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Capítulo 1

Por que se desvanecer, se você pode perdoar? Voltando a pé de Betânia a Jerusalém naquela usual manhã de primavera, Jesus observou uma figueira e seus vastos galhos visivelmente adornados com folhas. Aproximando-Se da árvore, parou a fim de encontrar alguns figos maduros, mas, obviamente, desapontado pela sequidão da figueira, o Filho de Deus falou com voz de autoridade: Nunca mais coma alguém fruto de ti (Mc 11.14; veja também Mateus 21.19). Mais tarde, quando os discípulos perceberam a figueira sem vida, com seus galhos secos, não fizeram outra coisa a não ser maravilharem-se pela subserviência dela ao Mestre. Cristo havia tentado

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pegar um fruto da árvore, um ato trivial naqueles dias. No entanto, esse acontecimento comum se transformou em algo memorável e extraordinário no coração e na mente dos seguidores de Jesus. O que havia acabado de acontecer? A melhor pergunta a ser feita é: “Como isso ocorreu?”. Jesus – o Filho de Deus, guiado pelo Espírito Santo em pensamento, palavra e atitude – demonstrou uma ordem mais contundente do que qualquer fé ou poder que os discípulos já conheceram. Por meio deste exemplo, o Mestre estava mostrando a eles e a nós como caminhar, viver, servir e ministrar durante Sua ausência: por meio da fé em Deus. MARCOS 11.21-24 21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira que tu amaldiçoaste se secou. 22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus, 23 porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. 24 Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis.

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Muitos cristãos ficam impressionados quando leem esses versículos bíblicos. Eu também fico, porque se trata da Palavra de Deus, a qual deve revigorar o cristão, avivá-lo e criar nele a fé sólida e a esperança segura de que o Altíssimo é fiel para cumprir o que prometeu! Jesus, que levava essa esperança, ensinou-nos a fazer o mesmo ao dizer: Tende fé em Deus (v. 22). Todavia, como ministro do Evangelho que, um dia, responderá pelo modo como realizou seu ministério, não posso pregar ou ensinar somente as partes da Bíblia que estimulam, demasiadamente, as pes­ soas a fim de quererem pular, dançar e exclamar: “Aleluia!”. Tenho de ser cuidadoso para ministrar todas as recomendações divinas – isso quer dizer ensinar as partes “estimulantes” como também as que não parecem causar tanto estímulo assim. Por exemplo, Deus é fiel para aperfeiçoar o que concerne a você e a mim (Sl 138.8; Fp 1.6) da mesma maneira que o é para cumprir Suas promessas. Ele é fiel para lidar conosco a respeito de determinada área da nossa vida que não esteja de acordo com as Sagradas Escrituras, assim como o é para honrar a Palavra na qual permanecemos a fim de receber algo dEle.

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Apesar de tudo, há quem não queira ouvir sobre as partes “perfeitas” ou maduras da Bíblia, embora elas ajudem na formação de todas as recomendações divinas. Na realidade, se as pessoas não atentarem para as correções bíblicas, provavelmente não receberão as bênçãos contidas no Santo Livro nem delas usufruirão.

Por que precisamos de uma mensagem balanceada a fim de sermos bem-sucedidos Creio que, nos dias de hoje, vivemos o que nos foi advertido pelo apóstolo Paulo em 2 Timóteo 4.3. 2 TIMÓTEO 4.3 (NVI) 3 Pois virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos.

Existem mais verdades doutrinárias na Palavra do Senhor do que apenas as mensagens de fé e prosperidade. No entanto, você quase não irá reconhecê-la pela forma como alguns cristãos agem. Muitos deles, na realidade, sairão do culto se o ministro não estiver pregando ou ensinando sobre um assunto relacionado à fé ou a como receber

