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O porteiro Antônio da Silva e sua guarita: a única da quadra desde a construção

Detalhes originais do prédio

Talvez o dia mais marcante para os moradores da quadra foi aquele 6 de novembro de 1968. Os pais vestiram seus filhos com as melhores roupas. O Jardim de Infância da 308 Sul, todo revestido com azulejos do artista Athos Bulcão, recebia a visita da rainha da Inglaterra Elizabeth II. Era polícia e gente para todo lado. A quadra inteira desceu para vê-la acenar com um sorriso simpático e discreto. Ela assistiu a uma apresentação musical das crianças na escola. Dizem que a rainha se encantou pela inteligência urbanística do projeto de Lúcio Costa e pelo paisagismo de Burle Marx. A verdade é que aquele quadrado - com laterais de 280 metros cada - envolto por um cinturão verde tem um valor histórico incontestável. Afinal, Lúcio, Oscar, Athos e Burle deixaram suas marcas lá, imprimindo ao local o que, na concepção de suas mentes modernistas, era o que havia de melhor no conceito de comunidade perfeita.

O TEMPO PASSOU

A banca do Seu Lourival, a primeira de Brasília

E como tudo que é bom passa rápido, aquele tempo também passou. Quando se deu conta, os gritos e risadas das dezenas de crianças foram substituídos pelo silêncio que permite ouvir o canto dos pássaros. A quadra hoje é habitada, em sua maioria, por idosos, que estão lá há 40, 50 anos. A superquadra 308 Sul provoca um sentimento bucólico. E, mesmo com o crescimento populacional e da frota de carros, o barulho de uma cidade grande agitada não chega ali. Circular pela superquadra é reencontrar quem faz parte da história de Brasília. Todo mundo se chama pelo nome. Tem um clima de sossego e tranquilidade. Quem

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