Page 99

97 <<

www.gpsbrasilia.com.br

da Presidência. Por exemplo, o subsecretário de operações de segurança, que acompanha o governador, trabalhou com Lula; e quem cuida da segurança do Palácio do Buriti atuou no Planalto”, revela. Essa expertise é passada adiante. Leão idealizou um curso que é oferecido pela Casa Militar do DF desde 2011. De seis em seis meses, servidores de vários órgãos governamentais participam de um treinamento de 360 horas que inclui, dentre outras temáticas, a segurança de autoridades, que envolve desde o comboio até participação em eventos públicos. Policiais do Congresso Nacional, da Câmara Legislativa do DF e do Supremo Tribunal Federal já participaram, assim como servidores de todo o Brasil.

Sede Atualmente, um dos focos do trabalho é pensar na transição dos órgãos do governo para o novo Centro Administrativo, em construção em Taguatinga. Mais de 55% já está pronto e a previsão é que os primeiros funcionários comecem a mudar para o local em abril de 2014. “Nosso trabalho é para garantir a segurança do empreendimento. Não só pessoal, mas tecnológica também”, explica. A construção, um investimento de R$ 600 milhões, uma Parceria Público Privada (PPP). Com uma área total de 178 mil metros quadrados, serão quatro prédios de 15 andares e dez de quatro. E ainda um prédio da governadoria e

um shopping. A expectativa é gerar uma economia de 30% em alugueis e serviços de manutenção. Coronel Leão tem visitado as obras com frequência. Observa a segurança, o acesso e a mobilidade. “Busquei conceitos de segurança aplicados à Presidência para efetivar aqui. Será uma transição tranquila”, conta.

Trânsito Nascido em Goiânia, mudou para Brasília aos dois meses de idade. Cursou Direito no UniCeub e ingressou na PM em 1990, na Primeira Turma da Academia da Polícia Militar. Dedicou cinco anos ao Batalhão de Trânsito. Durante o período, foi o responsável pela implementação de dois importantes projetos no trânsito da Capital: o Eixão do Lazer e a mão única na Via Estrutural. Já existiam legislações que criavam o Eixão do Lazer, mas até então nunca tinha saído do papel. Em 1996, a ideia foi colocada em prática com ajuda de Leão. “Transformamos o Eixão em rodovia. Ele passou a ficar sob jurisdição do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e decidimos fechá-lo aos domingos”, conta. Nas duas primeiras semanas, foram necessários 27 policiais no Eixão Sul e 18 no Eixão Norte para garantir que nenhum carro transitasse pela via. “Hoje, a população já incorporou. Não precisa nenhum policial ficar lá, já faz parte da rotina do domingo da cidade”, comemora.

Outra ideia que os brasilienses também abraçaram foi a mão única da Via Estrutural durante os horários de pico. Com a frota de veículos no DF aumentando, o trânsito começou a ficar pesado. Foi quando, em 1997, Leão trouxe a ideia para o governo. “Passei sete meses em São Paulo, que tinha algo parecido em uma via. Imaginei que daria certo aqui. No começo, ninguém acreditou. Os carros tinham medo de pegar a via contrária. Mas hoje é uma realidade e, se não existisse, o trânsito na região ficaria parado”, analisa o coronel. Leão orgulha-se dessas duas contribuições que fez para a Capital Federal. “São atividades que se fazem com o trabalho de pessoas comprometidas, sem nenhum gasto extra e que trazem muitos benefícios para a cidade”.

Presidência Depois de um período na área administrativa da PM, do trabalho de ajudante de ordens do governo PT, entre 1995 e 1998, e dos quatro anos em que ficou no Batalhão de Planaltina, em janeiro de 2003 foi deslocado para trabalhar na segurança presidencial. Logo trabalhou na Secretaria de Administração da Casa Civil. Passou a fazer parte da Coordenação de Segurança de Telecomunicações e atuou na segurança relacionada a grampos eletrônicos. “Fiquei oito anos e conseguimos passar sem sérios problemas, que colocassem em risco a dinâmica da presidência”, lembra.

Foi um período em que acompanhou o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em viagens internacionais. Participou de todas as assembleias gerais da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao longo dos dois mandatos, visitou 78 países. “Apesar de serem viagens a trabalho, conheci muitas culturas e tive oportunidade de estar em lugares incríveis, como o Taj Mahal. Tive a oportunidade de ver o Lula ser homenageado por todo o metrô de Tokio, eles colocaram fotos do presidente em todos os vagões”, contou. Leão presenciou ainda momentos importantes para o Brasil, como quando o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, em Copenhagen, na Dinamarca. “Eu era um dos brasileiros que estava lá, com uniforme e gravata verde e amarela”, revela. Da convivência com Lula, o coronel conheceu um pouco mais do mundo político. “Foi um excepcional aprendizado. Ele é um doutor em ciência política, que serve de exemplo para o mundo”, elogia. Leão deixou a função junto com Lula, no dia 31 de dezembro de 2010. “O Lula é referência política para mim. Tudo que aprendi nos anos que estive com ele serviu de base para me ajudar a desenvolver o trabalho que faço hoje. Não se pode perder oportunidades nem contatos. Olhar atento é essencial para aprender e repassar”, conclui o coronel.

Revista GPS BRASILIA ed 6  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you