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Cantanhede – ontem, hoje e amanhã….

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Área de Projecto Turmas 7ºA e B

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Escola Básica Marquês de Marialva Cantanhede 2011 1


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Ficha técnica

Título – Cantanhede - ontem, hoje e amanhã Autores – Alunos do 7ºA e 7ºB Ano e Número de edição – 2011 / 1ªedição Editora – Escola Básica Marquês de Marialva – Cantanhede Acabamento gráfico – J.A. Silva - Artes Gráficas, LDA. Capa – Mafalda Ferreira e Renato Loureiro Folha de rosto – Juliana Santos e Diana Leça Contra-capa – Lara Pereira ,Carolina Silvestre , Mariana Gonçalves e Sandra Silva Agradecimentos – Miguel Coelho e João Cardoso Sumário – João Paulo e Nuno Ferreira Capítulos – Maria Inês e Ana Póvoa Cabeçalhos e enumeração de páginas – Adriana Silvestre e Ana Lígia Fotos -André Conceição Bibliografia – Bruno Dourado e João Oliveira Contabilidade – Thomas Sousa e Cristiano Antunes Formatação– Francisco Murta e Carlos Pimentel Ficha técnica – Mariana Leça e Patrícia Vaz Revisão Linguística – Prof. Fátima Lourenço Marques

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Nota Introdutória

O QUE É A ÁREA DE PROJECTO? “Área curricular não disciplinar que visa a concepção, realização e avaliação de projectos, através da articulação de saberes de diversas áreas curriculares, em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos”. Decreto-Lei nº6 / 2001 de 18 de Janeiro

QUAL A FINALIDADE DA ÁREA DE PROJECTO? “A Área de Projecto tem como finalidade o desenvolvimento da capacidade de organizar a informação, pesquisar e intervir na resolução de problemas e compreender o mundo actual através do desenvolvimento de projectos que promovam a articulação de saberes de diversas áreas curriculares”. Despacho n.º 19309/2008

Como professora da Área curricular não disciplinar de Área de Projecto, tenho o gosto de deixar algumas notas sobre o trabalho desenvolvido pelos meus alunos da turma A e B do 7º Ano da Escola Básica Marquês de Marialva. No início deste ano lectivo, as turmas mostravam-se um pouco inquietadas quanto à escolha de um tema /projecto que se subordinasse ao tema aglutinador “HUMANIZAÇÃO DA ESCOLA”, tendo este tema como objectivo primordial „transformar as escolas do agrupamento num “museu vivo da área geográfica a que pertence” „. Após alguns momentos de reflexão e debate, surgiu a ideia de compilar num livro todas as informações, testemunhos e vivências relacionadas com a terra onde os alunos vivem. O livro seria um retrato vivo da Identidade, Cultura, História e Património da região. Nas várias sessões de trabalho, os alunos, já divididos em grupos constituídos por aproximação de residência e interesse demonstrado pelos assuntos, fizeram um trabalho de pesquisa em alguns sites, em livros disponibilizados pela Biblioteca Escolar e em panfletos cedidos pelos postos de turismo da região. Assistiram ainda, na Biblioteca Escolar desta escola, a uma Acção de Formação intitulada „O Livro‟, dinamizada pela professora responsável, 5


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Graça Silva. Os alunos obtiveram por esta via informações muito úteis sobre o trabalho de estruturação de um livro. Realça-se a importância deste trabalho no que concerne à estreita ligação entre o processo de aquisição de conhecimentos e competências com o meio envolvente, apostando-se na aprendizagem significativa e centrada nos alunos, factores indiscutíveis de motivação e sucesso educativo. Nos seus tempos livres, os alunos recolheram testemunhos orais de habitantes da sua zona geográfica. Envolveram os seus familiares, vizinhos e conhecidos na sua pesquisa sobre as tradições, costumes, lendas da terra e outros temas. Este projecto apelou ao envolvimento dos alunos, à sua criatividade e espírito de iniciativa, promovendo de igual modo a sua autonomia e capacidade de relacionamento interpessoal. Este livro constitui uma compilação de todos os trabalhos efectuados por estes alunos sobre esta zona geográfica, não pretendendo contudo esgotar todos os assuntos que o nosso património cultural, rico e muito vasto, nos oferece.

Compartilhando da opinião de João Reigota (2003: 9)1, “para sermos universais, comecemos por amar a nossa Aldeia”. O leitor é, neste livro, convidado a enveredar por caminhos na valorização das riquezas desta região conduzido por um olhar jovem atento mas também sonhador.

Fátima Lourenço Marques Professora de Área de Projecto

1 REIGOTA, João –A

Gândara Antiga: Centro De Estudos do Mar Luís de Albuquerque, 2000

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Índice Ficha técnica ..................................................................................................................................................... 3 Nota Introdutória ............................................................................................................................................ 5 Capitulo 1: ...................................................................................................................................................... 13 «Arte e arquitectura» ............................................................................................................................. 13 Arte e Arquitectura no concelho de Cantanhede............................................................... 14 Introdução.............................................................................................................................................. 14 A Igreja Matriz (Tocha) .................................................................................................................. 14 A Igreja Matriz ( Cantanhede) ..................................................................................................... 15 Museu da Pedra .................................................................................................................................. 15 Casa da cultura ................................................................................................................................... 16 Estátua de Pedro Teixeira ............................................................................................................ 16 Estátua do Marquês de Marialva................................................................................................ 17 Cruzeiro da Póvoa Da Lomba ...................................................................................................... 18 Capitulo 2: ...................................................................................................................................................... 19 «Colheitas» ................................................................................................................................................ 19 As colheitas .......................................................................................................................................... 20 A Vindima - “Agosto maduro, Setembro vindima” ................................................................ 20 A Agricultura....................................................................................................................................... 21 Colheitas das freguesias de concelho de Cantanhede ....................................................... 21 Capitulo 3: ...................................................................................................................................................... 25 «Costumes» ............................................................................................................................................... 25 Os costumes......................................................................................................................................... 26 A matança do porco .......................................................................................................................... 26 As “cacadas” no Carnaval .............................................................................................................. 26 Adiafa no fim das vindimas .............................................................................................................. 27 A visita pascal ...................................................................................................................................... 27 Queima do Judas ............................................................................................................................... 28 Missa do galo ....................................................................................................................................... 28 O funeral................................................................................................................................................ 29 As Bodas de casamento ................................................................................................................. 29 A Bênção dos Ramos ...................................................................................................................... 30 Amenta das almas ............................................................................................................................... 30 7


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As Maias ............................................................................................................................................... 31 As fogueiras de Natal e de Ano Novo……………………………………..…………………………….31 Capitulo 4: ...................................................................................................................................................... 33 «Feiras populares» .................................................................................................................................. 33 Feiras Populares ................................................................................................................................. 34 História das feiras .............................................................................................................................. 34 As feiras em Portugal ........................................................................................................................ 34 Lista de feiras e exposições em Cantanhede .......................................................................... 35 -TAPAS & PAPAS - Feira de Artesanato e Gastronomia de Cantahede ....... 35 -EXPOFACIC - Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede ............. 35 -Feira Quinzenal de Cantanhede ............................................................................................... 35 -Feira das Velharias de Cantanhede ......................................................................................... 36 Lista de Feiras do Concelho de Cantanhede ....................................................................... 36 -Feira do Tremoço ............................................................................................................................ 36 -Feira Quinzenal da Tocha ........................................................................................................... 36 -Feira do Bolo de Ançã .................................................................................................................. 36 -Feira do Vinho e Gastronomia de Cordinhã ......................................................................... 37 -Feira de Ourentã .............................................................................................................................. 37 -Feira de Sanguinheira .................................................................................................................... 37 -Feira das Velharias de Cantanhede.......................................................................................... 37 Capitulo 5: ...................................................................................................................................................... 39 « As Festividades» ...................................................................................................................................... 39 As Festividades ....................................................................................................................................... 40 Introdução .................................................................................................................................................. 40 S. Martinho .......................................................................................................................................... 40 Festa de Santo António ( Covões e Cadima) ..................................................................... 41 Festa de Santo António – ............................................................................................................ 41 Festa de S. João – (Tocha -Praia) …………………………………...………………………….…..……….36 Capitulo 6: ...................................................................................................................................................... 43 «Gastronomia» ......................................................................................................................................... 43 Gastronomia ......................................................................................................................................... 44 Introdução.............................................................................................................................................. 44 Freguesia da Tocha (Praia da Tocha) ...................................................................................... 44 Batata assada na areia com bacalhau assado na brasa ....................................................... 44 Freguesia de Murtede ...................................................................................................................... 45 Bolo de Páscoa .................................................................................................................................. 45 Freguesia de Murtede ...................................................................................................................... 46 8


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Leitão ...................................................................................................................................................... 46 Freguesia de Murtede ...................................................................................................................... 47 Negalhos ................................................................................................................................................ 47 Chanfana . ............................................................................................................................................. 48 Freguesia de Covões ....................................................................................................................... 48 Cabidela de leitão .............................................................................................................................. 48 Prato Típico dos Covões ............................................................................................................... 49 Cozido a Portuguesa ........................................................................................................................ 49 Freguesia de Cantanhede .............................................................................................................. 50 Vinhos de Cantanhede .................................................................................................................... 50 Capitulo 7: ...................................................................................................................................................... 51 «Jogos Tradicionais» ............................................................................................................................ 51 Introdução .................................................................................................................................................. 52 Jogo de saltar à corda ...................................................................................................................... 52 Jogo do berlinde ................................................................................................................................. 53 Jogo do pião ........................................................................................................................................ 53 Jogo da malha ...................................................................................................................................... 54 Corrida de Sacos .............................................................................................................................. 54 Cabra Cega ......................................................................................................................................... 55 Caracol ................................................................................................................................................... 55 O senhor barqueiro ........................................................................................................................... 56 Dança das Cadeiras ......................................................................................................................... 56 Forca ....................................................................................................................................................... 57 Jogo do Botão ................................................................................................................................... 57 Jogo da vara ......................................................................................................................................... 58 Jogo da macaca ................................................................................................................................... 58 Jogo da tracção com corda em linha ............................................................................................ 59 Jogo do anel ......................................................................................................................................... 59 Jogo do lenço....................................................................................................................................... 60 O Jogo do piolho............................................................................................................................... 60 Jogo do galo ......................................................................................................................................... 61 O gato e o rato .................................................................................................................................... 61 Jogo do prego ..................................................................................................................................... 62 O Rei manda ........................................................................................................................................ 62 Camaleão............................................................................................................................................... 63 1,2,3, macaquinho Chinês............................................................................................................... 64 Jogo da mamã dá licença 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Capitulo 8: ...................................................................................................................................................... 67 «Lendas» ..................................................................................................................................................... 67 Lendas .................................................................................................................................................... 68 Introdução.............................................................................................................................................. 68 Lendas do Concelho de Cantanhede ....................................................................................... 68 Lenda de Pocariça ............................................................................................................................. 68 Lenda do Cabeço da Moira .......................................................................................................... 69 Lenda da Nossa Srª de Vagos .................................................................................................... 70 Lenda da fundação de Ançã ........................................................................................................ 72 Lenda da Construção da Capela de S. Bento................................................................... 72 Lenda de S. Bento Milagreiro..................................................................................................... 73 S. Bento Livra Ançã da Peste .................................................................................................... 73 Lenda da Relíquia Pão e Queijo .................................................................................................. 73 Lenda do Marquês de Cascais .................................................................................................... 74 Lenda da Origem do nome Arrancada ...................................................................................... 74 A Lenda da Fervença ...................................................................................................................... 75 Lenda da origem do nome de Cantanhede- Criança ........................................................... 76 Lenda da origem do nome de Cantanhede- Ceguinho ....................................................... 76 Lenda do túnel ..................................................................................................................................... 77 Lenda do Anel .................................................................................................................................... 77 Lenda da Origem do Nome de Cordinhã ................................................................................ 78 Lenda da Maria Feitoa .................................................................................................................... 78 Lenda da origem do nome de Murtede....................................................................................... 79 Lenda dos poceiros de vindima...................................................................................................... 81 Lenda do Poço .................................................................................................................................... 81 A lenda da Sra. das Neves ............................................................................................................ 81 Capitulo 9: ...................................................................................................................................................... 83 «Pessoas ilustres» ............................................................................................................................... 83 Pessoas ilustres ................................................................................................................................... 84 Introdução.............................................................................................................................................. 84 D. Luís de Menezes .......................................................................................................................... 84 Pedro Teixeira ..................................................................................................................................... 86 António Fragoso ................................................................................................................................ 88 Augusto de Abelaira ........................................................................................................................ 89 Carlos de Oliveira ............................................................................................................................. 91 D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa ................................................................................. 93 Jaime Cortesão .................................................................................................................................. 94 10


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Capitulo 10: ................................................................................................................................................... 97 « As profissões » ..................................................................................................................................... 97 As profissões ....................................................................................................................................... 98 Introdução.............................................................................................................................................. 98 A costureira………………………………….………………………………………………………………………………….98 A lavadeira…………………. ...................................................................................................................... 98 O engraxador.. ..................................................................................................................................... 99 O fotógrafo. ......................................................................................................................................... 99 O Limpa Chaminés. ........................................................................................................................ 99 O moço dos fretes. ............................................................................................................................ 99 A modista............................................................................................................................................ 100 O carteiro………………......................................................................................................................... 100 O padeiro. .......................................................................................................................................... 100 Ao cheirinho ao pão fresco ......................................................................................................... 100 O pescador........................................................................................................................................ 100 O telefonista. .................................................................................................................................... 101 A varina. .............................................................................................................................................. 101 O cesteiro. ......................................................................................................................................... 101 O ceramista........................................................................................................................................ 102 O ferreiro. .......................................................................................................................................... 102 Capitulo 11: ................................................................................................................................................ 103 «As Superstições» ............................................................................................................................. 103 As Superstições.................................................................................................................................. 104 Introdução........................................................................................................................................... 104 Superstições relacionadas com alimentos ............................................................................. 104 Superstições relacionadas com animais .................................................................................. 104 Outras superstições....................................................................................................................... 105 Agradecimentos ........................................................................................................................................ 107 As Fotos das Turmas ............................................................................................................................ 108 7ºA ............................................................................................................................................................. 108 7ºB ............................................................................................................................................................. 109 Bibliografia .................................................................................................................................................. 110

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Capitulo 1:

«Arte e arquitectura»

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Arte e Arquitectura no concelho de Cantanhede Introdução2 A arquitectura não seria um elemento dinâmico tão importante se não estivesse conjugada à sensibilidade artística que faz parte da inteligência humana. Expressão do ser sensível, a arquitectura constrói com a matéria, criando beleza, ordem e harmonia. Interage e brinca com o espaço, isola ou integra o homem, esmagando-o ou escolhendo-o para centro e chave da composição. A arquitectura

é também um diálogo com a natureza, com os componentes físicos da Terra3, numa relação às vezes difícil e mesmo dramaticamente resolvida. Simbólica ou funcional, pessoal ou integradora de uma sociedade, aberta ou fechada em si mesma, a arquitectura envolve uma prática criativa, essencialmente humana e sensorial.

A Igreja Matriz (Tocha)

A Igreja Matriz (situada na Tocha), com portal em estilo barroco, talha de madeira , com belos azulejos , pobre, salientando-se o seu portal nobre delimitado por duas colunas e alguns exemplares de escultura gótica.

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http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=1390 No nosso concelho verificamos a utilização da pedra de Ançã em muitas obras arquitectónicas.

