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RETRANCA

tante porque aprendi muito. Depois atuei com revistas, mas sempre em campos artísticos. E também estive na Toscana por dez anos, restaurando prédios. Desde cedo o seu pai anunciava a verve artística? Na sua época, durante o fascismo, a mentalidade das escolas era muito puritana, não se copiavam corpos nus, e ele acreditava que tudo na arte começa com o desenho do corpo, sabe? Ele era incompreendido. 9RF¬DFKDTXHDJXHUUDRDMXGRXDHVWDEHOHFHURSURFHVVRFULDWLYR" De certa forma, sim. Ele ficava em casernas em Milão, até que o seu grupo militar foi designado a lutar na Iugoslávia. Antes de partir, houve a necessidade de arrumar ali mesmo entre eles um pintor. Eles perguntaram: “Há algum no grupo?”, e Fornasetti disse: “Eu sou pintor”. E foi assim que conseguiu passar parte da guerra na Itália. Mas o que ele pintava? Sua função era desenhar palavras em inglês. Além de escrever o que era necessário, ele decorava o local com a sua arte. E dizia: “É a mesma coisa que quadros... só que em forma de letras”. Daí veio a guerra e com a confusão toda, ele acabou fugindo para a Suíça. Quantos anos ele passou lá? Uns três. Lá, ele conheceu artistas e intelectuais e isso ajudou muito na composição de sua obra após a retomada de seu trabalho. E quando foi o reencontro com o seu pai? No começo dos anos 80. Ele se encontrava em uma situação financeira problemática. Eu tive que voltar.

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