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C

erto dia, o ex-presidente Juscelino Kubitschek sentou-se ao pé da cama da filha Márcia, que sofria de problema na coluna e, para consolá-la, disse que chegaria o dia em que haveria cura para todas as enfermidades. Isso ainda não aconteceu, mas, fruto desse desejo, em 1960 nasceu o hospital que dá esperança a milhares de brasileiros. O nome escolhido foi Sarah, em homenagem à mulher de JK, responsável por fazer o centro de reabilitação sair do papel. Coincidentemente, sara significa cura. É curando, não só as enfermidades do paciente, mas, sobretudo, as dores da alma, que a Rede Sarah atua. Por meio de um trabalho humanizado que utiliza a natureza e a arte como instrumento na reabilitação, a Rede Sarah incentiva seus pacientes a superarem cada dificuldade. “Doença nem sempre é um obstáculo intransponível. Existem fendas pelas quais podemos escapar e redescobrir a vida. Depende de nós”. As palavras são de um paciente e estão expostas em um dos painéis localizados na unidade do Lago Norte, em Brasília. Ele perdeu parte dos movimentos do corpo, mas ainda podia mexer a mão. Passou a pintar e a descobrir uma nova forma de se expressar. Com dez unidades pelo Brasil e referência em ortopedia e neurologia, o Sarah é um hospital que pensa nas potencialidades do indivíduo. Quem ama a natureza pode fazer fisioterapia velejando ou remando no Lago Paranoá. A música pode embalar outras sessões. Também a pintura é usada para ajudar na reabilitação. Adentrar nas dependências deste lugar inesquecível é ter a certeza de que, sim, é possível ter saúde pública de qualidade no Brasil. O Sarah é mais que um hospital, é um lar pronto para acolher qualquer ser humano. Um lugar grandioso, bonito, que envolve arte, arquitetura e design em sua

concepção. Traz uma sensação de bem-estar inexplicável. A arquitetura de todas as unidades da rede tem estética moderna. O arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, pensou em estruturas metálicas curvas no teto, que imitam ondas, chamadas de  shed. A forma irreverente do teto chama a atenção e traz sensação de amplitude, permite a entrada da luz e a ventilação nos ambientes. Para trazer um pouco de cor nas paredes que são de concreto e vidro, desenhos do artista Athos Bulcão formam imensos painéis decorativos. A proposta modernista segue nos corredores amplos, nos jardins de inverno, no piso uniforme. Nada na Rede Sarah ostenta. O ambiente é clean e promove perfeita integração entre a concepção arquitetônica e as necessidades médicas e terapêuticas.

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