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A Igreja Matriz ( Cantanhede) A Igreja Matriz de Cantanhede consagrada ao Apóstolo S. Pedro, a Matriz da cidade de Cantanhede é um templo incaracterístico devido às numerosas reformas arquitectónicas que lhe foram sendo introduzidas ao longo dos séculos. Os mais antigos sinais datam do século XVI, mas nos finais do século XVII e no século XIX, a igreja ganhou a sua forma arquitectónica actual. No seu interior subsistem algumas capelas renascentistas de grande valor artístico. Em termos arquitectónicos, a fachada da Igreja Matriz de Cantanhede é pobre, salientando-se o seu portal nobre delimitado por duas colunas, obra datada de 1693, sendo da mesma altura a sua torre sineira. Tudo o resto foi realizado durante o século XIX. O interior é constituído por três naves, divididas por arcaria de volta perfeita, assente sobre colunas dóricas.

Museu da Pedra

A Câmara Municipal de Cantanhede inaugurou, em Outubro de 2001, o Museu da Pedra.

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Casa da cultura Situada no Largo Cândido Reis, a Casa Municipal da Cultura é a mais importante casa nobre de Cantanhede. Mandada construir pelo capitão-mor Dr. João Henriques de Castro nos finais do século XVII, mantém na esquina a pedra de armas dos antigos senhores da moradia.

Estátua de Pedro Teixeira

Escultura de grandes proporções executada em bronze por Celestino Alves André, no ano de 1993, perpetua a memória do Capitão Pedro Teixeira, desbravador e conquistador da Amazónia. Pedro Teixeira nasceu em Cantanhede por volta de 1585 e em 1607 foi para o Brasil, onde viria a distinguir-se na expulsão dos franceses do Maranhão e no comando dos portugueses contra as tentativas de ocupação holandesa e inglesa. Ao subir o rio Amazonas desde a foz até Quito, contribuiu decisivamente para a definição do território do Brasil, o maior país da América Latina e o único deste continente que tem o português como língua oficial.

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Estátua do Marquês de Marialva A estátua equestre de grande realismo nas proporções e nos pormenores foi executada por Celestino Alves André, prestigiado escultor do Concelho de Cantanhede, e encontra-se instalada num plinto de dimensões apreciáveis na Praça Marquês de Marialva. D. António Luís de Meneses, 3.º Conde de Cantanhede e 1.º Marquês de Marialva, terá nascido no início do século XVI e faleceu em 16 de Agosto de 1675. Nobre dotado de apurada formação militar, foi um dos mais importantes vultos da Restauração de 1640, tendo-se notabilizado no comando das tropas portuguesas nas batalhas das Linhas de Elvas e Montes Claros, que impediram a entrada dos exércitos castelhanos em território nacional. Os seus feitos militares valeram-lhe o título de Marquês de Marialva, por decreto de 11 de Junho de 1661, e exerceu os cargos de Conselheiro de Estado e de Guerra, Vedor da Fazenda Real, Ministro do Despacho, Governador das Armas de Lisboa, Setúbal, Cascais e Estremadura, e Capitão-GeneraI da Província do Alentejo. Em 1669 foi nomeado Procurador das Cortes de Lisboa por uniforme sufrágio do povo e da nobreza.

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Cruzeiro da Póvoa Da Lomba

A sua tipologia assemelha-se aos do século XVI / XVII, de estilo renascentista. Com estrutura autónoma, da tipologia destacam-se: Arquitectura religiosa, cultural, renascentista. O material predominante usado nesta zona é a pedra de Ançã.

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Capitulo 2:

«Colheitas»

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As colheitas A Vindima - “Agosto maduro, Setembro vindima”4 A colheita das uvas e o encher das cubas com o mosto, cuja fermentação há-de ser religiosamente vigiada, continuam a ser o ponto alto de um trabalho que, afinal, se prolonga todo o ano. Nas colinas suaves dos sobreiros de Cordinhã trabalham muitas pessoas. Risadas e conversas tentam enganar a dureza de um trabalho espinhoso, que vai manter-se, mais ou menos, até ao final do mês. Setembro é o eterno mês das vindimas, o lado mais visível de um processo aturado que se prolonga todo o ano: a produção do vinho. Às 17:00h um grupo de cerca de 150 pessoas de Cantanhede acabam de colher uvas desde as 8:00h e os cestos carregados de azul-escuro ainda há-de ser acartados até à adega para o esmagamento, que se vai decorrer durante a noite. E há-de ser assim durante os próximos dez dias. Novos e velhos, homens e mulheres, todos emprestam forças e colhem o que a terra dá. Cepa por cepa, de carreira em carreira, não fica um cacho para trás. As maiorias das pessoas são familiares que ajudam por solidariedade. Poupa-se na mão-de-obra, uma boa ajuda quando os gastos, nestas lides, já são bastante superiores aos ganhos. Diz o ditado:” Rumam as uvas para a pisa, colhem-se os últimos cachos do primeiro dia de safra.” O dia quente ajudou a tarefa, e espera-se que assim seja até ao final da época. Mãos no cacho e olhos no céu, aperta-se-lhes o coração se ouvem falar em chuva. Com sol ainda isto vai, até nos divertimos, é um convívio. Mas esta época é terrível, custa muito, são dores nas costas, dores aqui e dali.

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http://aurinegra.wordpress.com/2010/09/24/agosto-madura-setembro-vindima/

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A Agricultura Em 1934, o trigo chegou a ter uma produtividade de perto de 30 sementes. A média, no entanto, andava pelas 10 sementes. As sementes eram medidas em alqueires (20 litros) e "décas" (décadas de 10 litro). Quando se dizia que determinado terreno podia levar tantos "moios" de trigo, queria dizer-se que aquela propriedade podia levar uma sementeira de tantas vezes 60 alqueires (moio). Os almocreves recebiam a sua paga ou salário, também na forma de géneros, chamadas as "comedias". Por mês recebiam 1 litro de azeite, 50 quilos de farinha, alguns litros de feijão e um pouco de toucinho. Por dia, ganhavam 6 escudos.

Colheitas das freguesias de concelho de Cantanhede SEPINS- Produz essencialmente batata, feijões, milho, vinho, tabaco, couves, nabos, favas, alface, tomates, pepino e morangos. Os solos, com predominância de barro, são particularmente indicados para o cultivo da vinha, embora haja também algum pinhal.

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VILAMAR- A terra, úbere, permite o cultivo abundante de cereais, legumes, hortaliças e vinho.

SANGUINHEIRA- As suas terras aráveis são excelentes para a produção de milho, batata, feijão e produtos hortícolas.

POCARIÇA -A agricultura é ainda uma das principais actividades da população, especialmente a vitivinicultura. O vinho branco ali produzido sempre foi muito procurado a nível nacional.

OUTIL - Predominam as terras de lavoura - produz-se desde sempre o milho, o azeite, aveia e frutas.

OURENTÃ - A população tem a principal fonte de rendimento na agricultura, nomeadamente vinho, fruta e leguminosas. 22


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CORDINHÃ - Produz um vinho de muita qualidade e cor, além de milho, batata, centeio, cevada, trigo, aveia, feijão, hortaliças.

BOLHO – Produz milho, tabaco, batatas, couves, nabos, feijões, favas, alface, tomates, pepino, morangos. As terras são fáceis de cultivo de vários produtos agrícolas.

FEBRES - Produz batatas, milho, nabos, feijões, favas, alface, tomates, pepino, couves.

MURTEDE - Produz essencialmente batata, feijões, milho, vinho, couves, nabos, favas, alface, tomates, pepino, morangos.

ANÇÃ – Produz alface, feijão, uvas, milho, batatas e vinho. As terras são fáceis de trabalhar manualmente. 23


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No Inverno tornam-se encharcadas (ficam com água em excesso).

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Capitulo 3:

«Costumes»

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Os costumes Na nossa região surgem costumes enraizados no dia-a-dia do povo tratando-se de uma prática repetida de actos e convicções específicas ligadas a determinadas ocasiões festivas.

A matança do porco

A matança do porco, embora sem a importância que teve outrora, continua a realizar-se no concelho de Cantanhede. Com a chegada do mês de Dezembro, chega também a época da matança do porco. Ainda a manhã vai gelada, quando o matador afia sobre a mesa o seu naipe (conjunto) de facas, cutelos (navalhas), fuzis (afiar as facas) e machados que irá utilizar na operação de matança e desmancha do porco. No fim, reúnem-se os familiares, vizinhos e amigos à volta das febras assadas e degustam-se algumas doçarias da zona. O sangue do porco era cozido em água fervente e oferecido aos matadores. Era também costume pendurar nas costas do matador ou de um dos outros convivas uma unha do porco, sendo motivo de diversão e risota.

As “cacadas” no Carnaval

Depois do "esconde" vinham as ruidosas "cacadas": Um pote rachado, bem atulhado de toda a espécie de tralha chocalhante, era lançado violentamente, no balcão da "vítima", previamente 26


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escolhida. De preferência pessoa de índole irritadiça. A malta escondia-se na noite escura, ali muito por perto, e aguardava a reacção ansiosamente que, em regra era rápida e de grande chinfrineira. O lançador da "cacada" (previamente eleito) devia ter sangue frio, aguentar calmamente, como se nada fosse com ele, a investida da fera, e chegar mesmo ao desplante de a iludir, convencendo-a de que ia a passar casualmente por ali e que até ia sendo atingido por um caco. Continuava mais algum tempo em conversa mole com o homem e até simulava ajudá-lo nas buscas dos malfeitores, esmorecendo-lhe, pouco a pouco, as suas fúrias de vingança.

Adiafa no fim das vindimas O carro dos bois(que transportava as uvas nos dias da vindima) era todo enfeitado com parra e cachos de uva anunciando o fim das longas jornadas da apanha da uva. Todos cantavam seguindo para a adiafa que consiste na realização de uma festa em que se celebrava o fim das colheitas.

A visita pascal

No Domingo de Páscoa ou no de Pascoela havia a visita do prior aos seus paroquianos. Para as crianças de outros tempos, em cuja alimentação raro entravam os açúcares, este Domingo era mais conhecido por “Dia das Amêndoas”. As 27


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pessoas aprimoravam a sua casa, fazendo limpezas a fundo e, por vezes, caiando as suas casas para depois abrirem a porta à comunidade. Como tal, esse dia era muito mais desejado, sendo falado antes e depois, durante muito tempo.

Queima do Judas Malhação de Judas ou Queima de Judas é uma tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas que foi introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes. Consiste em surrar um boneco do tamanho de um homem que, geralmente, representava a pessoa mais indesejável da povoação. Forrado de serradura, trapos ou jornal, era arrastado pelas ruas até ser queimado numa fogueira, normalmente à noite.

Missa do galo Missa do Galo é o nome dado em países católicos à missa celebrada depois do jantar da Véspera de Natal que começa à meia-noite de 24 para 25 de Dezembro. O seu nome consagra a lenda segundo a qual à meia-noite do dia 24 de Dezembro um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias. Na Missa do Galo já todas as velas do Advento se encontram acesas e canta-se o cântico de Glória. 28


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Dada a sua importância, o próprio papa faz questão de rezá-la. Tradicionalmente, depois da missa, as famílias voltam para casa, colocam a imagem do Menino Jesus no Presépio, distribuem os presentes e compartilham a Ceia de Natal.

O funeral Funeral é a cerimónia, religiosa ou não, tradicionalmente adoptada para a despedida de um ente querido logo após sua morte. Terminado o funeral, o caixão com o corpo é enterrado ou cremado. Aquando do falecimento de uma pessoa os vizinhos levam as refeições à família, tratam do funeral e passam a noite junto do corpo. Quanto mais conceituado era o defunto, mais chorada teria que ser a cerimónia, contratando, para tal, as carpideiras .5

As Bodas de casamento Há festa durante dois ou três dias, com grande quantidade de pratos em que não falta a canja, o tradicional "cozido à portuguesa", a chanfana, o leitão, o arroz doce, etc., em que cada um dos noivos vai para casa de seus pais com os respectivos convidados. São oferecidos dois bolos regionais e um prato de arroz doce a cada um dos convidados, acrescida de um caçoilo de arroz e uma galinha quando se trate dos padrinhos (acontece em Ançã). Enfeitam-se as casas e as ruas dos noivos. 5

Mulheres vestidas de preto, com o rosto coberto por um véu.

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A Bênção dos Ramos A missa de domingo de Ramos faz-se durante a qual se faz referência à Paixão e Morte de Jesus – foi chamada, em tempos, Missa Seca. Segundo uns, missa sem música (órgão e cânticos), na versão de outros, celebração em que não há comunhão (consagração do pão e do vinho). Uma das tradições deste dia, das mais populares entre nós, consiste na «bênção dos ramos» ou dos «palmitos», prática comum a todos os povos católicos, relacionada com os vários aspectos das comemorações da quadra pascal. O ramo era guardado durante o ano para, em dias de trovoada, ser queimado um ramito evocando Santa Bárbara para proteger a família e a casa dos trovões.

Amenta das almas “Amenta das Almas" é uma tradição muito antiga, perdendo-se mesmo na noite dos tempos, e que se vem mantendo de geração em geração. Esta prática religiosa tem lugar na noite de Sábado para Domingo, durante a Quaresma depois da 03h00 da manhã. Por volta desta hora os "Penitentes" começam por se reunir no Adro da Igreja. Pouco depois e, enquanto alguns sobem para a torre da Igreja, outros espalham-se pela vila em pontos altos que lhes possibilite ver a torre, para travarem um "duelo" de cantos, onde evocam e louvam a paixão e morte de Jesus a salvação da Almas. No silêncio da noite os cânticos ecoam pela Vila, acordando os crentes que começam a rezar. Por volta das 04h00 da manhã, os "Penitentes" juntam-se novamente no adro da Igreja para todos 30


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juntos fazerem arruada, rezando ainda pelas almas dos seus mortos regressando finalmente ao seus lares, certos do haver cumprido este seu dever sagrado.

As Maias A Festa das Maias celebra-se em algumas regiões de Portugal no dia 1 de Maio. As portas das casas ou as grelhas dos automóveis são enfeitadas com ramos de giesta amarela ou com coroas de flores chamadas maia ou maio. Era costume as crianças irem de casa em casa a cantar e a pedir. Em alguns lugares elas vestiam-se de maias floridas, isto é, enfeitavam-se com giestas.

As Fogueiras de Natal e de Ano Novo No dia 24 e 31 de Dezembro faziam-se umas fogueiras muito grandes reunindo à volta delas as pessoas da terra. Assavam-se chouriças, comiam-se filhós, pinhões e bebia-se vinho e jeropiga.

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Capitulo 4:

«Feiras populares»

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Feiras Populares

História das feiras A história da humanidade está repleta de referências a feiras. Não se sabe ao certo onde e quando apareceu a primeira feira, no entanto há dados que nos permitem afirmar que em 500 a.C. já havia feiras no Médio Oriente, nomeadamente em Tiro.

As primeiras referências a feiras aparecem misturadas com referências ao comércio, às festividades religiosas e aos dias santos. As feiras sempre revelaram um carácter comercial desde o início. Mercadores de terras distantes juntavam-se, trazendo os seus produtos autóctones para troca por outros. É também evidente que a religião andou de mãos dadas com o comércio. A palavra latina feria, que significa dia santo, feriado, é a palavra que deu origem à portuguesa feira.

As feiras em Portugal As feiras são uma das mais importantes instituições do período medieval em Portugal. Quase todas as feiras se realizavam em épocas relacionadas com festas de Igreja e, no local onde se faziam, existia uma paz especial, “a paz da feira”, que proibia todos os actos de hostilidade, sob penas severas em caso de transgressão. Algumas feiras no nosso concelho são muito visitadas não só por habitantes da região mas também por pessoas de todo os pontos do país procurando não só adquirir produtos a bom preço como provar as iguarias e pratos típicos do nosso concelho. Procuram de igual modo alguma diversão aproveitando passar alguns bons momentos na companhia de amigos e familiares.

