações unitárias do ambiente - unidades armazenadoras de grãos.


¦ Informe Empresarial ¦

USO DO GÁS LP NA SECAGEM DE SEMENTES E GRÃOS GARANTE QUALIDADE, REDUZ CUSTOS E POLUI MENOS

Essas são algumas das vantagens de se aposentar outras fontes energéticas, orienta Ultragaz

O ano de 2013 começa com a expectativa de aumento recorde na produtividade de grãos. A safra deve crescer 5,1% de 2012 para 2013, uma produção total de 170,9 milhões de toneladas, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números animadores se devem, entre outros motivos, ao aprimoramento das técnicas agrícolas. Algumas delas verdadeiras quebras de paradigma, como a substituição da lenha pelo Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) na secagem de sementes, para plantio, e de grãos, para consumo. "A participação do Gás LP no agronegócio vem avançando em relação à lenha, em grande parte devido ao aumento do rendimento operacional. A falta de mão de obra para operação de fornalhas, o aumento do custo de aquisição da madeira e o grande risco de acidentes de trabalho com o uso da lenha, princi-

palmente por lesões e picadas de animais peçonhentos, são fatores que têm favorecido a migração para o Gás LP e o aumento da rentabilidade na operação”, afirma Tabajara Bertelli Costa, Diretor do Mercado Empresarial da Ultragaz, empresa com 75 anos e líder no segmento de GLP no Brasil. Por dentro da secagem A secagem tem contribuído para assegurar a oferta de sementes com alta qualidade e evita que a permanência de grãos na lavoura, após estarem "maduros", acabe se refletindo em perdas quantitativas e qualitativas. Por meio do procedimento, retira-se a elevada umidade do produto. Assim, é possível armazená-lo por períodos longos sem risco de deterioração, além de garantir o poder germinativo por

Sr. Tabajara Bertelli Costa Diretor do Mercado Empresarial da Ultragaz

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¦ Informe Empresarial ¦ mais tempo e evitar o surgimento de fungos e insetos. No mercado há uma série de modelos de secadores que operam com fontes de energia diversas, como lenha, resíduos orgânicos, óleo diesel, óleo BPF, etc. O uso do Gás LP foi introduzido recentemente. Tradicionalmente, no Brasil, a fonte de calor empregada é proveniente da queima de lenha, que traz vários inconvenientes, de danos ambientais - como o desmatamento - a danos ao produto - como a liberação de fumaça e fuligem que podem prejudicar a qualidade das sementes e grãos. Além disso, nesse processo tradicional de secagem ocorrem variações na temperatura do ar devido à oscilação na quantidade de lenha colocada na fornalha, alterações que afetam a eficiência do processo. "Não só a madeira, mas outros materiais orgânicos usados na secagem apresentam combustão difícil e incompleta, o que acarreta na geração de fumaça, resíduos e produtos prejudiciais à saúde humana. É comum haver impregnação desses contaminantes no grão, alterando seu cheiro e sabor. Por isso, o uso de Gás LP na secagem de grãos como feijão, arroz, amendoim

e milho de pipoca, só vem aumentando", explica Costa. Segundo ele, outro fator que pode afetar o sucesso da secagem é a falta do controle da temperatura do ar, o que pode se refletir em redução do rendimento operacional. Na secagem artificial de grãos, há movimentação de grandes massas de ar aquecidas até atingirem temperaturas na faixa de 40 a 60 ºC na massa de grãos. Aqueles produtos sujeitos a dano térmico podem até não sofrer alterações que os afetem como alimento, mas acabam tendo a taxa de extração de seu amido reduzida. Por isso, indústrias que processam milho, por exemplo, rejeitam grãos que passaram por secagem em temperatura elevada. "A vantagem maior do uso de GLP em secadores está justamente em sua capacidade de controlar melhor as condições de queima em relação ao uso da lenha. A combustão descontínua e irregular desse material é um ponto bastante negativo na secagem", comenta o Diretor do Mercado Empresarial da Ultragaz. A solução UltraSystem O UltraSystem é o sistema de abastecimento a granel de

15 Vantagens do Gás LP em relação à Lenha 1. Melhor qualidade do produto final - o uso do Gás LP em secagem de grãos não deixa sabor nem cheiro no produto e não altera a cor do produto. 2. Não suscetibilidade à umidade - quando a lenha está úmida, tem o seu rendimento prejudicado; aumentando assim seu consumo. Por não ser suscetível à umidade, isso não ocorre com o Gás LP. 3. Eliminação do quadro de funcionários para abastecimento da fornalha - com Gás LP não são necessários funcionários para abastecer a câmara de calor. 4. Diminuição da ausência de funcionários por problemas respiratórios causados pela fumaça liberada - como o Gás LP não emite fumaça, os funcionários que manuseiam os equipamentos não têm problemas respiratórios. 5. Redução do afastamento por doenças posturais e acidentes de trabalho - uma vez que os funcionários não precisam carregar lenha, os problemas posturais são reduzidos, evitando futuros processos trabalhistas e riscos de acidentes com lesões e animais peçonhentos. 6. Redução do investimento - com o Gás LP não requer aquisição de equipamentos extras, por exemplo, limpador de gás, esteiras elétricas ou fornalhas com grelhas, a aquisição fica somente no queimador a gás LP. 7. Aumento da capacidade operacional do Equipamento - o Gás LP permite um alto desempenho em início e fim de operação devido à possibilidade de fornecimento e corte de temperatura em alguns minutos; como o equipamento tem um rápido atingimento da temperatura de trabalho no inicio do processo e rápido resfriamento no final de operação, obtém-se um aumento da capacidade operacional. 8. Menor frequência de manutenção e limpeza do gerador de calor (fornalha), aumentando a produtividade da empresa - como o Gás LP não gera resíduo ou fuligem na sua queima, a manutenção do equipamento é efetuada com menor assiduidade. Por não utilizar a lenha, não há geração de sujeira proveniente de poeira, roedores, insetos e répteis. Além disso, a grande quantidade de cinzas nas fornalhas com a queima da madeira exige que sejam retiradas e levadas para outro lugar, mas nem sempre isso é feito de forma adequada, já que os operadores fazem grande esforço físico ao carregar a lenha e acabam não se dedicando à limpeza. 20 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

