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RETRANCA

ORA ET LABORA

Refeitório dos monges

Durante o dia, eles circulam pelo pátio interno – onde os visitantes não têm acesso –, que tem um jardim com algumas flores em volta de um chafariz, além das imagens de São Bento, da Imaculada Conceição (pintada pelo próprio prior) e outra da Virgem Maria. Algumas vezes, nos fins de semana, o som do órgão (único instrumento utilizado nas orações) é abafado por músicas eletrônicas ou o som de funk provenientes de festas que acontecem à outra margem do lago. Por volta das 19h, já satisfeitos com o jantar, reúnem-se em uma área com várias cadeiras que formam um círculo para o “Recreio”. É o momento de confraternizar e conversar. Dura apenas meia hora. Após isso, voltam para a capela para a última oração do dia. Às 20h, dirigem-se aos aposentos e o portão do Mosteiro é fechado. O lugar onde os monges dormem é chamado de cela. Elas são individuais e é proibido que sejam acessadas por qualquer outra pessoa, inclusive outros monges. No total, são 32. Dentro, cada irmão arruma como quiser. Tem uma cama, escrivaninha, guarda-roupa e um banheiro. Também são eles os responsáveis pela faxina das próprias celas. Lá estudam, leem, ouvem as músicas que gostam e mexem no computador. No Mosteiro de Brasília, o uso da internet é liberado pelo prior. A senha: oraetlabora. SERVIÇO Mosteiro de São Bento de Brasília SHDB QL32 Conjunto 1 Bloco B – Lago Sul (61) 3367-2949 www.msbento.org.br

O termo em latim significa “Ora e trabalha”. É o princípio da vida beneditina. Engana-se quem pensa que os monges estão ali só para rezar. Como o Mosteiro não tem uma casa de formação, alguns deles estudam no vizinho Seminário Redemptoris Mater. Um deles, psicólogo, obteve permissão do prior para realizar atendimentos no Mosteiro. Quem já fez a Profissão Temporária, tem direito a férias de 30 dias, uma vez por ano. Normalmente, visitam as famílias. Eles também cultivam uma horta, pintam imagens de santos e fazem as próprias vestes. Fora isso, mantém uma lojinha ao lado da capela. Lá, vendem o que produzem: pães, licores e biscoitos. Estes últimos acabam num piscar de olhos depois da missa dominical, sempre cheia de fieis. A receita, que leva farinha de trigo, leite, açúcar e raspas de limão, é unanimidade no gosto dos visitantes. “Tem alguns irmãos que não fazem [o pão e o biscoito]. Eu, por exemplo, nunca acertei o ponto”, brinca um dos monges. Para ajudar nas tarefas do dia a dia, o Mosteiro tem quatro funcionárias: duas cozinheiras, uma faxineira e uma lavadeira. Ao claustro, como é chamado o local restrito aos monges, elas são umas das poucas pessoas que têm acesso liberado. Elas também cuidam da hospedaria, uma das principais fontes de renda do local – além das vendas da lojinha e das doações. Seja individual ou em grupo, quem quiser, a depender a disponibilidade de quartos, pode se hospedar no Mosteiro. Confortáveis, os quartos têm três camas, uma cadeira, uma mesa, guarda-roupa e um banheiro. Na janela, uma tela contra insetos protege o hóspede de visitas inesperadas. Para quem não é vocacionado à vida religiosa, pode ser difícil compreender a decisão de largar tudo o que tem e seguir a Cristo, mas a certeza e a alegria de estarem ali estampadas nos rostos dos monges é tão grande que fica fácil perceber o testemunho verdadeiro do Evangelho. Estão no mundo, mas não são do mundo. Como águias, solitárias e livres, desenham o próprio céu.

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Revista gps brasilia edicao 12  
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