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cultura e a criação artística sempre tiveram um papel importante no desenvolvimento das sociedades. Sem a arte para quebrar paradigmas e criar, provavelmente, estaríamos ainda na idade das trevas. Essa importância alcançada pela arte a coloca em um papel fundamental para o desenvolvimento humano. Ela pode ser apreciada e, até, aprendida sem que seja uma obrigação. Ao primeiro contato de uma pessoa com a obra de Vanderlei Lopes, é possível perceber que o esforço para apreciar arte desaparece instantaneamente e o amor por esse mundo das artes plásticas nasce. Vanderlei nasceu em Terra Boa, no Paraná e, já na primeira infância, descobre sua alma de artista, quando se muda com sua família para o interior de São Paulo. Em Penápolis, tem seu primeiro contato com o mundo da arte, frequentando o Museu do Sol, que na época colaborava para o fervor cultural que havia na cidade paulista. Aos 14 anos já esculpia em argila e passou a trabalhar em uma fundição, com o intuito de aprender o processo de realizar esculturas em metal. Nesta oficina executava esculturas de outros artistas e usava seu tempo livre para fazer as suas próprias criações. Com 18 anos, já havia criado um conjunto significativo de obras e decide ir à capital paulista para estudar arte. Em sua primeira exposição, ainda antes de seus estudos formais, consegue vender algumas peças e, mesmo tendo ainda de passar por outras atividades para se manter, já intuía seu futuro como artista. No ano 2000, forma-se em Artes Plásticas pela UNESP e, a partir desse momento, há o surgimento e aprofundamento de questões que se tornariam o assunto central de sua obra artística. O trabalho de Vanderlei se constrói pela experimentação e confrontação das diversas linguagens que emprega, tais como desenho, escultura, fotografia ou vídeo. A partir da observação do mundo e de uma reflexão sobre a natureza da arte como construção de experiências, seu trabalho se articula através de ações, simbologias, temporalidades e espaços diversos. Com um trabalho maduro, bem pensado e executado, cada vez mais Vanderlei tem conseguido destaque no ce-

nário de arte nacional. Algumas importantes instituições artísticas já se aperceberam da força de seu trabalho e tiveram criações do artista incorporadas a suas coleções. A Pinacoteca de São Paulo tem em sua coleção o trabalho Cavalo (2013). Trata-se de uma escultura, em bronze e terra vermelha, de um cavalo em tamanho real e em movimento de queda. Esse trabalho, normalmente, remete-nos à tradição do monumento onde se vê um herói montado gloriosamente sobre o animal. A obra criada pelo artista desmorona esse modelo e problematiza o significado representado por aquela importante e imponente figura. O cavalo encontra-se em movimento de queda, com as patas traseiras ainda no ar, deixando claro o processo de desconstrução ainda ocorrendo. A terra sinaliza a ruína e o esfacelamento, ao mesmo tempo em que alude a uma paisagem sendo integrada pelo cavalo. Outras duas incorporações feitas por importantes coleções ocorreram nesse ano. A obra Coração (2013) entrou para o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). É composto por dois corações em bronze, cada um ligado a um bujão por uma longa mangueira por onde passa o gás que incendeia cada uma das esculturas. As chamas de um coração alcançam o outro, fazendo com que ambos fiquem incandescentes.

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