9. Redução da possibilidade de interdição da área de armazenamento pela vigilância sanitária, pois não há risco de focos de insetos, aracnídeos e roedores - depósitos de madeira são um dos locais preferidos de ratos, baratas, aranhas, escorpiões, entre outros. Por isso, são alvo constante de inspeção por parte da vigilância sanitária. 10. Maior controle do processo - Com o Gás LP, o processo pode ser controlado com variações desprezíveis de temperatura e consequentemente redução do risco de incêndio. Esse controle absoluto de temperatura é fundamental na secagem de sementes, já que o embrião não pode chegar a 39°C. Caso isso aconteça, ele não germinará ou germinará com menos vigor. Na secagem com lenha normalmente acontecem picos de temperatura que extrapolam este valor, o que pode levar até à perda de lotes de sementes. 11. Redução e melhoria da área de depósito de combustíveis - Com Gás LP, possibilita um melhor aproveitamento do espaço físico com a estocagem de combustíveis, além de redução da infestação de roedores, répteis e insetos, melhorando a higiene da unidade. 12. Dispensa do uso de amianto para isolamento térmico - o uso de amianto está proibido em alguns estados, em razão dos problemas de saúde causados pelo contato com essa substância. 13. Redução do consumo de energia elétrica - como não há necessidade da aquisição de equipamentos extras, são eliminados os gastos com o consumo desses equipamentos. 14. Eliminação da possibilidade de aquisição de madeira sem certificação de origem - negócios que usam lenha sempre correm o risco de ser alvo de madeireiros sem registro. Se uma empresa compra madeira irregular, mesmo sem consciência do ato, é passível de sanções legais e multas. 15. Eliminação de interdições e multas por crimes ambientais em inspeções da CETESB - uma empresa pode sofrer interdições e multas por crimes ambientes em função do não cumprimento de normas de emissão de poluentes. (CONAMA 382)


Acesse: www.graosbrasil.com.br lenha ou serragem compactada) que são alimentadas com esteiras alimentadoras. Entre as vantagens do UltraSystem, estão: fornecimento contínuo e alcance das regiões mais distantes; capacidade de armazenagem de Gás LP projetada para cada cliente; modalidade de contratação de fornecimento de Gás LP adequada para cada aplicação; não produção de resíduo; entrega programada; e assistência técnica.

Gás LP da Ultragaz. Com ele, o gás é transferido diretamente do caminhão para cilindros ou tanques nas instalações do cliente, sem que haja necessidade de troca de recipiente, não havendo sobra de gás, garantindo-se economia e o fornecimento de uma energia limpa. O processo de secagem não para e a operação não sofre alterações em dias de chuva ou de sol, o que não ocorre com o uso da lenha, em que há necessidade de alimentação constante das fornalhas. A solução da Ultragaz possibilita a automação que não ocorre nos processos com lenha. Atualmente, 90 % dessas operações não são automatizados, apenas são automatizados os sistemas com uso de cavaco ou briquete (pequenas frações de

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¦ Pesquisa¦

SUSCETIBILIDADE DE PRAGAS DE GRÃOS ARMAZENADOS EM FUNÇÃO DO TEMPO DE EXPOSIÇÃO À TERRA DE DIATOMÁCEAS Por: Dr. Irineu Lorini | Cassiana Rossato | Glaucia C. Ferri O controle das pragas de grãos e sementes armazenados depende de inseticidas líquidos e de fumegantes, e seu uso exagerado pode propiciar o desenvolvimento de resistência das pragas aos inseticidas. Entre outros, este é um dos motivos pelos quais cresce o uso de produtos alternativos aos inseticidas químicos, como a terra de diatomáceas. O objetivo deste trabalho foi determinar a suscetibilidade das principais pragas de grãos armazenados ao inseticida à base de terra de diatomáceas, em função do tempo de exposição. As pragas, Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae, Lasioderma serricorne e Tribolium castaneum, foram expostas a três doses do inseticida a base de terra de diatomáceas, 0,5; 1,0 e 2,0 g/kg de grãos, durante cinco períodos de exposição(tratamentos), 1, 5, 10, 15 e 20 dias. Durante estes períodos foi registrada a mortalidade de cada praga e calculado o tempo letal (TL). Os resultados mostraram que, para R. dominica o TL50 foi de 25; 4,6 e 3,0 dias, para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 2g do inseticida, respectivamente. Já para S. oryzae apenas a dose de 0,5 g pode ser observada com TL50 de 3,3 dias, nas demais doses não foi possível calcular o LT, pois houve 100% de mortalidade em todos os tratamentos. Para T. castaneum verificou-se um TL50 de 9,9; 4,9 e 2,3 dias para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grãos, respectivamente. Já para L. serricorne verificou-

se o TL50 de 4,9; 2,8 e 1,9 dias para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grão.

Introdução A infestação de insetos em grãos e sementes armazenadas resulta em danos quantitativos e qualitativos, levando, em alguns casos, à recusa do produto na comercialização. O controle das pragas depende de inseticidas líquidos e de fumegantes, que podem ocasionar resistência destas aos inseticidas (LORINI, MORÁS E BECKEL 2002). A terra de diatomáceas tem sido cada vez mais utilizada como inseticida alternativo para controle de pragas de grãos armazenados. É um pó inerte constituído basicamente de cristais de sílica amorfa resultante do acúmulo de carapaças de algas diatomáceas fossilizadas (KORUNIC, 1998). O pó adere à cutícula do inseto, absorvendo a cera cuticular, causando sua morte por dessecação e absorção (EBELING, 1971). A terra de diatomáceas controla eficazmente as principais pragas de grãos armazenados como a R. dominica, S. oryzae, T. castaneum e Oryzaephilus surinamensis. Além destas, existe a praga Lasioderma serricorne, para a qual não existem informações de eficácia da terra de diatomáceas, e que recentemente está atacando grãos de soja nos armazéns, provocando prejuízos (LORINI, 2008; LORINI et al., 2009), o que também não ocorria anteriormente. A eficácia da terra de diatomácea depende de fatores como o teor de umidade do grão, o tipo do grão pela aderência do tratamento, e a espécie do inseto, devido à variação a morfologia da praga (FIELDS; KORUNIC, Dr. Irineu Lorini 2000). Embrapa Soja O objetivo deste trabalho foi deteririneu.lorini@embrapa.br minar a suscetibilidade das principais

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Acesse: www.graosbrasil.com.br pragas de grãos armazenados em função do tempo de exposição ao inseticida à base de terra de diatomáceas. Material e Métodos O trabalho foi realizado no Laboratório de Pós-colheita de Sementes e Grãos do Núcleo Tecnológico de Sementes e Grãos "Dr. Nilton Pereira da Costa" da Embrapa Soja, localizado em Londrina, PR, durante 2010 a 2011. O delineamento utilizado foi de blocos inteiramente casualizado com quatro repetições. O experimento foi realizado expondo-se as pragas, R. dominica, S. oryzae, L. serricorne e T. castaneum, a cinco períodos de exposição(tratamentos), 1, 5, 10, 15 e 20 dias, em grãos tratados com três doses do inseticida a base de terra de diatomáceas, 0,5; 1,0 e 2,0 g/kg de grão. Foi usado um tratamento testemunha com grãos sem o uso de terra de diatomáceas para comparação. Os grãos, previamente esterilizados, foram tratados com as diferentes doses da terra de diatomáceas em laboratório, sendo acondicionados em sacos de papel, e mantidos em sala com temperatura e umidade relativa do ar de 27 ± 1ºC e 60 ± 5%, respectivamente. A umidade média dos grãos previamente ao início do experimento foi de 13%, considerada padrão para o tratamento com terra de diatomáceas.

