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O trabalho no Sarah é feito utilizando arte e elementos da natureza

um personagem do século XVIII e, ao contar sua trajetória, vou citar momentos emblemáticos da nossa história, como o período da escravidão, da Inconfidência Mineira. Um trabalho histórico e social”, revela Lancelli. Um paciente querido no hospital foi Eliot Rosário, que morreu de câncer há dois anos. Ele teve um acidente vascular cerebral e perdeu a fala, por anos foi paciente do Sarah. Para se comunicar com o mundo, foi aos poucos descobrindo e desenvolvendo uma linguagem própria na qual busca na memória lugares e paisagens escondidas, desembocando num colorido alegre e vivo. Assim, ele se revelou um belíssimo pintor, capaz de manifestar sensações diversas ao espectador de sua obra. Nas dependências de cada unidade há a área hospi-

talar, em que são realizadas as cirurgias e onde estão os leitos dos pacientes, o laboratório, o setor de pesquisa, os refeitórios, a emergência, a recepção e o espaço para atividades multidisciplinares – que inclui os equipamentos para as atividades motoras – o ginásio e a brinquedoteca. No ginásio, cadeirantes podem jogar basquete, tênis de mesa ou bocha, por exemplo. Há o espaço das piscinas para os pacientes realizarem a fisioterapia ou natação. Na unidade do Lago Norte em Brasília, as atividades envolvem canoagem e veleiros no Lago Paranoá. Há aulas de dança, oficinas de pintura e sessões de música. A ideia é o paciente estar em ação com o prazer. As atividades podem ser feitas com bola ou cordas. Na unidade de Fortaleza, há oficinas de horta e jardinagem. Sempre se aproveita o espaço disponível. Um trabalho realizado pela neurocientista Lúcia Braga virou uma publicação. Ela foi pioneira no mundo num estudo comprovando que a voz da mãe ativa no cérebro do seu bebê áreas muito maiores que a voz de uma pessoa desconhecida. O manual repercutiu em países como China, Estados Unidos, Dinamarca e Qatar. Sheikha Mozah, uma das donas da rede de televisão Al Jazeera, convidou Lúcia para implantar o mesmo que fez no Brasil nos hospitais do Qatar. “Ela me ofereceu um salário sem limite. Mas não podia me afastar. Fiz um compromisso ético em fazer uma saúde pública de qualidade no meu País. Não há dinheiro no mundo que pague ver a satisfação da população”, relembra.

CELEBRIDADES “Caríssima Lúcia, só para pedir que perdoe minha imperdoável grosseria em não lhe agradecer diariamente o cuidado com que tratou minha alma em momento crucial. Um enorme abraço, Millôr”. Esse é um exemplo dos diversos e-mails que a médica recebe de seus pacientes em agradecimento. Curiosamente, esse e-mail é do escritor, humorista e jornalista, Millôr Fernandes.

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