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TOMBAMENTO Brasília recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco, em 7 de dezembro de 1987. O conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília foi inscrito no Livro de Tombo Histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 14 de março de 1990. Já a Unidade de Vizinhança foi tombada em 27 de abril de 2009, por meio do Decreto nº 30.303, do então governador José Roberto Arruda

de sábados, conduz um tour de duas horas pela quadra, chamado Superquadra Experience, do Experimente Brasília. Uma maneira peculiar de conhecer o cotidiano brasiliense e se apaixonar pela Capital.

VIZINHANÇA Sentada em um banco de madeira embaixo do bloco H, dona Obecina Araújo, 79 anos, lembra o dia em que chegou a Brasília, em 23 de setembro de 1960. “Quando o comandante falou que estávamos em cima da Capital, olhei pela janela, não vi nada e pensei: ‘Meu Deus, aonde eu vim parar?’”, conta. Seis anos depois, mudou-se para a 308 Sul, onde vive no mesmo apartamento há 48 anos. “A gente se apega, gosto muito de morar aqui. Existe um sentimento nostálgico. Mas sinto falta das crianças, hoje elas só querem saber de televisão e celular”, lamenta.

Fran Araújo cresceu na quadra: relação de amor

Ela e o filho, o publicitário e bancário aposentado Fran Araújo, 53 anos, morador do prédio ao lado, chegam a suspirar ao recordar a 308 Sul da década de 1960 e 1970. Passou a infância e adolescência na quadra. Ele saiu em 1984, quando se casou, e voltou definitivamente em 2009. “Meu sonho sempre foi voltar. Mas nunca deixei de frequentar por causa da minha mãe”, conta. Pai de três filhos, vive com o mais novo, João Vitor, de 14 anos. Quando perguntado o que mais gosta ali, não titubeia: “Olha essa vista, não tem como ser mais feliz”, diz, referindo-se ao visual arborizado da janela da sua sala. Exibe um álbum com fotos da época, lembra quando a mãe o vestiu com uma roupa amarela para ver a Rainha Elizabeth e mostra o grupo do Whatsapp intitulado “Confraria 308 Sul”, formado por amigos que cresceram juntos na quadra. A pedido da nossa equipe, subiu no escorregador do parquinho, o mesmo que ele brincou no dia em que chegou à quadra. “Tenho uma relação passional”, revela o brasiliense. Quem se aproxima da conversa é Seu Antônio Paulo da Silva, 64 anos, o porteiro. Trabalha na quadra desde 1971, primeiro no bloco E e, desde 1977, no H. É sua a única portaria mantida original, uma pequena cabine azul. Conhece todos pelo nome. “Eu criei esses meninos todos. A síndica do prédio em que trabalho cresceu aqui. Antes,

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