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¦ Pesquisa ¦ respectivamente. Já para S. oryzae apenas a dose de 0,5 g de terra de diatomáceas por quilograma de grãos pode ser observada com TL50 de 3,3 dias, nas demais doses não foi possível calcular o LT, pois houve 100% de mortalidade em todos os tratamentos. As doses de 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grãos obtiveram 100% de mortalidade no primeiro dia de avaliação, o que impossibilitou calcular o tempo letal. Para T. castaneum verificou-se um TL50 de 9,9; 4,9 e 2,3 dias para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grãos, respectivamente. Já para L. serricorne verificou-se o TL50 de 4,9; 2,8 e 1,9 dias para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grão. Embora o TL50 seja importante para avaliar estatisticamente a mortalidade efetiva da praga, na prática este permite aproximar a mortalidade real de uma população ocorrente no armazém. O tempo de mortalidade da praga é o que deve ser considerado pelos armazenadores quando tratarem os grãos e sementes com o inseticida a base de terra de diatomáceas. Este tempo letal encontrado para cada praga estudada neste trabalho, significa o tempo esperado pelo armazenador para que uma praga infestante no armazém seja eliminada, uma vez que este fez o tratamento do grão ou semente adequadamente.

Para as avaliações de mortalidade das pragas, foi retirada uma amostra de 50 gramas de grãos, de cada repetição, colocadas em frascos de vidro de 100ml de capacidade, e infestados com 20 insetos adultos de cada espécie, separadamente. Após a infestação as amostras foram mantidas em câmara tipo BOD a temperatura e umidade de 27 ± 1ºC e 60 ± 5%, respectivamente. A mortalidade de cada espécie praga, de acordo com o período de exposição foi avaliada contando-se o número de insetos mortos de cada repetição. Após os dados foram analisados por meio de análise de variância (ANOVA) e teste F (p>0,05). Também foram calculados os parâmetros de tempo letal que causa 50% da mortalidade de uma espécie(TL50) e demais parâmetros de regressão linear, através do programa estatístico Genstat 7 Software (2003). Resultados e Discussão O tempo letal (TL) variou relativamente à dosagem do inseticida e a espécie de praga avaliada (Tabela 1). Para R. dominica o TL50 foi de 25; 4,6 e 3,0 dias para as doses de 0,5; 1,0 e 2,0 g de terra de diatomáceas por quilograma de grãos, 24 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013


¦ Informe Empresarial ¦

SHOW RURAL 2013 AUMENTOU EM 35% O VOLUME DE NEGÓCIOS Por: Dilvo Grolli |

Diretor-presidente da Coopavel

Um bilhão de reais em negócios é um valor muito módico para o Show Rural, se levarmos em conta a análise de negócios que serão efetivados a partir do evento, que foi realizado de 04 à 08 de fevereiro, em Cascavel.

Neste ano, a estimativa é de que nos cinco dias foram concretizados 35% a mais de negócios do que em 2012. De acordo com o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, a estimativa que se faz pela coordenação junto com os expositores é que esse valor possa ser cinco a seis vezes maior, a partir de negociações iniciadas na feira. São máquinas cujos contratos necessitam de detalhes para serem fechados, sementes e insumos que serão compradas ao longo do ano, equipamentos encomendados e que estão sob análise... "A variedade de tecnologia que o produtor conhece o instrumentaliza para tomar as decisões de investimentos na sua propriedade. Quem está aqui tem essa oportunidade de estar mostrando o seu produto e antecipar negócios", pondera Grolli. Dentro desse contexto, o diretor-presidente da Coopavel explica que o Show Rural está cumprindo com o seu papel, que é apresentar a tecnologia ao produtor - meta determinada desde a realização do primeiro dia de campo, realizado há 25 anos. Conforme ele, há uma avaliação constante do evento, para analisar o cumprimento do papel. "O que temos observado é que temos determinado parâmetros de produtividade e estamos incentivando o desenvolvimento tecnológico da região, e também do país, tendo em vista que os visitantes hoje não se

resumem ao Oeste do Paraná. A resposta das empresas também tem sido muito boa, porque sempre temos mais interessados em participar e quem está tem o desejo de ampliar. Isto acontece porque efetivamente há resultados", menciona. Assim, avalia o cooperativista, a Coopavel não pode mais abrir mão do Show Rural. Ao contrário, ele afirma que o objetivo é promover novas metas e melhorias sempre, seja de infraestrutura quanto de promoção de tecnologia. "Queremos manter a condição de 'vitrine tecnológica', mas também queremos tornar o evento agradável ao produtor, o que necessita investimentos maiores a cada edição", ressalta. Metas Na opinião de Grolli, os eventos futuros do Show Rural Coopavel perseguirão a meta de melhorar a prestação de serviços, garantindo que o visitante tenha prazer em estar no Parque Tecnológico Coopavel e retorne no ano seguinte. Ele afirma que o público pode esperar para 2014 muitas melhorias e menciona que a coordenação passou a ver o parque como uma cidade de 40 a 50 mil pessoas. "A melhoria da infraestrutura precisa ser contínua, na mesma medida que temos desenvolvimento das tecnologias. Temos que pensar na necessidade de uma GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 25


¦ Informe Empresarial ¦ alguns "poréns". Conforme Grolli, o evento é marcado avaliando o calendário agrícola. Mas, ano a ano o agricultor tem antecipado a colheita da safra de verão e plantio da safrinha. E a intenção é marcar uma data que não prejudique o produtor. Por fim, a data ficou marcada para os dias 03 a 07 de fevereiro de 2014.