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Lista de feiras e exposições em Cantanhede -TAPAS & PAPAS - Feira de Artesanato e Gastronomia de Cantanhede Destina-se a celebrar duas importantes referências culturais – o artesanato e a gastronomia -, resgatando à memória de alguns dos mais significativos elementos das ancestrais vivências, costumes e hábitos sociais que fazem parte da nossa história colectiva. Localidade/Local: Cantanhede - Parque Expo-Desportivo de S. Mateus Freguesia: Cantanhede Periodicidade: Anual Data do Evento: Junho - Fim-de-semana mais próximo do dia 10

-EXPOFACIC - Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede Localidade/Local: Cantanhede - Parque Expo-Desportivo de S. Mateus Freguesia: Cantanhede Periodicidade: Anual Data do Evento: Semana que inclui o dia 25 de Julho (Feriado Municipal) Tipologia: Popular

-Feira Quinzenal de Cantanhede Localidade/Local: Cantanhede Freguesia: Cantanhede Periodicidade: Quinzenal Data da Realização: Dia 6 e 20 de cada mês

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-Feira das Velharias de Cantanhede

Periodicidade: Anual Data da Realização: Meados de Março e Outubro Local: Praça Marquês de Marialva

Lista de Feiras do Concelho de Cantanhede -Feira do Tremoço Periodicidade: Anual Data da Realização: Maio - último fim-de-semana Local: Praia Fluvial dos Olhos da Fervença

-Feira Quinzenal da Tocha Local: Largo da Feira Periodicidade: Quinzenal Data da Realização: Dias 14 e 27 de cada mês

Feira do Bolo de Ançã Localidade/Local: Ançã - Terreiro do Paço Freguesia: Ançã 36


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Periodicidade: Anual Data do Evento: Março - Último

Feira do Vinho e Gastronomia de Cordinhã Localidade/Local: Cordinhã - Largo do Mercado Freguesia: Cordinhã Periodicidade: Anual Data do Evento: Março - Junho - segundo fim-de-semana

Feira de Ourentã Periodicidade: Mensal Data da Realização: Dia 1

Feira de Sanguinheira Periodicidade: Mensal Data da Realização: Dia 1

Feira das Velharias de Cantanhede Periodicidade: Anual Data da Realização: Meados de Março e Outubro Local: Praça Marquês de Marialva

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Capitulo 5:

«As Festividades»

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As Festividades Introdução

Festas e romarias são uma constante no nosso concelho. Profundamente ligadas ao ciclo das culturas e ao ritmo das estações do ano, as celebrações tradicionais aliam o religioso à componente lúdica. Os santos populares, padroeiros de inúmeras vilas e aldeias, animam todo o ano mas principalmente o início do Verão. Tudo se congrega num clima de euforia onde não faltam ranchos, grupos de cantares e música tradicional.

S. Martinho No calendário litúrgico, o dia de S. Martinho celebra-se a 11 de Novembro, data em que este Santo, falecido dois ou três dias antes em Candes, no ano de 397, foi enterrado em Tours, França.. A sua generosidade e humildade, aliadas a uma enorme fama de milagreiro fizeram dele um dos santos mais queridos da população. E ainda hoje o seu espírito de partilha é fonte de inspiração. S. Martinho foi, durante toda a Idade Média e até uma época recente, o santo mais popular de França. Descrição: Festa Popular Localidade: Murtede Freguesia: Murtede Data do Evento: Fim de semana a seguir ao dia 20 de Novembro 40


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Festa de Santo António ( Covões e Cadima)

Santo António nasceu em Lisboa, Portugal, dia 13 de Setembro de 1191, e morreu com 36 anos, dia 13 de Junho de 1231, nas vizinhanças de Pádua, Itália. Por isso, é chamado Santo António de Lisboa e Santo António de Pádua, um dos santos mais populares da Igreja, „o santo do mundo todo‟ chamou Leão XIII. Filho de Martinho de Bulhões e Teresa Taveira, de famílias ilustres, recebeu o nome de Fernando no baptismo. Aos 15 anos, entrou no convento da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, nas proximidades de Lisboa. Aí ficou dois anos e pediu para ser transferido para o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, porque eram tantas as visitas de parentes e amigos, que perturbavam a sua paz. Em Coimbra estudou filosofia e teologia e foi ordenado padre.

Localidade: Covões, Cadima Freguesia: Covões, Cadima Data do Evento: Domingo a seguir ao dia 13 de Junho ou próprio dia se for Domingo. Tipologia: Popular

Festa de Santo António – (Corgo Covo) Descrição: Festa Popular 41


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Localidade: Corgo Côvo Freguesia: São Caetano Data do Evento: (Junho)Domingo antes ou depois do dia de Santo António.

Festa de S. João – (Tocha-Praia)

Descrição: Festa Popular Localidade: Praia da Tocha Freguesia: Tocha Data do Evento: 23 e 24 de Junho

QUADRAS a S. JOÃO

Aproveitem bem esta Meu querido São João És um Santo popular Traz teu arco e teu balão Vem com o povo dançar!

noite... Fica fresco quem se afoita e regala o coração Quem se banhe à meianoite Da noite de São João.

Delicados pés pisaram Rosmaninhos pelo chão Muitos corações amaram Na noite de São João.

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Capitulo 6:

«Gastronomia»

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Gastronomia Introdução No

nosso

concelho

podemos

observar

uma

grande

diversidade

gastronómica. Em cada freguesia existem pratos diferentes sendo divulgados nas feiras e festividades do nosso concelho.

Freguesia da Tocha (Praia da Tocha) -Batata assada na areia com bacalhau assado na brasa Ingredientes Bacalhau: 2 kg Batata 1kg Alho: 100 g Azeite: 0,5 l Pimenta: q.b. Louro: q.b.

Preparação Faz-se uma fogueira em cima da areia durante mais ou menos uma hora, depois puxa-se o brasido para o lado, que vai servir para assar o bacalhau previamente demolhado. No local onde se fez a fogueira, puxa-se a parte de cima da areia para o lado e deitam-se as batatas miúdas na cova que ficou. Cobre-se a batata com a areia que anteriormente se puxou para o lado e deixa-se assar durante mais ou menos 40 minutos. Depois de assar o bacalhau nas brasas, coloca-se num tacho com o azeite, os alhos picados, a pimenta e o louro. Quando a batata estiver assada, tira-se-lhe a areia passando-as num saco de serapilheira. Colocam-se numa travessa, e dá-se-lhes um murro. Serve-se o bacalhau acompanhado com a batata e o respectivo molho.

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Freguesia de Murtede Bolo de Páscoa Ingredientes: 1kg de farinha de trigo 300gr de açúcar 100gr de manteiga 5 Ovos 1 Colher de sopa de sal 1 Cálice de aguardente Raspa de 1 limão Erva-doce moída (q.b.) 40gr de fermento de padeiro Leite (q.b.) Preparação: Dilui-se, num pouco de água, metade da farinha e o fermento de padeiro, para fazer o fermento para a restante massa. Em seguida, amassam-se estes ingredientes com um pouco de leite num alguidar e deixa-se a levedar durante quarenta e cinco minutos, Durante este tempo, o alguidar deve estar tapado com um cobertor de lã, em local morno e sem corrente de ar. Findo este tempo, e em cima de uma mesa polvilhada com farinha ou num alguidar, junta-se a restante farinha e coloca-se no meio o fermento preparando anteriormente. Junta-se a manteiga amolecida, o cálice de aguardente, os ovos com clara e gema, o sal, o açúcar, a raspa de limão e a erva-doce, amassando com as mãos até ligar tudo muito bem. Ao mesmo tempo que se amassa, vai-se adicionando o leite, conforme seja necessário, até que a massa fique brilhante e macia. Polvilha-se um alguidar com farinha e coloca-se dentro a massa deixando a levedar durante mais quarenta e cinco minutos

com o alguidar tapado com um cobertor de lã em local morno e sem corrente de ar. Após esse tempo, moldam-se os bolos em forma de bola, pincelam-se com ovo e levam-se a cozer em forno moderado. 45


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Freguesia de Murtede Leitão Ingredientes:

1 Leitão Alhos pisados Sal grosso Pimenta Banha 1 Ramo de salsa

Preparação: Depois de morto, coloca-se o leitão em agua a ferver e raspa-se com uma faca, para lhe tirar os pelos. Abre o animal e retira-se as tripas. Lava-se novamente e, em seguida deixa-se secar durante quatro horas. Enfia-se o leitão num espeto e, por dentro, barra-se com o preparado feito com a banha, os dentes de alho, o sal e a pimenta. Cose-se o porco com agulha e fio de cozinha e mete-se no forno, colocando por baixo um recipiente para recolher a gordura que escorre. O leitão deve ser retirado do forno com relativa frequência (de meia em meia hora) e passa-se um pano na pele, para limpar o excesso de gordura. Esse processo vai levar a que o leitão fique com a pele dura e estaladiça. O tempo de cozedura varia entre uma hora e meia a duas horas. Depois de assado retira-se do espeto e serve-se com batatas fritas.

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Freguesia de Murtede Negalhos Ingredientes: Bucho de cabra Sal Colorau Pimenta Tempero: Colorau Louro Alho Sal Piripiri 1 Colher de banha de porco Vinho tinto

Preparação: Corta-se aos pedaços buchos de cabra bem lavados e escaldados de forma a poderem ser recheados, enrolados e fazerem bolinha. O recheio é constituído pelas aparas que sobram dos buchos, enrolando-se uma bolinha que é cozida com linha ou atada com tripas finas. Coloca-se os negalhos numa caçoila de barro e tempera-se com salsa, colorau, louro, alho, sal q.b., piripiri, azeite, 1 colher de banha de porco, e no fim cobre-se tudo com um bom vinho tinto. Vai a cozer durante umas horas em forno a lenha. Acompanha-se com batatas cozidas com pele e grelos ou feijão verde.

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Cabrito Folhas de louro

Chanfana Ingredientes:

Piripiri Sal Salsa Banha de porco Azeite Pimentão-doce ou colorau Vinho tinto Cebola Alhos

Preparação: Corta-se o cabrito aos pedaços e retiram-se as gorduras. Coloca-se a carne e todos os temperos numa caçarola de barro preto, regando e cobrindo tudo com vinho maduro tinto. Levanta-se a caçarola ao forno de lenha. Passado algum tempo, prova-se e se ainda não tiver cozido e o vinho tiver secado, acrescenta-se mais um pouco, deixando apurar.

Freguesia de Covões Cabidela de leitão Serve-se quase sempre nas refeições regada com o molho de leitão para lhe dar um sabor mais característico. É confeccionada com as vísceras (ou miúdos: coração, pulmões e fígado) do leitão ainda frescas, juntando a frio os seguintes ingredientes: colorau, alho, cebola, azeite ou óleo vegetal, vinho tinto, sal, banha de porco ou margarina, louro e batatas cortadas aos cubos. Depois de tudo colocado num tabuleiro próprio é levado ao forno junto com o leitão pois o tempo de cozedura é semelhante. Depois de cozida e antes de servir é temperado. 48


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Prato Típico dos Covões Sarrabulho da matança do porco, é servido a todos aqueles que fizeram parte dos trabalhos e do ritual tradicional da morte do porco que normalmente é criado em casa; a receita é: coloca-se numa grande panela as vísceras tiradas do porco após a matança, junta-se febras e a “peituda” com alguma carne gorda e couratos, devendo tudo isto ser cortado em pequenos pedaços. Às carnes misturam-se os seguintes ingredientes: cebola, alho, louro, salsa, manteiga de porco, sangue de porco previamente cozido, azeite, vinho branco, colorau, pimenta e sal e vai a cozer em lume brando. Este prato depois é servido com batatas cozidas com a pele, acompanhadas com laranjas, a tradicional broa de milho e, evidentemente, o bom vinho local.

Cozido a Portuguesa Ingredientes: 500g de Carne de Vaca para cozer 1 Chispe 1 Orelha de Porco 300g de Entremeada 1 Chouriço Corrente 1 Chouriço de Carne 1 Chouriço de Sangue 2 Farinheiras 1 Morcela de Arroz 1800g de Couve Lombarda 800g de Couve Portuguesa 2 Nabos 4 Batatas 4 Cenouras 300g de Arroz 1 Cubo de Caldo de Carne 49


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1 Cubo de Caldo de Galinha 1 Cubo de Caldo de Legumes Sal Grosso q.b. Cravinho q.b. 1 Lata de Feijão Branco Cozido

Preparação: Numa panela grande, com água coloque os cubos de caldos, sal, cravinhos e o chouriço corrente. Deixe ferver. Lave as carnes. Junte na panela, a carne de vaca, a entremeada, o chispe, a orelha e o chouriço de carne e deixe cozer. Lave os legumes. Depois de cozidas, tire as carnes para uma travessa. Junte as couves no caldo e deixe ferver 5 minutos. Junte a morcela de arroz, os nabos e as cenouras cortados em quartos e deixe ferver 5 minutos. Entretanto num tacho coloque o arroz e junte o caldo de cozer as carnes e as couves e leve a cozer. Junte na panela as batatas cortadas ao meio. Espete as farinheiras e o chouriço com um palito e junte na panela. Passado 4 minutos retire o chouriço de sangue. Tire um pouco de caldo para um tacho e junte o feijão e deixe ferver 2 minutos para aquecer bem. Quando tudo estiver cozido corte as carnes e sirva tudo em travessas.

Freguesia de Cantanhede Vinhos de Cantanhede

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Capitulo 7:

«Jogos Tradicionais»

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Jogos Tradicionais Introdução Os jogos tradicionais relacionam-se com a vida quotidiana das populações, onde se inspiram. Podem considerar-se não apenas uma forma lúdica, mas um meio de convivência e de ocupação dos tempos livres. Tinham como objectivo prioritário a

distracção. Chegaram até nós transmitidos verbalmente de geração em geração ao longo

de décadas ou séculos. Os seus temas baseavam-se nos trabalhos diários e variavam segundo as estações do ano, as colheitas, romarias, feiras, e festas religiosas. Os instrumentos do trabalho forneciam o material da disputa (ferro, pau, relha, corda, etc.). Exigiam ao praticante força, destreza e sorte. O local mais utilizado para a sua realização era o adro da igreja. O despovoamento das populações do interior para o litoral e para o estrangeiro, a divulgação feita pelos meios de comunicação, em especial a televisão, de outros jogos mais actuais e apelativos, e de outras formas de ocupação dos tempos livres provocaram o seu quase esquecimento. Todavia fazem parte do nosso património cultural e devemos preservá-los.

Jogo de saltar à corda Regras: O Jogo de Saltar à Corda, podia ser disputado por várias participantes ao mesmo tempo (corda grande) ou individual (corda pequena).Numa corda relativamente grande, duas participantes pegavam nas extremidades fazendo-a balançar, em movimento circular (dando à 52


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corda). As participantes, individualmente, entravam na corda e sempre saltando de acordo com o movimento da corda. Tinham que manter-se dentro durante determinado tempo previamente designado. Pela mesma forma tinham que sair sem interromper o normal andamento da corda. Também era jogado com vários concorrentes ao mesmo tempo, que tinham que entrar e sair, sempre saltando, de acordo com o fosse determinado e conforme a ordem de participação dos concorrentes. Perdia a participante que prendesse a corda, deixando por isso de rodar e, quando isso acontecesse, essa concorrente era penalizada sendo excluída do jogo, podendo ainda ter que tomar o lugar de pegar na corda (dando à corda). Nestes jogos de Saltar à Corda, ganhava sempre o concorrente que durante as provas tivesse menos faltas.

Jogo do berlinde Material:

berlindes

(esferas

de

vidro

ou

metal)

Terreno: Terra batida e plano Número de Participantes: Vários Objectivo: Meter os berlindes nas covas Desenvolvimento: Fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.

