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A casa foi tomada, tornando-se sede, em 1943, do Partido Republicano Fascista. O retorno se deu apenas nas proximidades dos anos 1950. Dispostas a esquecer os tempos ruins em que a propriedade esteve com outro uso, as Necchi resolveram trocar a ambientação. Contrataram Tomaso Buzzi e resgataram o estilo bastante decorativo com aquela sensação de opulência. Foi quando entraram tapeçarias e mobiliários barrocos, tal qual se encontram agora. Muitos entendidos insistem em dizer que Buzzi desconfigurou a estética revolucionária da época. E assim se passaram os anos da agradável e pitoresca família, que começou a envelhecer até se desfazer, em

o do casal, o de Nedda e os de hóspedes. Vale destacar os banheiros divididos em ambientes, cercados do mais nobre mármore e com todos os acessórios intactos. Outra bossa: como as irmãs solicitavam atendimento 24h, duas empregadas tinham seus quartos, também muito bons, no mesmo andar, com acesso a uma minicozinha e uma minipassaderia. Elas podiam ser chamadas a qualquer instante do dia e da noite. O andar de cima, hoje, é usado como espaço para exposições, mas abrigava os aposentos dos funcionários. Pois bem, a eterna festa da família foi suspensa na guerra, quando eles deixaram a cidade rumo ao campo.

1993. Em 2001, com a morte da última integrante, Gigina, a Villa Necchi Campiglio foi doada, uma vez que não havia herdeiros, ao Fundo do Patrimônio Cultural da Itália. Nessa época, duas expressivas coleções passaram a fazer parte do acervo, com obras de Sironi, de Martini e de Chirico. E de Canaletto, Rosalba Carriera e Tiepolo. Após anos em restauro, o local foi reaberto em 2008. Ao fim dessa viagem no tempo, em que eu certamente estive inserida na excitante vida das irmãs tão visionárias, tive a certeza de que, sim, a burguesia tem o seu irresistível charme. É muito bom poder ser excêntrico em terras europeias de tempos palacianos. O desfecho dessa visita se deu com muitos comentários a fazer e fotos para tirar antes que os portões de ferro nos jogassem automaticamente para fora de tanta história. De volta à realidade, restou o apego ao filme de 2009, Eu Sou o Amor, dirigido por Luca Guadagnino e estrelado por Tilda Swinton, cuja trama se passa no interior da inesquecível Villa Necchi Campiglio.

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