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Setembro/2017 - Edição Especial

Ilhabela

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anos

Comunidades Tradicionais Um patrimônio do arquipélago Pág. 22

Entrevista

Márcio Tenório aponta os desafios de Ilhabela Pág. 10

Tesouros submersos

Conheça a história dos naufrágios Pág. 24

E mais

www.radarlitoral.com.br

Guia de praias, cultura, e entrevistas


RadarRadar LitoralLitoral - Ilhabela 212 anos | 03 - Especial 381 anos

Editorial <<

Radar Litoral, a notícia na hora em que acontece

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Radar Litoral – O seu portal de notícias no Litoral Paulista completa quatro anos em novembro de 2017, consolidado como a principal fonte de informação em tempo real na região. Em média são mais de 250 mil acessos/mês e nossa fanpage chega à casa de 70 mil seguidores. E sabe como surgiu o Radar Litoral? De uma conversa entre os jornalistas Gustave Gama e Júlio Buzi - com mais de 20 anos de atuação no jornalismo regional - que perceberam a necessidade da população do Litoral Norte, bem como dos visitantes, em ter um veículo para trazer a notícia na hora em que ela acontece. Surgiu assim o portal www.radarlitoral.com.br A cada dia cresce a responsabilidade, mas nosso compromisso continua o mesmo, levar a você leitor informação de qualidade, com ética, profissionalismo e credibilidade. Foram diversas cober-

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Foto capa: Marco Yamin

turas ao longo destes quatro anos. Em 2017 foram lançadas as revistas especiais de aniversário da cidade, que já homenagearam São Sebastião e Caraguatatuba, em março e abril, respectivamente.

Em julho, o Radar Litoral chegou também às ondas do rádio. É o jornal “Litoral Agora”, de segunda a sexta, das 9h às 10h, na Maresias FM (98,5). Agora, no mês em que Ilhabela faz aniversário, prestamos esta homenagem ao arquipélago que justifica o nome. Uma cidade de belas praias, natureza preservada e gente hospitaleira. A “Revista Radar Litoral - Especial Ilhabela 212 Anos” traz conteúdo histórico, guia de praias, entrevistas, reportagens e as raízes da cultura caiçara. Parabéns Ilhabela!

O arquipélago que une natureza, história e cultura em um só lugar Um lugar habitado antes da chegada dos europeus ao Brasil Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito: tradição, cultura e fé Márcio Tenório prioriza investimentos em saneamento e destaca política habitacional Um arquipélago que justifica o nome Comunidades Tradicionais: um patrimônio cultural da Ilha O petróleo da Ilha Um arquipélago e seus tesouros submersos: a história dos naufrágios Ronald Kraag: um apaixonado pela fotografia Professor Adriano e o orgulho de ser caiçara A arte singular do Embaixador Cultural de Ilhabela

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Direção geral

Júlio Buzi Gustave Gama Mtb 17221 Mtb 31421

Diagramação e Arte

Felipe Mattos Graffic Comunicação

Fotografia

Ronald Kraag

Reportagem

Júlio Buzi Gustave Gama Andressa Rodrigues

Jornalismo redacao@radarlitoral.com.br Publicidade arte@radarlitoral.com.br Contato (12) 99141-6025 / 98148-2225

Distribuição Gratuita Ilhabela/SP Tiragem: 5 mil exemplares

Esta é uma publicação de Imagem Assessoria de Comunicação e Eventos Ltda-ME. Portal de Notícias RADAR LITORAL *Todos os direitos reservados


4 | Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Fotos: Ronald Kraag

Vocação náutica <<

O arquipélago que une natureza, história e cultura em um só lugar

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arquipélago de Ilhabela é um dos pontos mais bonitos do litoral brasileiro. Com 83% de sua área preservada pelo Parque Estadual, a cidade abriga a maior reserva de Mata Atlântica do planeta. Sinônimo de flora exuberante e fauna rica em diversidade, a beleza local é completada por suas 42 praias de diferentes estilos e cachoeiras abundantes. Sua história, rica em lendas de piratas e corsários, é remetida aos engenhos de pinga que existiam no município até o final do século XIX.

Hoje, destino turístico consolidado, Ilhabela é reconhecida internacionalmente pelos seus eventos náuticos, como a Semana Internacional de Vela, maior evento de iatismo da América Latina. Para completar a magia da cidade, charmosa e variada rede hoteleira oferece conforto acima da média. A farta gastronomia de alto padrão, bem como uma movimentada e musical vida noturna, aliada ao clima tropical e redutos paradisíacos, fazem de Ilhabela um destino para o ano inteiro. Cada momento em Ilhabela vale a pena ser vivido.


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

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Ilhabela, a Capital Nacional da Vela Conhecida nacional e internacionalmente como Capital da Vela, Ilhabela teve a chancela oficializada por meio da lei que confere a cidade o título de “Capital Nacional da Vela”. A Lei 12.457 foi sancionada no dia 26 de julho de 2011. Recebido como uma homenagem, o selo representa o reconhecimento do Brasil pelo significativo impulso que Ilhabela tem dado, continuamente, ao desenvolvimento dessa modalidade esportiva. Além de receber grandes eventos e competições náuticas, a prefeitura também incentiva o esporte, oferecendo para crianças e jovens a oportunidade de aprender a velejar. O regime de correntes e ventos no Canal do Toque-Toque faz da Ilha

um local privilegiado para velejar. “Capital da Vela”, Ilhabela é considerada um dos principais cenários de competições de esportes à vela. Os melhores pontos mudam de acordo com o regime dos ventos, mas normalmente são as praias do Perequê, Siriúba, Armação e Ponta das Canas. Com o vento sul, toda a região do canal torna-se propícia. O calendário das regatas estende-se pelo ano inteiro, reafirmando a sua importância no mundo dos esportes e eventos náuticos nacionais e internacionais. Todos os anos, em julho, ocorre a tradicional ‘Semana Internacional de Vela de Ilhabela’, promovendo um espetáculo nas águas do Canal de São Sebastião e reunindo veleiros de oceano e monotipos de várias partes do mundo.

A maior competição náutica da América Latina Em julho, a cidade se transforma no palco da maior disputa náutica da América Latina: a “Semana Internacional de Vela de Ilhabela”. Realizado desde 1973, o evento atualmente reúne velejadores de diferentes países, entre eles, Argentina, Uruguai, Chile, Itália e Alemanha. São 200 barcos com 1.500 velejadores disputando regatas pelo Canal de São Sebastião. A “Semana Internacional de Vela de Ilhabela” é considerada um dos maiores e melhores eventos esportivos da vela sul-americana e brasileira. As competições e atrações da cidade movimentam a rede hoteleira, restaurantes e comércio em geral, e o turismo gerado é responsável por impulsionar a economia local. Durante o período da disputa náutica, a cidade recebe milhares de turistas e oferece atrações culturais, de lazer e de entretenimento com shows musicais, cinema e festival de dança, tudo gratuito. Colaboração: www.ilhabela.com.br

Fotos: Ronald Kraag


03 | 6 | Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Foto: Gustave Gama

História <<

Ilha da Vitória

Um lugar habitado antes da chegada dos europeus ao Brasil

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esquisas arqueológicas realizadas desde o final da década de 90 mostram que pelo menos quatro das ilhas do arquipélago de Ilhabela foram habitadas muito antes da chegada dos europeus ao Brasil. Isso foi possível graças à descoberta de sítios arqueológicos pré-coloniais denominados “concheiros”, “abrigos sob rocha” e “aldeias indígenas”. Os “concheiros” permitiram aos arqueólogos concluírem que os primeiros habitantes do arquipélago foram os chamados “homens pescadores-coletores do litoral”, indígenas que não dominavam a agricultura e nem a produção de cerâmica, sobrevivendo apenas do que encontravam na natureza, especialmente animais marinhos. Em 20 de janeiro de 1502, a primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pelos portugueses, comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho e trazendo a bordo o cosmógrafo italiano

Américo Vespúcio, encontrou uma grande ilha que era chamada pelos tupis de Maembipe (“lugar de troca de mercadorias e resgate de prisioneiros”). Essa ilha, assim como fora feito em outros acidentes geográficos importantes, foi batizada pelos membros da expedição com o nome do santo do dia, São Sebastião. Também se diz que era chamada pelos indígenas por Ciribaí (lugar tranquilo). Devido à sua posição estratégica era muito utilizada para fazer “aguada”, ou seja, caravelas e galeões de passagem paravam na ilha para pegar água fresca e víveres. Entre os anos de 1588 e 1590 passaram pela ilha os corsários ingleses Edward Fenton e Thomas Cavendish. Este último, acompanhado de John Davi, depois de ter sido derrotado em Vitória, no Espírito Santo, voltou à ilha buscando refúgio, mas sofreu mais uma grande perda de homens em um embate quando uma milícia de portugueses os atacou em uma noite sem