cidade de 50 mil habitantes, no que ela precisa para saúde, bemestar, segurança, alimentação e todas as condições de uma pessoa viver e trabalhar um dia. Com certeza será muito melhor do que nesta edição", expõe. E tanto é verdade, que a primeira reunião de organização do Show Rural é realizada no mês de março. A visita da presidenta Dilma Rousseff e seus ministros, declarou Grolli, serviu para coroar a magnitude da feira, refletindo a sua qualidade de estar na agenda da principal personalidade do país. Com a participação de Dilma, também deve abrir portas para que sejam apresentadas no futuro demandas necessárias ao desenvolvimento do Show Rural Coopavel, caso da duplicação da rodovia BR-277, no trecho que dá acesso ao Parque Tecnológico. A presidenta, inclusive, garantiu que tem interesse em retornar à feira nos próximos anos. Data marcada A determinação da data do Show Rural 2014 esbarrou em

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Último dia é recorde de público A chuva do dia 07 colaborou para derrubar um pouco a temperatura em Cascavel, o que tornou o ambiente ainda mais agradável para visitar o Show Rural, que recebeu na sextafeira(08) 38.574 pessoas (número contabilizado até as 15 horas). No total, durante a semana, o evento foi prestigiado por 202.574 pessoas. O coordenador-geral Rogério Rizzardi considerou o número ótimo. "O público do Show Rural é na grande maioria de produtor rural, ou seja, nosso objetivo é atendido, que é atrair o homem do campo para conhecer tecnologia para aplicá-la no campo", expõe ele que, considera ainda, que desse público, em torno de 40% são formados por mulheres. Para Rizzardi, é necessário, agora, que o visitante faça o sexto dia de Show Rural, que é a aplicação da tecnologia em sua propriedade. "São práticas de manejo, de cuidado com meio ambiente, de prevenção e, principalmente aplicação de informações e tecnologias. É isso que pretendemos alcançar", finaliza. Para 2014, anuncia o coordenador, muita coisa deve ser melhorada. Ele cita o destaque dos jardins do parque, que se tornaram uma atração à parte. A beleza, explica ele, é fruto de planejamento técnico para garantir que milhares de plantas floresçam na mesma época. "E no ano que vem queremos tudo ainda mais bonito", conclui.


¦ Microoganismos ¦

SEGURANÇA DE GRÃOS: MICOTOXINAS & AGROTÓXICOS Por: Msc. Geovana Dagostin Savi | geovanasavi@gmail.com Bsc Laura Pereira Garcia | laurinhapg@hotmail.com PhD. Vildes Maria SCUSSEL | Vildescussel_2000@yahoo.co.uk Os grãos possuem importância em nossa alimentação diária, pois são ricos em carboidratos complexos, sendo considerados fonte de energia para o organismo. Os produtos relacionados aos grãos também fornecem vitamina do complexo B, ferro, fibras, assim como outros fitonutrientes benéficos.

Msc. Geovana Dagostin Savi Doutoranda em Ciência dos Alimentos geovanasavi@gmail.com

palmente pelo crescimento de fungos e pelos efeitos advindos das estocagens de grandes quantidades de alimentos em depósitos inadequados (úmidos e quentes). No Brasil, a estimativa de perda quantitativa corresponde à média anual de 20% dos grãos armazenados, podendo chegar à perda total em alguns armazéns. Estas condições desfavoráveis e precárias na armazenagem comprometem seriamente a qualidade dos grãos (devido aos contaminantes alimentares) e consequentemente a sua comercialização, o que prejudica ainda mais o consumo interno.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na safra 2012/2013 a produção mundial foi de 185,0 milhões de toneladas de grãos, apresentando um aumento de 11,3 % de produção com relação à safra anterior (Conab, 2013). Mesmo tratando-se de uma produção recorde, não é o suficiente para atender o consumo mundial. A alimentação animal responde por mais da metade desse crescimento na demanda dos grãos, sendo que o aumento de consumo de carnes se converte em maior consumo de ração. Sendo assim, os estoques de grãos que irão para a próxima safra nos países exportadores serão ainda menores, se houver perda de safra por motivos desfavoráveis das condições ambientais, assim como a presença de contaminantes nos grãos, o estoque será ainda mais reduzido. No Brasil, a produção de grãos aumenta a cada ano, entretanto,o excesso de chuvas, aliado à temperaturas elevadas, favorecem o aparecimento de pragas (insetos/fungos) nas plantas já no campo (pré-produção), além da formação de micotoxinas e conter resíduos de agrotóxicos aplicados no combate as pragas (Figura 1). Os grãos quando são armazenados (pós-produção), podem já estar contaminados com as micotoxinas produzidas pelos fungos (causadores das fitopatologias), comprometendo todo o lote de grãos. Além disso, a capacidade de armazenamento destes grãos muitas vezes não atende ao crescimento da produção. Em climas tropicais e subtropicais como o Brasil, os grãos e sementes podem estar expostos a deterioração na armazenagem, princi-

Figura 1 - (a) grãos sadios e (b) grãos contaminados por fungos (Embrapa, 2009).

Contaminantes em Grãos Os principais contaminantes dos grãos são os insetos, fungos, micotoxinas e agrotóxicos aminas aromáticas polissaturadas (secagem). As condições climáticas durante o crescimento das plantas é um fator chave na infestação de insetos, formação de fungos com produção de micotoxinas. Períodos prolongados, 48 a 72 horas de alta umidade e temperaturas quentes, 25 a 35ºC, são fatores favoráveis para a proliferação das pragas. Além destes fatores, outros mais especificamente para fungos, como danos mecânicos, danos por insetos, condições inadequadas de secagem (conteúdo de umidade) e armazenamento dos grãos, umidade relativa, luz, microclima, fungicidas, composição do substrato, competição microbiológica e linhagem do fungo contaminante também irão influenciar no crescimento dos fungos (Mateo et al., 2002). Essas condições de elevada temperatura, umidade relativa e conteúdo de umidade também são favoráveis a proliferação de insetos e necessidade de aplicação de agrotóxicos com possíveis GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 27


¦ Microoganismos ¦ resíduos remanescentes (Figura 2).

Figura 2 - Principais fatores que influenciam o crescimento de fungos e produção de micotoxinas nos grãos (Fonte: dos autores).

Micotoxinas As micotoxinas são produzidas por fungos, os grandes responsáveis por essa contaminação na planta e nos grãos ainda no campo, assim como durante e após a colheita (Scussel, 2002). Dentre os gêneros de fungos produtores de micotoxinas, estão o Fusarium e Aspergillus/Penicillium (fungos de campo e de armazenagem, respectivamente) (Figura 3). O desenvolvimento das micotoxinas depende principalmente do tipo de grão, bem como das variações climáticas, condições de colheita e/ou armazenagem. A contaminação por fungos e micotoxinas em grãos vem sendo reportada em diversas partes do mundo (Dors et al, 2009; Hoeltz et al., 2009; Stankovic et al., 2012 Muthomi et al., 2008 Soleimany et al., 2012; Santos et al., 2013). Para grãos, as principais micotoxinas que podem ser encontradas são deoxinivalenol (DON), fumonisinas (FBs), toxina T2 (T2), zearalenona (ZON), aflatoxinas (AFLs), citrinina (CTR) e ocratoxina A (OTA), entretanto, outras micotoxinas também podem ser encontradas.

