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A Igrejinha reúne fiéis, mas também é um ponto de confraternização de antigos moradores

nhança engloba também o Cine Brasília, entre a 107 e 106 Sul. Uma ideia de vida simples, prática, em que o espaço é de todos. E para ter acesso a serviços básicos o morador não precisaria pegar o caro. Quatro anos depois da inauguração, houve o Golpe Militar e esse projeto não foi para frente. As outras superquadras foram construídas, seguindo as regras do Plano de Lúcio Costa, mas a Unidade Vizinhança ficou somente ali, para contar histórias. “É uma pena que não tenha acontecido em todo o DF. Acho que hoje seria possível, não é utópico. Mas se torna muito mais difícil. Os filhos dos moradores não estudam mais ali, não frequentam o clube, nem o centro de saúde. Os equipamentos são utilizados por quem vive em outras regiões, em muitos casos pelos filhos das empregadas domésticas”, analisa Antônio Carlos Carpintero. Outra descaracterização foi a das quadras comerciais, que eram previstas para ter todos os serviços básicos, como padaria, farmácia, mercado, salão de beleza. Com o surgimento das casas nas quadras 700, a demanda no comércio das superquadras passou a ser maior. Deixou de ser um comércio local e passou a ser geral. Assim, o movi-

mento de carros aumentou. Surgiram também as quadras 600, com colégios e clubes. A unidade vizinhança foi se descaracterizando. “O comércio muda de categoria, passa a ser de passagem. As lojas se voltam para a rua e cria o problema do estacionamento, que não existiria se fosse um comércio local, pois o morador iria até lá a pé”, explica o professor. Muitas ficaram setorizadas, como a rua das Farmácias (102/302 Sul), das Elétricas (109/110 Sul), dos Restaurantes (404/405 Sul) ou da Moda (304/305 Sul). Segundo o professor, outra distorção do projeto original de Brasília foi não terem instalado o Setor de Diversões Central, previsto para ser onde é o Conic. Era para ter cinemas, teatros, bares. Como isso não aconteceu, eles se instalaram nas quadras comerciais. Com isso, surgiu um problema que tem dividido opiniões: os limites sonoros em áreas residenciais. Um projeto de lei em discussão na Câmara Legislativa do DF propõe aumentar o limite de 65 para 75 decibéis em ambientes externos durante o dia e de 55 para 70 dB durante a noite. “Como o local de diversão central não saiu do papel, a diversão se instalou e gera conflitos com os moradores”, diz o arquiteto. GPSBrasília « 41

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