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RETRANCA

Vitral que decora o Salão Verde, na Câmara dos Deputados

de abrigar a dimensão da obra. Do alto da arquibancada, pegava um binóculo e olhava o resultado das imagens estendidas na quadra. Descia novamente para fazer ajustes. Foram dias assim, ela nem sabe precisar quantos. O grande esforço físico e a dedicação artística da franco-brasileira Marianne Peretti ficaram marcados na Catedral de Brasília. E, também, no corpo da artista. “Dei muito de mim nesse trabalho. Fisicamente falando. Tenho sérios problemas de coluna por causa desta obra maravilhosa. Uma parte de mim está lá”, declarou a artista de 87 anos, em entrevista à revista GPS|Brasília. O concreto de Oscar Niemeyer era como um papel em branco para ser preenchido pelo colorido da arte de Marianne. Os vitrais da artista se encaixavam perfeitamente com seus monumentos. Era a única mulher de sua equipe de artistas. Criou obras importantes em Brasília e pelo Brasil. Mas, ela admite: há uma falta reconhecimento por seu trabalho. Parte, talvez, por ser mulher. “O brasileiro é machista”. Com sensibilidade e persistência venceu preconceitos e deixou a sua marca virar patrimônio histórico da humanidade. Ela é a mais importante vitralista brasileira, porém,

FRANCESA E BRASILEIRA

Sou francesa porque nasci em Paris. Mas fui registrada como brasileira com dois dias de vida. Sempre tive dupla nacionalidade. Gosto do Brasil e não cogito morar na França, mas tenho as duas pátrias dentro de mim. Adoro o sol e a liberdade que a gente sente aqui. 

BRASÍLIA

Eu cheguei num momento ótimo. Oscar já tinha feito os principais projetos, mas sua arquitetura precisava de um toque, porque era muito dura. Ele me deu espaço para criar em toda a cidade. Brasília é bonita porque tem arte por onde você anda.   

PARCERIA

Ele ficou contente ao me encontrar, pois não tinha uma pessoa que o entendia e dialogava com a arquitetura. Cada um contribuía de um jeito. Athos, Ceschiatti. Eu trazia a leveza. Ele me dava liberdade de criar e confiava demais no meu trabalho.    

LIÇÕES DO ARQUITETO

Ele sempre me pedia as coisas “pra ontem”. E eu me acostumei. Até acho bom trabalhar em ritmo acelerado, com rapidez. Você pensa menos e as ideia surgem direto do coração.

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