Piratas de Thomas Cavendish


RadarRadar Litoral - Ilhabela 212 anos | 7 Litoral - Especial 381 anos

que esperassem. Outras fontes indicam que Thomas teria passado pela ilha em 1591, e que ele teria feito o caminho inverso: aportado em Ilhabela (e aproveitado para saquear Santos e São Vicente) e só depois sofrido a derrota em Vitória. Em 16 de março de 1636, seria criada a Vila de São Sebastião, que abrangeu também o território da Ilha de São Sebastião. No começo do século XIX, quando a Ilha de São Sebastião contava com cerca de três mil habitantes e seu principal povoado chamava-se Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso. Nessa época foi iniciado um movimento por emancipação da Ilha de São Sebastião,

liderado pelo capitão Julião de Moura Negrão, pelo Alferes José Garcia Veiga e pelo senhor de engenho Carlos Gomes Pereira. Sensibilizado, o capitão-general (cargo equivalente, nos dias de hoje, ao de governador) António José da Franca e Horta baixou, em 3 de setembro de 1805, a portaria elevando a antiga Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso à condição de Vila. Por indicação do próprio Franca e Horta, a nova vila seria denominada Vila Bela da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira, a Infanta Dona Maria Teresa Francisca, filha mais velha de D. João VI e D. Carlota Joaquina, irmã de D. Pedro I. Vila Bela da Princesa foi oficialmente instalada em 23 de janeiro de 1806. Em 21 de maio de 1934, o governo paulista re-

alizou, em meio a grave crise econômica pela qual atravessava o país, uma reestruturação na divisão territorial do Estado, quando extinguiu 18 pequenos municípios, entre eles, o de Vila Bela da Princesa, que já se chamava Vila Bela, que voltou a integrar o território da Vila de São Sebastião. A extinção do município foi revogada em 5 de dezembro de 1934. Por imposição do governo ditatorial de Getúlio Vargas, o nome de Vila Bela mudou, a partir de 1 de janeiro de 1939, para Formosa. Inconformados, os moradores iniciaram um movimento popular contra o novo nome até que, em 30 de novembro de 1944, o governo estadual baixou o decreto nº 14.334, mudando o nome do município, a partir de 1º de janeiro de 1945, para Ilhabela. Colaboração: www.ilhabela.com.br Acervo PMI


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Desenvolvimento <<

Comércio forte e turismo garantem geração de emprego e renda jorge Mesquita

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lhabela possui um dos comércios mais charmosos do Litoral Paulista, com uma grande variedade de lojas, hotéis e pousadas de todos os níveis, bem como uma infinidade de serviços para atender aos moradores locais e turistas. A principal economia da cidade é o Turismo. Ilhabela tem mais de 7 mil leitos, com hotéis das mais variadas categorias e pousadas com visuais exuberantes. Boa parte destes meios de hospedagem fica próxima às belas praias do arquipélago. A gastronomia vem se tornando um dos atrativos de Ilhabela. Dos restaurantes simples aos mais sofisticados todos têm como carro chefe os pratos feitos à base de frutos do mar. É possível fazer uma refeição em um estabelecimento sofisticado com ar condicionado

ou em um restaurante pé na areia, sentindo a brisa do mar. Um evento importante para impulsionar a gastronomia é o Festival do Camarão de Ilhabela, que ocorre tradicionalmente no mês de agosto. Ilhabela, especialmente o centro histórico, possui uma grande variedade de bares, cafés e lojas que oferecem serviços de qualidade. Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ilhabela, Wilson Santos, o empresariado local busca cada vez mais oferecer um serviço de qualidade e diferenciado ao morador e aos turistas. “A nossa atuação é em prol do turismo, principal atividade econômica do Município, para garantir geração de renda e emprego para os moradores locais e um destino turístico de qualidade para os turistas”.

“A nossa atuação é em prol do turismo, principal atividade econômica do Município, para garantir geração de renda e emprego para os moradores locais e um destino turístico de qualidade para os turistas”. Wilson Santos Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ilhabela


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Tradição <<

Congada de Ilhabela

na Festa de São Benedito: tradição, cultura e fé Fidalgos do Rei ou Congos de cima, com roupa azul, compreendendo o Príncipe, Secretário, Cacique e os Congos do Embaixador ou Congos de Baixo, vestidos na roupa rosa com seu Embaixador (chapéu vermelho), Cacique e Dois Guias. Durante a festa funciona a “Ucharia”, lugar onde comem os congos e seus convidados. No quintal são montados os fogões “tacuruba” sobre três pedras. Todos os que trabalham, o fazem por promessa a São Benedito. Os três instrumentos usados na congada são originados do artesanato folclórico: a marimba e os dois atabaques ou tambores, como dizem os caiçaras. A marimba, de seis teclas de madeira é encontrada, atualmente, só em Ilhabela. Os atabaques feitos de tronco, numa só peça são usados um na função de surdo e o outro no repique. Colaboração: www.ilhabela.com.br

Fotos: Acervo PMI

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e acentuada aculturação africana bantú, a congada de Ilhabela é realizada em maio, na Festa de São Benedito. Não tem data fixa, pois depende do claro (Lua Cheia) para que os pescadores dela participem. A congada começa na sexta-feira com levantamento dos mastros em frente à Igreja Matriz e é dançada no sábado e domingo, o dia inteiro, pelas ruas do Centro da cidade. Divide-se em três partes ou “bailes”e o texto foi transmitido, oralmente, de pai para filho. É uma luta entre mouros (vermelho) e cristãos (azul) ou entre pai (Rei) e filho (Embaixador). Os principais figurantes dessa manifestação de teatro folclórico são: Rei, figura central; a Rainha, renovada todos os anos e que tenha idade de 12 a 14 anos;


Ronald Kraag

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Entrevista <<

Márcio Tenório prioriza investimentos em saneamento e destaca política habitacional Júlio Buzi

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m entrevista exclusiva à Revista Radar Litoral, o prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório, fez uma avaliação dos primeiros meses de sua gestão e os desafios futuros, que têm como prioridade o Saneamento Básico e a Regularização Fundiária.

Ele destacou a inauguração da UTI nos primeiros 100 dias de governo e ressaltou o compromisso assumido com a população de levar a riqueza de Ilhabela para os bairros. Confira a entrevista na íntegra:

Radar Litoral - Qual a avaliação que o sr. faz do seu governo? Márcio Tenório -A avaliação é positiva. Em função de termos pego a administração pública desorganizada em termos de estrutura e de condições de trabalho do servidor público, além da cidade lotada em plena alta temporada, tivemos várias preocupações, como coleta de lixo, segurança e travessia por balsas. Num primeiro momento, nos organizamos para atender a demanda da população e dos visitantes. No decorrer do primeiro semestre pudemos alinhar o trabalho e fazer o planejamento para que possamos iniciar a infraestrutura da ci-

dade. Em breve, vamos divulgar uma série de obras que vão contemplar as necessidades da população. Além disso, em função da reforma administrativa, ficamos mais de 30 dias desprovidos de cargos importantes para nos auxiliar no dia a dia da máquina administrativa. Neste primeiro momento, estou muito feliz e tenho estado muito próximo da população. Foi com esse objetivo que chegamos ao governo. Tenho essa preocupação e passo isso à minha equipe. Atender bem à população.

Conseguimos colocar a UTI à disposição da população em 100 dias de governo, uma promessa de muitos anos. Não fiz promessa, assumi compromissos com a população”


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Radar Litoral - Especial 381 anos | 11

Radar Litoral - Quais são os principais desafios de sua administração? mos retomar a despoluição das cachoeiras, a educação ambiental. Determinei ao secretário de Meio Ambiente a reativação do Conselho de Meio Ambiente, afinal temos a TPA(Taxa de Preservação do Ambiental), que ao longo do ano arrecada mais de R$ 5 milhões, que têm de ser aplicados no setor. Em nosso plano de governo, está a construção de uma estação secundária no Itaquanduba. Já pedi para levantar uma área no Portinho para criarmos uma estação de tratamento terciária, algo inédito no Litoral Norte. Vamos estender rede coletora de esgoto e água tratada para a região norte do município, levando até a Ponta das Canas, na região sul, da Praia Grande até a Ponta da Sela. São mais de 20km em investimento em saneamento básico. Queremos construir reservatórios no alto da Barra Velha e no Green Park para atender a população que vive em regiões montanhosas.

