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ARTIGO

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POR MURILLO De ARAGÃO

BRASíLIA A

qui estou eu, com filhos e neto candangos e uma história de 30 anos em Brasília. Desde que me mudei para cá, no início dos anos 80, ouço comentários recorrentes sobre a cidade. Muitos no Brasil ainda não perdoam Brasília. A nova capital despertou a raiva daqueles que viviam ou desejavam viver na antiga. Recentemente, por ocasião do aniversário de 52 anos da cidade, as críticas recrudesceram. Duas delas merecem nota.  Uma é a de Fernando Rodrigues, brilhante jornalista que parece ter sido deportado para a capital federal por conta de compromissos profissionais; a outra é a do mais extraordinário ainda Ferreira Gullar, que foi o primeiro presidente da Fundação Cultural de Brasília.  Rodrigues não inova nas críticas. Surpreende apenas que – tal qual na história do traído – ele atribua a culpa ao sofá. No caso, o sofá é Brasília.  De forma superficial, muitos pensam que se não

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Bruno Pimentel

existisse Brasília não haveria tanta corrupção, pois a sociedade estaria mais perto para acompanhar o processo. Ledo engano. Basta ler a história da política nacional – uma coleção de compadrios, nepotismos, favorecimentos, corporativismos, entre outras doenças. O mais notável dos textos criticando Brasília é o de Ferreira Gullar. Com uma

ponta de melancolia, ele afirma que a construção de Brasília era a expressão do novo – arquitetura, urbanismo, uma promessa utópica de sociedade justa. Mas, segundo ele, a cidade terminou se tornando provinciana e, de certa forma, a expressão do arcaico, por conta das desigualdades, dos benefícios e privilégios de alguns e, ainda, dos escândalos.

Com todo o respeito, tanto as expectativas criadas por Gullar relacionadas a Brasília das pranchetas quanto os defeitos e problemas apontados são despropositados e desconectados da realidade. O sonho igualitário de Brasília, por melhor que fossem as intenções, ainda não cabe na realidade social de hoje. Imaginem nos anos 50! Penso tam-

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