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bênçãos divinas. É como se eles não suportassem ou não aguentassem qualquer coisa da sã doutrina. Porém, o que não perceberam é que toda verdade oriunda do Livro Sagrado é necessária para manter uma caminhada cristã estável e permanente, bem como para tornar maduro um homem ou uma mulher de Deus, da maneira que Ele deseja. Certas pessoas, simplesmente, não querem ouvir esse tipo de pregação ou ensinamento porque preferem viver de acordo com sua vontade e, então, tentar fazer com que a Palavra apoie seu estilo de vida. Qualquer um de nós pode ser tentado por esse modo de pensar. Por isso, nossa atitude constante deve ser: “Não é o que eu quero, mas o que Deus quer. O que vale não é o que eu ou qualquer outra pessoa diga, mas, sim, o que Ele diz!”. Com certeza, creio na fé e na prosperidade. Tenho certeza de que o Todo-Poderoso quer abençoar-nos. De fato, Ele Se alegra com a nossa prosperidade, e é Seu prazer conceder-nos o Reino (Sl 35.27; Lc 12.32). Porém, sei que também temos neces­ sidade de olhar para todas as orientações das Escrituras, e não apenas para as partes especiais de que gostamos.

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Quando eu estava no Ensino Fundamental, tive uma aula sobre saúde e nutrição, na qual a professora sa­lientou a importância de fazermos uma dieta balan­­ceada e ensinou-nos o que, posterior­mente, foi considerado como os Sete Grupos Básicos de Alimento. Ela disse que cada um daqueles grupos trabalhava junto para nos nutrir e nos manter saudáveis. Ela es­­ tava falando sobre ter uma alimentação balanceada. A fim de ilustrar os efeitos de uma dieta adequada, a professora mostrou-nos a figura de um homem grande e forte, o qual ela salientou que comia sempre vegetais verdes e cenouras juntamente com carne e batatas! Não conheço muitas crianças que preferem, por livre e espontânea vontade, vegetais verdes, tal como espinafre, a outros alimentos, como batata, milho, pão ou leite. Esse é o motivo pelo qual elas devem ser ensinadas a manter seu corpo nutrido de maneira ideal. Assim, a fim de ilustrar os efeitos da falta de balanceamento na dieta, nossa professora mostrou para a classe a figura de um homem abatido e esquelético, o qual parecia fraco e emaciado. Esse rapaz havia comido somente aquilo de que ele gostava, especialmente doces.

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Qual mensagem nossa professora estava tentando passar para nós? Ela não estava falando que nunca poderíamos comer balas e doces, mas que ingerir muitos alimentos de um só grupo e quantidades insuficientes de outro afetaria nossa saúde física e nosso bem-estar. A mesma coisa é verdade na vida espiritual. Se nos concentrarmos em apenas um ou dois assuntos da Palavra de Deus e nos negarmos a receber outras áreas da Palavra, seremos fracos e improdutivos espiritualmente. Eu me alegro em ouvir uma boa mensagem sobre ser próspero. No entanto, se isso fosse tudo o que já tivesse ouvido, iria desequilibrar-me na minha caminhada espiritual. Não há nada de errado em pregar ou ensinar a respeito da prosperidade divina, porém a mensagem não atuará nem produzirá frutos em nossa vida, caso estejamos recusando-nos a atentar para toda recomendação divina.

A fé e o perdão Você é capaz de entender por que confessar a Palavra diante de suas situações não produz nada se, em seu coração, estiver alimentando raiva contra

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alguém? Se entender os princípios da fé, mas não os do perdão, ficará fraco e instável em sua caminhada cristã. Não será o melhor que poderia ser – assim como o homem forte daquelas figuras que vi quando era um jovem aluno de colégio. Meu pai, Kenneth E. Hagin, levou uma vida de fé e também livre de ofensa. Se você conhecesse qualquer coisa a respeito do papai, saberia que ele nunca falava mal de pessoa alguma, independentemente de qual fosse a situação. Ele conquistou a reputação de ser forte na fé porque também andava em amor. Quando uma pessoa falha em receber a bênção que Deus prometeu em Sua Palavra, o problema nunca será do Senhor. Meu pai costumava dizer: “Precisamos descobrir como Deus trabalha e trabalharmos com Ele, e não contra Ele”. E isso é verdade. Quando temos um fracasso na vida, precisamos ser honestos o bastante para admitir que cometemos erros em algum momento, pois Deus nunca erra. Ele nunca falha, mas nós temos tendência a falhar. Não me entenda mal. Alguns cristãos ficam tão concentrados no que podem ter falhado, que sua fé torna-se sem valor. Podemos pedir a Deus que nos

