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Março/2017 - Edição Especial

São Sebastião 381anos Contorno Sul

A nova estrada entre o mar e a montanha Pág. 14

Gabriel Medina

Do sertão de Maresias para o mundo Pág. 08

Alvinho Orselli

Um caiçara nato e sensato Pág. 06

E mais

www.radarlitoral.com.br

História, praias, trilhas, cultura e entrevistas


RadarRadar LitoralLitoral - Especial 381 anos | 03 - Especial 381 anos

Editorial << Foto capa: Marcos Bonello Eskerdinha

Radar Litoral, a notícia na

hora em que acontece

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Radar Litoral – O seu portal de notícias no Litoral Paulista completou três anos em novembro de 2016, consolidado como a principal fonte de informação em tempo real na região. Em média são mais de 250 mil acessos/mês e nossa fanpage chega à casa de 60 mil seguidores. E sabe como surgiu o Radar Litoral? De uma conversa entre os jornalistas Gustave Gama e Júlio Buzi - com mais de 20 anos de atuação no jornalismo regional - que perceberam a necessidade da população do Litoral Norte, bem como dos visitantes, em ter um veículo para trazer a notícia na hora em que ela acontece. Surgiu assim o portal www.radarlitoral.com.br

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A cada dia cresce a responsabilidade, mas nosso compromisso continua o mesmo, levar a você leitor informação de qualidade, com ética, profissionalismo e credibilidade. Foram diversas coberturas ao longo destes três anos. No ano passado, o desafio de promover dois debates transmitidos ao vivo com os candidatos a prefeito de São Sebastião e Caraguatatuba. Agora, no mês em que São Sebastião faz aniversário, prestamos esta homenagem a mais antiga cidade do Litoral Norte com a “Revista Radar Litoral - Especial São Sebastião 381 Anos”, que traz conteúdo histórico, cultural, as mais belas praias, entrevistas, reportagens e a arte de nossa gente. Parabéns São Sebastião!

Alvinho, um “Caiçara Nato e Sensato” Gabriel Medina, do sertão de Maresias para o mundo De um jeito atrevido, Neide Palumbo conta as histórias de São Sebastião Contorno Sul, uma nova estrada entre o mar e a montanha Em mais de 100km de costa, o encontro do mar com a Mata Atlântica A mais antiga cidade do Litoral Norte Arte e artesanato Felipe Augusto quer políticas públicas de qualidade A importância do comércio na geração de empregos Uma cidade voltada para o mar e seu porto em franca expansão Memória Fotográfica

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Direção geral

Júlio Buzi Gustave Gama Mtb 17221 Mtb 31421

Diagramação e Arte

Felipe Mattos

Fotografia

Celso Moraes Luciano Vieira Marcos Bonello Eskerdinha Venino Moreira

Colaboradores

Daniela Carvalho Edivaldo Nascimento

Jornalismo redacao@radarlitoral.com.br Publcidade arte@radarlitoral.com.br Contato (12) 99141-6025 / 98148-2225 Distribuição Gratuita - São Sebastião/SP Tiragem: 5 mil exemplares Esta é uma publicação de Imagem Assessoria de Comunicação e Eventos Ltda-ME. Portal de Notícias RADAR LITORAL *Todos os direitos reservados

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Referência regional <<

Tebar Praia Clube Meio século de história em São Sebastião Divulgação

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maior clube do Litoral Norte, o Tebar Praia Clube, que completou 50 anos em 2016, também faz parte da história de São Sebastião, especialmente nas áreas esportiva e social. Em 1964, um grupo de cinco funcionários da Petrobras de São Sebastião resolveu fundar uma associação com intuito social, que se iniciou com um time de futebol de salão. Em busca de um nome, foi realizada uma votação, surgindo então o Tebar Praia Clube. Como a escolha envolvia o mesmo nome da unidade da Petrobras que estava em construção, o fato foi levado ao conhecimento do chefe da obra, general Mário Rego Monteiro.

O Tebar Praia Clube passou a ser então o principal objetivo de muitos profissionais que prestavam serviços em São Sebastião.”

Tebar Praia Clube


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O seu entusiasmo pela ideia e a visão de que realmente uma vida social e esportiva faria a integração entre os empregados e a comunidade local, fez com que, a partir daí, não só fosse fundado o clube como também construída a sede própria, um sonho para a época. O Tebar Praia Clube passou a ser então o principal objetivo de muitos profissionais que prestavam serviços em São Sebastião. A construção da sede, inaugurada em 03 de outubro de 1966 na região central, com linda vista para Ilhabela, possibilitou o entrosamento e a realização pessoal de todos que, voluntariamente, se

dedicaram à obra, formando uma geração de jovens que aprenderam valorizar a Cultura e o Esporte. As primeiras obras da sede compreenderam uma piscina para adultos, uma para crianças, uma quadra poliesportiva, uma cancha de bocha e o salão social. Em meados de 1966, a Prefeitura possuía poucos recursos para atender as principais prioridades do município, mas o clube tornara-se referência regional com uma programação contínua e de qualidade. Como se tudo isso não bastasse, o Tebar que

no princípio era frequentado somente pelos petroleiros e suas famílias fez a abertura para que, apresentado por um associado petroleiro, qualquer morador do Litoral Norte pudesse se associar. Muita coisa mudou ao longo dos anos. Hoje a estrutura do TEBAR PRAIA CLUBE é somada com a programação cultural e esportiva do município de São Sebastião, contribuindo para o engrandecimento cultural e esportivo do Litoral Norte Paulista.Atualmente, o clube tem mais de 5,5 mil associados e gera 64 empregos. Por tudo isso, é uma referência em termos culturais e esportivos no Litoral Norte. Fotos: Divulgação


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O Arquivo Implacável <<

Alvinho, um “Caiçara Nato e Sensato” Fotos: Radar Litoral

Antigamente a caiçarada andava mais à vontade, todos se conheciam. Hoje isso é bem diferente”.

de raiz e que sempre teve preocupação com a cultura local, comentou a diferença dos tempos atuais. “Antigamente a caiçarada andava mais à vontade, todos se conheciam. Hoje isso é bem diferente”. Sobre seus livros, Alvinho disse esperar que as pessoas guardem e preservem a história para que a cultura e os costumes caiçaras não acabem.

Bom humor

Júlio Buzi

“Um caiçara nato e sensato”, assim Álvaro Dória Orselli, o Alvinho, se intitula. Um dos caiçaras mais tradicionais, carismáticos e queridos de São Sebastião é conhecido também pelos “causos” que sempre escreveu. Em setembro de 2014, lançou o seu segundo livro “Outros Causos e Retratos de São Sebastião”. Com o seu tradicional bom humor e sempre com uma “tirada” na ponta da língua, disse que os causos que conta são reais, “só floreio um pouco e não dou nomes ou apelidos das pessoas”. Os fatos são alguns “dos tempos idos, que ouvi con-

tar por familiares e pessoas mais antigas, outros mais recentes, nos quais tive até participação”. Segundo ele, são todos verdadeiros, nenhuma “lambança” ou mentira. Alvinho contou que sempre foi escrevendo seus causos sem objetivo de transformá-los em livro. O primeiro, “Causos e Retratos de São Sebastião”, foi publicado em 1997. Já o segundo, foi meio ao acaso. As amigas da família Siwla Silva e Joana Mascarenhas, filhas do seresteiro Nilson Florêncio, leram os “causos” e resolveram editá-los e transformá-los no livro, juntamente com Alexandre Fukumaru. Foram 150 exemplares com a renda destinada integralmente à APAE. Um caiçara

Aos 84 anos, Alvinho enfrenta problemas de saúde com o seu tradicional bom humor. “Estou com cupim”. Trabalhou por muito tempo nos Correios, mas suas paixões, além da família, foram o esporte e o jornalismo. Filho de Jácomo Orselli e Maria Evangelista de Oliveira Dória, é casado com a professora Mariza Paiva Dória Orselli, com quem teve seis filhos: Álvaro, Miriam (falecida), Estela, Sara, Lauro e Carolina. Era conhecido como um grande nadador, que participava de diversas provas natatórias entre São Sebastião e Ilhabela. Era comum vê-lo caminhando até a Praia Grande para praticar seu esporte favorito. Foi correspondente da Folha de São Paulo (1960 a 1963) e do Estado de S. Paulo (1967 a 1988), além de colaborar com diversos jornais locais.


