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IGUAIS

Muitas crianças gêmeas adotam a criptofasia, isto é, criam códigos de comunicação exclusivos. “Essa linguagem é expressa por meio de gestos, silêncios, palavras inventadas, olhares. São expressões comuns que só fazem sentido entre eles”, explica Fátima Silva, psicoterapeuta, reforçando que tal postura valoriza o que estudiosos chamam de simbiose gemelar. Outra curiosidade é que numa dupla de gêmeos é comum haver o dominante e o passivo. “Em geral, o primeiro faz o social, o contato com as pessoas. Já o outro cuida da sanidade da relação da dupla, revelando-se mais tolerante”, diz Fátima. Essa diferenciação parece menos evidente entre bivitelinos, capazes de construir vínculos mais equilibrados, menos hierárquicos. No dia a dia, o mais comum é que um dos gêmeos seja mais tímido, e o outro mais Ana Maria e Ana Cecília

extrovertido. “Imagine que um é o reflexo do outro. Por mais diferentes que sejam, eles possuem um tipo de união e cumplicidade que dificilmente se vê entre os irmãos comuns”, frisa. A ciência também se interessa, particularmente, pelo caso dos gêmeos, separados na infância. Há estudiosos frisando que a distância os deixa ainda mais iguais, uma vez que não foram influenciados pelo meio e podem deixar a genética aflorar. “Ainda não existe clareza sobre isso, tampouco comprovação científica de sensações e coincidências que ocorram entre eles, apesar de sabermos de inúmeros relatos expressivos. O que não há como negar é a existência de uma conexão muito forte”, finaliza. A revista GPS|Brasília apresenta vivências de gêmeos que cresceram na cidade e guardam boas histórias.

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Ana Maria e Ana Cecília Uma é agitada, comunicativa, divertida, alegre e emotiva. A outra é quieta, tímida, observadora, persistente e racional. Essas são Ana Maria e Ana Cecília Gontijo Oliveira, filhas de Melissa Gontijo e Eduardo Nina de Oliveira Filho. Aos 13 anos, as gêmeas bivitelinas têm em comum o amor pela arte. Adoram teatro, cinema e música. Compartilham também a paixão pelos livros e o sonho de serem escritoras. Cada uma com seu gênero literário, claro. Companheiras inseparáveis, num único olhar elas se entendem. A cumplicidade aliada à afinidade faz com que as duas se complementem e se bastem. A mãe Melissa Gontijo conta que as filhas têm perfis diferentes, mas compartilham de muitas semelhanças quanto à postura. O fato de

serem caseiras as torna melhores amigas. Tanto que o quarto de ambas não tem parede, dividindo o espaço. Existe apenas uma divisória, usada quando uma ou outra precisa de privacidade. Extremamente inteligentes, uma se deleita no passado, pesquisando fatos da história. A outra, projetada no futuro, sabe tudo sobre tecnologia e como fazer vídeos e filmes. Ana Maria e Ana Cecília fogem à regra das adolescentes de sua idade. Avessas a marcas e rótulos, ambas passam longe do materialismo. Prezam por uma boa conversa com amigas que saibam falar de coisas que não sejam apenas meninos, roupas e celebridades. Quando se sentem sozinhas, não hesitam: instintivamente se amparam mutuamente. Ana Cecília conta que, quando menores, eram fisicamente mais parecidas. Na época, adoravam confundir os professores no primeiro dia de aula. “Quando íamos nos apresentar, eu fingia ser ela e Ana Maria ser eu. Quando o professor me chamava de Ana Maria, eu dizia ser Ana Cecília. E vice-versa. Era muito engraçado. Eles ficavam confusos”, diverte-se. Já Ana Maria conta que certa vez aprontou na escola e para se livrar da bronca, deu o nome da irmã. Quando a direção ligou para a mãe e contou o ocorrido, Melissa perguntou se eles não tinham errado de filha. Ana Cecília jamais faria aquilo. Já Ana Maria... Quando chegou à escola, teve a comprovação: Ana Maria era a autora do fato.

Revista GPS Brasília 5  
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