Prefeito reafirma que seu compromisso é “levar a riqueza de Ilhabela aos bairros”. Construção de casas populares para retirada de famílias de áreas de risco está entre as prioridades. Gustave Gama

Márcio Tenório - Primeiramente, a questão do saneamento básico. A cidade tem a sua vocação turística e temos que prepará-la para receber os visitantes. Não justifica a cidade ter um grande orçamento, se não há investimentos em saneamento básico. Temos algumas estações de tratamento de esgoto que precisam de licenciamento ambiental, o que foi uma preocupação nossa nos primeiros seis meses. Tivemos a coragem de trazer para Ilhabela uma audiência pública da comissão de saneamento da Assembleia Legislativa e fui eleito representante do Litoral Norte nessa questão. Naquela oportunidade, já destinamos R$ 27 milhões para o saneamento básico. Para 2018, vamos cumprir o compromisso de governo, que é o de destinar 10% dos royalties para saneamento. É inadmissível uma cidade turística conviver com bandeiras vermelhas nas praias. Além disso, quere-

Radar Litoral - Quais são as outras prioridades? Márcio Tenório - Aproveitando que 2017 é o ano do turismo sustentável, temos feito um trabalho para ajudar o comércio e lançamos o calendário de eventos, com um trabalho integrado entre as secretarias de Turismo, Cultura e Esportes, para gerar emprego e renda. Outra preocupação é a formação de mão

de obra local, principalmente nas áreas de gastronomia e hotelaria. Em 180 dias, em parceria com o Governo do Estado, já qualificamos mais de 300 munícipes. Conseguimos colocar a UTI à disposição da população em 100 dias de governo, uma promessa de muitos anos. Não fiz promessa, assumi compromissos com a população.

Radar Litoral - Qual será a marca do seu governo? Márcio Tenório - Fazer uma gestão respeitando os recursos públicos. Zerar algo que nós herdamos, que é a falta de moradia em Ilhabela. Aquilo que pactuamos com a população. Nosso plano de governo foi construído junto com a população. A regularização fundiária é importante. Dos mais de 23 núcleos, estamos atuando diretamente em 15 deles. O Departamento de Habitação tem trabalhado muito. Estive recentemente no Morro dos Mineiros e são

mais de 60 famílias que precisamos tirar da área de risco e avançarmos nessa questão. Queremos dar o título a essa população. As pessoas moram em áreas de risco por falta de políticas públicas no passado. A nossa missão é dar moradia digna a essas pessoas. Levar a riqueza que muitas vezes ficou na orla da cidade para os bairros. E isso está acontecendo. São mais de 60 obras em andamento ao longo da cidade e outras que estão por iniciar.

Radar Litoral - Qual a mensagem que o sr. deixa para a população? Márcio Tenório - De esperança. Estamos envolvidos e comprometidos em fazer uma boa gestão e devolver à população toda a esperança depositada em nosso plano de governo. Quero dizer para a população que vamos trabalhar muito para que a cidade cresça de forma

sustentável e que Ilhabela possa ser uma cidade acolhedora. Estamos preocupados com a qualidade de vida, a geração de empregos e renda. A tônica do nosso governo será mantida, que é ouvir a sociedade civil organizada nos principais projetos.

Fazer uma gestão respeitando os recursos públicos. Zerar algo que nós herdamos, que é a falta de moradia em Ilhabela. Aquilo que pactuamos com a população.”


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Guia de Praias <<

Um arquipélago que justifica o nome Conheça as praias deste paraíso chamado Ilhabela

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em pra todos os gostos. Praias calmas, de areia branca, de areia escura, fina ou grossa. Mas todas elas, com a beleza do encontro entre o mar e a mata atlântica. Afinal, os 85% de floresta protegida pelo Parque Estadual estão quase colados ao mar. Assim, moradores e turistas aproveitam cenários paradisíacos na paz e tranquilidade do arquipélago. Boa parte destas praias está de frente para o Canal de São Sebastião, mas não deixe de conhecer aquelas que estão do outro lado, cada uma mais linda que a outra. Viaje conosco pelas praias de Ilhabela!

Praia Grande

PRAIA DO VELOSO É a última praia em que se pode chegar de carro no sul da Ilha. Depois dela, apenas costeiras até Sepituba, ponto final e início da trilha para se chegar à comunidade tradicional caiçara do Bonete. A Praia do Veloso reserva tranquilidade do mar e uma mistura de areia de cores claras e escuras. A praia está a 10km ao sul a partir da balsa.

PRAIA DO JULIÃO Uma das mais tranquilas de Ilhabela. Com muitas pedras, a Praia do Julião forma piscinas naturais ideais para mergulho com máscara e snorkel, sendo possível ver diversas espécies de peixes e até mesmo tartarugas. Está a 5,5km ao sul a partir da balsa.

PRAIA DO CURRAL A mais badalada praia de Ilhabela, procurada por jovens, casais e famílias aos finais de semana, especialmente na temporada. Dispõe de ótima infraestrutura de hotéis, pousadas, bares e restaurantes. Fica a cerca de 9km ao sul a partir da balsa.

PRAIA DA FEITICEIRA A Praia da Feiticeira é uma das mais famosas de Ilhabela. A praia de tombo abriga em seu canto esquerdo um antigo casarão em estilo colonial, antiga sede da Fazenda São Mathias e seu engenho de cana-de-açúcar. Fica a cerca de 4,5km da balsa.

PRAIA GRANDE A Praia Grande, assim como Curral, dispõe de ótima infraestrutura de bares e restaurantes. São 600 metros de extensão e a orla conta com estacionamento. Também há píer para atracação de barcos e um centro cultural.É uma praia de tombo, portanto atenção com as crianças. Fica a 7km da balsa sentido sul.

PRAIA DO OSCAR Com uma faixa de areia de apenas 50 m de extensão e em meio a um longo trecho de pedras que liga a Praia das Pedras Miúdas ao Portinho (cerca de 400 m de distância), possui uma grande pedra no meio, que serve de apoio para os banhistas ou pescadores que frequentam o local.

PRAIA DO PORTINHO A charmosa Praia do Portinho é uma das primeiras do Sul da Ilha e faz parte do Santuário Ecológico Submarino da Ilha das Cabras, o que atrai mergulhadores para conferirem de perto as diversas espécies com visibilidade de até 10 metros. Com 60m de extensão, possui estacionamento e quiosques, além da capela de Santo Antônio, construída em 1938. Também possui píer para atracação de pequenas embarcações. Fica a cerca de 3,5km da balsa.

Portinho


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Guia de Praias <<

Ilha das Cabras

PRAIA DO ITAQUANDUBA A Praia do Itaquanduba é uma das praias centrais de Ilhabela. Protegida dos ventos e arrebentação das ondas, é ideal para a prática de esportes de remo, como stand up paddle (SUP) e canoagem. Também é bem procurada para a prática de esportes de areia no fim do dia, como futebol ou beach tennis, uma nova modalidade que vem ganhando novos adeptos em Ilhabela. Fica entre as praias do Itaguaçu e Engenho D’Água, e pode ser acessada pela avenida principal, saindo da Balsa, sentido Norte.

PRAIA DAS PEDRAS MÍUDAS (ILHA DAS CABRAS) A Praia das Pedras Miúdas é muito frequentada pelos turistas que visitam Ilhabela, mas é pouco conhecida por esse nome. Em geral, é mais conhecida por conta da Ilha das Cabras, um dos pontos mais procurados pelos mergulhadores, que fica à sua frente. Com boa estrutura de bares e restaurantes, é possível saborear pratos de frutos do mar fresquinhos. É a primeira praia acessada pela estrada no sentido Sul da ilha, a 2 km da balsa. PRAIA DA BARRA VELHA A Praia da Barra Velha é a primeira praia ao desembarcar da balsa para quem vem de São Sebastião. Essa praia é frequentada por barcos de pesca da comunidade local, além de abrigar algumas marinas com excelente infraestrutura. Localização: Ao lado da balsa, no sentido Norte. PRAIA DO ITAGUAÇU Localizada na região central de Ilhabela, a Praia do Itaguaçu começa logo depois do Mirante do Morro da Cruz e do Pier do Perequê. Possui boa infraestrutura de quiosques, bares e restaurantes, agência de passeios, além da ciclovia, que beira a praia. Está a 3,5 km da balsa no sentido Norte e a 3 km da Vila.

