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RETRANCA Como funciona o processo de criação? Cada música nasce de um jeito. Normalmente, a ordem é instrumental, melodia e letra. Mas a música Cego Mundo, por exemplo, a letra veio primeiro, composta em um avião.   O CD Real/Surreal (2013) tem duas vertentes da banda. Foi uma jogada para saber com qual o público se identificava ou uma maneira de colocar todas as criações em um único disco? Um pouco de tudo (risos). Inicialmente, o objetivo era gravar todas as músicas, mas depois decidimos organizar. Foi quando pensamos em um CD duplo e, para deixar amarrado, trouxemos a narrativa do personagem sonhador. Um lado consciente do cotidiano (real). E outro abstrato (surreal). Mas existe uma preferência? Por ser mais arrojado e com letras que desafiam o ouvinte, existe uma leve preferência pelo lado Surreal. Mas é relativo. Achamos que ele fica melhor porque existe o Real. No novo álbum, Éter, vocês apresentam mais a linha do Surreal. É uma resposta dessa preferência? Não, foi muito natural. Mas o  Éter  também tem uma pegada do Real. O maior desafio do disco foi deixar conciso. Afunilamos para imprimir uma identidade mais clara. Um rock experimental, que prioriza a arte antes do comercial. E busca passar mensagem positiva de reflexão. Qual momento tem como divisor da carreira de vocês? O lançamento do  Real/Surreal  foi fundamental, foi quando vimos que era nossa profissão mesmo e optamos por dedicação total. Pensamos: “Se o público gostar dessa loucura, temos uma chance de dar certo”. E acreditamos que estamos vivendo um outro divisor com a junção do lançamento do Éter e o programa Superstar. Vocês são conhecidos como músicos independentes. Qual o motivo dessa opção? Envolve vários fatores. Não só o processo de a gravadora mudar o som, mas, sim, uma questão de contrato justo para ambos os lados. A gente nunca foi fechado a isso. Achamos que o problema é que as pessoas ficam com a ideia de abusos de gravadoras com artistas. Sabemos que existem casos. Mas hoje as bandas são mais preparadas. Afinal, elas são independentes durante muito tempo e têm noção de toda a cadeia produtiva. Se o contrato é bem conversado, não tem porque ter problemas.

O Paulo Ricardo foi o padrinho da banda no programa SuperStar. Quem é o padrinho fora das telinhas? Diego Marx, que começou como nosso produtor musical, é o quinto integrante da banda. Foi quem produziu todos nossos CDs. O Diego sempre abraçou a causa e até viajou com a gente, pagando dinheiro do seu próprio bolso. Ele traz uma experiência que é muito importante.

FÃS Qual foi a maior loucura de fã? Loucura de ficar assustado, não. Nunca rolou uma fã com buquê de flores e vestida de noiva nos esperando no aeroporto (risos). Mas rola muito stalkers no meio digital. Nunca aconteceu uma invasão de camarim? Tatuagem? Tatuagem já. Que sabemos são oito. Mas todas com as nossas letras e não o rosto do Gustavo (risos). Outro caso que tivemos recentemente foi em um show em Cuiabá. Um menino viajou do interior do Mato Grosso de ônibus para assistir nossa banda. Vocês são garotos bonitos. Não rola uma histeria? Não alimentamos histeria. A forma com que a gente lida com nossos fãs é muito tranquila. Temos um contato direto com eles e até grupo no WhatsApp. É uma relação sóbria. Tem muitas bandas que usam essa relação de histeria como marketing, mas não faz o nosso perfil. Não exploramos esse lado.

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