Figura 3 - Principais fungos produtores de micotoxinas em grãos: (a) Fusarium, (b) Penicillium e (c) Aspergillus (Fonte: dos autores).

Micotoxinas Produzidas por Fungos de Campo Deoxinivalenol: é micotoxina do tipo B dos tricotecenos produzidas por F. graminearum, F. culmorum e F. avenaceum, entre outras espécies. Todas estas espécies precisam de temperaturas ótimas para crescimento (25ºC à 21ºC). É uma das micotoxinas consideradas mais importantes dos cereais, e são encontradas em todo o mundo como contaminantes de trigo, cevada, aveia, arroz, centeio e milho (Moss, 2002). Os principais efeitos toxigênicos de DON quando em doses baixas são diminuição de crescimento e anorexia, enquanto doses elevadas induzem vô28 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

mitos, efeitos imunotóxicos e mudanças neuroquímicas no cérebro. Entre os animais, os suínos são os mais sensíveis ao DON do que aves, ratos e ruminantes, em parte por causa de suas diferenças no metabolismo (Diekman; Green, 1992). Toxina T2: pertence ao tipo A dos tricotecenos produzidos por F. sporotrichioides, F. poae, F. equiseti, F. Acuminatum e F. Langsethiae. Estes fungos estão associados aos cereais tanto no campo, quanto após a colheita, no armazenamento dos grãos. O F. Sporotrichioides, por exemplo, cresce a temperatura de 2-35ºC e com alta atividade de água (Creppy, 2002). A temperatura ótima para a ocorrência de T2 é relativamente baixa (8-14ºC), esta toxina é geralmente encontrados em várias culturas de cereais, tais como trigo, milho, cevada, arroz, aveia e centeio. Alimentos contaminados com T-2 podem causar efeitos graves na saúde humana e dos animais, podendo levar até a morte. Sinais gerais de toxicidade incluem náuseas, vômitos, tonturas, calafrios, dor abdominal, diarréia, perda de peso, necrose dérmica, aborto, inibição da síntese de proteínas, sendo tóxicos para os sistemas hematológico e linfático, produzindo imunossupressão (Moss, 2002). Fumonisinas: são produzidas especialmente por F. verticillioides, F. proliferatum,F. nygamai, F. moniliforme além de Alternaria alternata. Estes fungos tem distribuição mundial, sendo considerados importantes patógenos de cereais em todas as fases de desenvolvimento, incluindo período de pós-colheita, durante armazenamento. A FB1 é a mais abundante e tóxica, representando 70% de contaminação total de alimentos naturalmente contaminados. As FBs são hepatotóxicas e nefrotóxicas para a maioria das espécies animais, causam leucoencefalomalácia em equinos e coelhos, síndrome do edema pulmonar e hidrotórax em suínos, efeitos hepatotóxicos, carcinogênicos e apoptose no fígado de ratos (Silva et al., 2007). A InternationalAssociationonResearchofCancer (IARC) classificou FBs e seus metabólitos como compostos de possível carcinogenicidaem em humanos (Grupo 2B) (IARC, 1993). Zearalenona: é a micotoxina estrogênica, não esteroidal e altamente termoestável, produzida por cepas de várias espécies do gênero Fusarium, incluindo F. culmorum, F. equiseti, F. graminearum, e F. moniliforme. Tal como acontece com outras micotoxinas, apenas algumas cepas de certas espécies podem produzir ZON (Alldrick, 2004). Está associada principalmente com culturas de cereais e seus subprodutos, sobretudo em trigo e milho. Ainda que esta é considerada uma micotoxina de campo, há evidências de que esta micotoxina também possa ser produzida em grãos já colhidos (Alldrick, 2004).O desenvolvimento do Fusarium está relacionado a temperaturas e umidade elevadas, contudo a produção de toxina ocorre em temperaturas baixas, em torno de 12°C, sendo principalmente produzida nas estações frias e úmidas. A ZON tem uma baixa toxicidade aguda oral, sendo que em termos de toxicidade subagudaou subcrônica, os efeitos da ZON parecem refletir sua capacidade de se ligar aos receptores de estrogênio, levando a alterações no trato reprodutivo e uma variedade de sintomas, incluindo: diminuição da fertilidade, aumento da reabsorção embrioletal e redução da ninhada em animais, embora afete principalmente o sistema reprodutivo, o hiperestrogenismo causado pela ZEA também altera o metabolismo proteico, energético e mineral dos animais e apresenta efeitos teratogênicos;para humanos são


Acesse: www.graosbrasil.com.br poucos os dados disponíveis (Maziero; Bersot, 2010). A IARC concluiu que havia evidência limitada para avaliar a capacidade carcinogênica de ZON (IARC, 1993). Micotoxinas Produzidas por Fungos de Armazenamento Aflatoxinas: há mais de 20 derivados isolados de AFLs produzido por várias espécies de fungos, sendo que as mais importantes são produzidas por A. flavus, que produz AFB1 e AFB2 e A.parasiticus, que produz AFB1, AFB2, AFG1 e AFG2. Estas AFLs, assim como muitos outros compostos heterocíclicos, fluorescem e são distinguidos por suas propriedades de fluorescência. Ambos AFB1 e AFB2 formam fluorescência azul e AFG1 e AFG2 formam fluorescência verde-amareladasob luz ultravioleta. Esses fungos sobrevivem em uma ampla gama de ambientes e podem ser encontrados no solo, em restos de plantas e animais, e em grãos e sementes. A toxicidade das AFLs decresce na seguinte ordem: AFB1> AFG1> AFB2> AFG2 (Scussel, 2002). Entre as aflatoxinas, AFB1 é a forma mais tóxica para os mamíferos é conhecida como a micotoxina mais potente produzida e um dos mais tóxicos carcinógenos conhecidos. O principal órgão afetado pelas aflatoxinas é o fígado, embora sejam descritos ainda efeitos tóxicos nos pulmões e rins, a aflatoxicose aguda é caracterizada por causar ao animal sintomas como flacidez, diminuição do crescimento, desordem na atividade gastointestinal, convulsão, paralisia, hemorragias múltiplas e morte. E a aflatoxicose crônica torna o fígado hiperplástico, cirrótico, com fibrose pro-

