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RETRANCA

No meio da quadra, um prédio diferente, com apenas quatro andares

Por causa do tombamento, qualquer intervenção externa no conjunto urbanístico, arquitetônico e paisagístico deve ser analisado Iphan, não basta o aval da Administração de Brasília. Nenhuma regra do Relatório do Plano Piloto de Lúcio Costa pode ser alterada. “Há algumas necessidades estruturais e de segurança que precisam se sobrepor a qualquer engessamento por causa do tombamento”, opina o prefeito. A maior briga dos moradores com o Iphan é por conta da reforma nos blocos. Neste caso, não é a prefeitura quem negocia, mas, sim, o síndico de cada prédio. O problema é que, muitas vezes, além dos reparos estruturais há uma proposta de mudança estética. Alguns temas são polêmicos, como cercar os pilotis e o fechamento dos cobogós. Nada disso é permitido. Dos nove prédios, três têm o piso original, de azulejos pretos. Somente uma guarita foi mantida, as outras todas são reformadas, substituídas por mármore. “Em busca de valorizar seus imóveis, moradores chamam de modernização a instalação de materiais nobres. Trata-se de uma elite econômica que

não corresponde à elite cultural. Eles ficam a favor do modismo, em vez de dar valor à história. Um finlandês mora em um prédio construído na década de 30 e toma o maior cuidado em preservar. Aqui, querem ostentar materiais nobres. A 308 Sul é uma obra de arte. Eu acho muito mais chique aqueles que foram mantidos originais”, opina o doutor em Arquitetura e Urbanismo, Antônio Carlos Carpintero.

A UTOPIA A 308 Sul é uma das quatro superquadras que compõem o que o urbanista Lúcio Costa chamou de Unidade Vizinhança. A ideia era que a cada quatro quadras existisse um conjunto de serviços para que aquele conjunto fosse autossuficiente. A única unidade concluída foi a formada pelas quadras residenciais 107, 108, 307 e 308 Sul. No centro, está a famosa Igrejinha. Ao redor, serviços básicos, como um clube vizinhança, jardim de infância, escola primária, escola parque, espaço cultural, posto de saúde, biblioteca pública e comércio local. A unidade vizi-

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