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revele onde erramos, e Ele irá mostrar-nos. Não temos de ficar procurando por algum pecado “oculto” em nossa vida ou deixar a condenação abater-nos e roubar-nos a fé e as bênçãos divinas. Em nosso coração, somos capazes de reconhecer quando fizemos algo errado. Um exemplo de algo descrito na Palavra e pode fazer a fé fracassar é a falta de perdão – ou a ofensa. Se você ficar ofendido e guardar rancor em seu coração, sua fé será impedida de ser efetiva e frutífera. Dizem que guardar a ofensa é como beber veneno e esperar até a outra pessoa morrer. O que é uma ofensa? Algumas das palavras para ofensa e suas diversas formas (ofender, ofender-se) estão a seguir:

• Ludibriar ou impedir; • tropeçar e cair ou instigar o pecado; • fazer uma pessoa julgar a outra de modo desfavorável ou injusto;

• causar ou criar um desprazer, ressentimento ou ira;

• ofender, machucar, insultar; • ferir; • cair em miséria; tornar-se miserável.

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Veja a figura inteira Anteriormente, fizemos a leitura de Marcos 11.22-24, que diz: E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus, porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis. O discurso iniciado por Jesus, no versículo 22, não termina no de número 24. Todavia, esse é o ponto em que muitas pessoas param ao falar sobre a fé. Não obstante, existem mais dois versículos, depois dos que acabamos de ler, que completam a figura – o contexto do ensinamento de Jesus. MARCOS 11.25,26 25 E, quando estiverdes [sentado ou ajoelhado] orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. 26 Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vos­ sas ofensas.

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Vejamos esses mesmos versículos na Nova Versão Internacional: MARCOS 11.25,26 (NVI) 25 E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados. 26 Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados

Como eu disse, o ensinamento do Rei dos reis não terminou no versículo 24, onde Ele, de fato, assevera: Orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis. O verso 25 começa com a palavra e, uma conjunção que liga o versículo 24 ao 25: E, quando estiverdes orando, perdoai. Jesus estava dizendo: “Quando orar, creia que receberá as coisas que deseja e irá possuí-las. E quando fizer a oração, perdoe se tiver algo contra qualquer pessoa”. Por que o Mestre declarou isso? Porque a ofensa – o rancor no coração e a falta de perdão – evitará que a fé em Deus atue em sua vida. No entanto, quando aprendemos como perdoar de acordo com o que declara a Palavra em Marcos 11.25,26, os versículos 23 e 24 certamente se farão presentes em nossa vida!

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Perdoe e seja perdoado No versículo 26, Jesus disse: Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas. Amigos, a falta de perdão é um sério problema! Precisamos perdoar, pois, assim, nosso Pai celestial poderá perdoar-nos! Certa pessoa falou: “Eu não sei se consigo aceitar isso. Parece severo demais”. Observe que Jesus não estava falando aos pagãos quando disse: E vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vos­s as ofensas. Ele estava falando aos Seus discípulos – os Seus seguidores. Isso significa que Ele também fala conosco! Você é um seguidor de Deus? Se sim, Jesus está dizendo-lhe: “Caso não perdoe ao próximo, seu Pai celestial não irá perdoar-lhe”. Posto que a passagem de Marcos 11.23,24 pertence a nós, também devemos tomar posse dos versículos 25 e 26! Observe também que o ensino desses dois versos não é feito, separadamente, a partir de um trecho isolado da Escritura. Tais versículos não só se ajustam ao contexto, como podem também ser

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confirmados por outras passagens bíblicas. E, como veremos, o amor e o perdão são atributos de um Deus misericordioso, o qual devemos seguir de perto e desejar imitar (Ef 5.1). Por exemplo, veja Mateus 6.14,15. MATEUS 6.14,15 – NVI 14 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. 15 Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas.

Você deve reconhecer estas palavras do Mestre como o ensinamento que seguiu o que, comumente, chamamos de Oração do Senhor. Depois de ter ensinado às pessoas a forma como não orar, Jesus declarou em Mateus 6.9: Vocês, orem assim (NVI). Ele ainda continuou, a fim de mostrar-lhes como se aproximarem do Pai. No versículo 12, Cristo falou: Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, está escrito: Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam. Logo, embora os contextos sejam diferentes, o que Cristo proferiu em Mateus 6.14,15 coincide com

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Suas palavras em Marcos 11.25,26. Na realidade, em ambas as passagens, o Filho de Deus diz, de modo literal, a mesma coisa: “Nós temos de perdoar!”.