Jogo do pião O jogo do pião praticado especialmente pelos rapazes durante a primeira metade 53


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deste século volta a surgir sobretudo nos pátios das escolas. Disposição inicial: Pode tratar-se de uma competição com tempo fixado, ou de um encontro em que o pião deve tocar nos piões dos restantes jogadores e projectá-los para fora de um círculo de jogo traçado no solo e continuar por si só a girar, considerando-se fora de prova os piões que saírem desse mesmo círculo. Desenvolvimento: O movimento resulta de um cordel enrolado à volta do pião. O cordel segura-se com a mão por uma das extremidades o qual desenrolando-se o faz girar. Participantes: Pode ser jogado por uma ou mais pessoas. Material: Pião e cordel.

Jogo da malha Material: 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical). Jogadores: 2 equipas de 2 elementos cada. Jogo: Num terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.

Corrida de Sacos

Material: Sacos, de preferência em serapilheira. A corrida de sacos é uma prova pedestre de resistência, em que os concorrentes correm 54


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uma determinada distância (consoante o escalão etário) introduzidos num saco até à cintura. Participantes: A prova pode ser individual ou por equipas. Disposição inicial: O percurso é determinado pelo júri. Ganha o que primeiro ultrapassar a linha da meta. Desenvolvimento: O objectivo é percorrer a distância indicada no mais curto espaço de tempo. Para se deslocarem, devem segurar o saco com as duas mãos. O concorrente que sair de dentro do saco durante o percurso, será desclassificado. Se a prova for por equipas, será a equipa também desclassificada. Se for por equipas, será vencedora a equipa que obtiver o maior número de pontos resultantes do somatório dos seus componentes.

Cabra Cega Terreno: O terreno deve ser plano e limpo, de preferência Número

sem de

participantes:

buracos. Vários.

Objectivo: A cabra cega tenta apanhar os outros jogadores e identificá-los pelo tacto. Desenvolvimento: Põe-se uma venda a um jogador para ser a Cabra Cega. Os outros jogadores andam à sua volta tocando-lhe e dizendo Cabra Cega, mas sem se deixarem apanhar nem ir para muito longe. Quando um jogador é apanhado pela Cabra Cega não pode falar porque esta deve identificá-lo através do tacto. Se conseguir passa então o jogador apanhado a ser a Cabra Cega.

Caracol Material: Pedrinhas, giz. Terreno: O terreno deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos. Número de participantes: Vários. Objectivo: Chegar ao centro do Caracol sem perder. Desenvolvimento: Desenha-se um caracol grande no chão. 55


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No início do caracol o primeiro jogador lança uma pedra; depois ao pé-coxinho vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saia do caracol. Se a pedra sai do interior do caracol passa a vez de jogar a outro jogador e assim sucessivamente.

O senhor barqueiro Material:

Os

Terreno:

Espaço

meninos. grande.

Número de participantes: Vários. Objectivo: Obter o maior número de elementos para ganhar a prova. Desenvolvimento: Dois meninos de mãos dadas escolhem, cada um, um nome: de frutos, animais, países ou de outra coisa que quiserem, sem os outros ouvirem. Os restantes meninos fazem uma fila e cantam uma canção: -Ó senhor Barqueiro deixe-me passar, tenho filhos pequeninos não os posso sustentar... passará, passará, mas algum deixará, se não for o da frente há-de ser o de trás. Quando passam por baixo do arco que os dois meninos fazem, fica lá o último menino da fila. Este escolhe um dos nomes que eles propõem e fica atrás do menino que tiver o nome que ele escolheu. Quando tiverem todos escolhido formam dois grupos, conforme os nomes escolhidos. De seguida fazem um risco no chão, a dividir os grupos, dão as mãos e puxam na direcção do seu grupo. O grupo que passar o risco perde o jogo.

Dança das Cadeiras Material:

cadeiras

e

um

rádio.

Grupo de no mínimo 5 pessoas. Forme um círculo de cadeiras, com os assentos voltados para fora, com tantas cadeiras quantos forem os participantes menos uma. Coloque música a tocar e peça que os participantes "dancem" ao redor das cadeiras. Quando desligar o som, cada 56


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pessoa deve procurar uma cadeira no círculo; como o número de cadeiras é menor que o de participantes, um ficará de fora; este sai da brincadeira. Tire uma cadeira e recomece; ganha aquele que conseguir sentar - se na última cadeira.

Forca Uma criança desenha a forca e escolhe uma palavra (em segredo). Em seguida desenha um traço para cada letra da palavra. A outra criança deve adivinhar qual a palavra secreta, dizendo uma palavra de cada vez. Se disser uma letra que existe na palavra, esta deve ser escrita no traço correspondente no desenho. Se a mesma letra aparece mais vezes, ela deve ser escrita em todos os traços correspondentes na mesma vez. A cada letra que a criança disser e que não exista na palavra secreta, deve-se desenhar uma parte do corpo na forca: cabeça, pescoço, corpo, um braço, outro braço, assim por diante até o desenho ficar completo e é "enforcado". Se a criança adivinhar a palavra antes de ser "enforcada" ela ganha o jogo.

Jogo do Botão Este jogo consistia no seguinte: Era feito ou jogado por dois colegas. Eram necessários dois botões de ceroulas. Alternadamente, cada jogador tinha de bater o seu botão de encontro a uma porta. Se o Joaquim, por exemplo, lançasse o botão e ele ficasse no chão a menos de um palmo do outro, o adversário tinha de lhe entregar um outro botão como recompensa. E o jogo prolongava-se por largos minutos até estarmos cansados ou saturados do mesmo jogo, ora ganhando, ora perdendo um botão.

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Jogo da vara Material: Varas. O número de varas é de menos uma em relação ao número de participantes. Jogadores: Número variável. Jogo: Espetam-se as varas no chão, os participantes alinham, atrás de uma marca, de costas voltadas para as varas. Após um sinal, dado por alguém que não esteja a jogar, cada jogador corre para tentar apoderar-se de uma vara. O jogador que não o conseguir é eliminado, os outros dirigem-se novamente para a marca de partida e o jogo prossegue com cada vez menos varas até que reste só um jogador, que será o vencedor.

Jogo da macaca Material: Uma pedra lisa, tintas para desenhar a macaca

no

chão.

Terreno: Um local de terra ou cimento onde se possa

desenhar

Número de participantes: Seis a doze jogadores Objectivo: Deitar a pedra dentro de cada casa; Saltar a casa onde está a pedra sem a pisar; Saltar as casas ao pé-coxinho Apanhar a pedra sem cair e não pisar as riscas. Desenvolvimento: Atira-se a pedra para a primeira casa e quando começo a jogar salto ao pé-coxinho, pulando a casa onde está a pedra. Fazemos o mesmo para todas as casas até ao fim da macaca. Depois começa outro jogador. Quando a pedra sai fora também joga outro.

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Jogo da tracção com corda em linha Material: 1 corda e 1 lenço (deverá estar atado

a

meio

da

corda).

Jogadores: 2 equipas com o mesmo número de

jogadores

cada

uma.

Jogo: Num terreno plano e livre de obstáculos, duas equipas com forças equivalentes, seguram, uma de cada lado e à mesma distância do lenço, uma corda. Entre as equipas, antes de começar o jogo, traça-se ao meio uma linha no chão. O jogo consiste em cada equipa puxar a corda para o seu lado, ganhando aquela que conseguir arrastar a outra até o primeiro jogador ultrapassar a marca no chão. É também atribuída a derrota a uma equipa se os seus elementos caírem ou largarem a corda. Não é permitido enrolar a corda no corpo ou fazer buracos no solo para fincar os pés.

Jogo do anel Antes de tudo, escolhe-se quem vai ser o portador do anel. Ele põe o anel (ou outra coisa pequena) entre suas mãos, que estão encostadas uma na outra. Os outros jogadores ficam um ao lado do outro, com as palmas das mãos encostadas como as do portador do anel. O portador passa as suas mãos no meio das mãos de cada um dos jogadores, deixando cair o anel na mão de um deles sem que ninguém perceba. Quando tiver passado por todos os jogadores, o portador pergunta a um deles: "Quem ficou com o anel?". Se acertar, é o novo portador do anel. Se não, paga a prenda (castigo) que os jogadores mandarem. O portador repete a pergunta até alguém acertar. Quem acertar será o novo portador do anel.

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Jogo do lenço Regras: duas equipas atribuíam a cada elemento um número que permanecia em segredo. Definia-se um espaço e, ao centro deste, um elemento alheio às equipas segurava um lenço com o braço esticado. Quando este anunciava um número, o elemento referente de cada equipa corria para o lenço e tentava alcançá-lo primeiro que o adversário.

O Jogo do piolho Material: Uma bola ou um ringue, terreno dividido ao meio. Nº de participantes: Duas equipas Objectivos: Procurar "matar" (atingir directamente um jogador com a bola) os jogadores adversários e não se deixar "matar", esquivando-se ou apanhando a bola. Regras: Após o sorteio, começa uma equipa. Só pode "matar" aquele que tiver apanhado a bola sem que esta tenha tocado no chão. Quem for atingido vai para o "piolho". Desenvolvimento: Na parte de trás de cada equipa, há um "piolho" para onde vai um jogador da equipa adversária. Este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento, uns e outros podem "matar" um adversário. a) Quem for atingido vai para o "piolho" e o que lá estava no início vai para a equipa. b) Podem "matar" quer os jogadores em campo quer os do "piolho" (só podem "matar" se a bola não tiver tocado no chão). c) Sempre que um jogador é atingido, tem direito à bola. d) O jogador adversário que conseguir agarrar a bola, ao ser atingido, não é considerado "morto" e pode, por sua vez, "matar". e) Sempre que a bola saia dos limites do campo, esta pertence à equipa contrária.

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Jogo do galo Regras: O tabuleiro é uma matriz de três linhas por três colunas. Dois

jogadores

escolhem

uma

marcação

cada,

geralmente um círculo (O) e um xis (X). Os jogadores jogam alternadamente, uma marcação por vez, numa lacuna que esteja vazia. O objectivo é conseguir três círculos ou três xis em linha, quer horizontal, vertical ou diagonal (ver figura), e ao mesmo tempo, quando possível, impedir o adversário de ganhar na próxima jogada. Quando um jogador conquista o objectivo, costuma-se riscar os três símbolos.

O gato e o rato As crianças formam uma roda. Uma delas, o Rato, fica dentro da roda. Outra, o Gato fica fora da roda. O Gato pergunta: “O Ratinho está?" As crianças da roda respondem: "Não" O Gato pergunta: "A que horas ele chega?" As crianças respondem um horário à escolha. As crianças começam a rodar e o Gato vai perguntando: "Que horas são?" e as crianças respondem: "Uma hora" - "Que horas são?" - "Duas Horas" e assim até chegar ao horário que elas responderam anteriormente que o Rato chegaria. As crianças param de rodar e o Gato passa a perseguir o Rato. A brincadeira acaba quando o Gato pega o Rato e pode-se recomeçar com outras crianças como os personagens principais da brincadeira. 61


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Jogo do prego Delineava-se uma área, normalmente um grande círculo, em terreno relativamente mole. Depois, cada jogador, na sua vez, munido do seu prego (altos, de barrote) começava por conquistar um «território». Podia ir avançando lançando o prego e criando uma linha imaginária. A distância entre cada lançamento nunca podia ser superior ao tamanho do pé do jogador. Sempre que o prego não espetasse no terreno, o jogador perdia a sua vez e dava-a a um dos adversários. Ganhava quem conquistasse a totalidade do círculo previamente definido.

O Rei manda Jogam seis ou mais crianças, num espaço que tenha parede ou muro, embora estes possam ser substituídos por um risco desenhado no chão. O rei coloca-se de costas para a parede ou risco e as outras crianças colocam-se, lado a lado, à sua frente, a uma distância superior a dez metros. A função do rei é dar ordens que podem variar bastante. As outras crianças cumprem essas ordens, tentando aproximar-se o mais possível da parede ou risco onde está o rei. Quem conseguir chegar à parede ou ao risco em primeiro lugar, será o novo rei.

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Ao dar as suas ordens, o Rei deve começar por dizer, “O rei manda...:”. A título de exemplo pode dizer: “O rei manda...dar dois saltos a pés juntos para a frente, um salto de gigante para o lado esquerdo, marchar no sítio, saltitar a pé coxinho para o lado direito, dizer o nome em voz alta, rodopiar duas vezes”, etc. O professor tem de ter o cuidado de verificar se as ordens do rei não se tornam demasiado restritivas à aproximação das crianças ao seu posto.

Camaleão Este jogo necessita de um espaço relativamente plano, delimitado e onde exista uma parede ou muro. Jogam pelo menos

seis

crianças.

Coloca-se uma criança (camaleão) junto à parede, virada para ela e de olhos tapados

pelas

mãos.

As

restantes

crianças estão colocadas à vontade, a uma distância de cerca de dez metros. Ao sinal de início do jogo, as crianças perguntam em coro àquela que está junto da parede: “Camaleão, de que cor?” O camaleão responde dizendo uma cor, por exemplo, o azul. Mal diz a cor, neste exemplo, o azul, o camaleão vira-se e começa a correr atrás dos colegas, que fogem. Ao fugir, as crianças procuram um objecto da cor escolhida e tocam nele, a fim de se livrar. Neste caso, o camaleão não as pode caçar. Só pode caçar aquelas crianças que ainda não se livraram, ou seja, não tocaram na cor escolhida. Se o camaleão tocar em alguém antes de se livrar, este passa a ser o novo camaleão. Se o camaleão não conseguir caçar ninguém, continua nesta função. De referir que, quando as crianças fazem a pergunta: “Camaleão, de que cor?”, e 63


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este responde “cor de burro quando foge”, as crianças ficam quietas, não podendo fugir. Aquela que se mexer perde e passa a ser o novo camaleão.

1,2,3, macaquinho Chinês Jogam oito ou mais crianças, num espaço que tenha parede ou muro, embora estes possam ser substituídos por um risco desenhado no chão. Uma criança, o “macaquinho chinês, posiciona-se junto ao muro, virada para a parede, e de costas para as outras, que estão colocadas lado a lado, a cerca de dez metros ou mais. O macaquinho chinês bate com as mãos na parede dizendo: “Um, dois, três, macaquinho chinês”. Enquanto este diz a frase, os outros avançam na direcção da parede. Mal o macaquinho chinês termina a frase volta-se imediatamente para os outros, tentando ver alguém a mexer-se. Quem for visto a mexer-se volta para trás até à linha de partida. Assim, as crianças só podem avançar quando o macaquinho chinês diz a frase, pois ele pode fingir voltar-se para a parede e olhar para trás, a ver se apanha alguém a mexer-se. A primeira criança que chegar à parede será o próximo macaquinho chinês. Noutra variante, quando o macaquinho chinês se vira para as outras crianças e estas se encontram estáticas, faz cócegas a duas delas (escolhidas ao acaso), tentando que estas se mexam e obrigando-as, assim, a regressarem para a linha de partida.

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Jogo da mamã dá licença

Número de jogadores: vários Descrição: Desenha-se no chão uma circunferência bastante grande com uma mais pequena dentro, onde fica o "stop". - A cada jogador é atribuído um número. - Todos estão com um pé dentro do círculo pequeno. É atirada uma bola ao ar (verticalmente) pelo jogador que começa (e que está no centro do círculo), ao mesmo tempo que grita um número. Assim que a bola é atirada, todos os jogadores se afastam o mais que podem, sem saírem da circunferência grande. (Se não houver essa circunferência grande, define-se simplesmente o limite do terreno de jogo.) - O jogador a quem corresponde esse número não foge e tem que apanhar a bola. Rapidamente, dirige-se ao centro e grita: Stop! Nesse momento os outros jogadores têm que parar onde estão, nunca fora do limite do terreno de jogo. - O jogador que tem a bola tenta então acertar no adversário que estiver mais perto (ou no que quiser). Pode dar três passadas de gigante (se o terreno de jogo for grande). - Se lhe acertar elimina-o, e é o "eliminador" que lança a bola e chama outro número. - Se não lhe acertar, o jogo recomeça com esse jogador a atirar a bola ao ar e a chamar outro número, sempre com todos os participantes em jogo com o pé no círculo pequeno. - Ganha o jogador que ficar sozinho. Regras: Cada jogador tem um número.

