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AUTORRETRATO

Sua inquietude também lhe abriu portas para o cinema e as artes plásticas na década de 1990. Já conhecida e bem relacionada em Nova York, por que não ampliar seu universo? No frenesi nova-iorquino, Duong passou a atuar em filmes prestigiados em festivais de Cannes, Berlim ou Utah. Não demorou, a moda, o cinema, a dança se liquidificaram num só ofício. Foi aí que Duong passou a pintar visceralmente. Sua expertise: autorretratos, o que ela considera ser “um diário visual”. Sua arte, ela descreve, tem uma relação bem íntima com o inesperado. O gênero considerado diferente por galeristas e colecionadores a graduou ao patamar de mulheres como Frida Kahlo, Anais Nin, Dora Maar – pintora, es-

critora e fotógrafa, respectivamente –, mulheres notoriamente reconhecidas por ilustrarem a realidade própria em suas obras. Atualmente, Duong é representada pela galeria Sonnabend, em Nova York. Em sua mais recente exposição, em Londres, em 2014, a jornalista norte-americana Phoebe Hoban, escreveu: “Muito antes de autoimagens digitais, os selfies, Anh Duong criou o ‘true selfie’”, referindo-se a uma série contínua de autorretratos. “A pintura é um lugar onde eu posso tanto me esconder ou me mostrar mais”, analisa. Duong diz que pinta o que vê, em vez de usar a sua imaginação ou memória. Até porque, para ela não faz sentido dar explicações de sua obra. “Palavras podem afetar”. O que ela quer, na verdade, é a conexão. Tanto que uma das características do seu trabalho é a firmeza do olhar. O personagem sempre olha diretamente para o espectador e essa interatividade passa a ter sentido quando Duong revela que seu interesse não é retratar-se puramente, e, sim, servir de referência para que aqueles que a apreciam na tela percebam passagens de suas próprias vidas. Ao ser questionada sobre seu processo criativo, ela surpreende ao dizer que não faz esboços. “Limitaria meu trabalho”. O resultado é um frenesi em torno de suas obras. Nomes expoentes, colecionadores e personalidades querem não só ter uma obra de Anh Duong, como, quem sabe, o próprio retrato pintado por ela, o que seria uma grande honra.  Para tanto, a artista gosta de parafrasear o artista suíço Alberto Giacometti:  “La grande aventure, c’est de voir surgir quelque chose d’inconnu, chaque jour, dans le même visage C’est mais grandioso Que tous les voyages autour du monde.” (“A grande aventura é ver algo desconhecido surgir, a cada dia, na mesma face. Essa é a maior de todas as viagens em qualquer parte do mundo.”) SERVIÇO www.anhduongart.com

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