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HISTÓRIA

eu dava bronca nela por estar correndo debaixo do bloco. Hoje, ela é a chefe”, diverte-se. Antônio cuida de todos. É chamado de anjo da guarda por muitos moradores. Interrompe a conversa para correr e atender o interfone. Ajuda a subir as compras e realiza qualquer tipo de serviços gerais. “Aqui é a minha casa”, afirma. Durante o bate-papo embaixo do bloco com a dona de casa, o filho e o porteiro, chega o aposentado Carlos Alberto Macedo, 82 anos, conhecido como Seu Carlinhos, morador da quadra desde 1962, onde criou os três filhos e vive hoje com a mulher. Está com as botas e a barra da calça sujas de terra. É como ficam depois que passa horas limpando o lago dos peixes em frente ao bloco F ou jogando água na grama. Está de boné para se proteger do sol. “Faço isso todos os dias há anos. Considero minha academia. Passo quase que a manhã toda. Aspiro a sujeira, alimento os peixes. Ajudo também na manutenção da quadra”, conta. Ele é o grande guardião das dezenas de carpas que nadam por lá. Ele mistura pimentão na ração para valorizar a cor dos peixes. A vizinha mais famosa da 308 Sul é a Igrejinha, belo projeto de Niemeyer em formato de chapéu de freira, com azulejos de Athos Bulcão e a polêmica Nossa Senhora, pintura do artista plástico Francisco Galeno. É um dos pontos turísticos mais visitados de Brasília. Mas, aos domingos de manhã, deixa de lado a veia turística para se tornar o ponto de encontro. Afinal, a missa é mais que um momento religioso, é de confraternização. A igreja fica lotada. São necessárias cadeiras extras para acomodar todos. E tem quem vá só para dar um “Olá” aos velhos amigos.

A 308 Sul é a única quadra com um laguinho

MODERNIZAR A superquadra tem prefeitura desde 1978, que conta com a contribuição simbólica mensal de R$ 15 por apartamento, além de doações individuais. A diretoria executiva tem quatro pessoas, além dos conselhos fiscal e comunitário. Todos trabalham voluntariamente. Com o valor arrecadado, é possível executar uma manutenção básica. Mas a grande parte depende do Governo do Distrito Federal. Integrante da segunda geração da quadra, o prefeito Edinho Magalhães, 41 anos, explica que atua na luta pela preservação e é uma ponte entre comunidade e governo. Atualmente, tenta junto à Novacap um projeto para nivelar as calçadas. “A quadra envelheceu e tem muito cadeirante. Hoje eles dividem as ruas com os carros, porque a calçada tem um desnível no rejunte, que atrapalha”, explica.

Escola tem azulejos de Athos Bulcão

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