Engenho D’Água

para quem passeia de barco ou gosta de velejar. É nessa praia que está instalada a Escola Municipal de Vela Lars Grael. Fica na região central de Ilhabela, entre as praias do Engenho D’Água e Saco da Capela. PRAIA DO PEREQUÊ A Praia do Perequê é uma das mais extensas de Ilhabela, e também uma das mais frequentadas por estar em região central, com fácil acesso pela avenida. Sua ótima infraestrutura de bares, restaurantes e estacionamento garantem um dia todo de praia para toda a família.É um dos points da ilha para a prática do kite surf e outras modalidades de esportes aquáticos. Para as crianças, além de mar calmo, possui playgrounds e sombra de coqueiros e árvores em toda a orla. PRAIA DO SACO DA CAPELA A Praia do Saco da Capela é um cartão postal com a cara de Ilhabela. Repleta de veleiros e lanchas, que ficam ancoradas na marina ou em frente aos hotéis próximos à Vila, esta praia pode ser o cenário ideal para uma bela tarde de sol. Com diversos quiosques ao longo da areia, é excelente para famílias com crianças, que podem curtir à vontade sem se preocupar.

PRAIA DO ENGENHO D’ÁGUA Localizada na região central de Ilhabela, a Praia do Engenho D’Água proporciona uma bela vista para quem aponta de carro pela estrada que leva ao Norte da ilha. Os ventos na região favorecem à prática de esportes náuticos à vela, seja a bordo de veleiros ou de wind ou kite surf. É também bem atrativa aos pescadores, por conta de um píer no local. PRAIA DO PEQUEÁ Frequentada mais por moradores e veranistas, a praia do Pequeá oferece boa infraestrutura de bar e restaurante, além de ser uma ótima opção

Saco da Capela


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PRAIA DA VILA Na Vila, como é chamado o Centro Histórico de Ilhabela, há uma pequena praia que fica visível apenas em períodos de maré baixa. Ao lado do píer por onde desembarcam turistas de navios transatlânticos de cruzeiro, a pequena faixa de areia em frente à mureta de pedra é frequentada por quem quer se refrescar rapidamente ou, simplesmente, assistir a um belo pôr do sol no entardecer. PRAIA DE SANTA TEREZA Com muitas árvores por toda sua orla e canoas coloridas espalhadas pela areia, a Praia de Santa Tereza forma um charmoso cenário para seus visitantes. É muito frequentada por pescadores, pois ali também está localizada a sede da Associação dos Pescadores Artesanais de Ilhabela. É também um excelente local para a compra de peixes frescos, todos os dias. PRAIA DO VIANA Frequentada por veranistas e turistas que se hospedam ao Norte de Ilhabela, esta praia possui águas limpas e transparentes, com várias pedras formando piscinas naturais, sombreadas por coqueiros de sua orla. Está a 9,5 km da balsa e a apenas 3 km da Vila.

Viana

PRAIA DA GARAPOCAIA (PEDRA DO SINO) Com boa estrutura de quiosques e mar calmo, a Praia de Garapocaia é ideal para ir com a família e as crianças. A praia ficou mais conhecida como “Praia da Pedra do Sino”, pois abriga uma das mais conhecidas lendas de Ilhabela, que justifica seu nome, indígena. Quando suas pedras são batidas emitem o som metálico de sino. A lenda pode ser testada pelos turistas que acessam as pedras por uma passarela.Está a 11 km ao Norte da balsa e 4,5 a da Vila. Fica entre as praias de Siriúba e do Pinto.

Siriúba PRAIA DO SIRIÚBA A Praia da Siriúba tem fácil acesso pela estrada, separada dela apenas pelos coqueiros que a cercam. Com aproximadamente 550m de extensão, possui uma larga faixa de areia e mar calmo, exceto nos dias de vento forte, quando se torna um dos picos preferidos dos praticantes de kitesurfe. Situada a 10km ao Norte da balsa e a 3,5 km da Vila, entre as praias do Viana e Garapocaia (Pedra do Sino).

Pedra do Sino

PRAIA DO BARREIROS Como várias praias do Norte de Ilhabela, a Praia do Barreiros é tranquila e frequentada principalmente por veranistas que possuem casas ou hospedam-se nessa região. Com uma faixa de areia plana e rodeada por coqueiros, é ideal para aproveitar o dia com a família. Fica bem ao lado direito do Mirante do Barreiros, de onde é possível apreciar uma bela vista do Norte da Ilha e Yatch Club de Ilhabela. Está a 7,5 km da balsa, ao Norte.

PRAIA DA PONTA AZEDA A Ponta Azeda é uma pequena praia formada entre as praias da Garapocaia (Pedra do Sino) e Pinto, no Norte da ilha. Com águas claras e tranquilas, é uma ótima opção para os visitantes que gostam de praticar esportes náuticos. Está a 11,5 km ao Norte da balsa e a 5 km da Vila. PRAIA DO PINTO A Praia do Pinto é uma das mais belas e tranquilas de Ilhabela. Com aproximadamente 400 m de extensão, é sombreada por flamboyants, coqueiros e chapéus-de-sol, ideal para relaxar em sua faixa plana de areia branca e fina e mar calmo e cristalino.Está a 10,5 km ao Norte da balsa e a 5 km da Vila.


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Armação PRAIA DA ARMAÇÃO Com 650 metros de extensão, a Praia da Armação é um dos melhores locais para a prática de esportes de vela, como o windsurfe e kitesurfe, pois é onde o efeito de canalização dos ventos no canal de São Sebastião atinge o ápice. A praia abriga uma charmosa igrejinha – a Capela Imaculada Conceição-, além de barcos de pescadores. PRAIA DA PONTA DAS CANAS A Ponta das Canas é um dos melhores lugares para a prática de esportes de vela como windsurfe e kitesurfe, pois na maior parte do tempo venta pelo lado Leste. Quando venta Sul, é possível velejar em toda a extensão do canal. É ali também que acontecem boa parte das regatas da Semana Internacional de Vela de Ilhabela (Ilhabela Sailing Week), que geralmente é realizada durante o mês de julho e reúne os principais nomes da vela brasileira, além de diversas equipes estrangeiras.

Castelhanos PRAIA DOS CASTELHANOS Considerada uma das praias mais belas do Brasil, a Praia de Castelhanos é também a favorita da turma offroad. Isso porque o acesso principal é por uma estrada de 22km que corta a Ilha no sentido Oeste a Leste, por meio da exuberante flora da Mata Atlântica do Parque Estadual de Ilhabela, e só veículos 4×4, motos ou bicicletas são permitidos. Uma praia de areias claras com cerca de 1,5km de extensão e mar aberto com ondas (diferente do lado Oeste da Ilha) onde é possível a prática do surfe. Está no lado Leste da ilha. Atenção para os horários de acesso ao Parque Estadual e limite diário de número de veículos particulares.

PRAIA DO JABAQUARA A Praia do Jabaquara é um local paradisíaco com visual expressivo. Está entre as praias mais belas e preservadas de Ilhabela. Com aproximadamente 500 m de extensão, larga faixa de areia clara e muitas árvores ao seu redor, é famosa por suas águas transparentes. É a última praia com acesso de carro ao norte da Ilha.

Rio Nema - Bonete PRAIA DO BONETE Considerada pelo respeitado jornal britânico “The Guardian” uma das dez praias mais bonitas do Brasil, a Praia do Bonete é habitada pela maior comunidade caiçara do município de Ilhabela, que preserva a riqueza de sua cultura tradicional. Localizada no extremo sul da ilha, de frente para mar aberto, essa praia de areias claras e mar agitado ainda mantém características selvagens que atraem os amantes do ecoturismo, surfe, ou apenas quem quer se desconectar do mundo moderno e curtir momentos únicos no paraíso.Na praia do Bonete, você poderá conhecer cachoeiras, fazer trilhas, comer um peixinho frito na beira da praia ou apenas curtir o final de tarde.


Radar Litoral - Especial 381 anos | 03 | 17 Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Fome

PRAIAS ONDE SÓ SE CHEGA PELO MAR... PRAIA DA FOME No Norte da Ilha, entre as praias do Jabaquara e do Poço, a belíssima e calma praia da Fome é famosa pelas condições ideais para a prática de mergulho. Com areias claras, águas transparentes e árvores que garantem a sombra para os visitantes.Na paisagem, existem ainda algumas casas de pescadores que costumam deixar seus barcos atracados no mar. Um grande casarão histórico destaca-se como um importante exemplar do patrimônio edificado de Ilhabela, que guarda em suas paredes de pedra e cal e no interior de suas janelas e portas de folhas cegas parte da história da Ilha de São Sebastião.