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Os jogadores que estão parados depois de se gritar "stop" não podem mover os pés para se desviarem da bola. Apenas o corpo. Mamã dá licença? Jogam seis ou mais crianças, num espaço que tenha uma parede. As crianças dispõem-se sobre um risco, umas ao lado das outras. Uma, a mãe, fica colocada de frente para as outras crianças, a uma distância de dez ou mais metros. A mãe fica de costas para a parede. Uma criança de cada vez vai perguntando à mãe: “A mamã dá licença?” “Dou”. “Quantos passos me dá?” “Cinco à bebé.” ”Mas dá mesmo?” ”Sim.” Então a criança avança, dando cinco passos muito pequeninos, pois neste exemplo, dá passos “à bebé”. Em seguida, pergunta outra criança e assim sucessivamente. Ganha o primeiro a chegar ao pé da mãe, tomando o seu lugar e recomeçando o jogo. De referir que, após a ordem dada pela mãe, a outra criança deve confirmá-la antes de a executar (“Mas dá mesmo?”), sob pena de regressar ao ponto de início. As respostas da mãe (ordens), podem ser muito variadas: passos à gigante (grandes), à caranguejo (para trás), à cavalinho (saltitantes), à tesoura (abertura lateral dos membros inferiores), etc.

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Capitulo 8:

«Lendas»

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Lendas Introdução As lendas geralmente fornecem explicações plausíveis e até certo ponto aceitáveis para coisas que não têm explicações científicas comprovadas, como acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. São histórias contadas de geração em geração por gente da nossa terra. O nosso concelho está povoado de lendas que ora tentam explicar a origem dos nomes de algumas freguesias ora procuram retratar acontecimentos passados.

Lendas do Concelho de Cantanhede6

Lenda de Pocariça

Reza a história que no pinhal do Rei, numa tarde de Verão, estava uma velhinha mais a sua netinha. A sua netinha já sabia ler e escrever. A sua netinha, chamada Felíciana, estava contando à sua avozinha a história de origem do nome da sua terra. A velhinha, sentada no rochedo, de muletas, quase sem andar viu uma luz, que ainda creiam as pessoas da população que era a vinda do tempo dos milagres, largou as muletas e foi a correr a contar a toda a aldeia. Acharam-na maluca pois já era conhecida como uma bruxa! As pessoas a pensarem que ela era maluca, nunca mais lhe ligaram. A vizinha passou a não ligar nada à velhota, não lhe passou a dar comida e dizem que ficou tão sozinha com a neta que fugiu e até agora ninguém mais a viu. Actualmente, as pessoas imaginam que seja a Nossa Senhora disfarçada, a dizer que Jesus não quer que façamos mal!!! 6

Nota do autor: As lendas aqui transcritas aparecem , na sua generalidade, na sua forma original, tal como foram

pesquisadas.

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Lenda do Cabeço da Moira S. Caetano actual é fruto do labor das últimas gerações, especialmente dos primeiros decénios deste século. Área essencialmente agrícola e florestal, com terrenos arenosos e planos, será de estranhar a existência de um cabeço, designado, não se sabe desde quando, de "CABEÇO DA MOIRA". Esta anomalia geográfica, encontra-se enxertada na extensa área de pinhal, nas proximidades do Lugar do Pisão. Como diz o Arqueólogo Wilson Albuquerque "sendo Mira e Cantanhede predominantemente planos, também é de estranhar que o dito cabeço seja formado por singulares rochas, das quais existem muito poucas a alguns quilómetros em redor". Associado a este fenómeno geológico existe uma lenda, lenda esta que passaremos a citar, de acordo com o que ouvimos dos mais velhinhos: "A LENDA DO CABEÇO DA MOIRA" refere-se, de facto, a um cabeço existente na Coutada do Pisão. Trata-se de um grande monte no meio de pinhais e é constituído por grandes pedras, pedras estas que ninguém, nem mesmo os mais antigos, conseguem explicar sem fazerem referência à lenda. A lenda diz que: " O Cabeço era o abrigo dos Moiros, povo que vivia debaixo do chão e que construiu a Igreja Matriz de Cantanhede de noite e sem nunca ser visto. "A lenda diz ainda, que era normal ver-se nesta zona do cabeço, estendais de roupa muito branca que despertava a curiosidade de todos os que por ali passavam. Certo dia, uma mulher atrevida que por ali passava resolveu pegar numa toalha muito bonita e, claro, muito branca para a levar consigo. No entanto, quando se preparava para ir embora, começa a ouvir uma voz que dizia: «larga a toalha, larga a toalha!», voz essa que a ia perseguindo à medida que ela ia fugindo. A mulher ficou tão assustada com a voz que resolveu largar a toalha, fazendo assim, com que a voz que a perseguia se calasse. Este episódio teria servido de exemplo a todos os que ali passavam e admiravam os estendais de roupa. "Diz-se também que os Moiros deixaram três arcas no interior do cabeço, ou nos supostos escombros das suas casas. As arcas possuem cada uma: água, fogo e ouro e 69


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será nestas arcas que se encontra o futuro do mundo, o qual depende, de qual for a primeira arca a ser aberta. Assim, se a primeira a ser aberta, for a da água, o mundo será inundado com água, se for a do fogo, o mundo acabará a arder, mas se for a do ouro, o mundo inteiro ficará rico e viverá em grande abundância. "Os mais antigos, dizem que o cabeço tem vindo a diminuir de tamanho e que tinha inicialmente, na sua parte mais alta, uma fonte de água muito pura, que vertia quer de Verão quer de Inverno. Essa fonte está neste momento seca". Esta é a Lenda que tem passado de geração em geração e ninguém sabe quando começou...

Lenda da Nossa Srª de Vagos A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição. Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso. Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal. Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia. Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze. O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem. Entre eles consta a 70


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cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário. Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515. É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva. Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita. Penso que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho. Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava há mais de quatro anos. A miséria e a fome alastraram de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. Toda a gente tomou esse rumo. Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu. Em face de tão grande milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ... Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor. Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos. Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remonta ao século dezassete, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde. Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

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Lenda da fundação de Ançã No séc. VII num dia de Verão, de Sol escaldante, oito monges enviados pelo Patriarcado do Ocidente, S. Bento, chegaram a Ançã. Os monges fatigados da marcha, acamparam à sombra de uma árvore, numa colina. Após uma simples refeição, agradeceram a Deus tão luminoso dia e tão saborosa refeição. Olharam em redor, admiraram a pequena ribeira a seus pés, a fresca vegetação, o monte alto, e ao sul a delicada mancha azulada da Serra da Lousã. Foi então que por cima deles passou, vindos não se sabe de onde, um bando de corvos rebrilhando de negridão, voando em linha recta para norte e em certo ponto mergulharam por uma abertura na floresta. Os monges não tiveram dúvidas, o Senhor mostrava-lhes o local exacto da nascente e as terras excelentes para o estabelecimento de um povoado. Os monges abateram árvores, ergueram cabanas, cultivaram terras e em breve surgiu um povoado Ançã, cujo nome em italiano quer dizer abundância de água.

Lenda da Construção da Capela de S. Bento Consta que um dia uma mulher ao deslocar-se à zona onde hoje existe a Capela, para trazer um pouco de "caeira", (calcário um pouco arenoso com que se regularizava o chão das casas térreas) teve a visão de uma imagem de S. Bento que lhe apareceu quando se preparava para abandonar o local. Atónita, correu para a Vila contando o conhecido. Organizou-se então uma procissão, tendo sido

colocada

na

Igreja

Matriz

uma

imagem

do

Santo.

No dia seguinte, apavorados, os fiéis verificaram que a imagem do Santo tinha desaparecido. Procurada por toda a parte, foi encontrada na furna onde primeiramente tinha aparecido. Organizou-se então uma outra procissão para trazer de volta a imagem para a Igreja Matriz que, de noite, regressou inexplicavelmente ao mesmo local. Foi então que concluíram que o Santo queria mesmo ficar naquela colina, tendo sido erguida então a Capela que ainda hoje tem o seu nome.

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Lenda de S. Bento Milagreiro S. Bento é o Santo que, em Ançã, mais devotos tem ainda hoje. Quando se pretende alguma graça, pede-se a S. Bento e, desde que o pedido seja feito com devoção, a graça é concedida. É comum, ainda hoje, rezarem-se novenas a S. Bento a pedir algo que só mesmo a intervenção Divina pode conceder. Desde a cura para alguns males até ao arranjar de um noivo, sem esquecer a eliminação dos "cravos" ou verrugas, tudo se pode pedir a S. Bento. Para isso os interessados deverão dirigir-se à Capela de S. Bento e, depois de rezarem ao Santo e lhe pedirem a graça, dar três voltas à Capela sem rirem nem falar. Passado algum tempo a graça é concedida. Mas se tal não se verificar, terá de prender o Santo. Para isso, prende-se a ponta de uma linha ou cordel a uma das colunas da Capela, em volta da qual se dão três voltas com a linha, atando-a à primeira ponta e repetindo-se de seguida o pedido. O Santo ficará preso até que alguém o solte, sendo quase certo que a graça é concedida.

S. Bento Livra Ançã da Peste No século XVI, uma grande epidemia devastou muitos animais em toda a região centro. O povo de Ançã muito devoto a S. Bento, pediu a sua intercessão para

poupar

os

seus

animais

da

peste!

São Bento escutou o seu povo devoto e os animais foram poupados os ançanenses, reconhecidos, ergueram então a Capela de que é orago, conforme se pode ler na lápide existente sobre a porta principal: "ESTA S(NA)TA CASA SE FEZ DE ESMOLAS NO ANNO DE 1599 NO QUAL AVENDO A PESTE GERAL EM TODO ESTE REINO HE DURADO NELE POR MVITO TEMPO NESTA VILLA POR INTENSÃO DO GLORIOSO/S.BENTO NÃO DVROU MAIS Q(UE) VINTE DIAS ");

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Lenda da Relíquia Pão e Queijo Esta Lenda parece ter tido origem em tempos muito remotos, aquando da festa do aniversário do S. Bento. Então os Senhores Padres, porque as 73


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cerimónias se prolongavam até muito tarde, levavam uma pequena merenda constituída por pão e queijo que repartiam pelas crianças que, esfomeadas, assistiam às cerimónias. Terá sido este facto que deu a que, depois das cerimónias, se distribuísse a todos os presentes e não só às crianças, o pão e o queijo. Esta dádiva tomou então o valor de relíquia e, como tal é guardada por muitos fiéis com a particularidade de se conservar durante muitos anos sem que apanhe bolor. Ainda nos nossos dias os "Irmãos de S. Bento" depois de pagarem a sua quota e promessas, se as tiverem, levam para casa as famosas relíquias do Pão e do Queijo.

Lenda do Marquês de Cascais O Marquês de Cascais foi desterrado para Ançã por D. Pedro II e aqui viveu os últimos anos da sua vida. Conta a Lenda que, sentido ele muitas saudades de Lisboa e, simultaneamente, procurando saber dos seus negócios na capital, um dia resolveu deslocar-se, a Lisboa na sua carruagem, desrespeitando as ordens do Rei. Para tal mandou cobrir o chão da carruagem com pedra de Ançã e levou ainda mais alguma para a capital tendo logo à chegada, mandado espalhá-la pelas diversas salas do seu palácio. D. Pedro ao ter conhecimento que o Marquês abandonara o local do seu desterro, interrogou-o ao que o Marquês respondeu: " Desde o meu desterro não deixei de calcar e pôr o pé na terra do degredo.”

Lenda da Origem do nome Arrancada Diz a Lenda, que da mamoa existente neste local fez D. Afonso Henriques, uma arrancada de tropas, gado e viveres, para as conquistas de Lisboa e Santarém. 74


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A Lenda da Fervença Conta-se que há muitos, muitos anos, deslocando-se um garboso cavaleiro cristão de suas terras, no norte, para uma caçada nas vizinhas matas de Caraboi, se encontrou, por mero acaso, com uma linda e encantadora "moirinha", de seu nome Fervença, que nas orlas da referida mata se recreava, juntamente com suas aias.

Era Fervença filha única de um poderoso e rico mercador que há muito a havia prometido

a

um

velho

"Vizir"

da

região

de

Montemor.

O velho ódio entre as duas religiões poderia ser grande, desmesurado, até, porém, o primeiro olhar cruzado entre dois jovens tudo pode vencer! E venceu... melhor, fez esquecer todos os obstáculos que a outros poderiam parecer intransponíveis.

As caçadas passaram a ser mais frequentes assim como os desenfados da bela moura, e aos primeiros beijos trocados a medo outros mais afoitos se seguiram. Prevenido, porém, o velho mercador resolveu armar uma cilada ao valente cavaleiro e, certo dia, dirigindo-se Fervença a mais um dos seus secretos encontros amorosos, deparou com o horrendo espectáculo de ver seu amado por terra, agonizando. Passados

breves

instantes,

morria-lhe

nos

braços.

Não haja dúvida: a cilada havia sido muito bem urdida. No mesmo instante, dos lindos olhos verdes de Fervença brotaram grossas lágrimas. Tantas, tantas que, caindo por terra, nem esta as conseguia sumir, formando, antes, um regato, o qual para norte foi seguindo

as

pisadas

do

cavalo

de

seu

amado.

Passado tempo, fruto desses amores clandestinos, viria a nascer uma rechonchuda criancinha

a

quem

a

mãe

pôs

o

nome

de

Emir.

Cresceu Emir entre as lágrimas e os desvelos de sua mãe e, se desta herdou a formosura, ficou-lhe do pai a valentia, personificando, das duas religiões, o sentido do amor e da justiça. Emir tornou-se, a curto prazo, o paladino defensor dos fracos e oprimidos, o que provoca, muitas vezes, o ódio e inveja dos poderosos e sem escrúpulos

que

vagueiam

pelo

mundo.

Vendo-se vencido e perseguido, Emir procurou então refúgio nas terras de seu 75


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pai, seguindo, para isso, o regato formado pelas, cada vez mais abundantes, lágrimas da senhora sua mãe. Chegado ao ponto onde o ribeiro se confundia com o mar, Emir mandou construir um grande reservatório a que deu o nome de lagoa, para ali recolher todas as lágrimas que brotavam dos infelizes olhos da sua progenitora. Tempo e dinheiro desperdiçados, pois depressa se deu conta de que lhe era impossível reter as lágrimas, tantas elas eram. Mandou então Emir que, ao longo dessa ribeira, fossem construídos moinhos, para que os vindouros, ao comerem o pão de cada dia, pudessem sempre recordar os infelizes e destroçados amores de um valente cavaleiro cristão com uma linda moirinha que,

em

boa

verdade,

mereciam

um

destino

mais

venturoso.

Emir fundou uma bonita povoação, à qual deu o seu nome; E Fervença?! Oh! Fervença continua inconsolável... Fonte: Joaquim Gonçalo -Edição do Jornal "Voz de Mira" -Gandarena

Lenda da origem do nome de Cantanhede - Criança Existe uma lenda que diz que Cantanhede tinha uma floresta e que para ela vinham de

Coimbra

muitos

caçadores,

dentro

dos

quais

D.Pedro

I.

