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VIVER DE ARTE

É claro que é difícil viver de arte no Brasil. Mas é mais fácil que na Europa. Os brasileiros são mais abertos ao novo. Gostam de ter obras em suas casas, em seus prédios, suas empresas.

VISITA À CAPITAL

Eu gosto muito de ir a Brasília. Tem um pouco de mim por aqui. É como se voltasse a um lugar que vai me emocionar sempre. Quando vou, percebo que a cidade mudou muito. Cresceu. Sinto-me parte da cidade. Estou desenvolvendo uma árvore de 13 metros de altura, em ferro laqueado, que será instalada na fachada de uma escola particular no Recife. É grande, mas nem levou muito tempo. Aprendi com Oscar a fazer as coisas rapidamente. Também tenho dedicado um bom tempo ao lançamento do livro e  palestras nas escolas de arte e arquitetura.

Niemeyer visitou Marianne uma vez para ver o primeiro vitral pronto. Olhou e limitou-se a dizer: “Continue”. Em uma carta escrita em dezembro de 1991, reproduzida no livro, disse: “Me emocionava vê-la durante meses debruçada a desenhar os vitrais da Catedral de Brasília. Eram centenas de folhas de papel vegetal que coladas representavam um gomo da catedral”. Foram longos meses de trabalho. “Era um trabalho exaustivo. Cada parte que fazia, emagrecia de 3kg a 4kg. Fiquei com um deslocamento na coluna, uma escoliose terrível, que tenho até hoje”, relata no livro.  

FRANCO-BRASILEIRA Nascida na França em 13 de dezembro de 1927, foi lá que teve os primeiros contatos com a arte. Filha da modelo francesa Antoinette Louise Clotilde Ruffier e do historiador pernambucano João de Medeiros Peretti, Marie Anne Antoinette Hélène Peretti desde cedo demonstrava seu interesse pela vida artística: foi expulsa do colégio por matar aulas para desenhar nos museus. Adotou o nome de Marianne para se diferenciar de

Fotos: Breno Laprovítera e Jarbas Jr

TRABALHO ATUAL

Vitral do Panteão da Pátria

uma colega de classe que chamava Ana Maria Peretti. Seu pai era colecionador de antiguidades. Cresceu visitando galerias de arte e museus em Paris, em meio a artistas e intelectuais. Arte era a única coisa que a interessava. Aos 15 anos, Marianne tornou-se a aluna mais nova da École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, e aprendeu as primeiras lições sobre desenho e pintura. Depois, frequentou a Académie de la Grande Chaumière, em Montparnasse. Conheceu o Brasil aos 20 anos, quando morou um ano no Recife. Voltou à Paris e continuou fazendo ilustrações, publicadas em livros e revistas. Viajou pela Europa para aperfeiçoar seus conhecimentos em arte. Tinha 25 anos em sua primeira exposição. Salvador Dali, certa vez, ao conhecer a sua obra, disse: “Você não é uma artista burguesa”. Logo que perdeu o pai, casou-se e mudou-se de vez para o Brasil, em 1953. O marido, o inglês Henry Albert Gilbert, tinha negócios em São Paulo. Era o início da vida em terras tupiniquins. Por lá, continuou a produzir arte. Engravidou e, em janeiro de 1956, nasceu sua única filha, Isabella. Quando a menina tinha apenas três anos, Marianne se separou de Henry, mas decidiu continuar vivendo no Brasil. Dividia seu tempo entre São Paulo e Recife. GPSBrasília « 41

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