PRAIA DO GATO Com aproximadamente 200m de extensão de areias grossas, a Praia do Gato é um verdadeiro labirinto de pedras. Na maré alta e ressaca do mar, os visitantes ficam impossibilitados de caminhar, pois as ondas batem com violência entre as pedras. Porém, nos dias de calmaria é possível apreciar essa diferente geografia. Para quem curte trilhas, a sugestão é aproveitar a viagem para conhecer o Mirante do Gato, onde do alto de uma pedra imensa é possível ter uma vista completa da Baía de Castelhanos e, ainda, a Cachoeira do Gato, uma das mais belas de Ilhabela.


Litoral - Ilhabela 212 anos | Radar 03 18 | Radar Litoral - Especial 381 anos

Guia de Praias << Gustave Gama

rante para os sócios, incluindo um pier onde atracam as lanchas. PRAIA DAS ENCHOVAS A Praia de Enchovas é uma praia bela e selvagem, por conta das pedras em sua orla que formam ondas agitadas. Com aproximadamente 600 m de extensão e areias grossas e amareladas, fica após a praia do Bonete, isolada da maior parte dos turistas. Está na face Sul da Ilha, na enseada de Enchovas, entre as praias do Bonete e Indaiaúba. PRAIA DE INDAIAÚBA Acessível apenas pelo mar ou por uma trilha por quem vem das praias do Bonete e Enchovas, a Praia de Indaiaúba é um paraíso escondido no lado extremo Sul da ilha. Com aproximadamente 200m de extensão, é uma praia de areias brancas e mar azul transparente com poucas ondas, formando um cenário exuberante no meio da mata.

Saco do Sombrio PRAIA MANSA O lado Leste de Ilhabela guarda pequenos paraísos para quem se aventura de barco ou por trilha. Um deles é a Praia Mansa, que fica logo ao lado da famosa Castelhanos, mas é bem menos conhecida.Com uma pequena faixa de areia, de aproximadamente 70 metros, possui águas mansas, ideais para o banho de mar. Fica no Leste de Ilhabela, do lado direito da Baía dos Castelhanos. PRAIA DA FIGUEIRA Um paraíso escondido em Ilhabela, a Praia da Figueira tem 300m de extensão, areia fina e branca, águas calmas, verdes e transparentes. Localizada em área do Parque Estadual de Castelhanos, esta praia está escondida atrás da Ilha das Galhetas, no lado oposto da baía que dá entrada para o Saco Sombrio, por isso pode passar despercebida para os que procuram aventuras do lado Leste da ilha.

SACO DO SOMBRIO O Saco do Sombrio não é exatamente uma praia, já que tem apenas uma pequena faixa de areia e pedras, mas é o refúgio de um público bem seleto em Ilhabela. Lá se encontra uma sede do Yacht Club de Ilhabela, com estrutura de bar e restau-

Serraria

PRAIA DA SERRARIA A Praia da Serraria é um paraíso para os visitantes que fogem do movimento intenso das embarcações nessa parte da ilha na alta temporada. Pouco visada pelos barcos, Serraria é


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Radar Litoral - Especial 381 anos| 19| 03

Ronald Kraag

uma praia tranquila com aproximadamente 400m de extensão. Está no lado Leste da ilha, entre a ponta Grossa e a Praia da Caveira, antes da Ilha da Serraria. PRAIA DA CAVEIRA A praia da Caveira é conhecida como uma praia deserta em Ilhabela. O nome dessa praia vem do trágico desastre do transatlântico Príncipe das Astúrias, que afundou próximo à Ponta da Pirabura, em 1916, e teve mais de 600 vítimas. Boa parte dos corpos dos náufragos veio dar nas areias dessa praia, que fica a mais de 5 km do local do acidente. Lendas afirmam que as almas dos náufragos ainda assombram a praia, e por conta disso muitos preferem não se aproximar. PRAIA DA GUANXUMAS A Praia da Guanxumas é emoldurada pela abundante vegetação da Mata Atlântica e, por ser abrigada e ter águas calmas, é perfeita para relaxar ou mergulhar para apreciar a fauna marinha. Essa pequena praia com pouco mais de 100m de extensão de areias brancas e águas transparentes abriga uma pequena comunidade tradicional caiçara.Está no lado Leste da Ilha, entre as praias da Caveira e Saco do Eustáquio. PRAIA DO SACO DO EUSTÁQUIO A Praia do Saco do Eustáquio tem como principal características as águas tranquilas e incrivelmente transparentes, consideradas entre as mais cristalinas de toda Ilhabela. Com 150 m de areias brancas, o local é está abrigado do mar aberto pela Ponta da Cabeçuda, que separa o Eustáquio da Baía dos Castelhanos, e pela Ilha dos Búzios logo à frente, o que permite formar uma grande lagoa. Fica no lado Leste da ilha, entre a Praia de Guanxuma e a Ponta da Cabeçuda. PRAIA DO POÇO A Praia do Poço já seria bela por seu mar claro e árvores que a cercam. Mas é na areia que ela reserva uma grata surpresa aos visitantes! O nome da praia vem da pequena cachoeira que deságua em seu canto, formando uma deliciosa lagoa de água doce, a grande atração do local. Algumas vezes, dependendo do comportamento mar, a faixa de areia se abre e a lagoa pode desaparecer, permitindo que a cachoeira despeje suas águas diretamente no mar. Fica no lado Norte da ilha, com acesso somente por barco ou por trilha a pé, partindo da praia do Jabaquara e Fome.

Colaboração: www.ilhabela.com.br

Saco do Eustáquio


03 |22 Radar | Radar Litoral - Especial 381 anos Litoral - Ilhabela 212 anos

Vida Caiçara <<

Comunidades Tradicionais: um patrimônio cultural da Ilha

E

m sua maioria só se chega pelo mar. Alguns destes lugares a tecnologia não chegou e as tradições resistem ao tempo, preservam raízes. O Arquipélago de Ilhabela, a Capital Nacional da Vela e um dos destinos turísticos mais procurados do Estado, ainda reserva suas peculiaridades. As Ilhas dos Búzios e da Vitória, que ficam ao norte da Ilha de São Sebastião, são os locais onde estas características são mais fortes. Energia? Somente por geradores. No caso de Búzios, ainda há nascentes de água potável, mas na Vitória, somente em poços. O peixe seco, a farinha de mandioca, o café de garapa no fogão à lenha, a pesca de cerco com canoas feita em um só tronco são algumas das tradições preservadas. Para chegar à Ilha dos Búzios é preciso uma hora de navegação de lancha a partir do Perequê,e na Ilha da Vitória, uma hora e meia. Em barcos de pesca, a viagem leva o dobro do tempo. Há ainda as comunidades tradicionais caiçaras presentes na ilha maior, a Ilha de São Sebastião. No extremo sul, a maior delas, a do Bonete, onde vivem mais de 300 pessoas. Hoje, além da pesca, os “boneteiros”, como são carinhosamente chamados os moradores, vivem do turismo. De lancha, a viagem leva em torno de 50 minutos. Mas também é possível ir a pé a partir da Sepituba, onde começa a trilha pelo Parque Estadual, pas-

sando por três cachoeiras, as mais famosas delas Laje e Areado. A caminhada até o Bonete dura cerca de quatro horas com as paradas nas cachoeiras. A Praia dos Castelhanos é outra atração a parte. É possível chegar com carro tracionado até próximo à praia. Vista do alto, a imagem da praia forma um coração. Seu mar verde e

cristalino encanta turistas e os próprios moradores que ali vivem. Assim como no Bonete, as tradições caiçaras se mantém firmes ao longo dos anos. Praias como Serraria e Fome, situadas ao norte da Ilha, contam com comunidades menores, mas que assim como as demais, preservam seus costumes e o jeito caiçara de se viver.


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Economia <<

O petróleo da Ilha O paradoxo do petróleo em Ilhabela.