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Em função dos seus “inúmeros escritos”, pessoas ligadas à cultura e jornalistas, recorriam para obter informações precisas sobre a cidade Na sua atuação como jornalista, destaca como mais marcante a matéria que fez sobre o calçamento de paralelepípedos do centro na gestão do prefeito Jorge Abdalla. Fez uma matéria denunciando que os moradores teriam de pagar a obra. Foi acusado de subversivo, sendo levado para o quartel do Exército em Caçapava, onde dormiu, prestou depoimento e depois foi liberado. Disse que não sofreu qualquer tipo de violência ou tortura e o melhor: “Ninguém pagou o calçamento”, afirmou. Alvinho teve participação política na cidade. Foi eleito vice-prefeito de Gil Pacini no período de 1960 a 1963. Naquela época, as eleições de prefeito e vice eram independentes. Atuou por muito tempo na área da Cultura e Turismo de São Sebastião. Considera-se um curioso, estudioso da vida e da história e fatos do cotidiano da cidade, mantendo o gosto de transmitir seus conhecimentos por artigos variados e sempre bem humorados. Em função disso e do seus “inúmeros escritos”, surgiu o “Arquivo Implacável do Alvinho”, ao qual estudantes, pessoas ligadas à cultura e jornalistas, entre outros, recorriam para obter informações precisas sobre a cidade. Quem não conhece o “caiçara nato e sensato”, como Alvinho se intitula, certamente desconhece parte da história e da cultura caiçaras.


08Radar | Radar Litoral - Especial 381 anos Litoral - Especial 381 anos Divulgação

A história do menino de ouro!

Do sertão de Maresias para o mundo, Gabriel Medina, o primeiro brasileiro campeão mundial de surf Gustave Gama

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oram 38 anos de espera para o Brasil conhecer seu primeiro campeão mundial de surf. E ele é de São Sebastião. Do sertão de Maresias ganhou o mundo. Gabriel Medina eternizou-se na história com apenas 20 anos, na lendária praia havaiana de Pipeline. Entre tubos e aéreos impressionantes – uma de suas especialidades - o garoto voa alto não só dentro d’água, mas fora dela também. No ano em que São Sebastião completa 381 anos, Medina inaugura o instituto que leva seu nome, na praia onde tudo começou, para preparar fu-

turos campeões, dando a eles condições de preparação física, cursos de idiomas e informática e, claro, surfe, muito surfe. A praia de Maresias é para o surfista o seu quintal. Ainda pequeno colocou na cabeça que seria sufista profissional. Com poucos recursos, mas com a fundamental ajuda do pai, Charles Saldanha, iniciou treinamentos e competições regionais e estaduais. Teve de abdicar de brincadeiras para se dedicar, e muito, à preparação física e técnica. Deu certo. O Brasil tem o seu primeiro campeão do mundo! Naquele dezembro de 2014, o país e o mundo conheceram o nosso garoto de ouro, o menino de Maresias. Para celebrar a conquista histórica, mesmo sem estar no mar, o sebastianense que havia se

classificado às quartas com uma vitória emocionante, teve ainda a ajuda de um argentino naturalizado brasileiro, Alejo Muniz, que derrotou Mick Fanning, único que ainda poderia brigar pelo título. “É fantástico. Eu não sei exatamente o que dizer. Eu quero agradecer Alejo por me ajudar. Eu amo essa torcida. Eu quero muito celebrar com todas essas pessoas, com meu pai e minha mãe. Eu sonhava com isso e agora virou realidade” afirmou Gabriel, logo após o título. Naquele dia, Maresias virava a capital mundial do surf. Era 2014, o ano em que o “país do futebol” viu o 7 a 1 para Alemanha em pleno Mineirão, na Copa do Mundo realizada em casa. O Brasil passava a ser naquele dia o país do surf!


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Radar Litoral

Instituto Gabriel Medina

Um lugar para preparar futuros campeões! Quando Medina começou, a ajuda de seu pai foi fundamental para que alcançasse o sucesso. E Charles Saldanha salienta a importância da preparação física e técnica para a formação dos campeões. Talento e treinamento devem caminhar juntos. É com essa proposta que Gabriel Medina inaugurou o instituto que leva o seu nome, numa área em frente à praia de Maresias, na Costa Sul de São Sebastião, onde tudo começou. Entre o terreno e a obra, ele investiu R$ 3,5 milhões. A inauguração do IGM foi realizada em 31 de janeiro de 2017. Não há instituto como este em todo o mundo. Inicialmente, o instituto atenderá 40 jovens, entre 10 e 16 anos. O Radar Litoral participou da inauguração. Gabriel Medina estava ao lado de seu pai e técnico Charles Saldanha, e de sua mãe, Simone Medina, a presidente do IGM. “É um sonho meu e de minha família que hoje se realiza, poder ajudar estas crianças com o meu esporte”, declarou Gabriel Medina. A proposta é oferecer aos jovens talentos a mesma estrutura de preparação física e técnica que hoje

ele utiliza. Charles é o vice-presidente do instituto e responsável pela supervisão técnica. “É um orgulho poder formar grandes atletas, mas principalmente, cidadãos. O esporte ajudou a criar meus filhos dentro de valores que hoje poucos existem. São princípios para a vida toda”, disse a presidente. Diariamente, os participantes têm aulas práticas e teóricas, refeições e muita interação para o desenvolvimento de suas habilidades e técnicas. A programação com os surfistas é de segunda a sexta-feira, em dois períodos (matutino e vespertino), permitindo que os 40 beneficiados participem no contraturno da escola. São realizados ainda treinos especiais aos finais de semana, com simulação de competições. No instituto, os participantes têm ainda aulas de idiomas (inglês e espanhol), informática, condicionamento físico e natação. Também nos finais de semana, são desenvolvidas ações sociais, envolvendo as famílias, com cursos profissionalizantes de manicure, pedicure, maquiagem, cabelereiro, com duração de três meses cada. “A ideia do isti-

tuto partiu do próprio Gabriel. Pensamos no ideal para formar atletas, que é na faixa entre 10 e 16 anos, a base para formar campeões. Quando o Gabriel começou nessa idade, não tínhamos recursos e muitas vezes trabalhei sozinho na preparação”, relembrou Charles. Gabriel Medina disse que espera ver em breve campeões que começaram nas aulas do instituto. “Com 20 anos fui campeão mundial. É preciso acreditar nos sonhos”, declarou o surfista. Para selecionar os participantes do instituto, em 2016 foi realizado o Circuito Medina/ASM de Surf com três etapas, onde os melhores de cada categoria foram classificados. Os alunos permanecem no instituto até os 16 anos. Entre os equipamentos à disposição no instituto, academia completa, piscina e até mesmo cama elástica para treinos de manobras aéreas. Um museu com as principais conquistas de Gabriel Medina também integra a sede. Outro destaque é o palanque construído de frente para as ondas, para a simulação de baterias.