Veja os outros à luz de Cristo A ordem para perdoar aos outros e esquecer as ofensas não é um conceito impossível ou uma teoria inventada pelos ministros apenas para tirar o sossego das pessoas! Certamente, alguns pregadores são culpados, às vezes, por pegarem um ou dois versículos fora de contexto a fim de embasar suas próprias ideias e convicções. Entretanto, você pode ver que a necessidade de perdoar as outras pessoas e esquecer as ofensas é uma verdade estabelecida. Uma história muito conhecida, em Mateus 18, corrobora ainda mais para esse importante fato. MATEUS 18.23-35 (NVI) 23 Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. 24 Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. 25 Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida.

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26 O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. 27 O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir. 28 Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: “Pague-me o que me deve!”. 29 Então o seu conservo caiu de joelhos e implo­rou-lhe: “Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei”. 30 Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. 31 Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. 32 Então o senhor chamou o servo e disse: “Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. 33 Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você?” 34 Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. 35 “Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão”.

O versículo 33 dessa passagem é a chave: Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como

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eu tive de você? O rei havia perdoado ao homem de uma impossível e imensurável dívida, porém, este ordenou ao seu conservo que lhe pagasse uma pequena quantia em comparação ao que ele próprio devia ao rei. Percebe a ironia nessa parábola? O rei havia perdoado a enorme dívida de seu servo. No entanto, este, que foi perdoado, tornou-se impiedoso ao tentar receber o pagamento de seu conservo que lhe devia, cujo valor equivalia a apenas uma fração do que ele teria de pagar ao monarca. Deus concedeu a cada um de nós o perdão de uma dívida impossível. Portanto, Jesus deseja que saibamos o seguinte: independentemente do que os outros nos fizeram ou do tamanho da “dívida” ou ofensa, devemos desculpá-los assim como o Pai desculpou-nos. É simples assim: se caminharmos na fé no Senhor – aquela sobre a qual o Salvador falou em Marcos 11.23,24, teremos de andar em Seu amor. Em outras palavras, se usarmos a fé no Altíssimo como Jesus fez quando amaldiçoou a figueira, precisaremos perdoar como Deus perdoa!

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Como Deus perdoa De que forma o Todo-Poderoso concede o perdão? A Palavra declara que Deus amou a humanidade de tal forma que deu o Seu Filho. Assim, por inter­ médio dEle, somos completamente isentos da dívida do pecado, a qual não poderíamos recompensar. O Altís­simo enviou nossas transgressões a Cristo e tornou-nos nova criatura nEle (2 Co 5.17). Assim, como filhos de Deus, se nos esquecemos e pecamos, o Pai absolve-nos da culpa – quando Lhe pedimos perdão – e limpa-nos de toda iniquidade (1 Jo 1.9). Isso quer dizer que o Senhor colocou-nos em uma posição justa com Ele, como se nunca tivéssemos cometido um erro. Uma vez que o Criador nos tenha perdoado, a Bíblia diz que Ele nunca mais Se lembra de nosso pecado (Is 43.25). Ele não olha para nós à luz dos nossos erros. Pelo contrário, o Todo-Poderoso nos vê à luz de Cristo – de quem somos nEle. O Pai celeste não exigiria algo de nós, Seus filhos, que Ele próprio não estivesse disposto a fazer. Por exemplo, a orientação divina é que devemos amar como o Senhor ama e perdoar da mesma forma que

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Ele perdoa. Como vemos na Escritura, o Altíssimo ama profundamente e perdoa sem pedir nada em troca. Um bom líder nunca pedirá àqueles debaixo de sua liderança que façam algo que ele próprio não faria ou não estaria disposto a realizar. No mi­nistério aqui em Tulsa, nossos empregados e voluntários trabalham arduamente, e minha esposa, Lynette, e eu trabalhamos bastante também. Desde que esse ministério começou, tenho feito um pouco de tudo: sou motorista e jardineiro; cuido da decoração; instalo as placas de reboco e organizo a grade curricular da Escola Bíblica. Hoje, administro um ministério internacional e pastoreio uma grande congregação local. Lynette e eu trabalhamos muitas horas fazendo visitas em hospitais, dando aconselhamento conjugal e realizando o que mais for preciso em favor do ministério, do Reino de Deus e das pessoas. Essa é a razão pela qual pedimos àqueles sob nossa liderança que façam o mesmo. Semelhantemente, o Altíssimo seria injusto ao nos pedir que perdoássemos aos outros se Ele também não estivesse disposto a conceder o perdão,

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independentemente da ofensa. No entanto, pelo fato de Deus ser justo, Ele não só nos pede que perdoemos como também nos capacita para tal feito!

