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Durante a minha visita, com a subida do sol, aos poucos, um dos elementos mais importantes da praça, a bandeira do Brasil, hasteada e imponente, começa a ter seu merecido destaque. Majestosa, a bandeira projetada por Sérgio Bernardes possui 286m² e 24 hastes metálicas, cada uma representando as 24 unidades da federação. Dizem que ela é a maior do mundo, mas há rumores de que o Guiness Book está desatualizado e que existem outras maiores, como a que está em Piedras Negras, no México, fronteira com os EUA, com 2040m².  A brasileira, localizada no centro do Poder e feita com nylon de paraquedas, sofre com a forte velocidade do vento. Desgastada e sem brilho, é trocada todo primeiro domingo do mês, com uma solenidade à sua altura. A cerimônia dura cerca de 30 minutos, é aberta ao público e acontece com o objetivo de estimular o aspecto cívico do Brasil e a memória dos símbolos nacionais. Durante a troca, são entoados os hinos nacional e da bandeira, seguidos de 21 tiros de canhão. Assim que chega ao solo, a bandeira velha é retirada e queimada posteriormente. Todos os meses, Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros se revezam na condução da cerimônia, que ocorre desde 1973. Assim é o ciclo. Renovada, à espera dos próximos dias – melhores, se possível. Após a redemocratização do País, quando Brasília foi governada por José Aparecido, Oscar Niemeyer recebeu o convite para fazer algumas intervenções nos palácios. Uma de suas propostas era de que o mastro da bandeira fosse retirado dali e transferido para outro lugar da cidade o que contou, na época, com o apoio de muitos, por considerarem que a obra é um símbolo do período do Regime Militar.  Entretanto, por questões técnicas, que não permitiam a desmontagem e remontagem da estrutura, somadas à pressão popular que entendia ser o mastro uma obra incorporada à imagem da cidade, a ideia foi abandonada. E lá continua, no mesmo lugar.  Ao seu lado direito, as curvas do Panteão da Pátria, criado para homenagear todos aqueles que se destacaram em prol da pátria brasileira logo após a morte de Tancredo

Neves, encantam pela sua arquitetura em formato de pomba. No início da manhã, os raios de sol refletem em alguns pontos e lhe dá vida. Infelizmente, apenas do lado de fora, pois seu interior encontra-se subutilizado e esquecido.   O local onde ele foi construído imprime um sentido de fechamento ao espaço da praça, dificultando a percepção da paisagem. Indo de encontro ao aspecto simbólico idealizado por Lúcio Costa, que dizia que “a capital por intermédio da praça, abria-se para o coração do País”. “O Panteão com sua forma é um contraponto à ortogonalidade e à clareza do ritmo estrutural comum dos principais edifícios. Ele interfere na harmonia do conjunto arquitetônico”, explica o arquiteto Antônio Carlos Carpintero.  Com o passar das horas, a Praça começa a ganhar vida. Os ambulantes se instalam em diversos pontos. Vendedores de balas e artesãos com réplicas dos pontos turísticos. O trânsito fica intenso. Visitantes descem dos ônibus e começam a desbravar tudo que está por lá. Os flashes não param. Tem gente de Tóquio, Guiné Bissau, Itália.  As línguas se misturam, mas o encantamento é o mesmo. Todos reverenciam sua imponência.

O pombal; as escadas para a Pira da Pátria; e a bandeira majestosa projetada por Sérgio Bernardes

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