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OLIMPÍADAS

Qual a diferença entre Rio de Janeiro e Londres? Londres recuperou um bairro industrial degradado, Stratford, para abrigar o Parque Olímpico e outras arenas esportivas. O Rio de Janeiro concentrará o evento num bairro já urbanizado, que é a Barra da Tijuca. E que necessita das obras viárias em curso, mas com outros serviços importantes de infraestrutura urbana. Qual o impacto das Olimpíadas na criação de empregos? As atividades com maior potencial são a indústria da construção, o transporte aéreo, a infraestrutura aeroportuária, o turismo, a hotelaria e o lazer. Destacam-se obras de instalações esportivas, habitações e ampliação da rede hoteleira. Cerca de 6,5 mil pessoas trabalharam na modernização do estádio do Maracanã. E na Linha 4 do Metrô – extensão que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca – são 3,5 mil operários em atividade. Dados do IBGE afirmam que neste ano estão sendo ge-

rados cerca de 200 mil empregos formais no Estado. O número é superior às 165 mil vagas criadas de janeiro a novembro de 2012. Como o Estado está se organizando na área de segurança? Haverá a integração entre as polícias, como aconteceu na Rio+20 e nos Jogos Militares em 2011. O Rio de Janeiro vive um novo momento, resultado da pacificação das favelas combinada com ações de governo, que levam infraestrutura urbana e serviços a essas comunidades. Isso significa a presença do Estado e o resgate da cidadania para os seus moradores. Como aproveitar a oportunidade como ferramenta para o turismo após os jogos? Para colhermos resultados, devemos nos destacar pela organização primorosa do evento. E, ao mesmo tempo, aproveitamos para vender o País. Uma campanha deverá revelar o Brasil ao mundo inteiro, ampliando o espaço na

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mídia internacional. O próprio Carnaval é um grande evento e impressionou positivamente os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), que estavam no Rio de Janeiro. Que recomendação o senhor daria a uma cidade que pretende sediar um grande evento? É importante que o projeto se alinhe com os interesses e com as necessidades do País no momento. No Brasil, por exemplo, o fato de termos o PAC, com muitas obras em andamento, cria condições favoráveis para sediar os Jogos. O que fizemos foi aproveitar o evento para apressar prazos. Também vamos estimular o envolvimento dos jovens com as diversas atividades esportivas, um hábito indiscutivelmente saudável e com vistas a melhorar nosso desempenho nas competições mundiais. Qual será o legado dos Jogos Olímpicos para o Rio? Encurtamos prazos para tocar projetos viários importantes, que melhorarão o trânsito

do Rio. A instalação das Vilas de Mídia e dos Árbitros, além da construção do novo Píer, foi um grande estímulo para finalmente revitalizar a região portuária. Nem falo das reformas dos aeroportos, que eram necessárias independentemente de realizarmos a Copa e as Olimpíadas. E na área do meio ambiente? Há um assunto que trato com o maior carinho, pois tem a ver com minha época no Ministério das Cidades, que é o saneamento da Baía da Guanabara e do complexo lagunar de Jacarepaguá. Essa despoluição é um compromisso olímpico que traz benefício a toda população. Teremos uma cidade ainda melhor. Qual a sua expectativa? O que espero mesmo é que a imagem do Brasil no exterior se consolide como a de uma nação feliz, receptiva, que trilha o caminho do crescimento econômico sustentável. E, claro, dar um destino adequado às instalações olímpicas para conquistar cada vez mais medalhas nos jogos.

Revista GPS Brasília 5  
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