Um dia um caçador muito rico e bem vestido encontrou uma mulher amamentando um bebé, e perguntou-lhe o nome desta terra. Então ela, ficou logo muito atrapalhada porque pensava que era o Rei e não sabia o que responder. A dado momento disse para Nhede o seu outro filho que ali estava: “Canta Nhede!”, logo o caçador disse que não era preciso dizer mais nada, foi ter com os seus companheiros para lhes dizer que o lugar onde caçavam se chamava Cantanhede.

Lenda da origem do nome de Cantanhede- Ceguinho Há ainda outra lenda para a origem do nome Cantanhede, que nos diz que havia aqui um cego chamado Nhede. Este ganhava o seu sustento cantando e as pessoas 76


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que passavam por ele davam-lhe um esmola como é habitual. Um dia o cego ficou triste e deixou de cantar, então as pessoas que por ele passavam diziam: “Canta Nhede!”. Em redor do cego só se ouvia pronunciar: “Canta Nhede!”. E assim se passou a chamar Cantanhede ao aglomerado populacional onde o cego cantava .

Lenda do túnel Dizia-se que: entre a Fonte de D. Pedro em Cantanhede e o Castelo de Montemor-o-Velho havia um túnel secreto. Este servia para, quando os sitiados estavam cercados, poderem vir a Cantanhede buscar mantimentos ou fugir se necessário.

Lenda do Anel "Morrendo a rainha D. Elvira, casou o rei D. Ordonho com uma mulher nova. Este tinha do primeiro casamento os infantes: D. Sancho, D. Afonso, D. Ramiro, D. Garcia e D. Ximena. A madrasta não se dava bem com D. Ximena e esta desgostosa deu entrada a um sentimento de amor com que a solicitava certo senhor principal do reino. A infanta que em vida da mãe ocupada com esperanças favorecidas não dera entrada a pretensões amorosas, deixou-se agora levar delas e com tão pouco resguardo que, esquecida de si mesma, assentou com o cavalheiro que a pretendia. Uma noite, quando rei se encontrava ocupado nas conquistas ordinárias, a infanta partiu com as peças de ouro e prata mais valiosas que pôde levar e tomando-a o seu amante no cavalo se alongaram da cidade por brenhas e lugares escusos

onde

não

pudessem

supor

que

existisse

gente

humana.

Mas como a correspondência do amor não era igual entre os dois, o fidalgo dizendo que ia buscar mantimentos a um povoado, foi para nunca mais voltar. Os dias de espera desenganaram Ximena da perfídia do seu falso amante. Partiu dali pela parte donde vira ir o perfídio que ali a deixara e foi ter a um pequeno casal chamado Meneses, onde vivia um trabalhador pobre e honrado chamado Tello. A mulher do camponês compadeceu-se com a Infanta e recebeu-a dando-lhe o melhor 77


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agasalho. Ximena mudando os seus trajos começou-os a servir com alegria e paciente. Morrendo a mulher de Tello, ele quis aceitar a Infanta por mulher legítima. Entretanto na côrte D. Ordonho desgostoso repudiou a segunda mulher, a quem atribuía culpas pela fuga da filha. E indo um dia caçar tomou-o a noite junto do casal Meneses; agasalhou-se nele com os poucos que levava. Nesse tempo a Infanta tinha dois filhos de Tello nascidos ambos de um ventre. E conhecendo o pai cortou os vestidos com que ali chegara e fez uns pelotes, para os meninos, metade ricos, metade pobres. Fazendo umas melassadas, que sabia o rei gostar, lançou dentro um anel de rubi, que o pai lhe dera, E mandou-as pelos meninos. O rei intrigado informou-se junto de Tello. este contou-lhe com até ali viera ter sua mulher. Porém tudo se esclareceu, quando ela coberta de lágrimas se prostou aos pés do pai. D. Ordonho tomando conselho com os seus, perdoou à filha e encheu Tello de grandezas. E seus netos vieram a ser grandes senhores do reino e os seus descendentes aparentaram muitas vezes, andando os tempos com a Casa Real. Chamaram-se com o sobrenome de Meneses conforme ao do seu solar, Trazendo por armas um escudo de ouro: é memória do pano brocado, com que os meninos apareceram a primeira vez diante del Rei D. Ordonho, seu avô. E para não se perder a lembrança de Tello, tronco e origem de tão nobre fidalguia se conserva entre os fidalgos desta geração o patronímico Tello, e Tello de Meneses".

Lenda da Origem do Nome de Cordinhã Diz-se que antigamente corria um pequeno rio na localidade. Como a água não era muita, a população dizia que ali corria uma "cordinha de água", advindo daqui o nome da freguesia.

Lenda da Maria Feitoa A Lenda da Maria Feitoa, diz-nos que esta, era metade mulher, metade cavalo, assim, ia num instante a Coimbra enquanto deixava os feijões ao lume . 78


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Lenda da Pedra Moira " ... servia de sepultura a um mouro - daí o nome de "Pedra moira" e se alguém lá chegasse, a meio da noite, uma broa quente, o mouro apareceria à pessoa que lá tivesse levado a oferta " . A existência na dita pedra de um buraco com cerca de 3cm de profundidade é conotada aqui com um buraco feito para talvez lá colocar uma bandeira em memória de algum guerreiro..."

Lenda da origem do nome de Murtede Reza a lenda que a povoação ter-se-á chamado Vila Verde, devido ao seu aspecto verdejante e alegre, até que uma epidemia terá dizimado os habitantes. Dessa mortandade surgiria, ainda segundo a tradição popular, o nome de "Mortede" (S. Martinho de Mortede).Outra versão indica que na época da sua doação, por D. Raimundo, ao Mosteiro da Vacariça (1094), tal nome poderia ter a ver com "mortorio", que quereria significar "vinha morta".

Pedro & Inês de Castro Inês de Castro chegou a Portugal em 1340, integrada como aia no séquito de Constança Manuel, filha de João Manuel de Castela, um poderoso nobre descendente da Casa real Castelhana, que iria casar com o príncipe Pedro, herdeiro do trono Português. O príncipe apaixonou-se por Inês pouco tempo depois, negligenciando a mulher legítima, Constança, e pondo em perigo as débeis relações com Castela. Tentando separar Pedro e Inês, Constança convida Inês como madrinha do seu primeiro filho varão, o Infante Luís (1343), já que de acordo com os preceitos da Igreja Católica de então, uma relação entre um dos 79


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padrinhos e um dos pais do baptizando era quase incestuosa. A criança não durou um ano, o que fez aumentar as desconfianças em relação a Inês de Castro. Sendo o romance adúltero vivido às claras, o rei Afonso IV (que havia promulgado leis contra este tipo de situações) manda exilar Inês no castelo de Albuquerque, na fronteira espanhola, em 1344. No entanto, a distância não apagou o amor entre os dois apaixonados e, segundo a lenda, continuavam a corresponder-se com frequência. Em Outubro do ano seguinte, Constança morre ao dar à luz o futuro Fernando I de Portugal, deixando Pedro viúvo e um homem livre. Inês volta do exílio e os dois foram viver juntos para longe da corte, tendo tido quatro filhos: Afonso (morto em criança), João, Dinis e Beatriz. Afonso IV tentou por diversas vezes organizar um terceiro casamento para o seu filho, com princesa de sangue real, mas Pedro recusa tomar outra mulher que não Inês. O velho Rei receava a influência da família de Inês, os poderosos Castro, no seu filho e herdeiro; além disso, o único filho varão de Pedro e Constança Manuel, Fernando, era uma criança frágil, e crescia a insegurança em relação à sua vida para que um dos saudáveis filhos de Inês de Castro pudesse ocupar o trono. A nobreza portuguesa também começava a inquietar-se com a crescente influência castelhana sobre o futuro rei. O rei Afonso IV decidiu então que a melhor solução seria eliminar Inês. Depois de alguns anos no Norte, Pedro e Inês haviam regressado a Coimbra e se instalado no Paço de Santa Clara. A 7 de Janeiro de 1355, o rei cede às pressões dos seus conselheiros, e aproveitando a ausência de Pedro numa excursão de caça, envia Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para executar Inês. Os três dirigiram-se ao Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, onde Inês se encontrava e degolaram-na. Tal facto, segundo a lenda, terá originado a cor avermelhada das águas que correm nesse local da Quinta das Lágrimas. A morte de Inês fez com que Pedro se revoltasse contra Afonso IV, que responsabilizou pela morte e provocou uma sangrenta guerra civil (nunca foi). A Rainha Beatriz interveio e após meses de luta, a paz foi selada em Agosto de 1355.Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360 faz a famosa declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se havia casado secretamente com Inês, em 1354 "...em dia que não se lembrava...". A palavra do rei, e de seu capelão foram a única prova deste casamento. Pedro perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o Rei mandou arrancar a um o coração pelo peito e ao outro pelas costas, e assistiu à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para França, e foi mais tarde perdoado pelo Rei no seu leito de morte. Pedro mandou construir dois esplêndidos túmulos no mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para onde trasladou os restos de sua amada Inês. Pedro juntou-se a Inês em 1367, e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenta "possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final".Inês de Castro tornou-se 80


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conhecida ao ter a sua história lembrada por Camões no Canto III d' Os Lusíadas, onde faz referência à «...mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha...». Foi amante e declarada postumamente esposa legítima de Pedro I de Portugal. A sua desventurada vida e controvertido casamento ainda fazem com que historiadores se debrucem sobre o caso, procurando indícios se houve ou não um casamento.

Lenda dos poceiros de vindima Os habitantes do Zambujal, vendo a Lua e confundindo esta com uma broa, pensaram logo em a agarrar. Assim começaram a colocar poceiros 7de vindima uns em cima dos outros e quando estavam quase a conseguir os seus propósitos, apenas lhe faltava

um

poceiro,

tiraram

um

de

baixo

para

pôr

em

cima….

Lenda do Poço Dois habitantes desta localidade, ao olharem para dentro de um poço numa noite de luar e viram a lua reflectida no espelho da água. Então confundiram essa imagem com uma broa, pelo que um deles se atirou à água a fim de trazer a desejada broa. Passado algum tempo, como o indivíduo que tinha ido recuperar a boroa tardava em regressar, o seu companheiro espreitou para o poço já não vendo a imagem da lua pensou para consigo que o amigo teria comido sozinho toda a boroa, mas a água ao estagnar permitiu de novo a reflexão da lua pelo que este também se atirou ao poço...

A lenda da Sra. das Neves Segundo uma lenda, certo patrício romano chamado João, de comum acordo com a sua esposa, resolveu dedicar os seus bens a honrar a Mãe de 7

recipientes feitos em verga, pelos chamados cesteiros - devido à proliferação do plástico, a arte da cestaria está hoje

reduzida à expressão de artesanato.

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Deus, mas não sabia ao certo como fazê-lo. No meio da sua perplexidade, teve um sonho - como também o teve o Papa - pelo qual soube que a Virgem desejava que se construísse um templo em sua honra no monte Esquilino. Santa Maria Maior é também invocada como Nossa Senhora das Neves, devido a uma antiga lenda segundo a qual este casal romano, que pedia à Virgem luzes para saber como empregar a sua fortuna, recebeu em sonhos a mensagem de que Santa Maria desejava que lhe fosse erigido um templo precisamente num lugar do monte Esquilino, que aparecesse coberto de neve. Isto aconteceu na noite de 4 para 5 de Agosto, em pleno Verão. No dia seguinte aconteceu um facto insólito, quando o terreno onde hoje se ergue a Basílica amanheceu inteiramente nevado. Embora a lenda seja posterior à edificação da Basílica, deu lugar a que a festa de hoje seja conhecida em muitos lugares como de Nossa Senhora das Neves e a que os alpinistas a tenham por Padroeira. João Paulo 11 também visitou Nossa Senhora nesse templo romano, pouco depois de ter sido nomeado Papa.

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Capitulo 9:

«Pessoas ilustres»

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Pessoas ilustres Introdução Muitas foram as pessoas que por estas terras passaram e deixaram as suas pegadas e marcas. Fica o registo de apenas de algumas figuras que mais directamente influenciaram o nosso concelho. D. Luís de Menezes

Aos treze dias de Dezembro de 1603 nasceu na vila de Cantanhede um indivíduo do sexo masculino, que recebeu o nome de António Luís. Era filho de D. Pedro de Meneses, 2.º Conde de Cantanhede, e de sua mulher, D. Constança da Câmara (ou de Gusmão). Foram padrinhos de baptismo seu tio, D. João Coutinho (arcebispo de Évora) e sua avó materna, D. Inês de Ávila. António Luís descendia por sua mãe dos condes de Marialva. Tomou parte na Revolução de 1640, foi nomeado mestre-de-campo do terço de Cascais, novamente criado, e passou a comandar um terço do Alentejo. Foi governador de Cascais e seu distrito até que, quando a rainha regente quis formar um exército para socorrer Elvas, foi nomeado comandante dele, sem dúvida pela sua importância social. Ganhou a Batalha das Linhas de Elvas, fazendo desaparecer o iminente risco em que, Portugal se encontrava. Elevado ao título de Marquês de Marialva (era já 3.º Conde de Cantanhede desde a morte de seu pai), foi governador das armas do Alentejo, dirigindo a pouco feliz campanha de 1662. Passou depois a governador das armas da Corte, indo colaborar na reconquista de Évora (1663). No ano seguinte, dirigiu os mais numerosos exércitos que sustentámos nessa guerra, tomando Valência de Alcântara. Como capitão e general do Alentejo obteve, em 1665, a importante vitória de Montes Claros. 84


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Quando se tratou da paz, foi um dos seus negociadores, depois do que exerceu os cargos de conselheiro de Estado e da Guerra, capitão e general e vedor da Fazenda. Nas desavenças políticas entre o partido de Castel Melhor e os seus adversários o Marquês de Marialva parece ter tomado primeiro, uma posição favorável ao escrivão da Puridade, mas, em 1667, seguiu partido claramente contra ele. A 19 de Maio de 1675 faleceu D. António Luís de Meneses. Morreu pobre e muito endividado, pois todos os seus rendimentos foram postos ao serviço da Pátria: gostava de recompensar devidamente os seus soldados, por eles repartindo não só dinheiro como víveres, oriundos de seus haveres pessoais. Aberto o seu testamento, nele declarava que o seu corpo fosse sepultado no seu Convento de Cantanhede, da parte de fora da igreja, num carneiro com campa rasa, sem pompa alguma. Como o Convento não estava pronto, ordenava que fosse sepultado na Capela dos Meneses, existente na Igreja Matriz. Tais determinações foram fielmente cumpridas, sendo o corpo do 3.º Conde de Cantanhede depositado numa larga campa que existe ao meio da Capela dos Meneses (Capela do Santíssimo Sacramento). Trinta e oito anos mais tarde, o seu descendente, D. Diogo José Vito de Meneses Noronha Coutinho, 7.º Conde de Cantanhede e 5.º Marquês de Marialva, providenciaram a trasladação dos restos mortais de D. António Luís, que ficaram depositados no átrio da Igreja do Convento de Santo António (hoje conhecida por Igreja da Misericórdia), em campa rasa, com a seguinte inscrição:

"Aqui jaz, e está sepultado o Corpo do Marquês de Marialva D. ANTÓNIO DE MENESES que faleceu aos 19 de Maio de 1675 Pede à piedade cristã hum Padre-nosso e uma Ave-maria pela sua alma".

