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GRAFITE

Gurulino tem um ar naturalmente zen. Vem acompanhado de frases reflexivas e um tanto quanto poéticas. Para quem não sabe, o personagem possui duas forças dentro dele. “O Guru é o mestre e Lino é o discípulo. Um é sábio e o outro é ingênuo, um é mais chato por saber tudo e o outro tem o frescor da curiosidade”, explica. Eles debatem questionamentos de forma espiritual e filosófica. “Hoje eles possuem características próprias e se tornaram bem individuais”, completa.  O personagem começou a ser conhecido nas ruas da Capital de maneira despretensiosa. “Estava indo ao Sebinho com minha namorada e quando cheguei estava fechado. Ficamos pensando o que fazer, e vi duas plaquinhas no chão. Peguei meu canetão, desenhei o Gurulino e deixei estrategicamente posicionado de frente para o café. No outro dia, entraram em contato comigo de lá, não sei como, perguntando se eu tinha mais trabalhos”, lembra. Pedro levou três dias para respondê-los e nesse período propagou o Gurulino pela cidade criando seu portfólio. “Saí desenhando o Gurulino por toda a parte para poder ter o que mostrar”, conta rindo. Com o sucesso do personagem, o brasiliense já tem planos para o futuro: compilar todas as tirinhas do Gurulino e transformá-las em um livro; desenhá-lo em outras cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba; criar uma personagem feminina; produzir camisetas, serigrafias e fine-arts em séries limitadas.

Instagram: @gurulino     Facebook: /gurulino

UM ARTISTA MULTIMÍDIA Um ateliê  cool, com tubos de tintas, grafites e quadros, no subsolo da 305 Norte. É lá que Fernando Thales, o Pomb, divide seu espaço de criação com mais dois amigos artistas, o Toys e o Omik. Com apenas 26 anos, ele é um dos nomes de destaque na arte de rua da Capital Federal. Domina o grafite desde os 13 anos, mas até pouco tempo o fazia como hobby.  Formado em Desenho Industrial pela Universidade de Brasília (UnB), morou em Goiânia por cinco anos, onde teve sua primeira experiência com o spray em uma parede. “Estava com uns amigos e pedimos autorização para a dona da

casa. Mostramos O Apocalipse, um desenho bem bacana, e ela concordou. Eu não tinha muita noção de proporção na parede, nem meus amigos. Fomos desenhando e o final foi um desastre. Ficou horroroso e a dona da casa irritada”, relembra.  Thales é um artista-grafiteiro e ilustrador autodidata. É filho único e, assim como Pedro Sangeon, tem sua mãe Vera Cintia como influência na área artística. Morador da Asa Sul, gosta de grafitar pelo Plano Piloto e afirma: “Domingo é o melhor dia. As pessoas estão mais tranquilas e a cidade está mais vazia”.  Pomb conta que uma de suas grandes influências é o artista espanhol Aryz, mas seus amigos com quem divide o ateliê e os artistas da Capital também são suas referências. 

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