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REVELAÇÕES DE UM MAGO PRÊMIOS, EXPOSIÇÕES, LIVROS SÃO ELEMENTOS QUE COMPÕEM A TRAJETÓRIA DO ESPANHOL JR DURAN, QUE TRANSFORMOU A LINGUAGEM ESTÉTICA DE MODA E BELEZA NO PAÍS POR ANDRESSA FURTADO « FOTOS FERNANDO VELER

O

sol do Cerrado ardia, como faz costumeiramente no inverno, roubando a cena no céu do Planalto Central. Era 15h. Estávamos eu e o fotógrafo Fernando Veler à espera do entrevistado do dia: J.R. Duran. O vento estava frio, a secura intensa. Duran havia saído para almoçar e estava atrasado. Fernando se mantinha na expectativa. Aquela relação de fã e ídolo, o deixou inquieto. Conversamos, mexemos no celular, perguntamos ao concierge do hotel se ele tinha notícias... e nada. Trinta minutos depois, o protagonista dessa entrevista chegou. Ao lado dele, estava o repórter fotográfico Luiz Garrido, outro mestre dos cliques. Sereno e tranquilo, cumprimentou-nos e perguntou: “querem fazer a foto logo?”. Eu respondi que sim. Fomos para a parte externa do hotel, de frente para a piscina e com vista para o Lago Paranoá. Duran não é de muitas palavras. Estava ali, aguardando as perguntas sem delongas. Fernando já tinha mapeado o espaço, escolhido a luz, pensando na foto, mas assim que Duran posou para suas lentes, ele titubeou por uns instantes. Eu entrei em cena e comecei a entrevista. Duran estava em Brasília para participar do evento Cronistas da Fotografia. O bate-papo seria sobre beleza e moda editorial. Duran é expert nesses dois itens. E quando o assunto é nudez então, nem se fala. Desde os anos 70 até hoje, aos 64 anos de idade, realizou incontáveis ensaios e capas de revistas com inúmeros símbolos sexuais do Brasil. De personalidades abastadas às

celebridades abestadas. De musas eternas às turbinadas da hora... Xuxa, Luiza Brunet, Maitê Proença, Monique Evans, Adriana Galisteu, Claudia Raia são algumas que fazem parte do  hall  de beldades clicadas por ele. A lista é grande. “Não faço ideia de quantas mulheres já fotografei”, afirma. A  Playboy  foi um capítulo que lhe deu notoriedade. Foram nove capas, entre as dez mais vendidas, sob as suas lentes. Somadas, atingem oito milhões de exemplares. Ao longo desses anos, o fotógrafo, que é considerado o “mago das lentes” e o “rei do nu”, vivenciou cada mudança na estética feminina. “Você pode ter bunda grande e bonita ou um peitão, mas se for uma anta, de nada adianta. Se a pessoa não tem um equilíbrio na estrutura do seu corpo, mas tem energia, não importa. Ela irá cativar ainda mais por isso. Os padrões de beleza não ditam nada. A essência e a personalidade da mulher fazem a diferença”, conta.  Durante o bate-papo, o fotógrafo precisou fazer uma pausa. Luiz Garrido apareceu para lhe pedir o  pen drive com o arquivo da palestra que daria em poucas horas. Duran pediu licença e foi até o quarto em que estava hospedado. Enquanto isso, Fernando, ainda em busca do ângulo perfeito, foi questionado por Garrido. “E aí, fez a foto dele?”. “Fiz, mas quero fazer outra”, respondeu, mostrando o clique. Garrido logo lhe deu um toque man to man. Assim que o entrevistado voltou, Fernando disse: “Preciso fazer outra foto sua”. Duran respondeu, balançando a cabeça afirmativamente. GPSBrasília « 63

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Revista GPS Brasília 14  
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