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Esporte << Radar Litoral

Há também auditório para aulas e palestras socioeducativas e laboratório de informática, criado em parceria com a Microsoft, onde aprendem a editar seus próprios vídeos, das ondas surfadas. Além de acompanhamento médico, com o trabalho de promoção da saúde, o IGM contará com ações de saúde bucal - preventivas e de tratamento. O IGM gerou ainda cerca de 20 empregos, segundo informou a presidente Simone Medina ao Radar Litoral. “São profissionais da cidade e de nossa confiança. Pessoas que frequentam nossa casa e estão envolvidas neste projeto”. Os alunos são de São Sebastião e de outras cidades do Brasil. É o caso de Yan Sondahl, 12 anos, que veio de Camboriú-SC. “Sou de Balneário Camboriú, participei da seletiva e passei. Agora estou aqui em Maresias com minha família para realizar este grande sonho”, disse Yan, estudante do sétimo ano do ensino fundamental. Eric Bahia, 15 anos, é da Praia de Maresias, e agradece a chance de participar do projeto. “É um orgulho ser escolhido entre tantos atletas. Participei das três etapas e hoje estou aqui, no Instituto Gabriel Medina”, comemorou. Gabriel Medina aproveita para agradecer os parceiros, cinco dos patrocinadores, também acompanham a sua carreira no Circuito Mundial – Rip Curl, Oi, Guaraná Antarctica, Samsung e Coppertone, completando a lista a Microsoft. “Temos empre-

sas acreditando e apostando nesse projeto. São importantes, para a continuidade das atividades. Obrigado por confiarem e sonharem junto com a gente”, comenta o surfista. Alguns dos patrocínios foram viabilizados pela Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte, com a

Divulgação

destinação de até 1% do Imposto de Renda. Também estão no Instituto a Wizard Idiomas, Vult Cosmética, MGQ, além da Movement, Eliane, Instituto Ricardo Horliana, Lukscolor, Armarinhos Fernando, Frooty e Go4it. “Cada ajuda é super válida. Somamos esforços para oferecer qualidade”, concluiu Simone Medina. Radar Litoral


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Aventura <<

Trilhas & cachoeiras

Felipe Mattos

Uma cidade que respira ecoturismo Trilha do Ribeirão do Itu

Cachoeira Rio das Pedras

Localizada no sertão da Praia de Boiçucanga, possui dois níveis sendo o 1º o da Pedra Lisa, onde após 25 minutos de caminhada chega-se à uma queda d’água de 40 metros e uma piscina funda de águas claras. Tem o menor grau de dificuldade. O 2º nível, mais difícil, leva em media 90 minutos para alcançar e chega-se a uma queda d’água de 20 metros de altura. Só o trajeto já é uma experiência única pela fauna e flora que se encontram nesta trilha.

Esta trilha tem seu percurso em meio à Mata Atlântica e seu trajeto é fácil de ser percorrido. Ótima para o trekking passa por uma hidromassagem natural e árvores Figueiras-parda gigantes com mais de 12 metros bem no meio do caminho, até chegar a um refrescante poção com uma pequena, porém linda cachoeira. A trilha proporciona a observação de inúmeras espécies de aves, mamíferos, anfíbios, plantas e árvores centenárias.

Praia Brava – Guaecá Esta trilha chega a uma praia deserta com areias claras e mar pouco agitado. A entrada da trilha fica em um mirante às margens da rodovia Rio-Santos na altura do Km 141, sentido Sul. Média intensidade.

Trilha Água Branca Localizada no sertão de Barra do Una, esta trilha é percorrida no meio da Mata Atlântica preservada. Durante o trajeto, é possível avistar espécies como, macacos Bugios, Tucanosde-bico-preto, Bicho-preguiça, Araçari-poca, sem contar as árvores magníficas como a Bicuíba, Embiruçu, Jequitibá, Guapuruvú. Além disto, possui piscinas naturais onde você poderá tomar um banho bem relaxante. Tem duração média de 1h30 e é tranquila.

Praia Brava - Guaecá

Radar Litoral

Trilha da Praia Brava Esta trilha que leva aproximadamente uma hora e meia chega à Praia Brava, uma praia selvagem com ondas fortes, areia branca e um rio de água doce. Paraíso dos surfistas mais radicais é normalmente deserta. O caminho é exuberante pela sua fauna e flora e possui dois mirantes de tirar o fôlego. No primeiro se avista as praias de Boiçucanga e Cambury e no segundo a ilha de ToqueToque Grande e a Ilhabela. Média intensidade.

Cachoeira Toque-Toque Grande Felipe Mattos

Cachoeira Toque-Toque Grande Na altura do Km 142 da rodovia Rio-Santos sentido sul, encontra-se esta linda cachoeira. De fácil acesso é perfeita para uma boa energizada. Cachoeira da Pedra Lisa, Ribeirão do Itú


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Alma Caiçara <<

De um jeito atrevido, Neide Palumbo conta as histórias de São Sebastião Divulgação

Aos 18 anos, já formada professora, dona Neide foi lecionar nas escolas que ficavam em praias isoladas na costa sul, Maresias e Paúba, onde só era possível chegar de barco

Daniela Carvalho

S

ão Sebastião é uma cidade com muitos atrativos: praias lindas, natureza exuberante e uma história repleta de mistérios e lendas. Talvez ninguém conte melhor a história da cidade do que a caiçara Neide Palumbo, pelo menos não com tanta alegria e atrevimento.

“Hoje em dia, eu vou ser franca, não sei o que é verdade ou mentira. O que eu inventei, criei e o que realmente eu escutei porque misturei tudo, são muitos anos que eu conto essas histórias, desde que me aposentei, há 30 anos. Essas histórias foram ficando dentro de mim e fui passando em frente”. Dona Neide Palumbo nasceu em 1942, em São Sebastião, e durante a sua infância viveu na Rua Expedicionário Brasileiro, no centro

histórico, atrás do prédio onde hoje está localizada a Livraria Satélite. O pai de dona Neide, José Rocha, tinha espírito empreendedor, além de ser um excelente contador de histórias, capaz de encantar os filhos ao falar sobre a sua infância e sobre as estrelas. “Eu puxei o jeito observador do meu pai. Eu era uma criança muito tímida, então, eu mais ouvia do que falava e observava muito as coisas, convivia com vários tipos de pessoas. Eu não era uma criança comum, com 2 anos e meio eu fugia de casa para encontrar com papai no bar. Eu queria estar com ele porque mamãe estava sempre ocupada trabalhando”, conta. Aos 18 anos, já formada professora, dona Neide foi lecionar nas escolas que ficavam em praias isoladas na costa sul, Maresias e Paúba, onde só era possível chegar de barco. Devido à distância, a professorinha morava nas casas das famílias caiçaras e assim aprendeu o sotaque e as histórias antigas da cidade. “Em Maresias, eu morava com uma família, que para mim era mãe e pai, vivia como se tivesse nascido ali. A dona Ermelinda, dona da casa, escondia o sabiá em um arroz para


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que os filhos dela não vissem e eu pudesse comer. - Neide tem um sabiá pra tu no arroz!”, conta sorrindo. Ela explica que naquele tempo, como não tinha estrada, era muito difícil conseguir carne e os caiçaras comiam apenas o peixe que vinha no cesto. Mas, quando o mar estava “grosso” e não dava para pescar, eles precisavam comer o peixe salgado que guardavam para essas situações, única forma de conservar o alimento, pois ainda não existia geladeira. Carne era raro. Apesar de não ser uma vida confortável, dona Neide explica que gostava de viver entre os caiçaras. Dava aulas de manhã e na parte da tarde as crianças iam até a casa dela para o reforço ou para cortarem os cabelos. “Eu peguei foi muito verme. Um dia o doutor Álvaro foi à escola para dar remédio de verme para os alunos e ferro porque quase todo mundo tinha anemia e disse: - Nossa, mas quem está pior aqui é a professora! A água era sem tratamento e não tinha esgoto. Então, pegava todo tipo de verme. Fora o bicho de pé!” Casada e mãe de cinco filhos, um menino e quatro meninas, dona Neide Palumbo já gravou um CD com histórias dos caiçaras, que fez um grande sucesso e ganhou o mundo.