O

município que sofreu com constantes vazamentos do produto, especialmente na década de 80, tem hoje uma das principais receitas per capita do país justamente por causa do petróleo. Dos grandes vazamentos que causaram inúmeros desastres ambientais e prejuízos econômicos até o petróleo se tornar a principal fonte de recursos de Ilhabela foram quase 20 anos. O chamado “ouro negro” passou a gerar recursos para o arquipélago em 1998, com a promulgação da Lei 9.478, que fez com que o município passasse a receber royalties por estar em área de influência do Tebar (Terminal Marítimo Almirante Barroso), sujeito a risco permanente. Em 2009, Ilhabela foi incluído como município da zona principal do Campo de Mexilhão, na exploração de gás. Na sequência, é enquadrado como município confrontante do poço de petróleo Ca-

rioca Nordeste, atualmente chamado de Sapinhoá, o único no estado de São Paulo nesta condição. Além do recebimento mensal de royalties por vários enquadramentos, Ilhabela recebe trimestralmente a chamada “parcela especial”, destinada aos municípios produtores. Um grande diferencial é que o arquipélago é o único município confrontante com o Poço Principal da Bacia de Santos, ficando com 100% do repasse.

Os números

Em 2009, Ilhabela recebeu cerca de R$ 14,3 milhões de royalties. Em 2012, os valores chegaram a R$ 43,8 milhões e atingiram R$ 235 milhões em 2016. Neste ano, somente até julho, o montante atinge à casa de R$ 230 milhões. O orçamento municipal estimado para este ano é de pouco mais de R$ 468 millhões.

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- Ilhabela 212 anos 03 |24Radar | Radar LitoralLitoral - Especial 381 anos

Um arquipélago e seus tesouros submersos:

a história dos naufrágios

Acervo

Andressa Rodrigues

O

s encantos de Ilhabela vão além de suas praias, cachoeiras e vegetação exuberante. Quem é adepto à prática do mergulho sabe muito bem da riqueza escondida sob as águas do arquipélago. Apelidada por estudiosos no assunto como Triângulo das Bermudas do Brasil, a região concentra mais de cem naufrágios. O número, no entanto, não é oficial. Mergulhadores, pesquisadores, pescadores e moradores das comunidades tradicionais são quem reúnem os achados, os relatos e montam essa instigante - e cheia de mistérios -parte da história da cidade. Além dos fortes ventos no extremo sul do arquipélago, especialistas explicam que as rochas existentes na região formam uma espécie de campo magnético, capaz de desorientar os antigos aparelhos de navegação, como as bússolas, por exemplo. “Ilhabela é magnética. Quando ela aflorou, milhões de anos atrás, o magma trouxe junto um minério que se chama magnetita. Só em 1960 é que se teve conhecimento de sua existência. Foi então que a Marinha colocou esse dado nas cartas de navegação

e os acidentes praticamente zeraram”, completa o mergulhador e escritor Jeannis Michail Platon. Ainda segundo ele, as ocorrências se deviam também à posição geográfica de Ilhabela. “Era a entrada principal. Todos os navios que vinham para o Brasil passavam por aqui”. Há quase 50 anos Jeannis dedica-se à catalogação e divulgação dos naufrágios ao redor da ilha e nas águas próximas. Nascido na Grécia, mora na região desde 1967. Suas expedições encontraram 16 embarcações naufragadas, além de quatro encalhadas. “Comecei na década de 1970 a anotar e coletar tudo que descobria. Iniciei as buscas pelo navio Príncipe de Astúrias, que foi o maior desastre na história brasileira. Depois vieram o Conca, o Aymore, o

Velasques...”, conta o mergulhador. De acordo com seu levantamento, o acidente mais antigo aconteceu em 1882, na altura da praia do Borrifos, com a embarcação inglesa a vapor Crest, que carregava café. “Mas há relatos de caiçaras e documentos antigos que datam naufrágios desde a época do descobrimento, que nunca foram localizados”, ressalta Jeannis.


Radar Litoral - Especial 381 anos| 25 Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Jeannis Michail Platon, mergulhador e escritor

100 anos do Príncipe de Astúrias, o Titanic Brasileiro Acervo

A história do maior naufrágio registrado em águas brasileiras é digna de filme. O navio a vapor Príncipe de Astúrias foi construído em 1913, na Escócia, com a intenção de ser luxuoso e moderno. A embarcação - de 150 metros de comprimento e mais de 16 mil toneladas - faria viagens entre Barcelona (Espanha) e Buenos Aires (Argentina), transportando passageiros e cargas. Tudo ia bem até o imponente navio fazer sua sexta e última excursão à

América Latina. Príncipe de Astúrias afundou após bater na única laje submersa da Ponta da Pirabura, em 5 de março de 1916, quatro anos depois do naufrágio do Titanic. “A embarcação ia parar em Santos (SP), antes de seguir a Buenos Aires. Trazia 11 toneladas de ouro, joias e 40 milhões de libras esterlinas, além de cerca de 1.500 pessoas a bordo. Oficialmente, só 654 estavam registradas. Mas há versões de que mais de 800 imigrantes clandestinos estavam nos porões, fugidos da Primeira Guerra Mundial”, relata Jeannis em seu livro “Ilhabela seus enigmas”. Ao se chocar com a laje, o casco do navio se cortou, abrindo um rasgo de 44 metros no lado direito. Em menos de cinco minutos, a embarcação submergiu. Segundo a versão oficial, chovia forte no momento do acidente e a visibilidade era quase zero. “Mas fiz várias pesquisas até chegar numa outra constatação. A hipótese mais concreta é que o navio teve um desvio de rota, passando pelas ilhas dos Búzios e da Vitória, onde parou. Lá descarregaram os materiais valiosos e o capitão desembarcou, junto com os produtos roubados. Na hora de continuar a viagem, o imediato que assumiu o comando se perdeu, vindo a bater na laje da Ponta da Pirabura”, conta o mergulhador. De acordo com as novas revelações, o Príncipe de Astúrias teria feito uma parada misteriosa no arquipélago uma noite antes do naufrágio. Enquanto as pessoas dormiam, a carga preciosa foi transferida para uma embarcação menor. O capitão seria o mentor de toda a ação criminosa. Quantos aos mortos, muitos foram parar em diferentes praias do litoral norte, sendo enterrados onde eram encontrados, como em Serraria e Castelhanos, por exemplo.

O pesquisador e seus registros sobre os mistérios Jeannis Michail Platon mergulha desde criança. Ao se mudar para São Sebastião, montou uma empresa, comprou um navio e passou a dar aulas de mergulho, além de trabalhar para seguradoras, resgatando peças de embarcações avariadas. Veio para cá já sabendo das muitas histórias dos naufrágios e, sempre que podia, desbravava as águas do arquipélago e região atrás dos tesouros históricos submersos. Aos 69 anos, dedica-se atualmente mais às pesquisas em terra. Após colecionar um acervo variado de peças e informações, montou a Fundação Mar, em São Sebastião, e também o Museu Náutico, em Ilhabela, que está temporariamente fechado para reforma. “Tenho

mais de 1.500 peças só no museu. É um grande patrimônio histórico. Nossos navios aqui são como uma cápsula no tempo. Você pode conhecer como era a vida na época de 1800, 1900...”, diz Jeannis. Suas descobertas também viraram livros. Já publicou quatro sobre os enigmas e lendas da região. O mais recente, “Príncipe de Astúrias, um mistério entre dois continentes”, foi lançado no ano passado, na ocasião do centenário do naufrágio. “Minha preocupação principal sempre foi catalogar tudo, para que isso permaneça na história da região e que seja preservado para as futuras gerações”, explica o mergulhador.


