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Breno Laprovitera

HISTÓRIA

Vitral na câmara mortuária do Memorial JK

NIEMEYER   As famosas curvas de Niemeyer se encontraram com o movimento de Marianne. Ela visitava a mãe em Paris, quando viu pela televisão um prédio criado por Oscar Niemeyer em Milão, na Itália. No dia seguinte, pegou um avião e foi para lá. Apaixonou-se pelo prédio. Quando voltou ao Brasil, fez uma escala no Rio de Janeiro e decidiu visitar Niemeyer em seu escritório. “Acabei de ver seu projeto em Milão. É maravilhoso”, disse a ele. Marianne pediu a Oscar para fazer algum trabalho com ele. Marianne, então, fez o painel de vidro transparente no Palácio do Jaburu, residência oficial dos vice-presidentes.  Inicialmente, ela faria apenas esse trabalho. Não se sabia como a obra de Marianne, conhecida pela sua ousadia, seria aceita em Brasília. Mas a receptividade foi grande. Marianne tornou-se a única mulher na equipe artística de Niemeyer, ao lado de Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti e Roberto Burle Marx. Foram mais de 20 anos de parceria. Era o toque feminino na arquitetura moderna. O ritmo de trabalho era intenso, assim como tinha

sido a criação de Brasília. “A medida que eu finalizava uma obra, outra maior ele me oferecia para criar. Oscar chegava e dizia para ver tal prédio, que ele queria que tivesse uma obra de arte ali. Ele estava sempre com pressa”, relata, em seu livro. “Ele [Oscar] sempre me deu liberdade de criação. Por isso esse conjunto de obras monumentais continua atual, moderno. Uma fantasia que criei para esta cidade, de arquitetura inventiva”, diz Marianne, sobre Brasília. No salão verde da Câmara dos Deputados, um painel em vidro temperado, batizado de Araguaia, com sobreposição de peças de vidro. Na entrada do Teatro Nacional, uma escultura em bronze chama atenção: O Pássaro. Além da fachada do STJ, fez uma obra intitulada A mão de Deus, no plenário, em azul e branco. Sem esquecer o Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes. Marianne é muito mais que a artista que fez os vitrais da Catedral. Ela marcou Brasília com sua cor. E Brasília tornou-se parte da sua vida. Impossível imaginar uma sem a outra. “Se tirar minhas coisas, fica um branco enorme”, costuma dizer. Ela é uma francesa de alma pernambucana que, por que não, também é uma candanga.

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