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Eu tenho dentro de mim como se fosse um tesouro que eu guardo. Isso é meu. Gravei um CD com essas histórias, mas não quero colocálas em um papel porque eu acho que isso vai perder a emoção

Para dona Neide repassar o que ouviu dos seus amigos caiçaras é uma forma de preservar a história dessas pessoas. “Eu tenho dentro de mim como se fosse um tesouro que eu guardo. Isso é meu. Gravei um CD com essas histórias, mas não quero colocálas em um papel porque eu acho que isso vai perder a emoção”. Ela fala com saudades das festas religiosas e de como era mais fácil quando existiam poucos moradores na cidade e todos se conheciam. “No mês de Maria levávamos flores para a Nossa Senhora. Tinha a festa de Santo Antônio quando corríamos para a igreja para ganhar sacos de doces. Dona Júlia, mãe do doutor João Batista, colocava doces de abóbora, de batata, tudo docinho gostoso em um pacotinho de papel crepom e era uma festa. Aniversário todo mundo ia, não precisava convidar. Não tínhamos dinheiro para comprar presentes, comprávamos uma lata de talco, um sabonete, só essas coisas”. Mas, para uma pessoa com tantas histórias antigas dentro de si, dona Neide é uma pessoa que vive o presente, com a mesma intensidade com que observava o seu pai e depois os caiçaras contarem os causos quando ainda era apenas uma menina.


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Porto e Turismo <<

Uma nova estrada entre o mar e a montanha para o desenvolvimento e progresso

Reprodução / Nova Tamoios

Lote 2 | 18,4km

Lote 3 | 5,0km Lote 4 | 4,3km

Lote 1 | 6,2km

Gustave Gama

A

o passar pela Rodovia Manoel Hyppolito do Rego (SP-55) em seu trecho urbano no Bairro de São Francisco, já é possível notar os longos pontilhões sobre o Morro do Abrigo. E lá que começa o maior túnel do Brasil, com 3,6km, entre o Bairro e a Topolândia. Uma nova estrada entre o mar e a montanha para estimular o desenvolvimento portuário e o progresso de todo um município. São Sebastião que já abriga o maior terminal marítimo de embarque e desembarque de petróleo da América Latina, muito em breve terá uma moderna ligação entre o planalto e o litoral. No trecho que

chega à cidade, a obra da Nova Tamoios Contornos é denominada como “Contorno Sul”, partindo de Caraguatatuba. A nova estrada favorecerá o escoamento da produção das indústrias do Vale do Paraíba, bem como a região de Campinas. O empreendimento, que faz parte de um pacote do Governo do Estado para facilitar o acesso ao Litoral Norte, também trará mais segurança viária aos moradores e incrementará a economia local por meio do turismo. A obra terá três grandes túneis, um deles interligado à alça de acesso ao Porto de São Sebastião. A equipe de reportagem do Radar Litoral já esteve por algumas ocasiões nos canteiros de obras. Em todo o Litoral Norte são mais de 2 mil trabalhadores envolvidos no empreendimento.

No município, a Construtora Queiroz Galvão S/A é a responsável pela construção dos lotes 3 e 4 do empreendimento Nova Tamoios Contornos. Neste trecho, além dos três túneis - que somam seis quilômetros – são mais três quilômetros de viadutos e pistas. O túnel entre a Enseada e o Morro do Abrigo terá aproximadamente 2,2 km. O Contorno de São Sebastião, como também é chamada a nova estrada, terá pistas com duas faixas de rolamento e uma de acostamento. Os túneis contarão ainda com interligações para evacuação em caso de emergência a cada 244 metros. O menor dos túneis estará próximo ao bairro Topolândia, com aproximadamente 250 metros, e que fará a interligação


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Divulgação

Divulgação

Preservação ambiental

com o viaduto para acesso ao porto. Além do investimento de R$ 818 milhões, a construção da nova estrada traz outros números grandiosos: 813 mil m³ de escavação e retirada de terra, 1,4 milhão m³ de rocha, 204 mil m³ de concreto, 5,6 mil toneladas de aço. Os métodos de construção utilizados nos túneis são o NATM (New Austrian Tunneling Method) para os trechos em solo e o Drill & Blast para os

trechos em rocha, que prevê a perfuração e detonação do maciço rochoso. Como contrapartida, a empresa construiu um Centro Esportivo e um Centro Cultural na região do Morro do Abrigo. O empreendimento também gera recursos para o município. Somente em arrecadação de ISSQS são em torno de R$ 1 milhão por mês, com previsão de chegar a R$ 2,5 milhões quando a obra atingir seu auge.

Uma equipe de aproximadamente 25 pessoas integra uma Comissão de Saúde, Qualidade, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho criada para minimizar os impactos ambientais decorrentes das obras dos contornos. De forma a mitigar os impactos de supressão vegetal, a Cetesb determinou áreas de compensação ambiental, nas quais, serão feitas os replantios com espécies nativas da região. Antes destas atividades, são realizados os serviços de resgate da flora e afugentamento e resgate da fauna.


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Especial 381 anos <<

Em mais de 100km de costa, o encontro do mar com a Mata Atlântica paro, da ordem Franciscana construído em 1664. As características inigualáveis Enseada De pouca profundidade, durante o dia é frequen- Existe também um importante sítio arqueológico de suas praias fazem do Município tada por caiçaras que pescam e praticam a captura bastante preservado, que traduz muito da história de São Sebastião um lugar ainda de crustáceos. É indicada também para banho de da região. No “Bairro”, como carinhosamente é e mar e muito utilizada por praticantes de kite- chamado, pode-se comprar peixe diretamente da mais especial, onde história e sol surf. Fica na Costa Norte da cidade, a 14km do Cen- Cooperativa de Pesca. A praia fica a 7k do Centro. tro, na divisa com Caraguatatuba. natureza se misturam Arrastão

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iajar pela Rio-Santos é estar entre o mar e a Mata Atlântica. E quando se chega a São Sebastião, esta viagem torna-se ainda mais especial. Afinal são 100km de costa, onde história e natureza se misturam. A cidade mais antiga do Litoral Norte, do alto de seus 381 anos, oferece praias para os mais diversificados gostos. Calmas, com ondas, de areia dura, de areia fofa, de areia branca ou preta, mas todas com o mesmo conceito, a hospitalidade do povo sebastianense. É escolher uma delas e aproveitar o que nossa cidade tem de melhor. Da Costa Norte a Costa Sul, o roteiro é você quem faz.

Cigarras

A praia das Cigarras recentemente teve a sua orla urbanizada e agora possui acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida. É a mais movimentada da Costa Norte, com águas calmas, areias grossas e oferece segurança para toda a família. Está a 12km do Centro.

Uma das praias da região central que pode ser vista ao passar pela SP-55. De água tranquila e areia branca, conta com a infraestrutura de quiosques e um pequeno shopping. Ideal para a prática de esportes náuticos, como o stand up paddle, vela, caiaque, entre outros. A praia está a 5km do Centro.

São Francisco

Pontal da Cruz

É um reduto calmo e tranquilo de pescadores que ainda preservam as tradições do bairro. Sua orla é decorada por barcos de pescas coloridos, proporcionando uma vista bucólica e aconchegante. É um dos bairros mais tradicionais de São Sebastião e abriga o Convento Nossa Senhora do Am-

Conhecida pela Lenda do Amor e a Pedra da Cruz, a Praia do Pontal da Cruz possui a infraestrutura náutica com marinas e também um restaurante à beira-mar. A praia também é muito utilizada pelos praticantes da caminhada e está a 3km do Centro.


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Foto: Celso Moraes


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Especial 381 anos << Marcos Bonello Eskerdinha

Praia Deserta O nome é justificado pela pouca procura dos turistas, porém, os moradores aproveitam para caminhadas à beira-mar. Uma das mais belas vistas de Ilhabela, logo à frente. Está a 2km do Centro.

Prainha do Tebar ou Prainha dos Boneteiros A pequena praia está localizada no Centro da cidade, bem em frente ao Tebar Praia Clube e próxima ao Teatro Municipal. Muito utilizada pela comunidade tradicional caiçara da Praia do Bonete, de Ilhabela, para a descarga de pescados e o carregamento de mantimentos. Ideal também para a pesca de siri.

