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gião administrativa do DF, que Rainer passou sua infância. “Minha casa era de alvenaria, mas havia barracos e a rua não era asfaltada”, lembra. Como tinha asma, sua mãe não o deixava brincar nas pistas empoeiradas. Restava encontrar algo dentro de casa, que envolvia o tarô de sua mãe e as magias da vida cigana. Foi assim que Ronalda, a quem chama de mãezinha, tornou-se fundamental na jornada de Rainer. “Ela sempre foi muito espalhafatosa. Era taróloga, participava de feiras místicas no Brasil e em diversos pontos do mundo. Então vivi muito isso na minha infância. Ela me fantasiava de ciganinho e eu dançava pela sala”, revela. Mas a timidez era recorrente na rotina de Rai. Para quebrar a inibição e deixá-lo mais sociável, a mãe o colocou em uma colônia de férias do Teatro Mapati, aos nove anos. “Me apaixonei pelo teatro naquele momento. Foi uma sementinha plantada que só foi germinar mais tarde”, lembra. A vida de Rainer deu uma reviravolta aos 12 anos, quando a mãe se casou com um italiano e se mudou para Roma. “Vivi outro extremo. De uma simplicidade extrema, de repente eu estava em um prédio no centro de Roma. Estudei em um colégio tradicional e aprendi latim, inglês, italiano e espanhol. Foi um banho cultural”, revela. No berço da história, Rainer viveu por dois anos. Além da escola e das aulas de línguas,

fez curso de modelo e iniciou alguns trabalhos. Foi outra boa experiência. Sua volta ao Brasil foi às vésperas dos 15 anos. Ronalda foi chamada para tomar posse em um concurso público. Já instalado na Capital novamente, decidiu seguir com a carreira de modelo para se manter, enquanto finalizava os estudos.

Ator Mas as aulas de teatro da colônia de férias ainda estavam na memória. Foi quando conheceu o Espaço Cultural Renato Russo, na Asa Sul, e iniciou um curso gratuito de três anos com a atriz Adriana Lodi. “Ela trabalha com o ator como criador. Lá tive a oportunidade não só de aprender a atuar, mas de conhecer todo o universo do teatro. Não era apenas um personagem. Pude dirigir, escrever, montar o cenário. Conhecer o fazer teatral”, conta. No primeiro ano do curso, fez sua estreia no Teatro Galpão com a peça Revolução na América do Sul. “Foi a primeira vez que entrei em um teatro. Nunca tinha assistido uma peça. Num caminho inverso, subi no palco antes de sentar na plateia”, lembra. Foi quando ele percebeu que, como gosta de dizer, ser artista é sua missão. “Ainda bem que deu certo. Eu não saberia fazer outra coisa”, afirma. Com o grupo, apresentou três peças. Uma delas, chamada Muro, esteve no Teatro Nacional. “Foi incrível”, diz. Nesta época, estudava no Centro Educacional Elefante Branco,

participava das aulas de Artes Cênicas na escola e se destacava, diferentemente do garoto acuado da infância. Paralelo ao teatro, fazia comerciais e peças publicitárias. Não era difícil ver o rosto dele estampado em propagandas pela cidade. Realizou trabalhos ao lado da então namorada, Aline Alves, mãe do seu filho, de quem está separado há quase dois anos. Juntos, modelaram em eventos de moda de Brasília, enquanto a oportunidade profissional não chegava.

Rio Além de Samambaia, morou no Cruzeiro e no Guará. Aos 18 anos, em 2005, disposto a tentar a sorte na cidade das oportunidades para atores, seguiu para o Rio de Janeiro com a namorada. “Fui na coragem, sem saber o que iria encontrar. Morei com modelos, fiz figuração, inúmeros testes. Os muros do Projac pareciam muito altos para mim”, conta. Sem saber qual seria seu futuro como ator, transferiu a faculdade de Psicologia que começou a fazer no UniCeub, em Brasília, para a Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro. “Escolhi a Psicologia porque eu queria entender mais sobre a mente humana, nunca quis ser psicólogo. Queria estudar o inconsciente. Acredito que para um artista, tudo pode agregar e se transformar em arte”, afirma. A conclusão do curso não aconteceu. Ficou o estágio e a monografia, mas a atribulada vida de ator impediu o término.

Depois de frequentar a Oficina de Atores da Rede Globo e a Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), Rainer participou de um capítulo da novela Caras e Bocas, em 2009. Em seguida, ganhou um personagem na novela Cama de Gato. “Até agora só fiz papel de bonzinho. Sou louco para fazer um vilão”, revela.

Projeto Até janeiro, Rainer viverá o doutor Rafael. Depois disso, estreia de um projeto em homenagem ao centenário de Vinícius de Moraes. Ao lado das cantoras Ellen Oléria e Maria Gadú, montará uma peça com a direção de Rodrigo Nogueira. “Será de graça. Para que pessoas possam ir ao teatro pela primeira vez, como aconteceu comigo. Quero fazer muito por Brasília. Ela inspira arte. Tem universidadade que movimenta um pensar artístico”, acredita. Rainer vive um momento de crescimento. Quer voltar ao curso Cinema. “Estou muito concentrado no trabalho. Tenho paixão pelo que faço. Em vários momentos pensei em desistir, mas sempre apareceu um anjinho e me fez insistir, persistir”, diz. De fato, o menino tímido morador de Samambaia que sonhava um dia estar na tevê nem acredita que tal desejo se cristalizou. “Brasília é a cidade dos sonhos, pois surgiu de um. sonho. Vivo hoje o que parecia ser muito distante na minha vida. É incrível. Hoje, os muros do Projac não são mais tão altos”, conclui o ator.

Revista GPS Brasilia 6  
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