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NOITE

Outro grande sucesso da casa estreou em 2001, a Quarta do Vinil. Como o nome já diz, o evento tirava os LPs das estantes e os colocavam para comandar a animação da pista de dança. Surgia assim um novo público: o dos gays. “O Gate’s foi o primeiro pub da cidade a apostar em uma festa dedicada ao público GLS. A noite acabou sendo popularmente nominada de Quarta do Viril”, conta Sérgio sobre a extinta festa, que fez história e gerou muita diversão.

Memória No palco, episódios épicos. Como a noite em que Renato Russo chegou como um simples cliente e perguntou aos proprietários se poderia assumir o microfone. “Um quinteto de jazz se apresentava e Renato pediu para subir A noite fervendo

no palco e cantar Miss Celie’s Blues, de Quincy Jones”, recorda Sérgio Resende, atual proprietário. O dia foi inesquecível para quem estava lá. No meio da canção, Renato começou a improvisar em português. “Ele falava: ‘é porque eu sou de Brasília e nunca vi cidade igual’. A interferência no som de Jones gerou uma vaia no cantor. Como Renato não levava desaforo para casa, começou a bater boca com o público. E foi embora”, conta Resende. Outro episódio foi a lendária apresentação do guitarrista Andy Summers, da banda The Police, na casa. Realizado em setembro de 1997, o show era instrumental e, além de Summers, trazia aos tablados o talentoso guitarrista argentino Victor Biglione. “A

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procura pelos ingressos foi tamanha, que fizemos duas sessões”, conta Sérgio. Apesar de ser um espetáculo instrumental, grande parte do público presente queria ouvir pelo menos uma música do The Police. Sérgio conta que, mesmo contra vontade, Andy Summers tocou. O Gate´s também deixou sua marca entre as bandas locais. O baterista Igor Karashima, do grupo Let It Beatles, lembra de um importante momento que viveu na casa nesses 13 anos de banda. “Era janeiro de 2003. Fizemos uma temporada de quatro apresentações e foi a primeira vez que vimos pessoas esperando na fila por um show nosso”, recorda o músico. Depois do sucesso da primeira apresentação, ficava aquela expectativa. “Era emo-

cionante chegar para tocar aos sábados, ansioso por saber qual seria o tamanho da fila. Aquela temporada foi muito importante para nos consolidarmos no cenário musical de Brasília como um tributo sério aos Beatles”, acrescenta o baterista. Depois de embalar a noite de muitos brasilienses, a casa foi ainda cenário do longa-metragem A Concepção. Lançado em 2005, o filme foi dirigido pelo brasiliense José Eduardo Belmonte e foi estrelado por Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Milhem Cortaz, Gabrielle Lopez, Murilo Grossi e Rosanne Mulholland. Um cantinho da Capital difícil de passar à margem de uma narrativa que envolve três jovens, filhos de diplomatas, que moram juntos em Brasília.

Revista GPS Brasilia 6  
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