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VelocIdade e eQUIlíbrIo Nada é fácil na vida. em especial para dois atletas paralímpicos, que representam o País em londres e dizem que mais difícil que lidar com as limitações físicas é conseguir reconhecimento Por Marcella Oliveira Foto Celso Junior

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epois dos Jogos olímpicos de londres 2012, o foco agora é nos atletas especiais. eles chamam atenção não apenas pela limitação física, motora ou mental, mas pelo esforço. A delegação paralímpica brasileira tem 163 atletas, apoiados pelo programa federal bolsa atleta. a luta, além de física, é também por apoio e patrocínio. E, é claro, por fãs. o desempenho brasileiro nas paralimpíadas é muito bom. em 2004, em atenas, o brasil conquistou 33 medalhas (14º lugar), e em Pequim, 2008, foram 47 medalhas (9º melhor país). Números melhores que o dos Jogos olímpicos, que em 2004 trouxe dez medalhas (16º lugar), e em 2008 foram 15 (23º lugar). a GPS|Brasília apresenta a história de dois dos 16 atletas brasilienses que estão em londres.

BRASIl nOS JOGOS PARAlíMPICOS londres 2012 163 atletas brasileiros na delegação Pequim 2008 9º lugar – 16 de ouro – 14 de prata – 17 de bronze = total de 47 medalhas Atenas 2004 14º lugar – 14 de ouro – 12 de prata – 7 de bronze = total de 33 medalhas

Rapidez Quinze segundos. esse é o tempo que dura uma prova de 100 metros de atletismo adaptado. e o mais veloz das américas está aqui, bem pertinho. ariosvaldo Fernandes silva, 34 anos, o Parré, mora em ceilândia. Ganhador de duas medalhas de ouro nos Jogos Parapan-americanos de 2011, ele é o mais rápido nas provas de 100 e 200 metros na classe T53. a modalidade é realizada com uma cadeira de rodas adaptada, uma forma específica de sentar. além de concentração e muita força nos membros superiores. “Já participei de dois pan-americanos, uma paralimpíada e dois mundiais. É um sonho representar uma nação”, diz Parré. Paraibano, Parré chegou a brasília aos dois anos de idade, na busca por um tratamento para a poliomieli-

Parré treina no Cief na Asa Sul

te. Mas a doença o deixou em uma cadeira de rodas. aos 19 anos, iniciou a prática desportiva, com o basquete. depois, mudou para o atletismo. “Praticar esporte foi um dos meios que encontrei para mostrar que sou capaz de fazer algo diferente”, conta. além de um ritmo de treinamento acelerado, Parré trabalha com a fabricação e manutenção de cadeiras de rodas. “A maior dificuldade que já enfrentei foi a falta de recursos para manter no esporte e investir no meu equipamento. Não é fácil.

as grandes empresas têm de acreditar e investir mais. o que temos hoje não dá para se manter no esporte”, revela.

ConCentRação demonstrar domínio sobre o cavalo. Parece difícil, imagina para quem tem dificuldade motora. em mais de dez anos no esporte, o atleta brasiliense sérgio oliva, 30 anos, conquistou diversos títulos: um brasiliense, quatro brasileiros, um sul-americano, um pan-americano e um


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