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RETRANCA

do dessa ligação platônica foram nada mais que 350 itens confeccionados com o seu rosto. “Eu simplesmente comecei a fazê-lo e não parei mais”, dizia. Piero nasceu e viveu no mesmo lugar, a casa de sua família, em Milão. No início de sua carreira, esteve na Segunda Guerra Mundial e também na Suíça, exilado ao longo de três anos. Antes, porém, foi expulso do Brera Academy por insubordinação. De tão passional, chegou a ter 22 mil peças expostas num apartamento, num gesto de grande loucura e genialidade. O desdobramento da vida e da obra de Fornasetti está ligado ao seu filho único, Barnaba, que na juventude viveu aos trancos e barrancos com o famoso pai, mas aos 30 anos, na década de 80, voltou para ampará-lo da ruína financeira e nunca mais o abandonou. “O sonho do meu pai virou um pesadelo para mim”, diz Barnaba, que ainda hoje, quase trinta anos após a morte do pai, se emociona ao contar tantas histórias. Seus olhos brilham e se distanciam da realidade. A fala fica pausada, a voz branda. “Eu o amava muito”. Pois a vida de Barnaba é uma sequência cadenciada da de Piero. Ele mora exatamente onde o pai morou. E lá também está instalado o ateliê, além de uma pequena estrutura criativa e operacional. A casa foi construída

pelo avô. Outrora, muitas e muitas festas foram realizadas na residência, afastada do centro da cidade, que crescia nos moldes clássicos da arquitetura italiana. Um bloco amarelo, outro vermelho e o branco, todos interligados formando um U com o jardim central. Dentro da residência, a decoração quase original sobre o autêntico piso de madeira que data o século XIX, assim como as escadarias art déco. Os móveis são essencialmente Fornasetti distribuídos em dezenas de cômodos, todos eles com a essência ilusionista do seu

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