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“O sexo feminino está no topo das estatísticas por serem mais emotivas. Além disso, os hormônios femininos são fatores de peso no hábito intestinal delas”, constata, em sua prática diária no consultório, Décio Chinzon, gastroenterologista do Laboratório Exame. Isso acontece porque a progesterona – hormônio responsável por preparar o corpo para a gravidez – reduz a movimentação do intestino, principalmente nos dez dias que antecedem a ovulação, o que contribui para a constipação intestinal, que é popularmente conhecida como prisão de ventre. É no intestino que se produz 90% da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. O órgão tem também 80% do potencial de imunidade do corpo humano, além de ser grande produtor do hormônio do crescimento. Por isso, ganhou a nomenclatura “segundo cérebro”, do médico americano Michael D. Gershon, do Departamento de Anatomia e Biologia Celular da Columbia Univesity Medical Center, em Nova York. Depois de 30 anos de pesquisas, Gershon conseguiu identificar a interatividade entre os neurotransmissores produzidos no intestino, chamado por ele de órgão inteligente, e as nossas emoções, cuja sede é o sistema límbico, localizado no cérebro. São milhões de neurônios espalhados por todo o tubo digestivo. Eles ficam nas camadas submucosa e muscular da superfície do órgão.

“Essas terminações controlam a movimentação dos músculos da região, atuam sobre as células imunológicas e regulam a secreção das glândulas que produzem o suco intestinal”, explica Chinzon. Em outras palavras, é a central de controle do intestino.

Problemas intestinais Qual a frequência de evacuações semanais para se afirmar que uma pessoa tem prisão de ventre? “Um intestino que funciona uma vez a cada três dias pode ser tão normal quanto o que funciona três vezes por dia”, define Chinzon. É necessário analisar os seguintes fatores: se as fezes são excessivamente ressecadas, escassas ou saem com muito esforço, e a frequência, pois não é bom passar mais de 72 horas sem evacuar. O problema pode estar relacionado a uma dieta pobre em fibras, pequena ingestão de líquidos, sedentarismo, consumo excessivo de proteína animal e de alimentos industrializados. Ou também pode estar associado a doenças do cólon e do reto, como diverticulose, hemorroidas, fissuras anais e câncer colorretal. “Estresse, depressão e ansiedade são outras ocorrências. Além disso, não atender à urgência para evacuar, quando ela se manifesta, também pode comprometer o funcionamento regular dos intestinos”, afirma Décio.

Já os sintomas podem variar de uma pessoa para outra. Os mais característicos são: número reduzido de evacuações, dificuldade para eliminar as fezes, sensação de esvaziamento incompleto dos intestinos, desconforto, distensão e inchaço abdominal, mal-estar, gases e distúrbios digestivos. Tentar resolver o problema com laxantes é um erro. “O uso contínuo do medicamento pode causar dependência, além de danificar o estômago e causar graves irritações. Isso vale até mesmo para os laxantes ditos naturais. Se tiver prisão de ventre e não conseguir resolver com mudança de rotina e alimentação, o melhor é procurar um médico”, aconselha o gastroenterologista.

Cuidados na alimentação Água e fibras são fundamentais para o bom funcionamento do órgão. O importante ao escolher os alimentos da dieta é dar preferência aos integrais, como farinha, arroz e aveia. ”As fibras ajudam no importante papel de limpeza do intestino. A aveia é rica em fibra, já a linhaça é rica em ômega 3, que ajuda a combater o colesterol. E a água é essencial no processo de digestão. O consumo de fibras sem a ingestão de água não adianta. O ideal é ingerir em média dois litros por dia”, explica a nutricionista do Hospital Santa Luzia, Priscila Cseke.

Os intestinos • Intestino grosso É a parte final do tubo digestivo, possui uma rica flora bacteriana e mede aproximadamente 1,5m. Funções: absorção de água e de certos eletrólitos; síntese de determinadas vitaminas pelas bactérias intestinais; armazenagem e eliminação de resíduos do corpo • Intestino delgado É um tubo digestivo localizado entre o estômago e o intestino grosso e mede 6m de comprimento por 4 cm de diâmetro. Funções: é responsável por 90% da digestão, da absorção dos nutrientes e dos minerais do alimentos ingeridos

Recomenda-se Procure ajuda médica se notar mudanças significativas nos hábitos intestinais. Não deixe também de ir ao médico, se as fezes estiverem muito ressecadas ou muito finas, se houver sinais de sangramento ou se estiver emagrecendo sem nenhuma explicação aparente

Revista GPS Brasilia 6  
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