Issuu on Google+

buscar elementos seguindo essa linha e concordamos com o conceito da factory”, explica o arquiteto.  O resultado é um ambiente com as características arquitetônicas preservadas, sem forro ou revestimentos rebuscados. Instalações aparentes, décor em branco, cinza e preto, harmonizadas com chapas de metal. No amplo espaço, apenas o mínimo de elementos. “Imaginei o bastidor de um grande desfile. Um local  apenas com o necessário. A intenção é que o cliente seja a atração principal”, conceitua Beto. A sensação de estar em uma atmosfera estilizada começa na entrada. Em vez do balcão de atendimento,  um túnel de descompressão com luz e trilha sonora próprias. “Ir ao salão deve ser uma experiência, apesar de ser um gesto rotineiro.” Nada se assemelhará com o tradicional. E o mobiliário terá seu devido reconhecimento. “Penso em poucos móveis, mas são peças que têm o seu valor no design”. Daí surgem obras de José Zanine Caldas dos anos 1950; sofás Dalilips, aqueles em formato de lábios desenhados pelo surrealista Salvador Dali; espelhos com traços da modernista ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, projetista do Museu de Arte de São Paulo – MASP. Os carrinhos porta-utensílios são artesanais e vieram direto da serralheria. Típico mesmo apenas as cadeiras, pois elas são específicas para o trabalho. “Uma galeria de beleza”, analisa Maia.  

 AS NOIVAS   Elas são o coração da estrutura de Ricardo Maia. “Todas terão a  suíte integrada a um mini spa, como a sofisticada hotelaria moderna”, conta Beto Consorte. Ricardo Maia é o número um das noivas de Brasília. Tornou-se o queridinho delas. Com psicologia, humor e talento ele as acalma no grande dia, deixando-as seguras e, claro, belas. A procura é tanta que tem data de abertura da agenda do ano seguinte. Houve época em que noivas dormiam na porta. Por sábado, chega a fazer até 14 penteados.

A equipe do profissional, atualmente, conta com 62 funcionários, que o respeitam e o admiram. E deve aumentar na nova casa. Uma evolução que ele considera saudável, haja vista o começo com apenas 15 colaboradores. “Não se trata de ser o maior, o melhor, o mais bonito. Não é essa a minha vibração de trabalho. Quero me relacionar pessoalmente com minhas clientes, aconselhá-las e deixá-las à vontade e confiantes. Como sempre foi”, pondera. Ainda criança Ricardo percebeu o dom para trabalhos manuais. É autodidata e considera a prática diária a sua melhor escola. É no dia a dia que aprende o que considera o seu maior diferencial: saber ouvir. “Às vezes você faz um cabelo maravilhoso, todo mundo elogia, mas a cliente não se sente bem. Nessa hora, entra um pouco de sabedoria e experiência. Não é apenas a prevalência do seu trabalho e da sua assinatura. Trata-se do bem-estar, do cumprimento da expectativa. Uma boa conversa sempre resolve”.  E Ricardo é hour concurs. “Apaixonante”, diriam as clientes com as quais convive há tantos anos, tornando-se amigas. Ele não tem o mood caricato de cabeleireiro espalhafatoso. Discretíssimo, usa mais o silêncio como mantra que a tagarelice como postura. Suas ideias são pontuadas. E é aí que reside a sua arte. Ele cria dentro de um contexto. Tudo é estudado, sem deixar de ser emocional. “É muito sério você lidar com autoestima. Quando eu atendo uma cliente que está insegura, passando por algum problema e querendo fazer uma mudança radical, eu evito”. GPSBrasília « 75

revista_GPS_brasilia_edicao_12.indd 75

17/11/15 00:51


Revista gps brasilia edicao 12