Issuu on Google+

73 <<

www.gpsbrasilia.com.br

Por Marina Macêdo Foto Bruno Pimentel

e

la é referência quando o assunto é artes plásticas. talentosa. Admirada. inovadora. colecionadora de obras. esse lado de Betty Bettiol todos conhecem. mas poucos sabem que a esposa dedicada, mãe e avó coruja é pioneira de Brasília e já se aventurou mundo afora para garimpar arte de diferentes estilos. desde criança, Betty transitava no universo das artes. seu pai, oswaldo gentil, era cantor de coral, pintor conhecido e um verdadeiro boêmio. sua mãe, herdeira de uma beleza alemã, comandava uma estamparia. De lá, saíam brilhantes figurinos de teatro. A família adorava receber amigos em sua casa. era hábito jantares com artistas como francisco rebolo, lucas pennacchi e Alfredo volpi. o jovem luiz carlos Bettiol frequentava os mesmos ambientes que Betty. exposições de arte. teatros. espetáculos. na época, ela tinha 14 anos, e ele, 19. quando se encontraram pela primeira vez, ele anotou o telefone da jovem loirinha. mas a ligação só aconteceu cinco anos depois, quando se reencontraram e, seis meses depois, casaram-se. em 1962, Betty então com 20 anos, recém-casada com o já advogado Bettiol, desembarcou em Brasília. A cidade ainda estava por se erguer. e foi na capital federal que ela decidiu cons-

truir seu lar e criar os quatro filhos. uma paulista de nascimento e candanga de alma. Somente quando os filhos estavam mais velhos, em 1979, Betty pôde se dedicar integralmente à arte. no mesmo ano, compraram o primeiro computador. Betty usava uma impressora que demorava 15 minutos para imprimir um desenho. e foi assim que misturou a fotografia com o computador. A novidade resultou em suas primeiras gravuras em metal. Anos mais tarde, a artista se aventurou na pintura. na sequência, inovou com as esculturas. foi quando presenteou a cidade com a obra Venturis Ventis, assentada na entrada da ql 12 do lago sul, com cinco toneladas de aço-carbono distribuídas em dois planos retangulares e o brasão do país. A obra situa quem admira, apontando o norte, sul, leste e oeste. depois, Betty dedicou-se a aquarelas e instalações de madeira. paralelamente, resolveu desbravar o céu do Brasil. foi quando Betty e Bettiol aprenderam a pilotar aviões. hoje, os dois comandantes pilotam seu próprio avião Brasil afora, com a missão de garimpar arte popular. As paisagens são inspirações para as obras de Betty, que rotulamos como artista geômetra.

Seu grande desafio foi o livro recém-lançado Arte Brasileira na Coleção de Bettiol. durante cerca de um ano e oito meses, a artista fotografou, digitalizou e catalogou cada uma das suas duas mil peças de acervo. A obra se divide em pintura, escultura, mobiliário, gravura, arte indígena, arte popular brasileira e arte sacra. o livro marcou um conjunto de datas para a artista. 50 anos de casados, 50 anos de advocacia Bettiol e os 70 anos da artista. Além do livro, o casal resolveu celebrar com uma aventura antiga. A comemoração das Bodas de ouro seria pelo mesmo local percorrido na lua de mel. na época, atravessaram os Andes, e percorreram 11 mil quilômetros de fusca. conheceram uruguai, Argentina, chile, Bolívia e Brasil. desta vez, os destinos foram os mesmos, mas com um King Air, uma aeronave bimotor de propriedade da família, os dois pilotaram o avião e reviveram as lembranças do início do casamento. Betty é uma sonhadora. sonha alto. tem um projeto em mente: construir um museu de arte popular brasileira, onde ela quer dividir seu acervo e servir de referência para gerações futuras. Afinal, para ela: “A arte é uma transmissão de emoção”.


Revista Gps Brasília 2