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entrevista

O encontro com a revista GPs|Brasília começou com o seu irmão, antonio, que fez um tour minucioso pelo espaço com nossa equipe. Mais velho, ele é o anjo da guarda de romero. Cuida de tudo. abre e fecha o galpão, conta histórias, dá notícia de todas as suas obras e até integra a equipe do ateliê. “eu faço as texturas”, diz ele, envaidecido. Fã do irmão, ele também nos conta que romero está em 180 galerias do mundo e até já coloriu dois navios inteiros da royal Caribbean. após conhecer todo o espaço, eis que chega o momento de conhecer romero, que havia chegado do Brasil horas antes. em sua sala privativa, uma infinidade de objetos que ele guarda com carinho. são presentes. De uma tela pintada pelas mãos do príncipe Charles a um trenchcoat da Burberry customizado por Christian Bailey. num outro lado, inúmeras encomendas esperando para receber o toque do artista. entre elas, uma Birkin branca, bolsa da Hermès que em breve receberia os traços de romero. extremamente gentil e afetuoso, a conversa discorreu ao longo de uma tarde inteira. e voltou a acontecer dias depois, quando voltamos para realizar a sessão fotográfica. Entre inúmeros figurinos grifados e vistosos, muitos confeccionados apenas para ele, contou que o amarelo é a sua cor favorita. revelou

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Tela que Romero enviou para o amigo Oscar Niemeyer

que os corações que tanto usa significam amor à vida, e as flores o renascimento, a adorada primavera. inquieto, ele levanta, senta, levanta de novo, procura algo, nos mostra... “você precisa ver isso aqui”, diz, com sotaque pernambucano americanizado. “Não gosto de ficar parado, acho perda de tempo”. romero conta que faz tudo com amor. “não podia ser diferente. sou abençoado”. É como diz seu amigo, Paulo Coelho: romero navega num oceano de cores e desembarca numa ilha de harmonia. Escultura Garota de Ipanema

Como é seu processo criativo? a minha cabeça não para. não há um começo ou um fim quando crio. A ideia surge em momentos e lugares inesperados. veja você, faz anos que eu tento criar minha própria moldura. e foi durante um concerto em Campos do Jordão, há pouco, que me veio a imagem. a música me tirou dali onde estava e me fez visualizar o que eu pretendia.

outra é acontecer. eu sou apenas uma parte do processo. na verdade, queria ser mil para poder fazer tudinho. eu dependo de muita gente, e ter que explicar complica toda a engrenagem.

O caminho da criação ao produto final é longo? Uma coisa é sonhar, a

Mas é possível ser sistemático lidando com arte?

Isso faz de você uma figura centralizadora? sou, sim. acompanho tudo do início ao fim. Tento ser organizado. Dentro do meu estúdio, preciso ter o controle de tudo.

Revista Gps Brasília 2  

REVISTA GPS BRASÍLIA 2

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