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Pedro Teixeira

Pedro Teixeira, de ascendência nobre, nasceu provavelmente em 1585, em Cantanhede, cabeça de concelho do distrito de Coimbra. Nada se sabe sobre a sua vida em Portugal, mas sabe-se que casou com Ana da Cunha, de origem açoriana e que foi para o Brasil em 1607. Começa o seu nome a tomar vulto, aquando da luta com os franceses fixados em S. Luís de Maranhão. Em 19 de Novembro de 1614 defende com sucesso o forte da Natividade, em Guaxinguba. Em 25 de Dezembro de 1615 parte de S. Luís, em direcção ao Pará, para explorar, conquistar e colonizar, esta região, aqui chegando a 12 de Janeiro de 1616, data que assinala a fundação de Nossa Senhora de Belém. A 7 de Março do mesmo ano parte novamente por terra para S. Luís a dar notícia da fundação da cidade. Aqui chega passados dois meses, onde é recebido com assombro e alegria. Tinha sido a primeira vez que se fazia por terra a viagem entre a foz do Amazonas e S. Luís. A viagem tinha sido extremamente dura. A floresta virgem, a profusão de rios a atravessar, os tupinambás em arremetidas constantes tinham feito grandes estragos entre a expedição, mas Pedro Teixeira tinha cumprido com sucesso a sua missão. Regressa novamente a Belém. A 7 de Agosto é nomeado comandante -já com a patente de tenente -de uma expedição para punir um navio holandês, que se encontrava no Amazonas. A 9 de Agosto ataca-o e ao abordá-lo, após renhida luta, acaba por vencer. Embora ferido, manda incendiar o barco holandês, retira-lhe a artilharia, que traz para o forte de Presépio. Segundo Berredo só se salvou um rapaz holandês de nome Trombeta, que foi trazido para Belém como troféu. Por este feito é promovido ao posto de capitão. Entretanto passa a Colónia, por grandes perturbações. Sucedem-se os crimes, levantamentos e deposições. O assassinato do capitão Álvaro Neto e a deposição de Francisco Caldeira Castelo Branco traz a anarquia à cidade de Belém. Aproveitam os tupinambás para atacarem em força a cidade, colocando os 86


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sitiados em posição difícil. Só uma bala certeira do capitão Gaspar Fragoso no chefe indígena «Cabelo de Velha», consegue criar o desânimo nos hostis indígenas. Os tupinambás são então completamente desbaratados. A 20 de Setembro do mesmo ano, novo levantamento militar. O capitão-mor Matias de Albuquerque é deposto, sendo eleita uma Junta Governativa, constituída por Frei António Marciano, capitão Custódio Valente e o capitão Pedro Teixeira. Com a retirada dos dois primeiros em 1620, fica unicamente Pedro Teixeira no desempenho do cargo até 18 de Junho de 1621. É então criado o Estado do Maranhão, sendo nomeado seu governador Bento Maciel Parente. Em 1626 faz uma expedição de exploração pelo Baixo Amazonas. Sobe o rio Preto onde faz uma exploração meticulosa das suas margens e cria boas relações com os " Nativos”. Em Setembro de 1629 é incumbido de expulsar os ingleses sedeados no forte «Torrêgo», nas margens de Tareiú, subafluente do Amazonas. A 24 de Outubro, após renhida luta, o forte cai em seu poder, tendo morrido em combate o seu comandante. Poucos dias depois chega ao Amazonas o capitão inglês Robert North, que, ao tomar conhecimento do acontecido no forte «Torrêgo», procura vingar a derrota dos seus compatriotas. Com dois navios ataca o forte de Santo António, em Gurupá, onde se encontrava Pedro Teixeira. Trava-se renhido tiroteio e como não conseguiu vencer as baterias portuguesas, resolve assaltá-lo. Pedro Teixeira e a sua guarnição defendem-se galhardamente e os ingleses completamente derrotados, retiram-se para a margem esquerda do Amazonas, onde irão construir um forte. Em 1631, unia expedição comandada por Jácome Raimundo de Noronha, destrói este forte e os ingleses que o guarneciam são trazidos prisioneiros para Belém. Foi esta a última tentativa dos ingleses para se manterem no Amazonas. Estava finalmente conquistado o Baixo Amazonas! Novas aventuras se seguiriam!

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António Fragoso Compositor e pianista, filho do Dr. Viriato de Sá Fragoso e de D. Maria Isabel de Sá Lima Fragoso, António Fragoso nasceu a 17 de Junho de 1897 na Pocariça, aldeia que dista 2 quilómetros de Cantanhede. Vocação musical bem evidente, começou logo com as primeiras letras a aprender rudimentos de música e piano com o seu tio, o Dr. António dos Santos Tovin, médico em Cantanhede, também com cultura musical. Feito o exame de instrução primária, com o fim de se entregar aos estudos do liceu, seguiu para o Porto onde foi amparado por seu tio e padrinho o Dr. José d´Oliveira Lima, lente da Faculdade de Medicina, aí avançou nos estudos liceais e musicais, principalmente piano com o professor Ernesto Maia, médico em Cantanhede. Mais tarde foi para Lisboa para a companhia de seu tio o Sr. Pedro Sá de Lima,

inscreveu-se

no

Conservatório

onde

teve

aulas

de

harmonia,

acompanhamento e leitura de partituras e foi sob o ensino de Marcos Garin aluno da classe de piano, que concluiu o exame final com classificação máxima em 3 de Julho de 1918. Em 13 de Outubro morre na sua casa da Pocariça, vítima de gripe Pneumónica,

com

apenas

21

88

anos

de

idade.


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Augusto de Abelaira

ABELAIRA,

Augusto

(18/3/1926,

Ançã,

Cantanhede). Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas. Foi professor e jornalista, director de programas na RTP e director das revistas Seara Nova e Vida Mundial. Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências pelo romance As Boas Intenções (1963) e Prémio Cidade de Lisboa pelo romance Sem Tecto entre Ruínas (1979). Revela-se em 1959 com o romance A Cidade das Flores, no qual, a nível de elaboração alegórica da linguagem romanesca, traça, entre Florença e Lisboa, com extrema ironia, o perfil de uma geração de jovens portugueses politicamente diletante e já céptica no imediato pós-guerra. Essa estrutura romanesca alegórica, frequentemente baseada num diálogo ágil, desenvolve-se a partir da própria consciência dramática da história (sentido do efémero no amor como na história) e, por outro lado, da ambiguidade da escrita, sempre «verdadeira» sendo sempre «falsa». É o que acontece nos romances seguintes, sobretudo desde As Boas Intenções, retomando a história portuguesa da revolução republicana, e mais propriamente a da pequena burguesia citadina. Nesse romance paradigmático, desde a actriz-intelectual (Maria Brenda) ao jornalista-revolucionário (Vasco) e ao poeta-aristocrata (Bernardo), todas as personagens são envolvidas por uma retórica que as conduz inevitavelmente à maior frustração, quer individual quer colectiva, frustração que se repercute nas gerações seguintes, durante a ditadura de Salazar. Em Enseada Amena (1966), as personagens confundem-se com a própria mitologia da fundação da cidade de Lisboa, perdendo-se a palavra num caprichoso 89


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movimento cénico, diluindo-se a ideia e o sentimento numa história constantemente feita e logo desfeita. Nos romances posteriores, em que predomina ainda a mitologia de Lisboa, situando-se a acção antes e depois do 25 de Abril de 1974, exprime-se sobretudo a frustração duma geração que a cada passo se interroga e autocrítica, num quotidiano fragmentário. A linguagem irónica de Abelaira monta e desmonta, principalmente através do diálogo, as «probabilidades do acontecer» a que se reduz o ser, atitude sugerida pelo próprio título de uma obra publicado mais recentemente, Deste Modo ou Daquele (1990), um romance que joga em diferentes planos da narrativa, entre o diário e a ficção. Nesse montar e desmontar, implicando a oscilação entre o ético e o estético, está o sentido do arbitrário e do inacabado que é para Abelaira toda a criação romanesca, numa infindavelmente renovada interrogação, conceito que exprime bem em algumas reflexões sobre a sua própria obra, como, por exemplo, no prefácio, datado

de

1967,

à

reedição

de

Os

Desertores:

«Como o escultor de Aristóteles, inicias o teu trabalho atacando um bloco de mármore, à procura da estátua que está lá dentro. E essa estátua é (pois que havia de ser?) não tanto uma história vivida por meia dúzia de personagens, como um sentido: qual o valor, se o tem, da vida humana)? Mas a estátua que à partida, e através da prática da escrita, julgavas ir encontrar, encontraste-a alguma vez quando

terminaste

os

teus

romances?»

(4.ª

ed.,

1978,pp.11-12).

Algumas obras publicadas: Ficção: A Cidade das Flores, romance, Lisboa, 1959; Os Desertores, romance, Lisboa, 1960; As Boas Intenções, romance, Lisboa, 1963; Enseada Amena, romance, Lisboa, 1966; Bolor, romance, Lisboa, 1968; Quatro Paredes Nuas, contos, Lisboa, 1972; Sem Tecto entre Ruínas, romance, Lisboa, 1979; O 90


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Triunfo da Morte, romance, Lisboa, 1981; O Bosque Harmonioso, romance, Lisboa, 1982, O Único Animal Que... romance, Lisboa, 1985; Deste Modo ou Daquele, romance, Lisboa, 1990; Outrora Agora, romance, Lisboa, 1996.

Carlos de Oliveira

Carlos Alberto Serras de Oliveira nasceu no Brasil, em Belém do Pará, corria o ano de 1921. Aí se encontravam seus pais, portugueses cumprindo o fado (curto) da emigração. Longe da tranquilidade que só uma adaptação conseguida transporta, regressam a Portugal em 1923, fixandose primeiro na Camarneira, onde vivia um seu avô, e quatro anos mais tarde em Febres para onde o pai, o saudoso Dr. Américo de Oliveira, virá exercer medicina depois de ter sido designado médico municipal. Aqui, Carlos frequenta a Escola Primária, onde foi discípulo da Professora Maria dos Prazeres Barbosa Baptista. É pois aqui, em plena Gândara, que o "Carlitos", como era conhecido, passará a infância e a juventude, mantendo sempre ao longo da sua vida e na sua obra uma forte ligação a esta região.

"Meu pai era médico de aldeia, uma aldeia pobríssima: Nossa Senhora das Febres. Lagoas pantanosas, desolação, calcário, areia. Cresci cercado pela grande pobreza dos camponeses, por uma mortalidade infantil enorme, uma emigração espantosa. Natural portanto que tudo isso me tenha tocado (melhor, tatuado). O lado social e o outro, porque há outro também, das minhas narrativas ou poemas publicados (...) nasceu desse ambiente quase lunar habitado por homens (...) O Aprendiz de Feiticeiro, p. 204.“Trago a janela de muito longe, da casa de meu avô”( idem, p. 173). 91


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Durante dois anos (1931-33) frequenta o ensino secundário em Cantanhede, vila que inspirará a "Corgos" dos seus romances. Vai depois para Coimbra (1933), onde frequenta o Liceu D. João III, cidade onde permanecerá até 1948. Aí estuda e acabará por formar-se em Histórico-Filosóficas. Convive com grandes figuras da Cultura Portuguesa, consagrados já uns, outros, como ele, sedentos de conhecer: Afonso Duarte, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Fernando Namora são alguns íntimos seus. Durante este "período coimbrão" da sua vida publica o seu primeiro livro de poemas, Turismo (1942), com ilustrações de Fernando Namora. Publica depois o seu primeiro romance, Casa na Duna (1943) logo seguido de Alcateia (1944), livro que virá a ser apreendido pela PIDE, a polícia política de Salazar. Visita Febres nas férias, sempre que pode, fazendo-se acompanhar, por vezes, de Fernando Namora com quem jogava a malha no Largo em convívio com populares. Em 1948 muda-se para Lisboa, continuando apesar disso a deslocar-se a Coimbra com frequência. Um ano mais tarde casa com Ângela, uma jovem madeirense que conhecera em Coimbra enquanto estudante e que será a sua companheira de todas as horas. A ela dedica o escritor alguns dos seus livros (o romance Finisterra), poemas como "Carta a Ângela" e "Ilha" de Terra de Harmonia e ainda alguns excertos, como é o caso do seguinte em que surge referida

anagramaticamente

como

Gelnaa:

"Ainda jovem quando a conheci, os olhos mais claros do que hoje (a vida escureceu-lhos bastante), o cabelo solto num halo de bruma e brisa, que faz pensar nos amanheceres da sua ilha (...)"(O Aprendiz de Feiticeiro)

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Algumas obras publicadas: Turismo (1942), Mãe Pobre (1945), Descida aos Infernos (1949), Terra de harmonia (1950), Cantata (1960), Sobre o Lado Esquerdo (1968), Micropaisagem (1969), Entre Duas Memórias (1971), Trabalho Poético (2 vols.), 1977-1978), Pastoral (1977). Obras de ficção: Casa na Duna (1943), Alcateia (1944), Pequenos Burgueses (1948), Uma Abelha na Chuva (1953), Finisterra (1978). Crónicas: O Aprendiz de Feiticeiro.

D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa Prelado e distinto orador sacro. Em 14 de Outubro de 1810 em Cantanhede, onde professou em 1827. Doutorou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, em 1850. Foi professor de Ciências Eclesiásticas no seminário de Coimbra e professor substituto da Faculdade de Teologia (1855). Em 1860 foi apresentado arcebispo de Goa, e confirmado em 1861. Fez a sua entrada nesta cidade em Janeiro de 1863. No Seminário de Rachol fundou uma rica biblioteca. Na sua pastoral de 8 de Agosto do mesmo ano de 1863 convidou o clero a dedicar-se às ciências e às letras, declarando a sua «firme resolução de repelir dos empregos do santuário e da sagrada ordenação os que não quisessem entrar pela porta da ciência». Em 1865 defendeu a encíclica „Quanta cura e o syllabus‟. O governo concedeu-lhe, em 1868, autorização para regressar à metrópole. Em 1877 fez a sua entrada solene em Braga, como Bispo da diocese. Desgostoso com a circunscrição diocesana de 1882, pela qual se reduzia a extensão da diocese de Braga em proveito da do Porto, resignou em Junho daquele ano, retirando-se para a sua quinta de S. João Baptista de Cabanas, onde morreu em 1888. Nos três volumes das suas Obras encontram-se numerosos documentos com notícias para a sua biografia.

