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Fotos: Breno Laprovitera

O vitral da Capela do Palácio do Jaburu

AO LADO DE ATHOS BULCÃO, ALFREDO CESCHIATTI E BURLE MARX, A ARTISTA PLÁSTICA FOI O TOQUE FEMININO NA ARQUITETURA DE BRASÍLIA. COM OSCAR NIEMEYER TRABALHOU VINTE ANOS CONSECUTIVOS, DANDO MOVIMENTO E LEVEZA AO SEU CONCRETO POR MARCELLA OLIVEIRA

I

mensas folhas de papel vegetal alinhadas sobre o chão. O lápis lentamente desenhava os longos traços que formariam os enormes vitrais de uma moderna catedral. A obra da artista não nasce somente da inspiração, é preciso entregar-se fisicamente ao árduo trabalho braçal. Era a década de 80, os computadores ainda não estavam à disposição, as ferramentas de trabalho eram a mão, o lápis e o papel. Dias, semanas, meses debruçada sobre o chão para fazer nascer as curvas, as cores, a arte. Seus desenhos formavam a escala real da pintura final dos 16 vitrais triangulares, com 30 metros de altura e base de dez metros cada um. Estavam dispostos lado a lado para que a ilustração tivesse a continuidade de um vitral para o outro. Perfeccionista, a mulher ficava de pé e analisava tudo. Subia e descia os degraus do Ginásio Nilson Nelson, que era a sua base de trabalho e o único local capaz

Escultura O Pássaro, no foyer do Teatro Nacional

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