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A VIDA

PAR

EM

mente, são motivo de curiosidade e sucesso, no passado eles eram considerados nada menos que sobrenaturais. Sem dados científicos, o que um homem primitivo poderia imaginar ao ver nascer duas ou mais crianças ao mesmo tempo? Dependendo da época, colheita ou enchente e seca, eles eram louvados ou amaldiçoados. O fato é que a humanidade tem fascínio por eles, e a partir daí tecem os mais distintos estudos e histórias, em que eles são vistos como paradigmas tanto do

igual quanto do diferente. A começar pela mitologia, no qual eles surgem como metade de um todo que se completa e que se opõe. É o caso de Castor e Pólux, lendários personagens gregos, filhos de Leda, mulher do rei de Esparta. Embora idênticos, seus pais eram diferentes: o de Castor era rei, portanto mortal; o de Pólux era Zeus, imortal habitante do Olimpo. Quando Castor morre numa batalha, o irmão pede ao pai para compartilhar o seu destino. E assim Zeus os transforma na

Taís e Taiana Miotto

constelação de Gêmeos. No Egito, o deus da terra Geb e a deusa dos céus Nut eram gêmeos, e também amantes. Da união, nasceram Ísis e Osíris, os mais populares deuses egípcios. Há também Rômulo e Remo, fundadores de Roma. E ainda os bíblicos do Antigo Testamento Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. Na verdade, o poder que os gêmeos exerciam nascia não somente da sua semelhança, mas, principalmente, das suas diferenças. Por isso, ainda são símbolos vivos da dualidade:

iguais e diferentes, o mesmo e o outro. O psicólogo francês René Zazzo (1910-1995) classifica esse comportamento como “paradoxo gemelar”, referindo-se ao fato de indivíduos tão próximos e cúmplices desenvolverem, ao mesmo tempo, personalidades distintas e, muitas vezes, conflitantes. O fato é que gêmeos já nascem sabendo que existe o outro. A terapeuta francesa Christiane Charlemaine, autora do livro Guide des Jumeaux, diz em sua análise que “nascer em um mundo de únicos que não compreendem o que é ser múltiplos não é nada fácil”. E é aí que entram pais, educadores, psicólogos e estudiosos do comportamento humano, tentando decifrar esse curioso universo. Especialistas dizem mesmo no caso de gêmeos univitelinos, na maioria das vezes eles costumam ter diferenças de temperamento. Além disso é natural que exista um relativo nível de rivalidade. Até por que cada um precisa encontrar um espaço para si e ter uma réplica nem sempre ajuda muito. Mas não é regra. As diferenças de postura mais os une que os separa. Estudos recentes da Universidade de Turim alertam para o fato de que a afinidade e a sincronicidade estabelecidas entre os gêmeos podem tornar a convivência entre eles tão exclusiva a ponto de distanciá-los de outros relacionamentos, em especial na infância.


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