Page 139

SÃO TRÊS MIL FUNCIONÁRIOS EM 170 LABORATÓRIOS ESPALHADOS PELO DF E EM OITO ESTADOS. JANETE VAZ E SANDRA COSTA, SÓCIAS E VISIONÁRIAS, EM TRÊS DÉCADAS, CONSTRUÍRAM O SABIN, EMPRESA EM QUE GESTÃO E TECNOLOGIA SE COMPLEMENTAM E LHES RENDEM INÚMEROS PRÊMIOS. O SEGREDO? HUMANIZAÇÃO POR MARCELLA OLIVEIRA | FOTOS SÉRGIO LIMA

PERFIL Comunicativa, Janete Vaz é líder nata. Desde 2002, viaja o Brasil e o mundo palestrando. Aos 60 anos, leva uma vida agitada. Integra a diretoria de diferentes entidades ligadas ao ramo empresarial no DF e é membro do Conselho de Administração da Universidade de Brasília (UnB). Tem sede por aprender. Devora livros sobre liderança e gestão de pessoas. Divorciada, tem três filhos: o médico Leandro; Raquel, administradora de um laboratório; e o caçula Rafael, empresário. Paparica o neto Matteo e aguarda a chegada de Enrico. Reconstruiu a vida após a separação e namora há três anos. Como uma típica virginiana, é muito organizada. “Não tenho horas vagas”, brinca. “Com o tênis que consigo me desligar. Aquela bolinha faz eu esquecer de tudo”. É muito religiosa. Tem uma vida social agitada, adora estar com os amigos. Sandra Costa conheceu o marido Odilon na Universidade Federal de Minas Gerais. Enquanto ela cursava Bioquímica, ele fazia Odontologia. São casados há 38 anos e têm três filhos: os publicitários Marcelo, que mora em São Paulo, e Guilherme, que vive em Nova York, além de Gabriel, que cursa MBA em Economia. Aos 63 anos, tem duas netas: Beatriz e Catarina. Quando não está no Sabin, viaja para as unidades externas e para participar de congressos. Aproveita as viagens a trabalho para esticar férias em família. A rotina começa cedo, com musculação. Sua grande paixão é jogar golfe, esporte que pratica pelo menos duas vezes por semana. Capricorniana, adora reunir os amigos para apreciar um bom vinho e uma comida gostosa. É uma pessoa de muita fé, participa de grupos católicos de oração. Mas o que a move é a sua paixão pela profissão.

que ficou viúva aos 18 anos, com três filhos, e se tornou um símbolo de força e perseverança. Recebeu o incentivo da mãe para seguir os estudos e expandir seus horizontes. Enquanto isso, no município mineiro de Inhapim, o pai de Sandra cuidava da fazenda. A menina admirava ver a mãe confeccionar peças de roupas com a ajuda de seus funcionários no ateliê dentro de casa. Brincava entre carreteis de linhas, dedais e pedaços de tecido. Via a casa cheia de vida,

com pessoas imbuídas nos seus trabalhos. Ajudava comprando materiais em cidades vizinhas. Em um tempo quando o destino de muitas mulheres era somente cuidar da casa e dos filhos, Sandra tinha o exemplo da mãe. E seus pais eram enfáticos: o foco da menina tinha que ser nos estudos. Eles a estimularam a ser ousada, corajosa e ir atrás dos sonhos. Naquele tempo, as oportunidades em cidades pequenas não eram muitas. Impulsionadas pelos pais, foram estudar nas respectivas capitais: Janete em Goiânia e Sandra em Belo Horizonte. O curso? O mesmo: Farmácia e Bioquímica. Janete percebeu que tinha habilidade para a parte laboratorial. Sandra se apaixonou pelo universo de Química e Biologia. O encontro da goiana e da mineira aconteceu anos depois, quando elas, já casadas, mudaram-se para Brasília por causa dos maridos. O ano era 1980. O destino cruzou seus caminhos em um laboratório no Setor Comercial Sul. Sandra trabalhava lá há um ano. Janete aceitou ser estagiária para começar na área. Com o tempo, tornaram-se amigas. Desde o início, Janete plantou a sementinha: “Sandra, vamos montar o nosso próprio laboratório”, mas a amiga sentia que primeiro elas precisavam adquirir experiência. Paralelo ao trabalho no laboratório, prestaram concurso público para a Fundação Hospitalar. Aprenderam também a lidar com pessoas, clientes, fornecedores e conheceram o mercado. “Foi uma lição de empreendedorismo. O dono desse laboratório foi o nosso pai de profissão”, lembra Sandra. A rotina era árdua. Elas se desdobravam em mais de um emprego, além do casamento e dos três filhos de cada uma. Mesmo com as carreiras seguras e estabilizadas, elas queriam mais. No fim do expediente de um sábado de 1984, Sandra ligou para a amiga: “Como é mesmo aquela história de montar um laboratório?”. No mesmo dia, as duas saíram pelo Plano Piloto em busca de um lugar para dar início ao sonho. Fecharam negócio em uma sala de 90 m² no recém-inaugurado Edifício de Clínicas, no início da Asa Norte. Por uma intervenção que elas consideram divina, a edição do jornal Correio Braziliense do dia seguinte traGPSBrasília « 139

revista_GPS_brasilia_edicao_11.indd 139

07/08/15 00:41

Revista GPS Brasilia 11  
Revista GPS Brasilia 11  
Advertisement