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seu toque especial. Decorava com arranjos, enfeites e louças diferentes. “Esse meu jeito fez com que meu pai, Paulo Camillo, me apelidasse de Sofis, de sofisticada”, conta Tereza. Aos 14 anos, resolveu fazer um curso de porcelana com Marinice Pentagna, artista da região. Desde então, pincelou os mais variados modelos de louças. Mas pintar era apenas um hobby. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formou-se em Publicidade e Propaganda e especializou-se em Marketing. Mesmo estudante, jamais deixou de estar próxima do universo artístico, visitando constantemente museus e galerias. Em 1992, Tereza casou-se com José Luiz, executivo de telecomunicações, e se mudou para a Capital Federal. Ela é mãe de José Luiz, 17 anos, e madrasta de Marina e Felipe Simão, respectivamente, 32 e 31 anos. A agenda atarefada e repleta de viagens do marido fez com que Tereza não tivesse um emprego fixo na área de Comunicação. Foi quando resolveu resgatar seu antigo hábito pintar e o consolidar como profissão. Deu certo. Especializou-se em painéis decorativos. Começou pintando painéis para as amigas mais próximas e as encomendas foram aumentando gradativamente. Com apenas seis meses de casada, totalmente envolvida com o universo das artes plásticas, desembarcou em Bruxelas, capital da Bélgica, para cursar pintura deco-

rativa na Ecole Superieur de Peinture Van Der Kelen Logelain. “Na época, como éramos recém-casados, não contamos para ninguém que eu passaria um ano em Bruxelas. Falávamos apenas que eu tinha ido para fazer um curso e assim pude ficar mais tempo”, lembra a artista. O período foi um divisor de águas para a carreira da mineira. Sempre com o apoio do marido, Tereza adquiriu o conhecimento necessário, e aplicou as técnicas aprendidas em tecidos, painéis decorativos e até altares de igrejas, cujas matérias-primas eram folhas de ouro. Atualmente, dedica-

-se à pintura em porcelana. “É muito enriquecedor. Me sinto envolvida e realizada quando estou em meu ateliê”, diz. O material é outro diferencial da artista. Sempre que viaja, traz novos modelos garimpados nos quatro cantos do mundo. “A maioria das minhas porcelanas é importada. Sempre que embarco para um novo destino, vou em lojas procurar as novidades daquela região”, conta Tereza. O resultado são peças únicas, limitadas e que ainda trazem os valores e a cultura de cada lugar por onde passa. O processo de criação começa com os primeiros traços na

porcelana. Trabalho minucioso. Após o desenho ganhar forma, Tereza entra com a tinta e pinta os mínimos detalhes. Hora da concentração absoluta. Dependendo da complexidade do desenho, o procedimento pode durar horas. Em seguida, é levado até quatro vezes ao forno, com temperatura de até 750 ºC, para fixá-lo. Quando o assunto é inspiração, Tereza conta que tira ideias de viagens, passeios, jardins, livros, revistas e até de objetos do dia a dia. Sobre a cópia, Tereza diz não temer. “Não tenho medo de ser copiada. Pois estou sempre inovando com minhas peças e traços”, diz. Ela acredita que todo tipo de arte seja referência para seu trabalho. Mas se pudesse escolher apenas um local para passar horas mergulhada nesse universo, ela elegeria o Museu das Artes Decorativas, situado no prédio do Louvre, em Paris. “Ali, é o meu lugar de inspiração. Me deixaria perder no tempo para estar próxima do que mais admiro. E poder extrair tudo o que um artista busca a todo instante que respira: inspiração”, conclui a artista, que com sua postura discreta, seu gesto elegante e seu olhar apurado, passa horas do seu dia envolvida em seu ateliê, dando vida às inúmeras encomendas que não cessam de chegar. Serviço Ateliê Tereza Penna Comércio Local da QI 13, Bloco E, sala 12, Lago Sul (61) 8131-9500

Revista GPS Brasília 5  
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