Preta do Centro A Praia Preta do Centro justifica o nome pela coloração de sua areia. Águas calmas e limpas frente ao Canal de São Sebastião. Está localizada a cerca de 2km do Centro no sentido sul.

Praia de Guaecá Marcos Bonello Eskerdinha

Praia Grande Única praia com infraestrutura para receber ônibus de turistas de um dia. O mar é calmo e raso, ótimo para crianças e idosos. É uma praia acessível, com atendimento às pessoas com necessidades especiais. Conta com pista de skate, quadra poliesportiva, pista de bicicross, quiosques, churrasqueiras, banheiros e amplo estacionamento. A Praia Grande ainda abriga o Museu da Fundamar.

Pitangueiras Uma pequena faixa de areia grossa, rodeada pela mata atlântica. A Praia das Pitangueiras é charmosa, localizada entre a Praia Grande e a Praia do Cabelo Gordo, onde localiza-se o Cebimar. Muito procurada por moradores da cidade, apesar de pouca área para estacionamento de veículos. Praia de Barequeçaba


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Celso Moraes

Barequeçaba Possui infraestrutura como padaria, mercado, farmácia, restaurantes e pousadas. Fica a apenas 6 Km do centro. A praia é de areia dura e mar raso, ideal para crianças e idosos. Também muito procurada por praticantes de esportes, como o beach tennis, além de corrida e caminhada.

Guaecá Praia longa, com areia clara, ideal para caminhadas e corrida. Geralmente o mar é calmo, mas em dias de vento sul, torna-se ponto de encontro para os surfistas da cidade, com forte ondulação. Também é conhecida por abrigar a Gruta do Bicho, famosa por sua lenda.

Toque-Toque Grande É uma simpática vila de pescadores, que ainda preserva a pesca artesanal e convive com belas casas de veraneio. A Ilha de Toque-Toque perto da praia é ótima para mergulho e pesca esportiva, bem como as costeiras. Na rodovia, logo no acesso, a Cachoeira de Toque-Toque dá as boas vindas a todos.

Praia de Calhetas Celso Moraes

Calhetas Uma pequena península localizada entre ToqueToque Grande e Toque-Toque Pequeno. Pouco conhecida, a praia das Calhetas tem acesso apenas para pedestres, numa entrada feita por um condomínio. São 10 minutos de caminhada entre a estrada e a praia. A natureza é exuberante.

Santiago

Possui parcéis bem próximos que fazem a alegria dos mergulhadores. A ducha natural no canto esquerdo é um convite. A praia é de tombo, mas normalmente com águas calmas.

Paúba

Praia de Santiago

Uma praia pequena, de águas calmas e límpidas. Mantém o ar tranquilo de uma vila de pescadores. Ótima opção para quem procura sossego e segurança.


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Especial 381 anos << Celso Moraes

Maresias É a capital do surf, a terra do campeão mundial Gabriel Medina. Possui uma das melhores infraestruturas turísticas da cidade. Referência também nas baladas noturnas, frequentada por gente do mundo todo. A praia é longa e de areias finas. Sua orla é quase toda tomada por casas de alto padrão. Está a cerca de 25km do Centro.

Boiçucanga Praia de tombo e mar verde esmeralda. Tem o pôr do sol mais bonito do Litoral Norte. Abriga uma vila de pescadores no canto esquerdo da praia, próximo ao rio, onde pode ser encontrada uma grande variedade de peixes, além de passeios de barco para as ilhas da região. Boiçucanga tem a maior população entre os bairros da Costa Sul e abriga comércio forte, além de bancos e um shopping.

Barra do Sahy Pequena baía de areia branca e fofa mantém a harmonia entre a paisagem e as residências locais. O lugar ainda tem jeito de aldeia com rancho de pescadores e uma linda capela junto

As Ilhas

ao rio, que completam um dos mais bucólicos cenários de São Sebastião. A partir da Praia da Barra do Sahy é o caminho para chegar nas paradisíacas “As Ilhas”.

Praia Preta da Costa Sul De pequena extensão possui areias escuras e água transparente. O verde quase selvagem e um pequeno riacho dão um toque paradisíaco à praia.


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Juquehy Agitação na medida dentro e fora da praia. No canto direito ficam os surfistas, no meio o clima mais festivo com bares e restaurantes, e à esquerda, próximo ao rio, reina a tranquilidade. Boa estrutura gastronômica e comercial com shopping e diversas lojas. Vida noturna animada com bares e música ao vivo.

águas avermelhadas é completamente limpa e um refrescante presente da natureza.

Boraceia É em Boraceia que fica a Tribo Indígena Ribeirão Silveira e vale uma visita. É a primeira

Celso Moraes

Barra do Una Com boa estrutura náutica, Barra do Una é o melhor ponto de partida para passeios de barco na Costa Sul da cidade. O Rio é parte essencial desta praia e navegar de stand up paddle ou canoa rio acima é um passeio incrível. As ondas são fortes nos costões desertos e a maré mansa na restinga ao pé do morro.

Engenho O acesso a esta pequena praia se dá por ruas praticamente no meio da mata. A animação fica por conta dos surfistas frequentadores, que buscam um local fora do roteiro convencional.

Jureia Paraíso ecológico onde a Mata Atlântica é muito preservada. Belíssimas casas de veraneio se misturam a este cenário exuberante. A praia é pequena e de tombo. No canto norte, a lagoa de

praia de São Sebastião e faz divisa com a cidade de Bertioga. Praia plana e extensa, de mar calmo e águas cristalinas. A orla é protegida por vegetação, isenta de construções. Perfeita para esportes praianos, caminhadas e um passeio de bicicleta.

Praia de Juquehy


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História <<

São Sebastião, a mais antiga cidade do Litoral Norte Marcos Bonello Eskerdinha

Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico). São casarios coloniais e igrejas do início do século XVII. Entre as construções mais significativas estão a Igreja Matriz, a Capela de São Gonçalo que abriga o Museu de Arte Sacra, a Casa de Câmara e Cadeia e a Casa Esperança, esta última tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a única mantida por particulares, no caso, a tradicional família Fernandes.

Em cada esquina, uma grande riqueza histórica

A

lém das belezas naturais e de estar inserido entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, São Sebastião possui um Centro Histórico que remete os visitantes a

uma verdadeira viagem no tempo. Em cada esquina, uma grande riqueza histórica. São sete quarteirões e oito edifícios tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Venino Moreira

Este patrimônio material soma-se a uma cultura imaterial presente em manifestações como a Congada de São Benedito e as Folias de Reis. São Sebastião é a cidade mais antiga do Litoral Norte. Antes da colonização portuguesa, a região de São Sebastião era ocupada por índios Tupinambás ao norte e Tupiniquins ao sul. A serra de Boiçucanga era uma divisa natural das terras das tribos.


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O município recebeu este nome em homenagem ao santo do dia em que passou ao largo da Ilha de São Sebastião - hoje Ilhabela - a expedição de Américo Vespúcio: 20 de janeiro de 1502. A ocupação portuguesa ocorreu após a divisão do território em Capitanias Hereditárias. Diogo de Unhate, Diogo Dias, João de Abreu, Gonçalo Pedroso e Francisco de Escobar Ortiz iniciaram a povoação, desenvolvendo o local com agricultura e pesca. Nesta época, a região contava com dezenas de engenhos de cana de açúcar, responsáveis por um maior desenvolvimento econômico e a caracterização como núcleo habitacional e político. Isto possibilitou a emancipação político-administrativa de São Sebastião em 16 de março de 1636.

Sitio Arqueológico de São Francisco Luciano Vieira

Venino Moreira

Localizado em meio a Serra do Mar, a 260 metros de altitude, o sítio arqueológico é de extrema beleza. Com uma vista magnífica sobre o bairro de São Francisco e o Canal de São Sebastião, o sítio é objeto de constantes estudos. Com aproximadamente 200 anos de história e cerca de 20 mil m² de restos construtivos, o sítio possui ruínas de uma enorme e rica fazenda de escravos. Para visitar o Sítio é necessário algum preparo físico já que para alcançar o local é preciso percorrer uma trilha de média intensidade que dura aproximadamente 1 hora e meia. Também é necessário agendamento com a Secretaria de Cultura e Turismo.


