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RETRANCA

Sua obra mais conhecida são os vitrais da Catedral de Brasília

Diariamente, recebe visitas de clientes e amigos. No escritório, ela tem uma mesa com livros, revistas, papéis e esboços de trabalho – ela adora desenhar por lá. “Dentro da desorganização tem a minha própria organização”, brinca. O telefone fica perto da mesa, ao lado de um bloquinho de anotações. “Os melhores desenhos surgem quando eu estou falando ao telefone”, diz. A rotina começa às 6h, Marianne prepara seu café e lê os jornais. Segue para o ateliê para coordenar a equipe. “Acredito que o artista não para nunca. Produzo muitas obras ao mesmo tempo. Eu desenho na minha sala, temos um galpão para os trabalhos grandes e outras duas salas pequenas para acabamento”, conta. Além das obras novas,  Marianne mantém um espaço onde restaura peças e faz manutenção, por exemplo, quando algum cliente muda de endereço e a obra precisa se adequar ao novo espaço.  Atualmente, desenvolve a obra  A Árvore da Vida, uma escultura em ferro, vidro e aço com 13 metros de altura que será instalada em uma escola no Recife. Por lá, tem mais de 200 obras. Em Brasília, outras tantas que nem sabe quantificar. Além de Paris, sua cidade natal. “A arte é minha vida”, resume.

A CATEDRAL Sem dúvidas, o trabalho mais importante de Marianne Peretti é na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. Ao entrar no monumento, não é possível imaginá-lo sem seus vitrais. Eles estão super integrados ao projeto de Oscar Niemeyer. Os raios de sol atravessam os vidros e ressaltam o azul, verde e branco, formando curvas coloridas no chão de mármore claro. Com o branco das colunas e os anjos flutuantes de Alfredo Ceschiatti, compõem a atmosfera de paz. A obra foi uma insistência de Niemeyer. “O céu de Brasília é tão bonito, não precisa de vitrais”, retrucava Marianne para o arquiteto, quando ele pedia para ela os criar. A igreja já estava pronta há uma década, mas Niemeyer sempre dizia que precisava de vitrais. “Toda catedral tem vitrais”, justificava. O trabalho iniciou com a troca dos vidros externos, que estavam marrons. Depois, Marianne pediu para que as colunas fossem pintadas de branco pelo lado de dentro. Ela então começou a desenhar. Tinha uma equipe de três ajudantes. “Não havia outra forma de desenvolver a ideia que não fosse desenhando à mão”, relatou Marianne no livro.

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Revista gps brasilia edicao 12  
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