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tagram Fotos: Reprodução/Ins

Nesse momento, o mestre fez questão de reforçar que os equipamentos mais modernos, digitais e tecnológicos não fazem tanta diferença na qualidade de suas imagens. Para ele, o conceito é mais importante. “Um bom fotógrafo é aquele que não mostra fotos ruins. Tem que editar e ter autocontrole. Quanto menos foto ruim você mostrar, mais interessante você se tornará. A pessoa só precisa de uma foto boa. Ouviu rapaz?”, perguntou ao Fernando.    A entrevista seguiu em frente. Começamos a falar sobre sua estratégia nas locações, se tem algum ritual, como deixar as mulheres à vontade. Ele diz que na hora de fotografar uma mulher nua, não escolhe uma parte do corpo para iniciar. Primeiro espera que ela se movimente, mostre-se, manifeste-se. Afirma, ainda, que nenhum trabalho é uma surpresa. Ressalta a importância do casting, do estudo antecipado, embasado no personagem. E afirma que não direciona o shooting, tampouco é ligado em rituais.  “Eu as deixo fazer o que quiserem. Acredito que coloquei a pessoa certa no lugar certo. É como a construção de uma novela, você tem que identificar o ator perfeito para determinado papel. Assim, tudo flui. Tenho certeza de que elas farão exatamente o que eu espero. Se começo a direcionar, crio barreiras que não existiam e eu preciso das surpresas”, conta.   Josep Ruaix Duran nasceu na Espanha, mais especificamente em Barcelona. Decidiu tornar-se fotógrafo por mero acaso. O marido da sua prima, o fotógrafo Oriol Maspons, falecido em agosto de 2013, foi quem o introduziu nesse segmento. “Na verdade, sempre quis retratar o mundo de alguma maneira e me encontrei na Fotografia”, relembra. Aos 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com seus pais, em 1970. Estudou Jornalismo. Seu primeiro estágio por aqui foi com o fotógrafo catalão Marcel Giró, um dos grandes modernistas espanhóis no Brasil.  Apesar da experiência de três anos ao lado de Giró, Duran queria mais. Fotografou um universo de objetos, móveis e automóveis na publicidade, mas faltava alguma coisa. Faltava gente. Não pensou

Obras escritas por J.R. Duran

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Revista GPS Brasília 14  
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