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Contos & causos<<

São Sebastião e suas lendas Ilustração Marcelo Bossler

Mas o que é uma lenda? É a narrativa transmitida oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando por meio da imaginação popular. A palavra lenda vem do latim medieval que quer dizer “aquilo que deve ser lido”.

A lenda da Gruta do Bicho

S

ão Sebastião é uma cidade rica em lendas características do folclore caiçara. Muitas delas são conhecidas de grande parte da população e contadas ao longo dos anos. São lendas como a do “Santo que Pecou”, “A Lenda do Amor”, “Gruta do Bicho”, “A Moça do Rio Boiçucanga”, “O Lobisomem do Bairro de São Francisco” e da “Estrada Dória”, entre muitas outras. Uma das mais conhecidas é a Lenda do Santo que Pecou. Em São Sebastião, morava um homem que se chamava Benedito Lopes. Este caiçara era temido por todos, principalmente quando bebia, ficava agressivo, brigava com todo mundo e sempre que

Gravação do filme “O dia em que o Santo pecou”

passava em frente à Igreja, ele insultava São Sebastião com palavrões. O padre, preocupado, dava constantes conselhos a Benedito. Explicava que São Sebastião, um dia, poderia castigá-lo. Esse não escutava o conselho. Certo dia, Benedito foi encontrado morto na frente da Igreja. Quem poderia ter assassinado um homem tão temido? Esta coragem só teria São Sebastião. O Santo foi acusado pela população de assassinato e foi a julgamento. Depois de dois dias de julgamento o Santo foi condenado a cinco anos de prisão. Durante esse período o Santo ficou preso

na cadeia local e só saía para as procissões e, assim mesmo, escoltado por policiais. Após ter cumprido sua penalidade, voltou à Igreja de São Gonçalo. Esta lenda virou um filme do cineasta Cláudio Cunha, que foi rodado no próprio município, em 1975, um acontecimento àquela época. O livro “Mitos e Lendas de São Sebastião” foi publicado na década de 90 pela Prefeitura de São Sebastião, com muitas destas histórias. Coordenado pela professora Patrícia Viviani, o critério utilizado foi de que pelo menos quatro pessoas contassem a mesma história, esta seria considerada lenda.


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Arte e Artesanato <<

São Sebastião: um cenário inspirador São Sebastião é uma pintura! Quantas vezes você já teve essa impressão?

Divulgação

Daniela Carvalho

E

ssa é uma cidade colorida, de um lado está o azul do mar, do outro lado está o verde da mata com sua exuberância e diversidade de flores, com tonalidades incríveis e variadas. As areias das praias apresentam várias nuances de brancos e beges, algumas chegam a ser mais escuras, são cenários perfeitos para quem busca inspiração. O artesanato caiçara representa muito bem esse encantamento pela cidade, mas com o passar do tempo, com a chegada dos imigrantes, o cenário artístico do município se transformou e se tornou mais plural. Novas técnicas foram sendo desenvolvidas, algumas agregaram valor ao conhecido artesanato caiçara e outras propuseram histórias completamente diferentes. Independente da arte que desenvolvem, os artistas se sentem conectados com o lugar, onde encontram forças para vencer os desafios. Entre eles, está a artista plástica Bel Galvanese, uma ceramista de grande talento e sensibilidade.

Devo tudo a cidade de São Sebastião e a região que me trouxe a arte, aqui aprendi a ter liberdade e sou mega grata por isso”

Uma das características marcantes do seu trabalho são as modelagens delicadas e as tonalidades incríveis, principalmente na cor azul. Morando na praia, ela diz que se sente inspirada pelo mar e está sempre atrás de um novo tom de azul. “Devo tudo a cidade de São Sebastião e a região que me trouxe a arte, aqui aprendi a ter liberdade e sou mega grata por isso”, afirma. Além de ceramista, a Bel também faz desenhos, ilustrações de livros e possui até um livro publicado, chamado “Segredo de Druzilla – A Encantadora de Siris”. Mas, o que a Bel não podia imaginar é que o seu filho caçula, Fábio Galvanese, que ficava no ateliê observando-a trabalhar também seguiria o mesmo caminho. No caso de Fábio, a sua paixão é o designer de móveis. Ele diz que tentou fazer

cerâmicas, mas não levou muito jeito. Com apenas 26 anos, ele é formado em Engenharia de Produção na Universidade Mackenzie de São Paulo e já abriu uma empresa, a Espiga Litoral, especializada em móveis feitos à mão, com


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Arte e Artesanato << matérias-primas reutilizadas. O seu projeto mais recente é a cadeira Tripolina, que surgiu em 1877, desenvolvida para ser utilizada em camping. Nas mãos do Fábio a cadeira passou a ser feita de forma artesanal, com matérias-primas reutilizadas. A madeira é encontrada em caçambas de obras, os metais são feitos em São Paulo na Serralheria do seu tio e ele é quem costura o tecido do encosto da cadeira. “O lugar onde estou desenvolvendo meus planos é essencial para eu ter forças para vencer os meus desafios. Estar perto da natureza, das praias, da floresta e do mar são essenciais para me dar energia e inspiração para criar”, afirma. Jovens agitam o circuito das artes em São Sebastião As amigas Bia Porto, Leila Prado e Camila Carrasco, moradoras de Boiçucanga, na costa sul, estão agitando o circuito das artes em São Sebastião, com propostas inovadoras e peças artesanais criativas e diferenciadas. Com o intuito de conectar artistas entre si e com o público, formando uma rede de economia criativa, elas fundaram A Nu,

O Bazar Nu apóia o artesanal, o pequeno, o artesão inovador e o tradicional, o sustentável”

uma Loja Colaborativa, que divulga e comercializa trabalhos artesanais. Hoje as três já conseguiram reunir um grupo de jovens muito talentosos e com uma visão de mundo diferente. Eles buscam o crescimento profissional, mas sem abrirem mão de seus valores, como o respeito ao meio ambiente e ao ser humano. No grupo tem fabricante de repelente natural, cri-

ador de artesanato caiçara, costureiros, desenhistas de xilogravuras, fabricante de papel artesanal e muito mais. Com a Loja, surgiu o Bazar NU, que é itinerante, já circulou pela costa sul de São Sebastião e participou do Vento Festival na Ilhabela. “O Bazar Nu apóia o artesanal, o pequeno, o artesão inovador e o tradicional, o sustentável”, explicam as amigas. Divulgação


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Fotos: Divulgação

Séculos de Tradição A arte educadora Maria Aparecida Ivanov, a Cida, tem feito um trabalho intenso para preservar a tradição das panelas de barro, que no início do século, transformou a cidade num dos maiores pólos produtores de cerâmica do Brasil. As panelas de barro são feitas através do processo de acordelamento, mesma forma pela qual os índios nativos e as famílias de escravos produziam seus utensílios. Cida aprendeu a técnica ancestral de “levantar” panelas de barro em um curso de dona Adélia

Barsotti, uma das últimas peneleiras da cidade, que faleceu em 2003, aos 82 anos. Enquanto via a dona Adélia manipular o bairro, Cida explica que foi como se vivesse um momento mágico e surgiu o compromisso de manter essa tradição. Ela teve a oportunidade de dizer isso para dona Adélia por quem foi desencorajada a continuar com essa ideia. - Será muito difícil ganhar dinheiro com a venda das panelas, eu criei os meus filhos com muita dificuldade e, além disso, já não tem barro na ci-

dade, disse a velha paneleira. Mas, isso não foi suficiente para fazer com que Cida mudasse de ideia. “Sempre tenho um pensamento poético por isso não ganho dinheiro”, diz com um sorriso. Hoje, além de ser uma artesã reconhecida, ela também dá aulas de cerâmica a grupos escolares, da melhor idade, pessoas com problemas mentais e para quem mais se interessar. “A lida com o barro é um reencontro com a sua essência. Quando a gente transforma o nada em alguma coisa percebe que pode modificar a própria vida”, explica.