“Perdoar e esquecer? Isso, realmente, está na Bíblia?” Ao longo dos anos, tenho ouvido muitas pessoas dizerem: “Sei que a Bíblia diz ser nosso dever perdoar, e eu perdoo Fulano, tudo bem. Todavia, nunca vou esquecer o que ele me fez!”. Se, com frequência, você se lembra de algum mal que uma pessoa fez a você, ainda não lhe perdoou. Lembrar-se da transgressão ou da ofensa de alguém não é conceder-lhe perdão! Ao desculpar quem errou, você deve realmente perdoar (Mc 11.25) como mandam as Escrituras. Em outras palavras, é preciso esquecer-se dos erros alheios. Não estou afirmando que, ao liberar perdão a alguém, a ofensa que ele lhe causou será completa­ mente apagada de sua memória. Estou dizendo o seguinte: quando os pensamentos retornarem à sua mente com relação à ofensa dessa pessoa, você escolherá por não se estender nesses pensamentos negativos; não meditará nem “passará a noite”

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relembrando o que ela fez de errado. Você resistirá a essas ideias errôneas da mesma forma que faria com qualquer outro tipo de tentação: por vontade própria e pela fé. Muitos de nós temos estudado a respeito da fé há tanto tempo, que deveríamos estar familiarizados com o processo de crer nas promessas divinas com o nosso coração e confessá-las com a nossa boca (Rm 10.10). No entanto, temos gastado algum tempo meditando nos versículos bíblicos a respeito do amor e do perdão? Se guardarmos a Palavra de Deus em nosso coração com relação à Sua misericórdia e, então, nós A recitarmos quando formos tentados a nos ofendermos, não teremos qualquer dificuldade de liberar o perdão. Isso significa que perdoaremos e esqueceremos, deixando a ofensa sair por completo. Ao mencionar o assunto sobre o perdão e o esquecimento, alguns protestarão de imediato: “Sim, mas você não sabe o que aquela pessoa fez! Não tem a mínima ideia do que estou passando!”. Não preciso saber os detalhes da ofensa antes de poder apontar uma pessoa que está ferindo a Palavra de Deus e o amor do nosso bondoso Pai.

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Em todas circunstâncias, devemos perguntar a nós mesmos: “O que a Bíblia declara sobre isso? E o que diz o amor?”.

O desejo de vingança: uma atitude antibíblica Alguns ficam tão ofendidos quando são injustiçados, que esperam com ansiedade – e chegam a exigir – que a justiça seja feita sobre o seu ofensor. Quando se ofendem, sentem orgulho ao dizer: “Não vou deixar que Fulano me humilhe e saia ileso!”. Os ofendidos também poderão dizer algo como: “Espere, cada um tem a sua hora”. O que eles realmente querem falar é: “O momento de me vingar chegará”. Então, aguardam a oportunidade certa para agredir e fazer vingança. Amigo, esse tipo de atitude não é bíblica. Como é triste ver algumas dessas pessoas afirmarem no momento seguinte algo do tipo: “Sei que Deus atenderá a todas as minhas necessidades!”. Com fre­ quência, elas não enxergam onde têm errado. Não percebem que caminham de acordo com a Palavra em uma área, porém, completamente contra Ela em outra!

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Há quem se recuse a perdoar aos outros por achar que fazer isso é o mesmo que aceitar o ato errado por eles cometido. No entanto, se uma pessoa, realmente, não cometeu uma injustiça com relação a você, por que Deus pediria que você lhe concedesse perdão? Ele não faria isso! Você libera perdão porque alguém fez algo errado.