gressiva e/ou tumor (Silva, 2005). É classificada no grupo classe 1 da IARC e causa danos tais como hepatite tóxica, hemorragia, edema, imunossupressão e carcinoma hepático (IARC, 1993). Citrinina: é produzida por espécies fúngicas dos gêneros Aspergillus, Penicillium e Monascus, foi isolada originalmente da espécie Penicillium citrinum. São encontradas como contaminantes em trigo, cevada, milho, centeio, aveia, arroz e amendoim. CTR tem sido conhecida por ser nefrotóxico, hepatotóxico e cancerígeno para os seres humanos e animais. É um fator de risco potencial para a saúde humana dos Balcãs nefropatia endêmica, originalmente descrita como uma doença crônica renal túbulo-intersticial, no sudeste da Europa (Bamias; Boletis, 2008). Rovaris e Scussel (1998) verificaram que a CTR causou lesão renal caracterizada por presença de células epiteliais tubulares, no sedimento urinário, poliúria, proteinúria, glicosúria, hematúria, aumento da excreção de sódio, aumento da uréia e creatinina sérica e diminuição da creatinina endógena. Ocratoxina A: corresponde a um metabólito de espécies de Aspergillus e Penicillium, fungos capazes de crescer em climas e plantas diferentes, sendo que sua contaminação pode ocorrer em todo o mundo em diversas culturas de alimentos, inclusive cereais, produtos que representam a fonte dietética mais importante destes fungos (Duarte; Pena; Lino, 2010). Os efeitos bioquímicos da OTA recorrem principalmente a partir de sua semelhança estrutural com o aminoácido essencial,

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¦ Microoganismos ¦ No Brasil, a Anvisa criou em 2001, o Programa Nacional de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) com o objetivo de monitorar e adotar medidas de controle em relação aos níveis de resíduos de agrotóxicos, já que dados revelam que 15% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam taxas de resíduos de agrotóxicos em um nível prejudicial à saúde (Brasil, 2003; Brasil, 2009). A preocupação de resíduos de agrotóxicos nos grãos vem crescendo nas últimas décadas em decorrência de estudos que demonstram seus altos níveis nos alimentos, relacionando-os a graves problemas na saúde humana. Para os grãos, são utilizados durante a produção no campo, inseticidas, fungicidas e herbicidas para controlar pragas e plantas daninhas (Figura 5a). Entretanto, se são degradados durante o intervalo de segurança não permanecem resíduos nos grãos. Importante respeitar o tempo de carência e utilizar o agrotóxico nas doses recomendadas pelo fabricante. Já durante o período pós-colheita, a utilização de inseticidas piretróides e organofosforados para o controle de pragas de grãos armazenados é um dos métodos que preocupam quanto a permanência de seus resíduos, já que o tratamento preventivo consiste na aplicação do inseticida via líquida sobre os grãos na correia transportadora, no moFigura 4 - Representação das estruturas químicas das micotoxinas de campo: (a) DON, (b) mento do abastecimento do silo (Figura 5b, TabeToxina T-2, (c) FBs e(d) ZON; e de armazenamento:(e) AFLs, (f)CTR e (g) OTA (Scussel et al., 2012). la 1). Esse tratamento confere proteção contra a infestação por pragas, durante o armazenamento fenilalanina.O principal efeito tóxico da OTA advém do seu por períodos maiores de três meses. Entretanto, esses produefeito nefrotóxico, contudo, é capaz de exercer outros efeitos tos apresentam restrições ao uso, devido aos problemas de teratogênicos, embriotóxicos, genotóxicos, neurotóxicos, persistência nos grãos e nos subprodutos na forma de resíimunossupressivos e carcinogênicos, sendo classificada como duos, além da ocorrência de resistência das pragas aos insepertencente ao grupo 2B da IARC (IARC, 1993; Duarte; Pena; ticidas (Embrapa, 2009). A Tabela 2 apresenta alguns níveis Lino, 2010). A Figura 4 apresenta as estruturas químicas das de contaminação de grãos (arroz, trigo e cevada). micotoxinas que podem ser encontradas em grãos e produzidas por fungos de campo e armazenagem. Agrotóxicos O uso incorreto e a exposição de agrotóxicos no campo e armazenagem podem contaminar os grãos e seus produtos, bem como a saúde dos homens e animais e o meio ambiente. Atualmente, a produção industrial de agrotóxicos é de 2,5 x 109 kg ao ano. Devido ao nível de exposição do homem a estes compostos, podem ocorrer efeitos adversos a sua saúde como: dores de cabeça, náusea, distúrbios endócrinos e até câncer (Cohen, 2007). O Brasil é o maior mercado consumidor de agrotóxicos no mundo, com 86% do uso em países da América Latina, sendo o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior (Brasil, 2009). Para melhor controle da exposição humana aos resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos, as agências reguladoras de vários países têm criado programas de monitoramento de seus resíduos em alimentos (Brasil, 2009). 30 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

Figura 5 - Aplicação de agrotóxicos nos grãos: (a) no campo e (b) no armazenamento (IFPRI, 2012).

Legislação para micotoxinas em grãos Os limites máximos estabelecidos por legislações para uma ou mais micotoxinas variam de acordo com o país e características do alimento que é consumido, importado e/ou exportado. No Brasil, até o ano de 2010, os limites para micotoxinas eram estabelecidos somente para AFLs por meio da Resolução No 34/76 da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos, a qual estabelecia o limite aceitável de 30 µg/kg de AFLs para alimentos em geral. Em 2002, por meio da Resolução


Acesse: www.graosbrasil.com.br No 274/2002 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) este limite passou para 20 µg/ kg. Contudo, em fevereiro de 2011 entrou em vigor uma nova Resolução (n° 07, de 18 de Fevereiro de 2011) desenvolvida pela ANVISA, que estabelece limites máximos tolerados (LMT) para as micotoxinas em alimentos, regulamentando valores para as seguintes micotoxinas: AFLs (AFB1+AFB2+AFG1+AFG2 e AFM1), OTA, DON, FBs (FB1 + FB2), PAT e ZON, tanto em alimentos prontos para oferta ao consumidor como em matérias- primas, conforme indicado na Tabela 1. Esta Resolução apresenta limites de aplicações imediatas e de aplicações previstas para os próximos anos pares. Esta Resolução aplica-se a empresas que importam, produzem, distribuem e comercializam as categorias de alimentos citadas (Brasil, 2011).

Tabela 1 - Alguns agrotóxicos utilizados nos grãos (trigo, arroz, feijão, milho, entre outros) armazenados.

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¦ Microoganismos ¦ Tabela 2 - Resíduos de agrotóxicos encontrados em amostras de grãos.

Tabela 3 - Limites máximos toleráveis de micotoxinas em grãos e seus subprodutos segundo a Resolução RDC n° 07, ANVISA, 2011.

