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DE FRENTE COM DURAN Primeira câmera Não faço ideia. Não tenho esse romantismo que as pessoas têm. Não sou ligado ao passado. Não guardo arquivos antigos, nem lembro a primeira foto que tirei. A lente faz diferença? Não me preocupo com a lente, só preciso de uma câmera que não me deixe na mão. A foto ou a ideia da foto eu já tenho pronta antes de ela acontecer. O que te inspira? Tudo o que vejo me inspira. Gosto de gente, da linguagem do corpo, o que elas são, seus tiques. Leio bastante, assisto

duas vezes: arranjou outro emprego e, embora estivesse ganhando menos dinheiro, pensou na experiência conquistada. Finalmente começou a fazer trabalhos freelance mais elaborados. Montou seu estúdio em São Paulo nove anos depois. Atualmente colabora para as principais revistas do País. É casado, mas não fala sobre sua vida pessoal. Viaja bastante e diz que só sai de casa se for a trabalho. Em 1984, realizou sua primeira exposição, Beijos Roubados, na Galeria Paulo Figueiredo, em São Paulo, e na prefeitura de Mataró, em Barcelona. Morou e trabalhou em Nova York, entre 1989 e 1995. Lá ampliou a clientela, passando a trabalhar para o mercado europeu e norte-americano. É também editor da sua própria publicação, a Revista Nacional,  distribuída para um  mailing  seleto ou vendida por cerca de R$ 300. É nela que Duran clica e edita as matérias – e as moças nuas – que a imprensa não viu. Tem seis livros de fotografia publicados, sendo Cadernos Etíopes o mais recente. Escreveu ainda três romances policiais, Lisboa, Santos  e  Cidade sem Sombras,  que formam uma trilogia, e um livro com diários de viagem, Cadernos de Viagem, com aquarelas de todos os quartos de hotel em que fica hospedado. Algumas das telas foram pintadas pelo próprio fotógrafo. A publicação foi finalista no Prêmio Jabuti. “Estou escrevendo mais um romance”, revela sem dar muitos detalhes.  Fim da conversa, agradeço a disponibilidade. E lá vai mais uma tentativa. Fernando e Duran seguem para a beira do Lago Paranoá. Foto considerada clichê para uns, foi a escolha assertiva para a saga do jovem fotógrafo. Fernando mostra a foto para Duran e o mestre lhe responde calmamente: “Garoto, não importa o que eu acho da foto que você tirou. Um bom fotógrafo não ouve a opinião dos outros. Ele tem certeza que seu trabalho é bom”. Deduz-se que a insegurança não passa perto deste ícone dos cliques. 

você entenda o mundo. Redes sociais Eu não tinha Instagram, mas descobri que podia ganhar dinheiro com isso. Não tenho uma equipe que gerencie minhas contas. Tudo que você vê sou eu que posto, tanto lá quanto no Twitter. Não tenho Facebook. O que te irrita nas redes sociais? É como estar na escola, sempre tem o idiota, o bonito, o inteligente. Não perco tempo com bobagem, é se importar com o que vale a pena. Os belos corpos Mulheres são seres mutantes. Não me atenho aos corpos, o que sei é que antigamente a depilação era uma, hoje é outra. Mas isso é muito pessoal, não me interessa. A Playboy As revistas de celebridades abriram o mercado das famosas e oferecem cachês sem a necessidade de mostrar a nudez. Antigamente, uma atriz queria comprar um apartamento e saía na Playboy. Quando elas começaram a entrar em anúncios em que lucravam sem se despir, a revista perdeu espaço. Fotos de celular Todo mundo acha que é fotógrafo. Mas todo mundo que sabe escrever, é escritor? Uma mulher que não fotografou, mas gostaria... Impossível te responder isso. São várias. Seria injusto nomear apenas uma. O que mais gosta de fotografar? Sou fotógrafo de gente. Fotografo moda, publicidade e nudez. A única diferença é que ora as pessoas estão nuas, ora estão em situações do cotidiano. Usa Photoshop? Eu não uso, mas tem alguém que usa para mim. O Photoshop só é um problema se você distorcer a realidade, mas, se não passar dos limites, otimiza a vida. É um aliado do fotógrafo. Lema de vida Nunca ouça a opinião dos outros. Tanto faz o que eu falei para você, faça o que quiser.

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