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TELEVISÃO

engarrafamento, coisa que nunca imaginei ter por aqui. Andávamos a pé”, comenta. Circular pelas quadras 400 da Asa Sul – morou na 413, 410 e 406 – emociona muito a atriz. “Lembro da minha mãe”. Foi lá que brincou embaixo do bloco, subiu nas árvores, gritou a tabuada com os amigos. Passar pelo final da Asa Norte, em frente ao hospital onde seu filho nasceu, num retorno a Brasília na década de 1980, traz mais lembranças. Ou ainda os chopps no Beirute e os lanches na Pizzaria Dom Bosco após as aulas de balé. “O melhor mate e pizza do mundo”, garante. Françoise não mente a idade: “58 anos”, diz. É caseira, mora com o marido em um apartamento na Lagoa, Rio de Janeiro. E divide seu tempo com o filho Guilherme, de 30 anos, e as enteadas Maria Eduarda, 16, e Maria Antônia, 13. A boa forma, que ela atribui à dança, tem receita simples: “Procuro beber muita água, me alimento bem, durmo o máximo que posso e não me estresso dentro do possível”, diz.

A CAPITAL Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, a Capital tem um papel fundamental na sua trajetória. Diz, com orgulho, ter o título de Cidadã Honorária de Brasília. Filha de uma brasileira com um francês, perdeu o pai ainda bebê. “Fomos morar em um barraco no Núcleo Bandeirante”, lembra. Estudou no tempo no Colégio Nossa Senhora do Carmo, na 713 Sul, onde foi colega de Oswaldo Montenegro. Como a mãe trabalhava com turismo em Brasília, Françoise viveu enos bastidores da arte da época. “Eu brincava no Teatro Nacional em construção. Assistia a espetáculos em cima da cabine de luz”, conta. “Eu vivi uma Brasília riquíssima. Tínhamos um cine clube na W3. O rock estava se instalando, assim como a arte, o teatro, o balé. Era uma vida cultural muito ativa”, garante. Já era bailarina quando estreou no teatro. “Foi em Édipo Rei, com Paulo Autran, na Sala Martins Pena, no Teatro Nacional. Eu não falava nada, mas lembro com carinho”, conta. Assistiu Sonho de uma Noite de Verão, da Maria Clara Machado, com a atriz brasileira Glauce Rocha, amiga da sua mãe. Por volta dos oito anos de idade, Françoise disse para a “tia” Glauce que queria ser atriz. “Ela me falou para ter uma profissão paralela, mas isso nunca aconteceu”. Começou a fazer teatro amador com Donato Donati, no extinto Teatro Equipe de Brasília (TEB), onde ficou por seis anos como protagonista. Lembra a primeira vez que se apresentou na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional. “O

público era de crianças carentes. Era perto do Natal e eu interpretava um anjo. Foi muito bonito”, emociona-se. Foi em Brasília que também estreou no cinema. Fez um documentário para a BBC  de Londres, chamado Françoise Dreams, em que bailava mostrando a cidade. A grande chance veio em 1970, aos 13 anos, quando passou no teste para o filme Marcelo Zona Sul, de Xavier de Oliveira, que protagonizou ao lado do também estreante Stepan Nercessian. “Foi um grande sucesso no Brasil. Lembro a emoção de assisti-lo no extinto Cine Karin. Até hoje é um dos mais pedidos no Canal Brasil”, diz, orgulhosa.

A CARREIRA Chegou uma hora que Françoise teve que escolher: ou seguia a carreira de bailarina clássica ou mudava para o Rio de Janeiro para investir na vida de atriz. E o resultado todo mundo acompanhou nesses 46 anos de carreira. Em 1974, aos 17 anos, chegou ao Rio, sob tutela do diretor de teatro B. De Paiva. “Foi difícil sair de Brasília”, confessa. A vida no Rio não foi fácil. Trabalhou como vendedora em loja de roupa e até entregou panfletos na rua. Integrava uma agência de atores quando foi chamada para substituir uma atriz na primeira versão de A Grande Família. “Em seguida fiz Chico City. Após um teste com o Walter Avancini, veio a primeira novela, Fogo sobre Terra. Não parei mais”, conta. Mas a doença da mãe a trouxe de volta para Brasília, onde viveu por quatro anos no início da década de 1980. Casou e teve o filho, Guilherme. Deu aulas de balé na Academia da Norma Lilia e estudou teatro com a própria Dulcina de Moraes. Todavia, a vontade de seguir a carreira artística a levou de volta para o eixo Rio-São Paulo. A vida financeira ainda não estava estabilizada e, por conta das despesas com a mãe doente, aceitou posar para a revista  Playboy  em 1989. Na mesma época, enfrentou um câncer no colo do útero. No teatro, recentemente, estrelou o musical Nós sempre teremos Paris, que veio a Brasília em 2013, e também Noite infeliz – A comédia musical das maldades. Enquanto curte seu papel em I Love Paraisópolis, também ensaia para o retorno aos palcos em outro musical, Estúpido Cupido, com texto do dramaturgo Flávio Marinho e direção de João Fonseca. Ela viverá Maria Teresa, a Tetê, que a consagrou na novela de 1976. “Vou mostrar como ela estaria hoje. A história será diferente”, adianta Françoise, que está à frente do projeto de adaptação da história para os palcos, com estreia prevista para agosto no Rio de Janeiro.

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