A União Européia possui a legislação mais restritiva para micotoxinas em alimentos e contempla maior número destes compostos. Nesta, por exemplo, todos os cereais e produtos derivados de cereais, incluindo produtos derivados de sua transformação, estão limitados a apresentar no máximo 2 e 4 µg/kg de AFB1 e AFLs, respectivamente. Estes limites correspondem a níveis abaixo dos limites estabelecidos mesmo pela nova e atual Resolução brasileira (CE, 2011; Mercosul, 2002). 32| Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013


¦ Controle de Pragas ¦

A SEGURANÇA E O EXPURGO Definimos EXPURGO como a OPERAÇÃO FITOSSANITÁRIA PARA CONTROLE DE TODAS AS FASES DO CICLO BIOLÓGICO DOS INSETOS, EXPOSTOS A UMA CONCENTRAÇÃO LETAL DE GÁS TÓXICO, EM UM DETERMINADO PERÍODO DE TEMPO.

Eng. Agr. MSc. CELSO FINCK Grão Limpo contato@graolimpo.com.br

Foto: gentileza Spandex O expurgo no controle integrado de pragas - grão limpo consiste em: - Controle total das fases jovem e adulta - Ausência de insetos vivos e mortos - Ausência de resíduo agrotóxico - Não agressão meio ambiente - Segurança trabalhador - Ser aplicado em diferentes matéria primas e produtos elaborados O expurgo operação integrada grão limpo possibilita: - Segurança alimentar - Ao trabalhador - Ao meio ambiente - Produto integrado no agronegócio e exigências mercadológicas atuais. Características da Fosfina - Gás PH³ Inodoro e Incolor; - Carbamato - odor carboreto ; - Inflamável concentração >27,1 g/m³ F+ - Inflamável a temperatura 100°C; - Altamente Inflamável em contato com água, R15 - Extremamente tóxica T+( muito tóxico), - Perigoso ao meio ambiente N - Corrosivo ao cobre, ouro, prata - Classe: Inseticida fumigante precursor da fosfina

- I.A.: fosfeto de alumínio - Formulação: pastilhas fumigantes - Concentração: Fertox 560g/kg, Ph³ 328 g/kg - Classe toxicológica: I (faixa vermelha) extremamente tóxico GRÃOS BRASIL - DA SEMENTE AO CONSUMO | 33


¦Controle de Pragas ¦ - Registro MAPA n° 02304 - ONU 1397 Escolha da apresenação do Fumigante COMPRIMIDOS DE 0,6 g Dosagem: 10 Comprimidos / m³ = 6g de FERTOX = 2 g de Fosfina PASTILHAS DE 3 g Dosagem: 2 Pastilhas / m³ = 6 g de FERTOX = 2 g de Fosfina SACHET DE 34g Dosagem: 1 SACHET / 6m³ = 34 g DE FERTOX Formas de apresentação e dosagem - Latas com 100 sachê individuais de 34 g Caixa de embarque 2 x 3,4 Kg - Garrafa de 1,5 kg contendo 2.500 comprimidos de 0,6 g Caixa de embarque 14 x 1,5 Kg - Garrafa de 1,5 kg contendo 500 pastilhas de 3 g Caixa de embarque 14 x 1,5 Kg - Garrafas de 1 kg contendo 1666 comprimidos de 0,6 g Caixa de embarque 21 x 1 Kg - Garrafas de 1 kg contendo 333 pastilhas de 3 g Caixa de embarque 21 x 1 Kg - Frascos de 240 g contendo 80 pastilhas de 3 g Caixa de embarque 60 X 240 g - Frascos de 90g contendo 30 pastilhas de 3g Caixa de embarque 8 x 10 x 90g A ação da fosfina esta diretamente envolvida com a respiração celular, mais especificamente ligada ao desvio do metabolismo normal do oxigênio causando produção de oxiradicais altamente deletérios. (Price, 1980, Chaudhry e Price 1990, Chaudhry 1997, Chaudhry 2000, Pimentel 2006) Medidas preparatórias - Profilaxia - Realizar a limpeza de túneis, passarelas, transportadores, dutos de aeração e pontos de descarga. Limpeza de poços e elevadores. Eliminação ou aproveitamento de resíduos - Pulverização - Expurgo vedação - Lonas de expurgo Lonas de Polietileno Especificações técnicas - Material: em Polietileno, com 12 camadas de filme laminado, semitransparente. - Características Técnicas/Físicas: · Espessura mínima: 150 micras ou 0,15mm · Gramatura mínima: 105 gr/m2 Lonas de PVC Especificações técnicas - Material: em PVC, branco e semitransparente. - Características Técnicas/Físicas: · Espessura mínima: 200 micras ou 0,20 mm · Gramatura mínima: 150 - 200 gr/m2 34 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

O bom estado das lonas deve ser verificado regularmente e a manipulação deve ser cuidadosa para evitar danos. As londas devem ser dobradas com cuidado e guardadas todas juntas sobre paletas. Não se deve arrastar as lonas para evitar furos e rasgões nem pisar sobre as lonas ao dobrar as mesmas para evitar que pequenas pedras ou grãos façam furos. Qualquer furo ou rasgão deve ser reparado imediatamente. Rasgos pequenos podem ser fechados por meio de fitas isolantes sobre os dois lados da lona. Sobre rasgões maiores, deve-se colar um pedaço do mesmo material que o da lona, um adesivo especial. Medidores de concentração de Fosfina - Medidores de concentração digital 0 - 2000 ppm - bomba de sucção - Tubos colorimétricos 0,05 - acima de 1000 ppm - Tiras de papel com nitrato de prata 0,3 - 10 ppm Sinalização - Placas de advertência anexos VIII.2.3, VIII.2.3.1. e VIII.1., Pg. 13. Seção 1. Diário Oficial da União (DOU) de 27/05/2005 - Cones, fita zebrada, sinalização de perigo - 30 metros de distância silo/armazém - 5 metros de distância de camaras Segurança EPI's Regulamentadas pelas Normas do Ministério do Trabalho: NR 15 - PRODUTOS QUIMICOS - LIMITE FOSFINA - 0,3PPM NR 18 - TRABALHO EM ALTURA NR 29 - TRABALHO PORTUÁRIO NR 33 - ESPAÇO CONFINADO Equipamento de Proteção Individual - Mascara Facial - Filtros Adequados Para Fosfina A2B2P2 - vapores orgânicos, inorgânicos ou névoas, fumaça. - Limite de exposição de 0,3 ppm/8 horas-NR15 - Gás leitura (s) exigido em cada fumigação - Lei Acima de 0,3 ppm (máscara de gás com filtro aprovado). - Concentrações de gás superior a limite de segurança do filtro, um aparelho de respiração autônomo deve ser usado. Limites de Fosfina Respostas do Homem à inalação de Fosfina em diferentes concentrações. Respostas Concentração (ppm)