Quando você perdoa verdadeiramente, não relembra o passado As pessoas cometem enganos. Já errei, e você também. Estou certo de que você conhece pessoas que, independente de quantas vezes tenham sentido arrependimento, não perdoaram alguma injustiça nem se esqueceram do ocorrido. Entretanto, se você pediu perdão a Deus, Ele o absolveu. Se foi sincero, o Pai irá tratá-lo como se nunca tivesse cometido um pecado. Ele o verá à luz de Cristo. Há aqueles que simplesmente se recusam a perdoar as ofensas alheias. Tenho ouvido pessoas comentando sobre o erro que outros cometeram há 25 anos! Não obstante, falam como se isso tivesse acontecido ontem! É possível que a pessoa a que se referem tenha pedido perdão ao Senhor e esteja

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vivendo com sinceridade diante dEle. Deus pode estar abençoando-a, fazendo-a crescer e prosperar. No entanto, na mente dos que se recusam a livrar-se do rancor por eles guardado, a pessoa ainda está cheia de pecado.

A misericórdia é maior do que o juízo Muitos, incluindo os cristãos, querem justiça em vez de misericórdia quando alguém pecou, especialmente se a trnsgressão foi contra eles! Essas mesmas pessoas pensam apenas que o ofensor deve “receber o que merece”. Na verdade, até elas precisam de misericórdia. Assim, elas querem compaixão e não julgamento! Não me refiro a alguém que violou as leis do país e terá de enfrentar o Código Penal. Por certo, a misericórdia de Deus pode operar nesses casos se o indivíduo que cometeu o crime estiver genuinamente arrependido. Ele pode receber uma sentença menor ou alguma outra manifestação de compaixão. Todavia, nosso sistema judiciário foi constituído por uma boa razão, e a Bíblia fala de modo bem enfático sobre obedecer às autoridades superiores

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(veja Romanos 13.1-6). Se alguém tem enfrentado o pronunciamento de alguma penalidade ou a sentença de uma dessas autoridades, nossa atitude perante ele, por quem Cristo morreu, deve ser de misericórdia, e não de condenação. Aqueles que pensam somente em termos de julgamento quando alguém vacila não compreendem o fato de todos nós sermos merecedores de julgamento. A Bíblia afirma: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). No entanto, o Altíssimo perdoou-nos em Cristo. A Sagrada Escritura também declara em 2 Coríntios 5.19: Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação. Assim, somos merecedores do juízo eterno. Porém, Deus, em Cristo, reconciliou-nos Consigo, e aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo tornam-se receptores da misericórdia divina, a qual é muito maior do que o juízo. LUCAS 6.37 (Versão Ampliada) 37 Não julgues [nem sequer expresse julgamento nem censura] e não serás julgado; não condenes nem culpes, e não serás condenado nem culpado;

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Por que se desvanecer, se você pode perdoar?

absolva e liberte-se [livre-se do ressentimento] e você será absolvido, perdoado e libertado.

De modo geral, não gostamos de ouvir esse tipo de ensinamento, pois, por vezes, ele nos confronta com a necessidade de mudar. Nossa carne, especialmente quando lidamos com a ofensa, prefere agir de acordo com a própria vontade a seguir a orientação de Deus. A carne gosta de ter suas regras, tais como: “Se me pegar, eu o pegarei de volta”; ou “não vou perder a cabeça; vou me vingar”; ou ainda “não me vingarei; serei superior”. Porém, sendo fiéis em Deus e em Sua Palavra, somos responsáveis por nos conduzirmos de acordo com a Palavra: espírito, alma e corpo. Isso nem sempre é fácil. Na realidade, é difícil fazer na carne o que Deus assevera que deve ser feito, especialmente quando somos ofendidos ou usados para deixar nossa carne tomar seu próprio caminho. Ninguém mais pode obedecer a Deus por você. Nenhuma outra pessoa, além de você, pode perdoar caso tenha algo contra alguém. Não posso conceder, em seu lugar, o perdão a essa pessoa, tampouco o seu cônjuge, seus pais, familiares, amigos ou

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Evite a armadilha da ofensa

colaboradores podem fazê-lo! Apenas você é capaz de se submeter à Palavra do Senhor e tomar a dura decisão de perdoar, haja o que houver! No entanto, prometo-lhe que, independente de quão difícil seja perdoar ou de quantas vezes tenha falhado no passado no que diz respeito à falta de perdão, se perma­necer na Palavra, Ela permanecerá com você e irá recompensá-lo de formas que sua mente jamais imaginou. As amargas consequências de deixar a ofensa perdurar em nossa vida são muito grandes, como veremos com mais detalhes no próximo capítulo. Se permitirmos que a ofensa enegreça nosso coração e nossa mente e nos recusarmos a lidar com ela, por fim, nós nos fecharemos completamente para as bênçãos divinas. Os benefícios de não aceitar a ofensa também são grandes. Por exemplo, se você se recusar a deixar a mínima falta de perdão em seu coração, estará preparado para que os ricos tesouros do Céu se manifestem em sua vida, tornando-se, assim, um abençoado dentre muitos ao seu redor. Portanto, eu pergunto: por que fracassar na vida, quando se pode perdoar?

