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POR MARIANA BRAGA

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iami – Ele é colecionador de arte e filantropo. Também um homem de visão ao enxergar no Miami Design District a chamada Nova Miami. À frente desse inventivo e audacioso projeto que é reinventar um bairro decadente, Craig Robins há 15 anos vive para esse fim. Uma saga de empreendedorismo, audácia e estratégia. O Design District tornou-se também um destino de compras, ao reunir grandes grifes internacionais. Cartier, Christian Louboutin, Panerai, Rolex, Parmigiani, Miu Miu e Emilio Pucci são algumas delas. Aos 52 anos, Robins também é presidente e CEO da Dacra. A empresa nasceu em 1987, com foco na preservação de uma vizinhança e hoje ganhou proporções bem maiores. Com a cabeça raspada e olhar penetrante, ele foi responsável pela revitalização de diversos pontos da região. Uma figura muito importante para a arte em Miami. O Miami Design District voltou a ter vida graças a sua imaginação. O que você tinha em mente quando você começou a trabalhar naquela área? Na metade dos anos 90, eu percebi que já não havia mais lugar para expansão em South Beach e comecei a comprar propriedades no Design District, que tinha caído em abandono. Nós começamos a renovar os prédios, mantendo os inquilinos que cultivavam o design. Foi um laboratório criativo. Alguns dos principais nomes do design, tais como Kartell, Poliform, B&B Italia e Holly Hunt, abriram showrooms em um contexto espaçoso e transparente, e eu também forneci estúdios para vários artistas, o que criou uma atmosfera inventiva. E os eventos?

O Art Loves Design é uma festa anual. Nós então criamos instalações públicas com peças de Marc Newson, Jose Bedia e Zaha Hadid, entre outros. E começamos a trabalhar

em importantes colaborações com o Art Basel. Ao mesmo tempo foi lançado o Design Miami in the District em 2005, um fórum global de design, que atualmente é apresentado simultaneamente com o Art Basel Miami Beach.   Você trabalhou em parceria com o time do Art Basel. De onde vem essa paixão pela arte? Eu sou instintivo quando estou escolhendo arte, mas minha vida tem sido uma interação entre impulsos intuitivos e uma mente consciente, um checando o outro. Quando eu me torno interessado em um artista, eu tenho a tendência de colecionar seu trabalho com profundidade. Por mais de uma década eu trabalhei com Jack Tilton, uma das pessoas mais perspicazes atualmente. A respeito de colecionar, o mais bacana para mim é ter o que é ao mesmo tempo colecionável e funcional/prático. Eu tenho uma mesa Prouve no meu escritório que originalmente foi utilizada em uma universidade. Assim também procuro apoiar designers inovadores, tais como Konstantin Gricic. Nos  anos 2000, a moda reconheceu que a região havia adquirido caráter autêntico e sofisticado. A consequência foi a vinda de grandes marcas? As marcas da LVMH estão entre as que mais cedo se mudaram: Dior Homme, Louis Vuitton, Céline e Pucci. O nosso foco é solidificar isso. Grandes marcas já estão por lá. O Design District tem a mais abrangente coleção de alta-costura e joias do Sul da Flórida. Quem são os clientes que vão até o Design District? Recebemos clientes de todos os cantos do mundo – França, Itália, Inglaterra, Espanha, Brasil, Venezuela, México, Rússia. Muitos dos clientes também são locais, que vêm até aqui para almoçar ou jantar, e acabam casualmente caminhando pelo bairro, para depois descobrir uma loja que eles não tinham nem percebido que estava unicamente no Design District.

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Revista GPS Miami 01  
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