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cebispo de Brasília, em toda a parte burocrática. É seu braço direito para questões administrativas,  representa-o quando ele não pode, e é quem faz toda a gestão de governo. Depois do bispo, é o vigário-geral que responde pela Diocese. Em passos curtos e rápidos, Dom  Marcony  passa em todas as seções do corredor, desejando Bom Dia e abençoando os funcionários até chegar em sua sala. Lá, a simplicidade chama a atenção. Paredes brancas, uma poltrona preta encostada na parede e logo em frente uma mesa em formato de L. Duas cadeiras para visitantes. Em cima da bancada, apenas um telefone, uma agenda e um livro. A alegria, o carisma e a inteligência caraterísticos  de Dom Marcony complementam o vazio da sala.  Sobre o tempo livre, que não é muito, ele é direto: “Eu durmo.” Algumas vezes, depois de terminar os compromissos do dia, responde as mensagens que recebeu no WhatsApp. Das redes sociais, esta é a única que ele utiliza. Há uma página no Facebook em seu nome, mas não é administrada por ele. O título de Dom ele ganhou na ordenação episcopal. Antes disso, era Monsenhor, vocativo pelo qual muitos ainda insistem em chamá-lo. Época em que se tornou bastante conhecido e também um dos padres mais queridos da cidade. No início de 2014, entretanto, o Papa Francisco decidiu extinguir alguns títulos honorários, entre eles o de monsenhor. Agora, como bispo, usa uma cruz peitoral prateada por cima de uma camisa social com um detalhe branco no colarinho – a essa parte dá-se o nome de clergyman – e um paletó, além do anel episcopal.

“O PAPA FRANCISCO NOS PROPÕE A AVENTURA E A CULTURA DO ENCONTRO. DE VOCÊ NÃO TER MEDO DE OLHAR O OUTRO, MESMO QUE ELE SEJA DIFERENTE E PENSE DIFERENTE DE VOCÊ”

DESDE A INFÂNCIA “Eu tinha cinco anos, era coroinha e já queria ser padre”. É assim que Dom Marcony responde ao ser questionado sobre vocação sacerdotal. “No colégio, todo mundo sabia da minha vontade. Hoje, quando encontro alguém daquela época, ele diz ‘Rapaz, não é que sempre dizia que ia ser padre?’”, lembra. Segundo ele, tudo aconteceu de forma natural. A família, muito religiosa, sempre o apoiou. “Quando eu fui pro seminário todo mundo chorava, mas era de alegria”, garante o bispo. Hoje, dos oito irmãos, seis moram em Brasília. Outros dois vivem na Região Norte. O discernimento e a certeza da vocação serviram de base para que Dom Marcony focasse no sacerdócio. «Eu tenho muito o que agradecer a Deus porque não passei por momentos de dúvida. Deus tem suas provações, lógico, e a gente tem nossas cruzes, mas nenhuma que tirasse o meu foco do ministério sacerdotal «, desabafa.  GPSBrasília « 51

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Revista gps brasilia edicao 12  
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