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Arte e Artesanato << Fotos: Venino Moreira

Arte a dois Há 20 anos, com os três filhos criados, o casal Venino e Midian Moreira descobriu uma nova forma de estreitar ainda mais a parceria e começou a fazer artesanatos, com materiais reciclados. A primeira peça que eles fizeram foi uma traineira, um barquinho de pesca para enfeitar um quadro com o qual o casal presenteou a mãe de Venino. O barquinho representa a forte ligação de Venino com o mar, ele conta que uma das suas lembranças de infância é de brincar na canoa do seu tio, feita com um único tronco de árvore, com a técnica caiçara, era comprida e possuía as pás de madeira muito pesadas. “Era uma dificuldade, mas eu adorava!,” lembra. Depois de fazer a primeira traineira, Venino e a esposa Midian não pararam mais de criar, surgiram

outras peças e a produção cresceu. Enquanto Venino dá forma ao artesanato, Midian decora a peça com tintas coloridas e dando um toque de charme. Assim, as madeiras das caixas de frutas se transformam em barquinhos de madeira e os fundos das latinhas viram uma panelinha, que é vendida junto com a receita do Peixe Azul Marinho – prato tradicional da cidade. Além de bonita, a panelinha é um símbolo de resistência para o casal. Por isso, mesmo sendo alérgico a metal, Venino não desistiu de produzi-las. Graças a ela, o “Peixe”, símbolo turístico da cidade, que por oito anos não foi divulgado pelos órgãos oficiais,

se manteve vivo e continuou a encantar os moradores e turistas. “Nós não achávamos justo deixar o peixinho morrer”, disseram. As peças deles são vendidas no quiosque “Arte da Terra”, que fica na Rua da Praia, onde os dois trabalham juntos e aproveitam para trocar informações sobre novas técnicas de artesanatos com os amigos. Hoje a casa do casal se transformou em um local de criação. Os quartos foram transformados em estúdio e, com o tempo, os filhos se envolvendo com a criação das peças. O casal só aguarda a aposentadoria para poder se dedicar aquilo que mais gosta: criar e trabalhar junto.


30 | Radar Litoral - Especial 381 anos Fotos: Gustave Gama

Entrevista <<

São muitos desafios. Aliás, governar é escolher os principais desafios”

RL - Quais são os desafios dos quatro anos de sua gestão?

Felipe Augusto quer políticas públicas de qualidade em todos os bairros de São Sebastião Júlio Buzi

Em entrevista exclusiva à Revista RADAR LITORAL, o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, fez uma avaliação dos primeiros meses de sua gestão e os desafios futuros, que passam por reorganização do sistema viário do Município, saneamento básico e investimentos em Saúde e Educação. Confira a íntegra da entrevista:

Radar Litoral - Qual a avaliação que o sr. faz dos primeiros meses à frente da Prefeitura de São Sebastião? Felipe Augusto - Uma avaliação de muito trabalho para reorganizar a máquina administrativa, a organização financeira e a implementação de um novo estilo de gestão. Estamos trabalhando de forma responsável com o dinheiro público. Enxugamos os contratos e criamos uma comissão de análise dos pagamentos. Isso tudo com respeito público e para que possamos, ainda este ano, realizar os principais investimentos de nossa gestão. Investimentos que estão batendo à porta. Entre eles, a organização do sistema viário da região central e investimentos em Educação e Saúde.

FA - São muitos desafios. Aliás, governar é escolher os principais desafios. Hoje nós temos que concluir a UPA e entregá-la à comunidade, assim como o Hospital de Boiçucanga. Temos de realizar as principais obras do viário urbano, congregando as ações com as obras do contorno e a reorganização da Rua da Praia, incluindo a marina pública, a nova localização da balsa, a ampliação do Porto de São Sebastião e a realocação da base da Marinha. Tudo isso está em estudos, mas se torna um grande desafio para os próximos anos. A realocação do Hospital central para um novo prédio, investimentos na área de Saúde e também em novas creches, atendendo um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre Prefeitura e Ministério Público. Os objetivos são estabelecer políticas públicas de qualidade e atender todo o Município com igualdade.

RL - Qual será a marca que o sr. pretende implementar no seu governo? FA - Pelas peculiaridades e extensão do Município, as marcas serão bairro a bairro. Na região norte, a ampliação e organização do sistema viário e casas populares. Na região central, reorganização e reforma das escolas, quadras poliesportivas e o sistema viário principal. Na Topolândia, a reforma dos prédios, ampliação das atividades da UBS e o viário de acesso ao contorno. Barequeçaba, drenagem e pavimentação.


Radar Litoral - Especial 381 381 anosanos| 31| 03 Radar Litoral - Especial

Maresias, a questão do saneamento básico. Paúba, a continuidade dos investimentos em pavimentação e também saneamento básico. Boiçucanga, a Praça Pôr do Sol, viário interno, estradas do Cascalho e Beira Rio e saída para avenida, além do término do Hospital. Camburi, pavimentação e saneamento básico. Ainda na Costa Sul, saneamento e Mãe Bernarda em Juquehy, ponte de Barra do Una e o acesso pavimentado até Boraceia. Cada região tem uma necessidade principal. De uma forma geral, saneamento básico, a evolução do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), pois somos os últimos da região e a implementação de uma política de saúde pública de qualidade.

RL - Qual a importância do contorno da Tamoios para o Município? E o que a Prefeitura pode fazer para minimizar os transtornos da obra? FA - A Prefeitura já entrou em entendimento com a Dersa e apresentou a nova proposta da conexão do contorno com o viário urbano, com a ampliação da Avenida Guarda Mor Lobo Viana, facilitando o fluxo para a Costa Sul, Porto e balsa. Estes investimentos já são uma realidade. Temos o projeto pronto deste novo

viário e estamos finalizando os projetos de ampliação da Guarda Mor e a alça de acesso à balsa. Esperamos e temos como meta licitar estas obras até junho deste ano, pois as obras do contorno serão entregues em agosto do ano que vem.

RL - Haverá desapropriações no prolongamento da Guarda Mor? Quem arcará com estes custos?

São Sebastião chega aos seus 381 anos amadurecido politicamente, com vontade de desenvolver e com um sonho a se realizar, que é a reorganização urbana da região central, os investimentos em Saúde e Educação.”

FA - Parte do estado e parte do município. As intervenções são muito poucas do ponto de vista das desapropriações. Muitas áreas já são do poder público e o custo não é alto.

RL - Que mensagem o sr. deixa para a população nestes 381 anos de São Sebastião? FA - A mensagem de esperança e de muita paz. Mensagem de um gestor que quer o melhor para a cidade e seus munícipes. São Sebastião chega aos seus 381 anos amadurecido politicamente, com vontade de desenvolver e com um sonho a se realizar, que é a reorganização urbana da região central, os investimentos em Saúde e Educação. E, se Deus quiser, nós iremos comemorar este e os próximos aniversários com o desenvolvimento do Município.


