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ENTREVISTA

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Bamboo Shopper, Lady Lock e New Bamboo

E os sapatos, conhecidos por sua alta qualidade? Além disso, um dos itens mais icônicos em todos os arquivos da marca é o 60.º aniversário de Gucci. Os mocassins não são só uma parte crucial do patrimônio da Gucci, mas também teve um impacto na história do mundo da moda, tornando-se parte da coleção permanente do Museu Metropolitano de Arte, em 1985. Desde 1953, a beleza clássica e a funcionalidade do sapato têm permanecido a mesma. Ao assumir, você iniciou um novo capítulo pós Tom Ford, que cultuava uma mulher extremamente sexy. Você foi na contramão e extraiu o floral Grace Kelly, criando uma coleção romântica, comercial e feminina. Foi desse rompimento que surgiu a identidade de Frida na Gucci? No início, eu, claro, vi cada transição como um desafio, mas eu não estava intimidada. Minha primeira coleção, quando me tornei Diretora de Criação de Acessórios, foi Flora. O padrão floral provocou reações iniciais, “O que significa este bambu? Ele parece velho”. Eu estava confiante de que seria um sucesso e tenho o prazer

em dizer que foi. A partir do meu conhecimento em acessórios, comecei a transformar minhas ideias em roupas. Eu sempre confiei nos meus instintos e acredito em tudo o que faço. Para saber onde você está indo, é essencial lembrar-se de onde veio. Você vem de uma família culta, que preza a liberdade criativa. Suas referências vêm da música, da arte, da arquitetura? Foi aí que a moda entrou no seu caminho? Meu amor pela moda vem da conexão e de tantas outras formas de criatividade, seja fotografia, cinema, música ou arquitetura. Você está imerso em um mundo que é sempre estimulante. Suas criações têm a ver também com seu estado de espírito? O processo criativo está sempre em produção. Estou constantemente observando meu redor: pessoas, lugares, objetos. Minha visão criativa envolve certo casamento estilístico entre passado, presente e futuro, de modo que a inspiração vem tanto do meu estado de espírito atual, bem como arquivos de Gucci dos últimos 92 anos.

A vida da Frida interfere numa coleção? Ao produzir, eu nunca olho para mim em busca de inspiração, porque eu acho que realmente limita o designer. Você tem que pensar em uma ideia, um mundo, uma viagem. Quando você termina uma coleção, há uma grande parte de si mesmo, por causa do tempo e da paixão gastos com ela. No final, ela se torna um reflexo de você e de sua personalidade, mas eu acho que é algo mais inconsciente do que premeditado. Você é adepta das roupas possíveis, do comercial ao sofisticado. Como harmonizar o luxo com a solidez exigida pelo mercado? Quando entrei na Gucci, era importante estabelecer meu ponto de vista pessoal e distinguir o meu trabalho do passado. Isso significou passar do conceito de luxo popularizado, durante os anos 90, e introduzir uma abordagem menos agressiva, mais discreta. O cliente Gucci quer investir em peças da última temporada, peças icônicas com seus luxuosos tecidos e acabamentos. E a qualidade de hoje leva adiante os mesmos padrões do fundador Guccio Gucci. Tenho o prazer de dizer que a Gucci é in-

teiramente “made in Italy” com a exceção dos nossos relógios, que são feitos na Suíça. Você faz interferências com astros: James Franco, Rihanna e Claire Danes. Por quê? Hollywood tem a sua importância para a moda além do tapete vermelho? Ao longo de muitos anos, Gucci e glamour sempre foram sinônimos. Desde os anos cinquenta e sessenta, o rótulo tem sido abraçado por celebridades e socialites. Jet setters são fotografados em todos os lugares, usando suas peças favoritas Gucci e acabam se tornando embaixadores. Hoje, eu gosto de colaborar com personalidades, porque elas estão frequentemente dispostas a correr riscos e compartilhar minha mesma ambição de evoluir e inovar continuamente. Como você define a mulher Gucci? Ela é culta, sensual, sofisticada e discretamente conservadora? A mulher para quem eu desenho é ao mesmo tempo feminina, elegante, sofisticada e confiante. Ela nunca pode deixar para trás a sua atitude e seus costumes. Não é sobre a aparência, mas sim a etiqueta e o equilíbrio com que ela se apresenta.

Revista GPS Brasilia 6  
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