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Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Perfil <<

Ronald Kraag

Um apaixonado pela fotografia Andressa Rodrigues

Q

uem já teve a oportunidade de bater um papo com ele sabe que o encontro rende muitas risadas e inúmeras histórias emocionantes. Morador de Ilhabela desde a década de 1980, o fotógrafo Ronald Kraag está sempre presente nos eventos da cidade, a convite dos organizadores ou por conta própria. Seu trabalho capta o cotidiano, as pessoas e as belezas naturais. Suas imagens estampam os ônibus do transporte coletivo e até já ilustraram livros didáticos. Com a sabedoria dos seus 70 anos de vida, Kraag fala com orgulho de sua trajetória pessoal e profissional, e com muito amor à cidade que escolheu para viver. Filho de pais holandeses e descendentes indonésios, o fotógrafo perdeu a conta de quantos países já visitou. Do Brasil, garante que conhece todas as capitais, além de cidades escondidas entre matas e montanhas. Mas quando viu Ilhabela pela primeira vez teve a certeza sobre onde iria se fixar. “Eu estava com meus pais num avião, vindo dos Estados Unidos, quando avistei a ilha pela janela. Lembro que disse ‘pai, quero ir lá’. Anos depois consegui vir com uma família de São Paulo. Ao desembarcar da balsa, corri para a areia, beijei o chão, chorei e anunciei: ninguém mais vai me tirar daqui”, conta Kraag. A princípio, as viagens pelo mundo se deram devido ao trabalho do pai, que era oficial da Marinha. Depois de muitas incursões, a família mudou-se de vez para o Brasil. Já na vida adulta, as andanças foram

motivadas pelo trabalho. “Sempre tive dois, três empregos. Atuei no ramo da refrigeração, na área administrativa, fiz traduções e sou agente de Turismo formado pela Embratur. Também prestei serviço para uma empresa holandesa situada em Holambra (SP), com agroturismo”, diz o fotógrafo. Em todas as situações, a máquina fotográfica sempre o fez companhia. “Fiz muitos registros, especialmente com as excursões como guia pelo Brasil e nos passeios com os estrangeiros que vinham conhecer a nossa agricultura”, completa. Aos poucos, a fotografia tomou mais espaço em sua vida e Kraag começou a ser requisitado para diversos trabalhos. Atualmente, ele afirma que está aposentado, mas a atividade com a fotografia continua em Ilhabela. Aliás, ele está sete anos sem sair da cidade. Dedica-se, diariamente, a captar eventos, fatos cotidianos e paisagens naturais. Também está sempre presente nas solenidades e ações realizadas pela Marinha. “Por meu pai ter sido dessa instituição, sou voluntário e amigo da Marinha com muita honra”. Mas o respeito e o amor pelo órgão vão além e remetem ao período de seu nascimento. “Meus pais estavam num navio indo para a Indonésia. Não deu tempo de desembarcar e eu nasci a bordo, no meio do mar”, relata. Os pais do fotógrafo se conheceram durante a Segunda Guerra Mundial, num campo de concentração na cidade japonesa de Nagasaki. O pai estava preso; a mãe trabalhava como tradutora de línguas orientais. “Ela o ajudava, dando alimento para ele sobreviver. Depois se desencontraram e meu pai acabou sendo atingido pelas radiações da bomba atômica. Ele precisou ir aos Estados Unidos para fazer tratamentos médicos. Foi quando reencontrou minha mãe e se casaram”, relata Kraag.


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Radar Litoral - Especial 381 anos| 27| 03 Fotos: Acervo Ronald Kraag

A Ilha na mira de suas lentes Após se mudar para Ilhabela, Ronald Kraag fez muitos amigos e passou a fotografar todas as ocasiões em que estava com eles. Costuma brincar ao dizer que, antes mesmo de sua invenção, já mantinha um Facebook entre os conhecidos. Isso porque, com a chegada da internet, tirava as fotos e as enviava por e-mail aos seus contatos, fazendo e compartilhando comentários. E assim foi registrando tudo que encontrava pela frente, até virar uma figura conhecida na cidade, especialmente entre os profissionais da imprensa na região. Kraag gosta de fotografar grandes grupos de pessoas, além de captar imagens aéreas. Sem medo de altura, prefere sobrevoar o arquipélago num helicóptero sem porta, com os pés para fora. Também gosta de trabalhar de luva, “por conta do suor da mão”, explica. Já quanto a um lugar predileto, não hesita em dizer: “Amo Ilhabela como um todo, principalmente quando a vejo do alto”. Com as lentes sempre atentas, Kraag coleciona diversos flagrantes e surpresas. Entre elas: um velejador que caiu no mar durante uma regata; duas cores na água que, segundo ele, lembra o encontro dos rios Negros e Solimões; um pôr do sol no Canal de São Sebastião que levou 34 dias para ser registrado (no enquadramento exato que ele desejava); e sua primeira foto digital, feita da antiga ponte entre o Perequê e a Barra Velha, que até ilustrou livros didáticos do ensino municipal.

Planos para o futuro Após muitas viagens a trabalho, Kraag pretende agora realizar um passeio a lazer. Deseja ficar, pelo menos, um ano fora da cidade. Entre os itinerários, o fotógrafo quer ir à ilha de Bali, onde seu registro de nascimento foi feito. “Sempre passei perto, mas nunca consegui parar lá. Será minha primeira vez”, conta entusiasmado. Ele também vem se dedicando à escrita de um livro, que pretende publicá-lo em breve. “Não será uma simples autobiografia. Estou produzindo algo que terá emoção. Será especial e todos irão se emocionar, chorar e dar risada”, adianta o fotógrafo. Já para Ilhabela, Kraag deseja o melhor. “Quero que a cidade seja sempre bem cuidada. Eu procuro fazer minha parte. Olho Ilhabela como o quintal da minha casa. Procuro cuidar de tudo e de todos. Quero o bem de todos. Respeito as pessoas, os dirigentes, não importa quem seja. Sou cidadão honorário daqui e esse título ninguém me tira”.


28 | Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Resgate Cultural <<

Professor Adriano e o orgulho de ser caiçara Andressa Rodrigues

A

paixonado e defensor da cultura tradicional caiçara, Adriano Leite da Silva dedica todo seu trabalho na preservação e resgate dos costumes dos moradores antigos de Ilhabela. O professor Adriano, como é conhecido, sabe muito bem desse assunto, afinal, o vivencia desde a infância. Mais novo de 12 irmãos, ele nasceu no Saco do Sombrio e passou parte de sua vida na praia da Fome. Cresceu entre hábitos, lendas e ritos religiosos típicos de Ilhabela, das comunidades tradicionais. Morou longe da Ilha somente duas vezes, uma delas para estudar Pedagogia. Lecionou na mesma escola que estudou a vida toda, na Gabriel Ribeiro dos Santos, e também nas comunidades caiçaras. Independente da


Radar Litoral - Especial 381 anos| 29| 03 Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

disciplina, sempre implementou a cultura tradicional em suas aulas. E como também é amante das artes, apoia e participa de espetáculos e eventos que retratam o antigo modo ilhéu de viver. “Está dentro de mim, no meu sangue. Cresci vendo minha vó fazendo fogo de maneira indígena. Aos 7 anos de idade, eu já ia para o mar pescar com meu pai, enquanto minha mãe trabalhava na roça. Minha família sempre foi festeira, católica, então sempre tínhamos festas religiosas, com danças típicas das

comunidades. Esses valores étnicos tradicionais fazem parte de quem eu sou”, conta com carinho o professor. Também com carinho, ele ressalta uma característica singular dos moradores das comunidades. “O linguajar é único! Trocamos a letra V pela B e vice-versa. Não pronunciamos ‘ÃO’ e sim, ‘AUM’. Por exemplo: SebastiAUM. E temos algumas palavras-chaves, como ‘Ai, ai, ai’ e ‘Arrelá’. Por isso, fazemos um trabalho sobre o ‘dicionário caiçarez’ dentro das escolas, para não perder essa história”.

Com essa mesma preocupação, Adriano auxiliou na montagem do grupo Raízes de Ilhabela, de músicas tradicionais, além da congada mirim, como retrato do resgate da congada adulta. “Eu via que a congada adulta estava diminuindo. Então buscamos, nas escolas, alunos que eram netos, sobrinhos, que tinham essa tradição no sangue”, explica. O professor ainda escreveu um livro sobre a congada de São Benedito, que foi lançado pela Fundação Arte e Cultura de Ilhabela (Fundaci).


30 | Radar Litoral - Ilhabela 212 anos

Resgate Cultural Vida caiçara << <<

“A minha primeira inspiração vem de família” O pai de Adriano é do Saco do Sombrio. A mãe nasceu na praia da Fome. A avó paterna é do Bonete e a materna, do Jabaquara. “A minha primeira inspiração vem de família, que mais tradicional, impossível”, brinca. Além disso, o professor também contou com duas figuras importantes. “Dentro do meu processo de ensino-aprendizagem, eu tive uma professora de Folclore, que foi a Iracema França Lopes Correia, a Dona Dedé. Ela valorizou muito as coisas que eu sabia da história da Ilha. Já a outra pessoa foi a atriz Vida Alves. A primeira atriz de rádio e quem contracenou o primeiro beijo da TV brasileira. Ela foi minha professora de Artes Cênicas, recurso que utilizo dentro das escolas para resgatar o linguajar, os trejeitos e os costumes caiçaras”. Já a opção pela área da Educação surgiu, segundo ele, naturalmente. “Sempre foi uma linha muito forte na minha vida. Eu sempre adorei a língua portuguesa, a comunicação e a história do ensinar. Desde pequenininho, eu brincava de ser professor e tive lousinha, giz e apagador”, completa. Mas o gosto pelas artes cênicas também era muito presente. “Quando eu estudava, educação artística era comigo. Todo mundo me chamava para fazer teatro. E meus trabalhos escolares já eram focados no resgate da cultura tradicional”.

