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RETRANCA

MÚSICA NOS NOVOS TEMPOS

“Nosso primeiro show foi no Rio de Janeiro, abrindo para os Paralamas do Sucesso, no verão de 1984. Quando contato da banda para a plateia. Agora, tem página no Facebook, Soundcloud, YouTube. Em tese, é a mesma coisa, mas a gente tinha a música. Hoje, com a indústria da música no chão e só os Wesleys Safadões conseguindo contrato, até vejo com bons olhos essa falta de perspectiva, porque dentro da angústia a arte é criada.”

HISTÓRIA DO PAI

“Meu pai era cônsul americano na década de 1950, em Belém do Pará, onde conheceu minha mãe. Alexandre José Jorge de Seabra, nasceu em Portugal, migrou para França e depois Estados Unidos. Logo meus pais casaram-se. Por isso, eu e meus irmãos nascemos em Washington D.C.. Morei na capital norte-americana até os nove anos e voltei para o Brasil. Quando meu pai se aposentou, continuou trabalhando com tradução durante a gestão do John Kennedy. Ele era o intérprete para línguas latinas. Então, quando João Goulart, Juscelino Kubitschek visitavam os Estados Unidos, meu pai sempre estava junto.”

HISTÓRIA DA MÃE

“Minha mãe atuou como colunista social. Grande jornalista, Sílvia Seabra. Era também prefeita comunitária do Lago Norte. Desde pequeno eu via as articulações, os políticos Tudo para aparecer na coluna. Era até bom, porque eu presenteava minhas namoradas e comia as mangas (risos)! Na época, eu achava engraçado. Agora, olhando para trás, confortável com todo esse lobby, sabe?”

 

DROGAS

“Parece bem elitista, mas não era. Meus pais não dirigiam e por isso tínhamos motorista. E o primeiro deles era alcoólatra. Eu, aos 12 anos, presenciava surtos dele em casa. Logo passei a ver os abusos do Renato (Russo) com as drogas. O André Pretorius (sul-africano fundador do Aborto

Elétrico) morreu de overdose de heroína. Nunca consegui me envolver com drogas. Não estou sendo moralista, por favor, mas você pode ter sua doideira sem ser doido.”

PUNK

“O meu bisavô foi um dos responsáveis por atrasar quase 50 anos a chegada da Coca-Cola a Portugal. Ele sabia que aquilo não fazia bem à saúde. Ricardo Jorge era um sanitarista famoso no começo do século passado. Tem até um instituto com seu nome e uma estátua dele em Lisboa. Era o Osvaldo Cruz da Península Ibérica. É muito você proibir a Coca-Cola em um país. Deve ser daí que surgiu o meu lado punk!”

PERSONALIDADE

“Eu comecei a faculdade de Letras no UniCeub e acabei largando. Não era para mim. Mas sempre compensei com leitura, discernimento e cultura. Por outro lado, eu também nunca fui de beber. Aprecio um bom chopp, uma caipirinha. Em casa, eu me viro bem na cozinha, preparando uma ótima moqueca capixaba. Agora, se for para comer fora, em Brasília, eu sempre achei a pizzaria Bacco a melhor de todas!”

BRASÍLIA E A PLEBE

“Acho que agora Brasília respira por conta própria. Eu sou produtor e consigo viver aqui. O escritório da Plebe e Inocentes, toca com a gente há dez anos e está em São Paulo. Sempre fomos eu e o André irmãos camaradas. Estou com uma formação de banda que demorou 35 anos para chegar ao que eu queria.”

PRESENTE

"O evento Rock na Ciclovia recria o mesmo que organizávamos há 35 anos na ciclovia do Lago Norte. A gente chegava lá com um equipamento extremamente precário e tocava. Foram os primeiros shows da Plebe, da Legião. Hoje, eu recrio isso sem nenhum centavo de dinheiro público. Juntamos os food trucks, nos encontramos no Eixão, na altura 115 Norte, uma vez por mês, e tocamos rock.”

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Revista GPS Brasília 14  
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