Acesse: www.graosbrasil.com.br Envenenamento por Fosfina - Os sintomas de envenenamento por fosfinasão: fraqueza, apatia, náuseas, vômitos, dispnéia, queda da pressão sanguínea, variação da pulsação, diarréia, sede intensa, pressão na caixa torácica, convulsões, paralisia, coma e morte. - Existe o risco, mesmo em baixas concentrações, de envenenamento crônico por fósforo devido à decomposição da fosfina no organismo. Intoxicação Por Fosfina - Efeitos Agudos E Crônicos: náuseas, vômitos, diarréias, dores abdominais e retroesternais, opressão do peito e tosse, dores de cabeça e vertigens. - Casos mais severos - colapso cardiovasculares, edemas pulmonares, cianoses e falência respiratória. - Os sintomas podem aparecer de forma tardia e a morte pode ocorrer em até uma semana após intoxicação. - Exposições "leves", sintomas iniciais que parecem uma infecção do trato respiratório superior. - Não existem evidências de efeitos cumulativos por exposições intermitentes a baixos níveis.

por conterem resíduos de Fosfina. - O pó resultante da hidrolise do Fosfeto de aluminio pode conter cerca de 2% de fosfina (INCENDIO VIOLENTO) - Após o uso, as embalagens devem ser furadas, amassadas e, juntamente com os demais componentes, serem encaminhadas para um Posto de Recepção de Embalagem de Agrotóxico. - O pó residual remanescente da reação dos comprimidos e pastilhas, assim como o Sachet de Fosfeto de Alumínio, devem ser desativados. - O pó residual e o sache, devem ser colocados em um tambor ou qualquer recipiente adequado, até 2/3 (dois terços) de sua capacidade, com uma solução de água e detergente comum. Para cada 40 litros de água adicione 500ml de detergente. Cada 40 litros de solução é suficiente para desativar 1 kg de sache.

Descarte das embalagens - As latas (Sachet) e garrafas jamais devem ser reutilizadas,

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¦Utilíssimas ¦ Curso de Classificação e Análise de Grãos Maio/2013

Déficit de armazenagem de grãos pode chegar a 40 mi/t em 2013

Período: 13/05/2013 à 17/05/2013 Local: Viçosa/MG A grande questão na comercialização de grãos, tanto no ato da compra como na venda, é saber exatamente o que está sendo comprado ou vendido. O desconhecimento das características ou padrões de classificação de grãos tem trazido não só prejuízos para compradores e vendedores como também problemas de ordem litigiosas e judiciais. O Curso de Classificação e Análise de Grãos, oferecido pelo CENTREINAR, tem por objetivo dar ao participante a oportunidade de conhecer as técnicas corretas de coleta de amostras, de determinação de umidade utilizando-se equipamentos padrões e de identificação de defeitos e impurezas em amostras de grãos. Além disso, o curso fornece ao participante uma visão a respeito das condições e estruturas de armazenagem de grãos e das exigências de qualidade oficial e de mercado. Tudo é ensinado com base nas novas leis da armazenagem (Lei no. 9973 de 29 de maio de 2000) e da classificação de grãos (Lei no. 9972 de 25 de maio de 2000). Além da teoria, os participantes terão oportunidade de praticar os procedimentos de classificação de arroz, milho, feijão, soja e trigo. Assim, ao término do curso, o participante estará apto para realizar a análise de grãos dentro da classificação e padrões exigidos tanto pelo mercado consumidor como pelos órgãos oficiais. Entretanto, esse curso não credencia o participante a atuar como classificador oficial uma vez que a carga - horária exigida pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) é de 96 horas. Para obter o credenciamento junto ao MAPA é necessário realizar o curso de Formação de Classificadores de Grãos.

O aumento da produção de grãos no Brasil, em 2013, poderá gerar um déficit de armazenagem de 40 milhões de toneladas. O comentário é do superintendente comercial da Kepler Weber, João Tadeu Franco Vino, com base nos dados do ministério da Agricultura, que projeta uma safra de 180 milhões de toneladas. Segundo Vino, para zerar este déficit, indústrias, agricultores e governo deveriam investir cerca de R$ 10 bilhões. Para o superintendente comercial da Kepler Weber, a falta de armazenagem deve gerar aumento de custos de produção e do transporte dos grãos, além de comprometer a estratégia de vendas, pois o agricultor pode realizar a venda em um período que não é o melhor. “A armazenagem permite que o produtor comercialize sua safra quando os preços estão mais atraentes”, lembra Tadeu Vino. E complementa: “Nos últimos cinco anos, foram investidos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões em armazenagem, mas os valores foram insuficientes para zerar o déficit”, afirma Tadeu Vino, que também é coordenador do grupo de armazenagem da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). De acordo com um estudo da FAO, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação, o ideal é que os países tivessem capacidade para armazenar 120% de sua produção. No Brasil, este número representaria uma capacidade de 216 milhões de toneladas.

Conteúdo Programático - Introdução ao armazenamento - Amostragem, determinação de umidade e impurezas - Legislação - Padronização - Teoria de classificação - Práticas de classificação - produtos: Sorgo, Feijão, Milho, Soja e Trigo Requisitos: Este curso não exige nenhum requisito Público Alvo: Profissionais que atuam na área Vagas: 32 Carga Horária: 40 horas Inscrição O valor total do curso a vista é R$700,00 (setessentos reais) para pessoa física. A prazo o valor é de R$ 750,00. Para as empresas (pessoa jurídica) que mandarem 2 participantes, terão 7% de desconto no valor a prazo (R$750,00). No caso de 3 participantes terá 10% de desconto no valor a prazo e para as que mandarem 4 participantes terão 12% de desconto. Nesse valor está incluso todo o material didático, a emissão de certificados e o deslocamento interno (do hotel ao local do curso). A hospedagem e alimentação correm por conta do participante. 40 | Revista Grãos Brasil | Janeiro / Fevereiro 2013

Revista Granos & Postcosecha Latino Americana Já esta circulando a nova edição da Revista Granos & Postcosecha Latino Americana - De La Semilla Al Consumo. No seu 18º ano de existência ela vem rechegada com o mais atual conteúdo sobre a Pós-Colheita de Grãos e Sementes na América Latina. Interessados em assinar enviar email para:

consulgran@gmail.com


Grãos Braisl 58  

Revista Grãos Brasil - Edição 58

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