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Jaime Cortesão

Filho do filósofo António Augusto Cortesão, Jaime Cortesão nasceu em Ançã, concelho de Cantanhede, a 29 de Abril de 1884. Em Coimbra estudou Grego e Direito e, mais tarde, no Porto e em Lisboa, Medicina, formando-se em 1909. Como tese de formatura publicou "Arte e Medicina" e um livro de Poesia: "A Morte da Águia". Anos depois, publicou um belo volume de líricas, sob o título de "Glória Humilde". Professor, de 1911 a 1915, deputado, de 1915 a 1917, serviu como voluntário na 1.ª Guerra Europeia, na campanha de Flandres, em 1918, na qualidade de capitão, médico e miliciano, tendo sido gravemente ferido em combate e condecorado com a Cruz de Guerra. Sobre a guerra escreveu um livro, hoje raro: "Memórias da Grande Guerra". Director da Biblioteca Nacional de Lisboa, de 1919 a 1927, fez parte da missão literária que foi ao Brasil, em 1922, acompanhando o presidente António José de Almeida. Data dessa época, ao colaborar na "História da Colonização Portuguesa do Brasil", o seu renome de historiador, especialmente da parte relativa aos descobrimentos portugueses. Mas, ao lado dessa glória de historiador erudito, ressalta mais a sua vida de democrata austero e fiel praticante das virtudes antigas. Exilando-se no estrangeiro, desde 1927, por não compactuar com a ordem imposta pela ditadura salazarista, Jaime Cortesão viveu sucessivamente na Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. De 1940 em diante coube ao Brasil recebê-lo, “não como hóspede ilustre, mas como fraterno trabalhador”. Voltando depois a Portugal, teve o historiador de pagar com inúmeros dissabores e prisão o seu fervor e dedicação à causa da liberdade. Um mês antes do seu falecimento a 12 de Julho de 1960, no editorial do «Primeiro de Janeiro», Jaime Cortesão não esquece o seu berço natal, Ançã: 94


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“De súbito e, ao penetrar no dédalo das suas calçadas e congostas, avassalou-me a impressão, quase miraculosa, de me encontrar num cenário onde se houvesse multiplicado e engrandecido até à essência ideal o ambiente mais familiar e típico da minha terra natal. Aqueles solares e palácios setecentistas, juntamente tão acolhedores e aparatosos, da antiga vila de Ançã, onde nasci, ressurgiram ali, ora modestos, ora em plena majestade, nas fileiras paralelas das ruas, no desabafo das praças, ou alcandorados pelo viso dos morros, como aparição de espectros queridos, que da outra vida se reerguessem, acompanhados agora duma prole infinita, mas com o seu ar de família, inconfundível”. E, no dia l4 de Agosto de 1960, morria o notável historiador. A imprensa, quer

lusitana,

quer

brasileira,

ficou

de

luto:

«Prestamos, neste primeiro número de “O Marialva”, homenagem muito sentida à memória do Dr. Jaime Cortesão, recentemente falecido. Alto espírito de poeta, de historiador, dramaturgo; alcandorado carácter que foi, no conceito da redacção do “Estado de S. Paulo um dos maiores portugueses” ; e, em nossa opinião, não só isso, mas o mais ilustre e elevado carácter, entre os nossos conterrâneos de todos os tempos. Jaime Cortesão, como homem de letras, como lídimo patriota e como carácter de elevada pureza, merece o preito da nossa gratidão e saudades eternas (...). Com grande acompanhamento, os restos mortais de Jaime Cortesão foram inumados no Cemitério dos Prazeres. O féretro, coberto com as bandeiras portuguesas e brasileira, esta última cedida pelo embaixador do Brasil (o falecido era cidadão benemérito de São Paulo), saiu da sede da Sociedade Portuguesa de Escritores, da qual Jaime Cortesão era presidente. No cemitério foi depositado provisoriamente em jazigo, para mais tarde baixar à sepultura conforme foi sempre o desejo de Jaime Cortesão, como desejo seu foi o de ser amortalhado no burel dos franciscanos com que foi enterrado, sendo, porém, o enterro não religioso, mas civil, pois era um espírito laico de convicção. 95


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Algumas obras publicadas: A Morte da Águia (1910), Glória Humilde (1914), Missa da Meia-Noite (1940), Poesias Escolhidas (1960). Teatro: O Infante de Sagres (1916) e Egas Moniz (1918). Memórias: Memórias da Grande Guerra (1919). Ensaio: Eça de Queirós e a Questão Social (1949). História: A Experiência de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil (1922), Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid (1950), Os Factores Democráticos na Formação de Portugal (1964), O Império Português no Oriente (1968) e Os Descobrimentos Portugueses (6 vols., 1975-1978).

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Capitulo 10:

«As profissões»

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As profissões Introdução Muitas foram as alterações que se fizeram sentir na agricultura, pesca, indústria e o comércio. Aliadas a estas actividades havia, em épocas remotas, profissões que hoje em dia já quase se extinguiram por completo: a Lavadeira, o Moço de Fretes… Apesar das vicissitudes dos tempos, ainda há hoje reminiscências de outras épocas que vão reavivando a memória dos mais velhos, testemunhando a favor de uma época em que todas as actividades profissionais privilegiavam o contacto directo entre as pessoas. O som inconfundível do amola tesouras atrai o ouvido e estreita os laços entre gerações. Damos conta dos nossos pais e avós nos dizerem: „Escuta, vem aí um amola tesouras‟, acrescentando, às vezes, „amanhã vai chover!‟ Ficamos admirados e, por vezes até, incrédulos com esta previsão meteorológica pouco científica, mas fica sempre o respeito e admiração pela sabedoria popular que muito tem para transmitir à nossa geração e às vindouras.

Com a agulha a furar,

A costureira

Começa a costurar.

A lavadeira

A lavadeira a lavar , Dá sempre um requinte ao lar.

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A cortar, a cortar,

O barbeiro

A barba a aparar.

O engraxador

De um lado para o outro, No fim vai ficar tudo pronto.

O fotógrafo

O fotógrafo a fotografar, Com recordações vamos ficar .

O Limpa Chaminés

O limpa-chaminés, limpa Limpa, até aos pés.

O moço dos fretes

O moço de fretes sempre a Ajudar, mas há que no fim pagar. 99


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A modista

A modista a fazer roupa, E saias com roda A cidade inteira vai ficar na moda.

O carteiro

As cartas o carteiro vai entregar, e tudo vai chegar.

O padeiro

O padeiro a entregar pão, Ao cheirinho ao pão fresco Ninguém vai dizer que não.

O pescador

O pescador vai pescar, Peixe fresquinho pronto a assar.

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Tem sapato estragado,

O sapateiro

No sapateiro fica tudo arranjado.

Quer telefonar ao seu amigo,

A telefonista

O telefonista vai logo falar consigo.

A varina

„Ai quem quer comprar, peixinho fresquinho acabado de pescar?‟

O cesteiro

O cesteiro a encestar, tudo Pronto a usar. 101


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O ceramista Quer um jarro para usar, Vá ao ceramista que vai moldar.

O ferreiro

O ferreiro a ferrar, Com o martelo vai furar.

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Capitulo 11:

«As Superstições»

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As Superstições Introdução Tal como vimos no capítulo „As Lendas‟, também as superstições são de evocar, pois transmitem a cultura e o modo estar de um povo. É interessante constatar que estas crenças e práticas populares são transmitidas de geração em geração. Geralmente actuavam nas aldeias e entre uma população menos culta. No entanto, outras classes sociais também acreditam e fomentam o cultivo de tais práticas, dizendo: „Mais vale prevenir que remediar.‟ Depois de entrevistados os nossos familiares e alguns vizinhos, publicamos a seguir as superstições mais referenciadas.

Superstições relacionadas com alimentos Quando se ferve o leite no lume e aquele que se entorna, é costume colocarem-se algumas pitadas de sal nas brasas, a fim de se evitar que a vaca de quem foi tirado fique com feridas no amojo. Comer muito queijo tira a memória. -Ao amassar do pão, a padeira desenha 3 cruzes na massa e reza:

Deus te abençoe, Deus te faça pão, Deus te dê a sua bênção E cresças. No fim tapa a amassadeira do pão com uma peça de roupa de homem para levedar melhor . -O lar do pão nunca deve estar voltado para cima, porque traz azar.

Quando o pão cai no chão, deve ser beijado por quem o deixou cair, porque está lá o Nosso Senhor. A alimentação diária do lavrador tem as seguintes designações: o mata-bicho, pela manhã; o almoço pelas nove horas da manhã; o jantar pelo meio-dia; a merenda à tarde; a ceia ao anoitecer.

Superstições relacionadas com animais Matar um gato preto dá sete anos de azar. Não se devem matar aranhiços pequenos, porque são sinal de dinheiro. Quando um cão uiva é sinal de morte próxima. 104


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Quando a coruja "canta" sobre o telhado das habitações, é sinal de morte. Quando as andorinhas andam rasteiras é sinal de chuva. Quem, pela manhã bem cedo, ouvir cantar o cuco, não morre nesse ano. 7ºPara se tratar a servilhera, que é uma crosta branca dos burros, esfrega-se-lhe a língua com sal e vinagre. 8º Quando se mata uma ave (galinha), e ela custa a morrer, é porque alguém está com pena dela. Quando as galinhas se espiolharem é sinal de chuva.

Outras superstições Para fazer fugir uma bruxa cruzam-se os dedos de uma das mãos e diz-se: -Tu és ferro

Eu sou aço Tu és o diabo E eu te embaço. Pé direito- Devemos sair de casa e entrar em qualquer lugar, sempre com o pé direito, para evitar o azar; Tropeçar com o pé direito é sinal de alegria que esta para vir. Orelha Quente – Se sua orelha esquentar de repente, é porque alguém está a falar mal de você. Nesses casos, vá dizendo o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder. Para aumentar a eficiência do contra-ataque, morda o dedo mínimo da mão esquerda: o sujeito irá morder a própria língua. Pé esquerdo – Entrar em casa com o pé esquerdo, é mau agoiro. Barriga de grávida: se for redonda, é sinal que o bebé nascerá menina; se não for redonda, o bebé será menino. Escada – Nunca deve passar por debaixo de uma escada. É mal sinal na certa! Guarda-chuva – abrir um guarda-chuva dentro de casa traz desgraça e má sorte á família;

Copo: se o nosso copo possui uma bebida alcoólica, nunca se deve fazer um brinde com quem tem um copo com uma bebida não alcoólica. Por isso se diz que não se deve «brindar com água», uma vez que isso reverte os seus desejos; partir um copo em dia de festa é indício de felicidade. 105


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Vassoura: Colocar uma vassoura com o cabo para baixo atrás da porta faz as visitas indesejáveis irem embora logo; Varrer a sua casa à noite, é o mesmo que estar varrendo a felicidade para fora da sua vida; Deixar uma vassoura encostada na cama permite que os espíritos maus na vassoura lancem um feitiço na cama. Garfo: Deixar cair um garfo indica que a pessoa receberá a visita de um homem. Ferradura: Pendurar uma ferradura acima da porta dá boa sorte. Sapatos: Deixar sapatos virados de sola para cima dá azar. Janelas: Quando alguém morre, as janelas devem ser abertas para a alma poder sair. Roupa interior azul: no ano novo, usar roupa interior azul dá boa sorte; no entanto, noiva que usa roupa interior azul, morrerá cedo. Chifre: ter um chifre em estabelecimento comercial, atrai clientes e dá boa sorte ao dinheiro. Figa: ter o símbolo de uma figa atrás da porta, dá boa sorte. Árvore de Natal: queimar ou cortar árvore de Natal traz má sorte. Cadeira: virar as cadeiras de pernas para o ar, faz com que visitas indesejáveis desapareçam. Madeira: bater 3 vezes na madeira, afasta maus agouros ou maus espíritos. Facas: cruzar facas numa mesa aquando de uma refeição, atrai infelicidade ou desgraça.

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Agradecimentos

Para a concretização deste livro de interesses regionais de Cantanhede e o seu Concelho, necessitámos de alguma colaboração, por isso os alunos envolvidos querem aqui deixar o seu agradecimento. Agradecemos à professora Graça Silva pelos esclarecimentos prestados na sessão „ O Livro‟ e a todos os nossos professores, no geral, que nos orientaram e ensinaram ao longo deste ano. Às senhoras funcionárias da Biblioteca queremos também expressar os nossos agradecimentos pelo apoio, simpatia e disponibilidade aquando das nossas dúvidas nas pesquisas para realizarmos este projecto. Reconhecemos igualmente o empenho dos nossos colegas ao contribuírem com informações valiosas das suas terras para desenvolvermos os nossos trabalhos de grupo. Não podemos nos esquecer também do apoio e carinho demonstrados pelos nossos conterrâneos (vizinhos e familiares) que partilharam connosco as suas experiências de vida e sabedoria popular o que muito enriqueceu o nosso livro. Gostaríamos destacar, entre outros, os seguintes: Sr.ª Elvira Ribeiro, Sr. º Fernando Silva, Sr.ª Anabela Brites, Sr. º Fernando Camarneiro, Sr.ª Maria Do Duque, Sr. º Manuel Marques, Sr. ª Celestina Camarneiro, Sr.ª Margarida Macedo, D. Maria Carvalheiro, D. Piedade Pereira Batista , D. Isaura Cordeiro de Bastos e Sr. José Tomás Moreira Dias , Dª Maria Idália e Dª Maria Leonor. E um agradecimento muito especial à nossa professora Fátima Lourenço Marques que nos lançou este desafio e nos acompanhou, apoiando e ajudando em tudo o que podia para que este projecto se concretizasse. Os alunos das turmas A e B do 7ºano

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As Fotos das Turmas 7ºA

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7ºB

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Bibliografia Reigota, João, A Gândara Antiga, Centro de Estudos do Mar, Cantanhede-Mira-Vagos,2000 http://biztravelsmonuments.net/biztravels/monuments.php?id=310&lg=pt http://www.infopedia.pt/$igreja-matriz-de-cantanhede http://ccc.com.pt/cantanhede/p_lomba.htm http://www.freguesiademurtede.eu/conteudos/212035583.jpg http://www.bandasfilarmonicas.com/images/bandas/covoes.jpg http://www.cmcantanhede.pt/xsite_cantanhede/CantanhedeOnline/Turismo/Festas.jsp?PCH=5 44&CH=548&PID=16530v http://www.cmcantanhede.pt/xsite_cantanhede/CantanhedeOnline/Turismo/Festas.jsp?PCH=5 44&CH=548&PID=16531 http://www.covoes.com/Imagens/sepins.jpg http://www.pititi.com/festas/festaspop/sjoao/sjoao.htm Http://pt.wikipedia.org/wiki/Feira#.7B.7BVer_tamb.C3.A9m.7D.7D http://www.ploleszno.pl/data/Jogos_Tradicionais_Portugueses.ppt http://www.net-mulher.com/forumdisplay.php?f=468 http://www.google.pt/search?hl=ptPT&source=hp&q=jogos+tradicionais+portugueses&meta=&aq=0&aqi=g10&aql=&oq=jogos+tradicio nais+portuguese http://www.google.pt/images?hl=pt-pt&q=jogos+tradicionais+portugueses&um=1&ie=UTF8&source=og&sa=N&tab=win http://www.notapositiva.com/pt/trbestbs/areaproj/08_jogos_tradicionais_portugueses.htm http://www.google.pt/search?q=jogos+tradicionais+portugueses&hl=ptPT&prmd=ivns&source=univ&tbs=vid:1&tbo=u&ei=uYdSTZ7_It2qhAfxz3vCA&sa=X&oi=video_result_group&ct=title&resnum=15&ved=0CDcQqwQwDg http://www.cm-sbras.pt/NR/rdonlyres/348768A2-97F5-405F-A61A051E564E006E/0/JogosTradicionais_vfinal_lqp.pdf http://www.ploleszno.pl/data/Jogos_Tradicionais_Portugueses.ppt http://www.google.pt/images?hl=pt-PT&q=imagens%20de%20jogos%20tradicionais&spell=1&sa=X http://www.google.pt/search?q=+jogos+tradicionais+do+concelho+de+cantanhede&btnG=Pesquisa r&hl=pt-PT&spell=1&sa=X&aq=f&aqi=&aql=&oq= http://www.google.pt/images?q=jogos+tradicionais+portugueses+(1,2,3,+macaquinho+do+Chin%C3 %AAs)&um=1&hl=pt-pt&tbs=isch:1&ei=c5BSTYCoBs6xhQfa96CVBg&start=120&sa=N http://www.google.pt/images?q=jogos+tradicionais+portugueses+%281%2C2%2C3%2C+macaquin ho+do+Chin%C3%AAs%29&btnG=Pesquisar&um=1&hl=ptpt&tbs=isch%3A1&spell=1&sa=X&aq=f&aqi=&aql=&oq=v http://www.google.pt/images?q=jogos+tradicionais+portugueses+%28dorei+manda%29&um=1&hl=pt -pt&tbs=isch%3A1&ei=SY9STffDMoqIhQeR8MDNCA&sa=N&aq=f&aqi=&aql=&oq= http://www.google.pt/images?q=jogos+tradicionais+portugueses+(do+gato+e+do+rato)&um=1&hl=p t-pt&tbs=isch:1&ei=Qo9STdzyEdWAhAfj5cXKCA&start=20&sa=N

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E

ste livro pretende presentear o leitor com algumas mostras de carinho que nutrimos por esta região e abrirlhe caminhos para que nos siga na valorização das

riquezas que a todos nós pertencem. Iremos esboçar um retrato social do povo do concelho de Cantanhede, lançando um olhar para alguns aspectos que tanto caracterizam esta zona geográfica como a enriquecem e enaltecem.

Junho 2011


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