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o 500 by Gucci, linha customizada do Fiat 500. Esses se referiam ao lifestyle da grife. Para celebrar o comprometimento histórico com as artes, Frida fez uma parceria com o The Film Foundation e com a Recording Academy para restaurar arquivos de filmes e músicas para as próximas gerações. A mais expressiva ação, no entanto, foi resgatar a história do fundador Guccio Gucci, abrindo o Museo Gucci em Florença, na Piazza dela Signoria. Para este momento, foram revelados acervos nunca antes abertos ao público. E ainda um espaço dedicado a exposições de arte contemporânea, café, livraria. Para o consumidor, Frida reeditou ícones criativos de Guccio com nova edição das bolsas Bamboo, New Jackie e Horsebit. Seu esforço consiste em deixar um legado para que a marca mantenha essa jornada da renovação constante. Frida é observadora e usa lugares e pessoas para desenvolver suas coleções sazonais. Costuma dizer que não é artista, logo não acredita em desfiles performáticos. Prefere seduzir suas consumidoras fazendo um elo entre passado, presente e futuro, criando a imagem de uma cliente culta, cool e feminina. “É uma mulher que quer ser respeitada por sua inteligência e conquistas. Tanto faz se é uma super profissional ou uma mãe, ou, como na maioria das vezes, os dois casos”.

Nessa jornada, mudou o escritório de Florença, instalado desde 1921, para Roma, sua cidade natal, com o intuito de renovar os ares da equipe. Diz que Roma tem espírito livre, é uma cidade boêmia, tem mercados e muitos shows. Frida tem 41 anos. É filha de pai arquiteto e mãe professora de história. Estudou na Escola de Moda de Roma. Em 1997, estreou no mercado pela Fendi. Sua história com a Gucci teve início em 2002. Diretora de Criação de bolsas, a ela foi confiado outra função: todas as linhas de acessórios da grife. Bem-sucedida no ofício, em 2005, ela assumiu também a direção criativa do prêt-à-porter feminino, antes de tornar-se Diretora Criativa da marca no ano seguinte. “Sou uma estilista e fico muito satisfeita quando um vestido que fiz consegue deixar uma pessoa normal mais bonita, e não somente as modelos nas revistas”. Em entrevista exclusiva para a GPS|Brasília, Frida falou sobre sua trajetória, processos de criação e desafios. A sua ascensão na Gucci foi meteórica. Em quatro anos tornou-se a diretora criativa da marca e o seu bem-sucedido trabalho lhe transformou numa das estilistas mais influentes do universo da moda. A que você atribui esse mérito? Eu nasci com essa paixão. Comecei a desenhar com

quatro, cinco anos de idade, e não parei mais. Minha casa era cheia de lápis e canetinhas. Meu pai é arquiteto, então eu tinha tudo o que precisava ali. Também me lembro nitidamente de quando ia na boutique de minha avó e brincava de vestir os manequins na vitrine da loja. Já que sou filha única, meus pais sempre se preocuparam com minhas escolhas e no começo não estavam muito convencidos sobre eu focar em moda. Mas a partir do momento em que comecei a ganhar várias competições e adquirir mais confiança, eles entenderam que aquele era meu caminho. Eu aprendi a ouvir meus instintos e lutar por minhas ideias. Como foi conhecer o acervo de Guccio Gucci? Guccio Gucci era um pequeno artesão florentino que estava procurando algo para criar que iria durar para sempre. Ele foi capaz de criar uma filosofia de trabalho respeitosa de tradição, enquanto tinha visão do futuro. Penso na longa jornada que a casa tem caminhado, desde o começo até hoje, sempre permanecendo fiel aos princípios de Guccio, como qualidade, artesanato, inovação e criação de produtos que transmitem uma emoção duradoura. Um dos meus grandes desafios é levar esse legado icônico para frente. E esse é o meu eterno objetivo.

Você se emocionou? Quais as décadas mais criativas da marca? Minhas primeiras memórias de Gucci são dos anos 70, época em que nasci. Era um momento de revolução na moda e uma era de ouro para a casa. “Made in Italy” estava em plena evidência e encontrou seu caminho pelos braços da ex-primeira-dama da América do Norte, Jacqueline Onassis. Ela se apegou a uma bolsa Hobo, feita pela Gucci. O estilo da bolsa foi nomeado The Jackie em homenagem a ela. Dessa história fantástica, que tem 90 anos, quais as peças e objetos criados por ele, que você considera mais importantes na trajetória da história da moda? Eu aprecio a história por trás de cada ícone. A bolsa de bambu tem um lugar especial e hoje tem tanta relevância como quando nossos artesãos a confeccionaram, em 1947. O design tornou-se um exemplo do talento dos artesãos da Gucci, que precisaram inventar soluções inteligentes para o racionamento de materiais nos tempos de guerra. O bambu-cana, que ainda podia ser importado do Japão, foi aquecido e dobrado em um semicírculo, e posto como alça decorativa sobre uma bolsa feita de pele de porco. Hoje, o bambu é um símbolo que distingue imediatamente uma peça Gucci.

Revista GPS Brasilia 6  
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