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Como resolver os conflitos

Paulo para a igreja de Corinto, e essa demonstrou grande preocupação com o apóstolo. 2 CORÍNTIOS 7.7 (NVI) 7 E não apenas com a vinda dele, mas também com a consolação que vocês lhe deram. Ele nos falou da saudade, da tristeza e da preocupação de vocês por mim, de modo que a minha alegria se tornou ainda maior.

Paulo estava extremamente feliz pelo conflito deles ter sido resolvido e pelo fato de ter a igreja expressado uma devota preocupação quanto à sua assistência financeira. Isso foi parte do processo de cura. Um conflito foi tratado e resolvido, e, depois de tudo, a cura entre as duas partes aconteceu. A solução do conflito não acontece da noite para o dia, especialmente se existe um problema no relacionamento há anos, o qual foi silenciado, seja por ignorância ou teimosia. Se está sem falar com alguém querido há anos, eu o encorajo a resolver isso hoje e acabar com a desavença entre vocês. Mesmo se a outra pessoa tenha sido o ofensor e o perpetuador do desenten­ dimento, você ainda pode dar o primeiro passo!

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Comece perdoando a outra pessoa, se ainda não o fez. Então, tente estabelecer algum tipo de vínculo. Talvez, seja possível abrir seu coração para ela escre­ vendo uma carta ou enviando um e-mail. Você poderia dizer algo como: “Vamos deixar isso para trás”. Muitas vezes, tudo o que precisa ser feito é um pequeno gesto por parte de alguém para dar início ao processo de resolução do conflito e restabelecimento do precioso relacionamento. Mesmo a outra pessoa podendo não responder à sua iniciativa de fazer as pazes com ela, faça-a de qualquer maneira. Deus sabia que experimentaríamos conflitos. Se o apóstolo Paulo e os pais da primeira igreja cristã enfrentaram dificuldades entre si, sabemos que não estamos isentos de experimentar situações similares nos dias de hoje. O segredo é estar disposto e pronto para resolver a dificuldade quando ela vier. Fazemos isso ao sermos sinceros, diretos, gentis e não críticos, desejando a restauração e a união, e valorizando todas as pessoas presentes em nossa vida como joias preciosas e como aquelas por quem Cristo morreu. Jesus garantiu que a alegria completa do cristão acontecerá quando ele receber de Deus de acordo com

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Como resolver os conflitos

a Sua Palavra (Jo 16.23,24). O Príncipe da Paz disse também que, ao recebermos o que pedimos, o Pai é glorificado (Jo 15.7,8). Nossa caminhada com o Altíssimo e o testemunho compartilhado por nós com o mundo, seja em palavras ou por meio de ações, são cruciais para agradarmos ao Senhor, bem como para nossa participação na grande colheita de almas. Assim, sejamos diligentes em nos afastarmos das coisas que impediriam nossa comunhão com o Todo-Poderoso e obscureceriam nossa visão dAquele que nos salvou. Lembremos de que a ofensa é o inimigo traiçoeiro da igreja, o qual nos atrapalhou por muito tempo. Continuemos a lutar pela união e esforcemo-nos em exaltar o Senhor Jesus, guardar os Seus mandamentos e caminhar conforme indivíduos livres por causa do Seu grande exemplo e sacrifício. Evitemos a armadilha da ofensa caminhando sempre em amor em relação aos outros e optando pelo perdão.

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Evite a armadilha da ofensa  

A ofensa gera uma grande barreira no relacionamento interpessoal. Essa tem sido uma estratégia do inimigo para enfraquecer a família e a igr...

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A ofensa gera uma grande barreira no relacionamento interpessoal. Essa tem sido uma estratégia do inimigo para enfraquecer a família e a igr...

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