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Divulgação/Getty Images

I

importa com tendência. Sua busca é por objetos funcionais que se relacionem com o design na linha do tempo. Nina nasceu em Teerã e mudou-se para a Itália aos cinco anos com a família. Era companheira de trabalho do pai, que tinha uma galeria de tapetes. A possibilidade de apresentar ao europeu os modelos em kilim deu início à sua carreira solo, que alavancou quando de volta de uma viagem a Estocolmo trouxe tapetes suecos, turcos, franceses jamais vistos e ainda um contêiner cheio de móveis criados por Alvar Aalto e Bruno Mathsson. Todos escolhidos por pura intuição. Mal sabia ela que o elo entre o seu instinto e a arte estariam juntos para sempre. Datava 1979. Desde então, Nina busca mundo afora, numa imensa rede, obras de Piero Fornasetti e Ettore Sottsass a Charlotte Perriand, Jacques Adnet. E até Verner Panton e Paul Evans. “Odiaria trabalhar sempre com as mesmas ideias. Estou sempre pensando no que vem a seguir”. Foi assim que apostou no italiano Martino Camper, à época, recém-formado pela Royal College of Arts, de Londres. Com o auxílio de Nina, ele criou um verdadeiro alvoroço no mercado ao apresentar o projeto  Cem cadeiras em cem dias, em 2007, mostra de exemplares catados nas ruas londrinas. Nesse momento, a galerista percebeu que era hora de abrir brechas para nomes contemporâneos. E levou os seus para a Art Basel em Miami, abocanhando também as Américas. Atualmente, Nina representa 25 designers e sua galeria é parada obrigatória no Salão do Móvel de Milão, assim como na Expo Milano. Outro momento que Nina gosta de ressaltar foi a sua chegada em Paris em duas oportunidades. Uma para o evento Squat, onde ambientou um apartamento inteiramente vazio. E a outra para o Hotel Particullier, do século XVI, que recebeu a sua intervenção em 1,5 mil metros quadrados. Desde o início do ano, dedica-se à abertura de seu armazém, a 15 minutos do centro de Milão. Lá, concentrará todo o seu estoque, que vive espalhado. Quando não está envolvida no seu ofício, Nina curte a sua casa, uma outra galeria particular, onde abriga obras que não vende, troca ou negocia. No terraço, um lindo jardim cultivado por ela mesma. Ela tem uma filha de 23 anos, que cursa Medicina. Quando fala de seu rebento, é um dos poucos momentos em que, de fato, relaxa, abre um largo sorriso e permite que seu olhar se perca no tempo. Logo, volta ao seu natural estágio introspectivo e exótico e já emenda: “Conhece as luminárias de  Michael Anastassiades? São maravilhosas, estou trabalhando com ele agora. Vamos ver?”. Nina não para nunca.

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