Planos e desejos para Ilhabela Aos 49 anos de idade, o professor Adriano trabalha atualmente como diretor-supervisor das escolas tradicionais de Ilhabela. Além de cuidar para que todos os alunos das comunidades tenham direito à educação, ele ainda segue com o esforço para preservar a cultura local. “Devido ao meu trabalho de hoje, eu não consigo mais ir com tanta frequência às escolas da cidade para atuar na manutenção das tradições. Então, eu agora faço essa tarefa junto às próprias comunidades. Recentemente, fizemos um resgate da Festa de Bom Jesus, na praia da Serraria. Os moradores ficaram muito emocionados”, conta Adriano. Mas o professor quer ir mais além. “Eu desejo que a Ilha tenha, um dia, uma disciplina específica sobre a cultura tradicional dentro da grade curricular municipal. Porque nossa história não pode ser perdida e é a educação a única porta para se manter isso”. Ele também planeja o lançamento de dois livros. “Ambos já estão prontos. Um é sobre danças tradicionais caiçaras, que eu gostaria muito que servisse como livro didático, para ser referência de pesquisa para os professores. E o outro é só sobre as lendas. Eu cresci ouvindo minha avó contando muitas delas para eu dormir. São histórias que tratam de respeito ao próximo, amor e honestidade”, explica. Para Adriano, a cultura de Ilhabela é sem dúvida um dos encantos que atraem tantos turistas e apaixonados pelo arquipélago. “É o que traz esse ar pitoresco, gostoso. É o nosso linguajar, nossa forma humilde de viver, a simplicidade e o coração imenso para acolher quem vem nos visitar. E isso me faz orgulhoso e feliz”, finaliza.


Radar Litoral - Especial 381 anos| 33| 03 Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Acervo Pesquisador Edson Souza

Ilhabela de antigamente

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Além das belezas naturais, Ilhabela revela a cada esquina um pouco de sua história. Confira!

Rua da Padroeira - Vila - 1942

Capela São João - Perequê - 1930 Pier Perequê - 1960

Rua Dr. Carvalho - Vila - 1935

Campo de Aviação - 1942

Grupo Escolar - Vila - 1930


03 34 | Radar Litoral - Especial 381 212 anos Litoral - Ilhabela anos | Radar

A arte singular do Embaixador Cultural de Ilhabela

Andressa Rodrigues

A

s esculturas de metal do caiçara Gilmar Pinna fazem parte do cenário de Ilhabela. Na entrada da cidade, na orla da praia ou expostas em prédios públicos, suas peças encantam devido a tamanha expressividade e originalidade. E pensar que tudo começou na areia, quando ele ainda era uma criança. Mas o talento nato logo se despontou e Pinna ganhou o Brasil e o mundo. Nascido na Ilha, o artista já participou de inúmeros concursos e exposições, além de colecionar diversos prêmios. Requisitado por empresas e órgãos governamentais, esculpe imagens de diferentes temas, mas sempre de dimensões grandiosas. Aos 59 anos de idade, Pinna mora atualmente na cidade de Guarulhos (SP), mas sua obra permanece viva e constantemente renovada no arquipélago. “Na minha infância, eu fazia esculturas na areia da praia. Até que, aos 12 anos, eu ganhei o Primeiro Concurso de Esculturas em Areia do Litoral Norte Paulista. Eu já recebia muito apoio dos meus pais, pois eles notavam um forte laço de arte no meu sangue. Mas ganhar esse prêmio foi um incentivo a mais, pois eu via que podia ir mais além”, conta Pinna. O reconhecimento fez com que o artista se desafiasse e mudasse seu material de trabalho da areia para o metal.


Radar Litoral - Ilhabela 212 anos Radar Litoral - Especial 381 anos| 35| 03

Gilmar Pinna <<

“Tive ainda o apoio do escultor argentino Soto e em seguida fui para Itália trabalhar com o escultor de renome internacional Humberto Corsucci, um mestre em todo tipo de artes plásticas, a quem sou muito grato”, completa. Esse sentimento de gratidão, aliás, Pinna estende a outra pessoa que também teve uma participação importante em sua trajetória. “No início dos anos 70, incentivado pelo pintor e desenhista Fernando Odriozola, de quem me tornei amigo e admirador, comecei a participar de concursos e salão de artes, conquistando vários prêmios. Uma vez, ele me viu fazendo uma obra pequena e falou: ‘Gilmarzinho, começa a fazer elefante, girafa, rinoceronte, dinossauro...’ Naquele dia achei que ele estava zombando de mim, mas não era. Ele estava me encorajando a fazer monumentos de grandes dimensões. “Obrigado, Fernando Odriozola, por ter incentivado um menino caiçara”. Em 2007, Gilmar Pinna foi nomeado Embaixador Cultural de Ilhabela pela Câmara Municipal, “devido aos relevantes trabalhos de divulgação e contatos culturais realizados entre a Ilha e outros municípios, tanto brasileiros como do exterior”, explica o artista. Entre esses trabalhos, ele destaca o tratado de “Cidades Irmãs”, firmado entre o município de Lousada (Portugal) e Ilhabela, para intercâmbios culturais, educacionais e de turismo, entre outras ações.


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Gilmar Pinna <<

Principais trabalhos Entre as obras realizadas, Pinna ressalta que o “Cavaleiro Fiel” foi a que teve maior repercussão até hoje. Esculpida para a abertura da Copa do Mundo de 2014, a peça seria instalada na Arena Corinthians. “Mas por problemas internos, o monumento não pôde ser colocado no local. Por fim, acabou ficando em Guarulhos, próximo ao aeroporto internacional”, explica o artista. A primeira mostra individual também é um trabalho marcante na carreira de Pinna. Foi em 1976, na Galeria Vanguarda, na cidade de São Paulo. A capital paulista, aliás, recebeu várias produções importantes. Entre elas: a exposição “Coleção do Milênio”, no Espaço Cultural do Conjunto Nacional, a convite da Secretaria Estadual da Cultura; a reabertura do Parque Villa Lobos, a pedido das secretarias estaduais de Recuperação de Bens Culturais e dos Negócios de Esportes e Turismo, além do Ministério da Cultura; e o projeto “Retratos da Vida”, no Memorial da América Latina, em homenagem a personalidades que, de alguma maneira, se dedicaram à paz - atualmente, essa coletânea encontra-se instalada em um parque escultórico na cidade de Praia Grande, litoral sul de São Paulo. “Mas a minha maior exposição foi a ‘Paixão Caminhando no amor, na União e na Justiça’, em maio deste ano, com 40 toneladas de aço inox, divididas em 15 estações. Fiz uma releitura da viacrucis inter-religiosa, no Parque do Ibirapuera”, completa. Atualmente, Pinna finaliza a maior escultura do Brasil, segundo ele. “É uma Nossa Senhora Aparecida, com 50 metros de altura, que será inaugurada dia 12 de outubro, na comemoração dos 300 anos de sua aparição. Ela será instalada na cidade de Aparecida (SP)”.


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Ilhabela sempre será

meu porto seguro”

Esculturas de Gilmar Pinna podem ser encontradas em diferentes espaços do arquipélago. “Entre elas, tem o Cristo, em frente à Igreja Matriz, que doei para a cidade em 2000; o mapa da Ilha, com 25 metros de altura, estilizada, que é o portal do município. Fiz também uma obra para a Câmara Municipal,em 2016, denominada ‘Lei de Deus, Lei dos Homens’. E tem ainda a escultura do pintor Waldemar Belizário, que está instalada no Museu Waldemar Belizário, na Vila”, enumera o artista. Recentemente, uma nova mostra foi montada na orla do Parque Municipal Fazenda Engenho D’Água, localizada no bairro de mesmo nome. É a exposição “Paixão - Caminhando no amor, na união e na justiça”. Composta por 46 esculturas feitas de aço inox (de três metros de altura cada), as peças pesam cerca de 300 quilos e permanecerão no local até o dia 4 de setembro. “Ilhabela sempre será meu porto seguro. Desejo que seu povo esteja sempre em comunhão e que as pessoas que a visitam, ou que a escolham para morar, respeitem as marcas de quem fez sua história”, finaliza o artista.


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