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Radar Litoral - Especial 381 anos

Associação Comercial <<

A importância do comércio na geração de empregos Marcos Bonello Eskerdinha

Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de São Sebastião, Eduardo Cimino, o comércio é a célula mais importante dos municípios em geral, pois gera empregos e aumenta circulação de dinheiro na cidade. “Afinal, tudo começa no Município”. Em sua avaliação, uma das características do comércio local é a sazonalidade. “Mas neste ano, comparando com anos anteriores e levando em consideração questões importantes, como a crise econômica e a longo período de chuvas, o comércio teve uma performance razoável. Outros centros comerciais tiveram desempenho pior que o nosso”. Para Cimino, as perspectivas para 2017 são boas em função dos muitos feriados prolongados – três somente entre abril e maio – e a liberação do FGTS, o que vai permitir que as pessoas paguem suas dívidas, restabeleçam o crédito e, consequentemente, façam novas compras. Radar Litoral

Desafios O presidente da Associação Comercial entende que os principais desafios de São Sebastião são qualificar a mão de obra e a exploração da vocação turística com “sequência e frequência”, com o objetivo de resgatar o destino turístico como referência no Litoral Norte. Para Eduardo Cimino, a mensagem é

que o empresariado local deve ser movido a “ICMS”, mas com outro significado. “Iniciativa, Criatividade e Motivação para chegarmos à Sustentabilidade. Estes são os fatores principais para nortearem a economia local”, concluiu o presidente da Associação Comercial e Empresarial de São Sebastião.

Os principais desafios de São Sebastião são qualificar a mão de obra e a exploração da vocação turística com sequência e frequência”


Radar Litoral - Especial 381 anos Radar Litoral - Especial 381 anos| 33 | 03

Desenvolvimento<<

Uma cidade voltada para o mar e seu porto em franca expansão

Fotos: Celso Moraes

O Porto de São Sebastião é administrado pela Companhia Docas de São Sebastão, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Logística e Transportes de São Paulo. É uma delegação federal ao Governo do Estado de São Paulo, sendo, portanto, um porto público. Tem uma configuração natural que o coloca como a terceira melhor região portuária do mundo. Os principais produtos de importação: barrilha, sulfato de sódio, malte, cevada, trigo, produtos siderúrgicos, máquinas e equipamentos, bobinas de fio de aço e cargas gerais. Na exportação estão veículos, peças, máquinas e equipamentos, produtos siderúrgicos e cargas gerais. Um porto encravado no centro da cidade e em franca expansão, especialmente, com a chegada da nova estrada em 2018. Ampliação de berços de atracação e até mesmo a mudança da área de embarque e desembarque da travessia de balsa

estão entre as obras previstas. A história do Porto é datada de outubro de 1934, quando a União celebrou contrato de concessão com o Estado, autorizando a construção e a exploração comercial do porto pelo prazo de 60 anos, prorrogado até junho de 2007. As obras, no entanto, começaram somente em 26 de abril de 1936, a cargo da Companhia Nacional de Construção Civil e Hidráulica. A inauguração oficial do porto aconteceu em 20 de janeiro de 1955, com a sua exploração exercida pelo órgão estadual - Administração do Porto de São Sebastião, criado em 18 de setembro de 1952 e reestruturado em 1978. Foi criada pelo decreto estadual 52.102 de 29 de agosto de 2007 a Companhia Docas de São Sebastião, que administra desde então, a delegação do Porto de São Sebastião, em nome do Governo do Estado de São Paulo.


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Memória Fotográfica <<

A história preservada por Edivaldo Nascimento Edivaldo Nascimento, caiçara, 66 anos, completa meio século de fotografia em 2017, com cliques diários. Não se considera um fotógrafo profissional e sim um amante da fotografia. Seu principal objetivo sempre foi o de resgatar a Memória Sebastianense.

Ao longo de sua carreira, recebeu cerca de 20 premiações e menções honrosas em diversos concursos fotográficos não só em São Sebastião, mas na região do Litoral Norte e Vale do Paraíba. Durante mais de 18 anos, foi monitor do Museu de Arte Sacra, na Capela de São Gonçalo, local que conhece desde a sua infância. Fotos: Acervo Edivaldo Nascimento

Casa da Usina Elétrica em Boiçucanga. A luz elétrica chegou ao centro de São Sebastião por volta de 1925. Nos anos 50, os primeiros bairros da Costa Sul a receber este benefício foram Boiçucanga e Maresias. O prefeito da época, João Baptista Fernandes, que se empenhou em levar energia para os bairros. Ontem

31 de março de 1940 era inaugurado o primeiro posto de gasolina em São Sebastião, conhecido pelos moradores da cidade como bomba de gasolina naquele tempo. O posto ficava no centro da cidade, em frente à praça do coreto. Os proprietários eram Celso Ribeiro e Giuseppe Giovani Pacini, o seu “Zeppe”.

Na década de 60 as viaturas da Delegacia de Polícia de São Sebastião, eram uma lambreta e um jipe. Da esquerda para a direita, os policiais Alcides de Oliveira e Benedito Ribeiro do Prado Filho, o Ditinho, que foi vice-prefeito e Caetano Buzi Netto, que participou da criação da Guarda Noturna na época.

Hoje

Em 1919, um píer de 300 metros foi construído especialmente para o desembarque do então presidente do Estado (governador), Altino Arantes. Ao fundo, o navio a vapor que trouxe a autoridade e sua comitiva. No mesmo local, existe atualmente um píer construído dentro do projeto de reurbanização da Rua da Praia. Ao fundo, um navio petroleiro.

Apoio: Restaurante Canoa, Restaurante Azul Marinho e Empório da Criação


Radar Litoral - Especial 381 381 anosanos| 35| 03 Radar Litoral - Especial

Em 1942, foi inaugurada a primeira Biblioteca Municipal de São Sebastião. Naquela época, a Prefeitura e Câmara funcionavam no mesmo prédio, onde foi inaugurada a Biblioteca, na sede atual do Legislativo.

Visita do presidente do Estado (governador) Washington Luís, em 16 de maio de 1923. Um navio a vapor trouxe a autoridade e sua comitiva. Para o desembarque, foram usadas as históricas canoas de voga na praia do Centro. Ontem

Praça dos Canhões em 1958. Essas peças de artilharia foram colocadas em bases de pedra em 1956 pelo então prefeito João Baptista Fernandes Filho. Foram retiradas em 2002.

Antigos ranchos de canoas caiçaras. Ficavam localizados na extinta praia do Areião, ao lado da barra do Córrego Mãe Isabel. Foram destruídos no início dos anos 2000. Hoje

Rua Cândido Motta em 1960. Essa via pública atualmente um calçadão, ganhou este nome após a visita do presidente da Provìncia do Estado de São Paulo, Dr. Altino Arantes, e sua comitiva, em 1919. Entre as autoridades, estava presente o secretário da Agricultura, Cândido Motta, que deu nome à rua.


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O “Bairro”<<

A tradição de São de Francisco da Praia Fotos: Venino Moreira

S

ão Francisco da Praia é um dos bairros mais bucólicos de São Sebastião, onde se misturam os casarios antigos, entre eles, Convento de Nossa Senhora do Amparo e os barcos de pesca próximos à praia. Este cenário nos remete ao passado e à história do Município. Próximo à praia encontra-se o Convento de Nossa

Senhora do Amparo, construído entre os séculos XVII e XVIII, um dos mais importantes marcos do Patrimônio Histórico da cidade. Na Rua Martins do Val, há diversos casarios antigos, onde é possível fazer uma viagem no tempo. Localizada ao norte da cidade, São Francisco da Praia, mais conhecida pelos moradores como “Bairro”,

tem importância também na cultura de São Sebastião, com as panelas de barro, a Congada de São Benedito, a Folia de Reis e o Sítio Arqueológico. É também um reduto de pescadores, onde por muitas vezes é possível comprar produtos frescos na chegada dos barcos na praia. Possui também uma Cooperativa de Pesca. Fotos: Luciano Vieira


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Retratos da cidade <<

Fotos: Marcos Bonello Eskerdinha

As belezas de São Sebastião podem ser retratadas das mais variadas formas. Uma praia, um casarão, a natureza exuberante... Viaje nesta galeria repleta de cores e emoções.

Praia da Enseada

Praia de Toque-Toque Pequeno

Praia de Toque-Toque Grande

Pier do Pontal da Cruz

Igreja Matriz de São Sebastião


Radar Litoral | São Sebastião 381 anos | Edição Especial  

Homenagem a mais antiga cidade da região. São Sebastião completa 381 anos no dia 16/3 e o nosso presente já está pronto. Uma edição especia...

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